O Amor de Deus-Pai por nós: foi Ele que nos escolheu antes que o mundo tivesse sido criado para sermos Seus filhos

 “Deus não é um ser longínguo, que contemple com indiferença a sorte dos homens, seus anseios, suas lutas, suas angústias. É um Pai que ama os seus filhos até o extremo de lhes enviar o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, para que, pela sua encarnação, morra por eles e os redima; o mesmo Pai amoroso que agora nos atrai suavemente a Si, mediante a ação do Espírito Santo que habita em nossos corações.” Josemaria Escrivá[i]

 

Somos predestinados a ser filhos de Deus?

 

É isso mesmo: você e eu somos predestinados por Deus-Pai a sermos Seus filhos. Ele planejou isso antes da criação do mundo.

Para isso nos criou: para ser o Nosso Pai.  É por isso que nos Jesus instituiu pela sua Igreja os 7 Sacramentos (Batismo, Crisma, Ordem, Matrimônio, Unção dos Enfermos, Confissão)  pois em cada um desses, há a  comunicação da graça santificante e  do Espírito de Cristo, o Espírito Santo, pelo qual temos condições de realmente chamá-lo: Abbá, paizinho….como fazia Jesus.

E isto foi muito bem interiorizado por São Paulo e externado em uma de suas Cartas (Epístola aos Efésios 1, 4-5).

Diz São Paulo: “Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo …nos elegeu antes da constituição do mundo para que fôssemos santos e imaculados

diante Dele na caridade e nos predestinou à adoção de filhos seus em Jesus Cristo.”

 

O que significa, na prática, sermos eleitos para ser filhos de Deus?

 

Se Deus-Pai, antes da criação do mundo, narrada em Gênesis, elegeu o homem para ser o seu filho, na prática,  quer Deus-Pai que participemos da Sua natureza Divina.

 

“El hombre, aun antes de ser creado está ´elegido´por Dios. Esta elección se cumplirá em El Hijo eterno….El hombre ES, or consiguiente, elegido en El hijo

para La  participación em La misma filiación por adopción divina. Em estoconsiste La esencia misma Del mistério de La predestinación, que se manifiesta em El eterno amor Del Padre .

En La predestinación se halla contenida, por tanto, La eterna vocación Del hombre a participar em La misma naturaleza de Dios…La predestinación, ES decir, La adopción a ser hijos

En El  Hijo eterno, se opera no solo em relación a La Creación Del mundo e Del hombre em El mundo, sino em relación sobre todo a La redención realizada por El Hijo, Jesucristo.

La Redención se convierte em expresión de La Divina Providencia que muestra así El aspecto fundamental de su finalidad salvífica.”  (BETETA, Pedro. El amor de Dios Padre por los hombres em La ensenanza de Juan Pablo II, Cuadernos Palabra, Madri: 1998, p. 80-1)

 

Como acontece essa nossa filiação, essa participação na natureza divina de Deus?

Essa participação na  natureza Divina tem um aspecto de adoção, porque acontece pela chamada graça.[ii],  e, como diz o catecismo (ponto 658) “é o princípio de nossa própria ressurreição, desde já pela justificação da nossa alma, mais tarde pela vivificação de nosso corpo.”

Essa nossa filiação divina acontece pelo nosso Batismo: “A graça é uma participação na vida divina; introduz-nos na intimidade da vida trinitária. Pelo Batismo, o cristão tem parte na graça de Cristo, cabeça da Igreja. Como ´filho adotivo´pode doravante chamar a Deus de ´Pai´, em união com o Filho único. Recebe a vida do Espírito, que nele infunde a caridade.” (ponto 1997, Catecismo)

Essa a graça nos foi merecida por Jesus no mistério Pascal que, além de nos libertar da escravidão do pecado, pela Morte de Jesus, abre as portas de uma nova vida (eterna, sobrenatural e celeste), pela Ressurreição de Jesus:

“Há um duplo aspecto no Mistério Pascal: por sua Morte Jesus nos liberta do pecado, por sua Ressurreição Ele nos abre as portas de uma nova vida. Esta é  primeiramente a justificação que nos restitui a graça de Deus, ´a fim de que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova (Rm 6,4). Esta consiste na vitória sobre a morte do pecado e na nova participação na graça. Ela realiza a adoção filial, pois os homens se tornam irmãos de Cristo, como o próprio Jesus chama seus discípulos após a Ressurreição: ´Ide anunciar a meus irmãos´(Mt 28,10). Irmãos não por natureza, mas por dom da graça, visto que esta filiação adotiva proporciona uma participação real na vida do Filho Único, que se revelou plenamente em sua Ressurreição.” (Catecismo ponto 654).

 

É maravilhosa como essa adoção divina por Deus em relação a nós se opera, pois como explica São Paulo em várias Cartas, sobre essa transformação existencial para filhos de Deus,  o  “homem velho” morre, porque, pelo Batismo, “une-se à existência humana de Cristo na sua Morte, Sepultura e Ressurreição (cf. Rom 6, 1-13; Gál 2, 18-20; 6-14; Col 3,3) e o homem novo ressuscitara em Cristo….Esta união, como diz Joseph Holzner que era sacerdote e se dedicou anos a escrever sobre a vida de São Paulo, “esta união não anulava a sua individualidade mediante uma espécie de mistura helenística dos mistérios; era uma união que se dava segundo o Espírito de Cristo, isto é, o Espírito Santo.” Holzner,  Josef. Paulo de Tarso – tradução de Maria Henriques Osswald – São Paulo: Quadrante,  2008, p. 86.

 

Deus-Pai nos predestinou mesmo antes do mundo existir a sermos seus filhos no seu Filho e também sabia que nos daria um novo ser em virtude dos méritos de Jesus operado pelo seu sacrifício pascal:

“Por meio de uma união mística que ultrapassa o tempo e o espaço, realizada pela fé e pelo batismo, todo o fiel encontra-se vinculado a Cristo na sua Morte e Ressurreição e recebe um novo ser em virtude do ato redentor de Cristo, levado a cabo uma só vez e para sempre. O seu ser essencial, embora oculto, encontra-se agora dentro do âmbito da vida de Cristo; (…) O cristão ´reveste-se de Cristo´(Gál 3,27), mas não á maneira de um ator, que não se identifica com o papel que representa e pode desempenhar outros diametralmente opostos, mas sim à semelhança do sacerdote no altar, através do qual Cristo fala e atua… Este é o significado das profundas palavras da Epístola aos Gálatas: ´Estou crucificado com Cristo. Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim. (2,20). A religião de Cristo distingue-se de todas as outras religiões porque é algo de absolutamente novo, impossível de ultrapassar, aquilo que nenhuma religião humana poderia oferecer.” Holzner,  Josef. Paulo de Tarso – tradução de Maria Henriques Osswald – São Paulo: Quadrante,  2008, p. 86-7.

 

Para eu participar da vida divina,  tornar-me um filho de Deus só a graça divina é suficiente?

 

Não.  “A primeira obra da graça do Espírito Santo é a conversão que opera a justificação segundo o anúncio de Jesus no princípio do Evangelho: Arrependei-vos (convertei-vos), porque está próximo o Reino dos Céus (Mt 4,17)” – Catecismo, ponto 1989.

Vamos supor que eu tenho uma moção interior do Espírito Santo no sentido de me arrepender dos meus pecados. Precisarei confessá-los. Na confissão obterei a absolvição, estarei reconciliado com Deus e estarei em graça.

A graça divina nos leva a um agir, dentro dos mandamentos de Deus ou da Igreja e sempre precede o nosso querer, mas se a graça não for acolhida por nós, Deus não nos forçará. Suponhamos que eu não queira realizar a confissão, neste caso se pequei gravemente, não estou em graça, não estou unido à vida divina de Jesus pelo Espírito Santo, não estou reconciliado com Deus.

Porém, se confesso um pecado grave, correspondi àquela graça que Deus me mandou para eu me arrepender e me confessar, neste caso, utilizei-me do Seu socorro divino, colaborei com ele.

A graça divina é, portanto, como  um socorro que Deus nos dá para responder àquela predestinação de sermos filhos adotivos de Deus, como bem nos explica o ponto 1996, do Catecismo:

“A graça é o favor, o socorro gratuito que Deus nos dá para responder a seu convite: tornar-nos filhos de Deus, filo adotivos, participantes da natureza divina, da Vida Eterna.”

 

Só a  graça divina  tem o poder de operar o que se chama de justificação que compreende a “remissão dos pecados, santificação e renovação do homem interior” – ponto 1989 do Catecismo).

 

Somos muito amados por Deus-Pai

Jesus quando falava com Nicodemos já expressava o grande Amor de Deus por nós e a sua Vontade em relação a nós:

“Porque tanto amou Deus ao mundo que lhe deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3,15).

 

O amor de Deus-Pai é tão grande por nós que chega ao ponto de não ter poupado Jesus, seu Filho, pois Este  entregou-se à morte, ao sacrifício, seguindo a Vontade de Deus-Pai e não a Dele Filho que até disse: “Pai, se quiseres afasta de Mim este cálice…”, para satisfazer pelos nossos pecados.

Por que Deus-Pai quis assim? Não haveria outra forma de redimir a humanidade, de nos reconciliar com Ele após a desobediência de Adão e Eva?

Talvez sim. Mas Deus na sua infinita sabedoria entendeu que essa seria a melhor forma. É um mistério para nós.

Por que a eleição do sacrifício do Seu próprio Filho por Deus-Pai, isso não é explicado para nós.

Mas, há algo que é inegável, a demonstração do Seu grande amor por nós.

Esse grande amor de Deus pelos homens sempre esteve revelado não somente pelo contato pessoal de Deus com Abraão, Moisés etc , mas também de forma inspirada aos seus Profetas, tudo isso  antes mesmo de  Jesus, que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade,  ter assumido a nossa natureza humana, se não vejamos:

 

…Meu filho, tu podes não me conhecer, porém eu sei tudo sobre ti (Salmos 139:1). Eu sei quando tu te deitas e quando te levantas (Salmos 139:2). Eu conheço todos os teus caminhos (Salmos 139:3), até os cabelos da tua cabeça estão contados (Mateus 10:29-31). Tu fostes feito à minha imagem (Génesis 1:27), em mim tu vives e moves-te, e tens existido (Actos 17:28) por seres tu minha descendência (Actos 17:28). Eu já te conhecia bem antes da tua concepção (Jeremias 1:4-5) e te escolhi ainda quando planeava a criação (Efésios 1:11-12). Tu não és um erro, pois todos os teus dias foram escritos no meu livro (Salmos 139:15-16), eu determinei a hora exacta do teu nascimento e quando deverias viver (Actos 17:26), foste feito de forma admirável e maravilhosa (Salmos 139:4), formei-te no ventre da tua mãe (Salmos 139:13), tirei-te do ventre dela no dia em que nasceste (Salmos 71:6). (Jeremias 29:11), pois Eu amo-te com todo eterno amor (Jeremias 31:3) e os meus pensamentos para contigo são incontáveis, como a areia da praia (Salmos 139:17-18) e Eu me regozijo contigo em canções (Sofonias 3:17) e nunca irei parar de te fazer bem (Jeremias 32:40), pois és propriedade do meu tesouro (Êxodo 19:5).Eu desejo estabelecer-me em ti com todo meu coração e toda minha alma (Jeremias 32:41) e desejo mostrar-te grandes e maravilhosas coisas (Jeremias 33:3). Se me procurares com todo o teu coração,encontrar-me-ás (Deuteronómio 4:29). Alegra-te em mim e Eu te darei todos os desejos do teu coração (Salmos 37:4), pois sou Eu quem te coloco estes desejos (Filipenses 2:13) e sou capaz de fazer mais por ti do que jamais poderás imaginar (Efésios 3:20), pois sou Eu, o teu maior encorajador (2 Tessalonicenses 2:16-17). Eu sou o Pai que te conforta em todos os teus problemas (2 Corintios1:3-4), quando estás quebrantado, Eu estou próximo de ti (Salmos 34:18), como um pastor que leva um cordeiro, Eu te tenho carregado junto ao meu coração (Isaias 40:11) e um dia irei secar cada lágrima dos teus olhos e afastar de ti toda a dor que sofreste nesta terra (Apocalipse 21:3-4). Eu sou o teu Pai, e Eu te amo tal como meu filho Jesus (João 17:23), Pois n’Ele, o meu amor te foi revelado (João 17:26) e Ele é a exacta representação do meu ser (Hebreus 1:3). Ele veio para demonstrar que Eu estou por ti, não contra ti (Romanos 8:31) e para dizer que não estou a contar os teus pecados (2 Corintios 5:18-19), pois Jesus morreu para que tu e Eu, então, pudéssemos nos reconciliar (2 Coríntios 5:18-19) e a sua morte foi o ultimato da minha expressão de amor por ti (1 João 4:10). Eu desisti de tudo o que amava para poder ganhar o teu amor (Romanos 8:31-32) e se recebes o presente do meu filho Jesus, recebes-me a mim (1 João 2:23). Então, nada te irá separar do meu amor novamente (Romanos 8:38-39). Vem e Eu irei fazer a maior festa que nos céus já foi vista (Lucas 15:7). Eu sempre fui teu Pai, e sempre serei teu Pai (Efésios 3:14-15), mas a minha pergunta é… Serás tu meu filho? (João 1:12-13)

Eu estou a aguardar por ti (Lucas 15:11-32).

 

Como fazer para tratar a Deus-Pai como Pai?

 

“Ao chegar a plenitude dos tempos, Jesus Cristo ensinou-nos qual havia de ser o tom adequado para nos dirigirmos a Deus. Quando orardes, haveis de dizer: Pai…Em todas as circunstâncias da vida, devemos dirigir-nos a Deus com essa confiança filial: Pai, Abba…É uma palavra – Abba – que o Espírito Santo quis deixar-nos em arameu em diversos lugares do Novo Testamento e que era a forma carinhosa com que as crianças hebréias se dirigiam a seu pai.” (Francisco Fernández Carvajal,Falar com Deus, Tempo Pascal, Sétima Semana. Terça Feira- Dom da Piedade).

 

Esse comportar-se como filhos de Deus tem a ver com o dom da piedade?

Sim, pois o “dom da Piedade consiste numa disposição sobrenatural da alma que a inclina, sob a ação do Espírito divino, a comportar-se nas suas relações com Deus como uma criança muito carinhosa se comporta com seu pai, por quem se sabe imensamente amada e querida….A alma animada pelo Espírito de Piedade já não tema a Deus como se teme um mestre ou um juiz…A sua atitude para com Deus é verdadeiramente a da criança pequena diante do pai ou da mãe, dos quais se sabe imensamente amada. Nenhum rasto de temor: ali só há amor.” (RIAUD, Alexis. A ação do Espírito Santo na Alma, tradução de M. Abrantes, Quadrante, São Paulo: 1998, páginas 68, 69).

E também: “ajuda-nos a ver os demais homens como filhos de Deus….move-nos ao amor filial à nossa Mãe do Céu….à devoção aos anjos e santos…ao amor ao Papa, como Pai comum de todos os cristãos…às pessoas mais velhas e em primeiro lugar aos pais…o abandono cheio de confiança na Providência porque, se Deus cuida de todas as coisas criadas, muito maior ternura manifestará para com os seus filhos…” ((Francisco Fernández Carvajal,Falar com Deus, Tempo Pascal, Sétima Semana. Terça Feira- Dom da Piedade).

 

Oração ao Nosso Pai Deus:

Finalmente, uma oração ao Espírito Santo para nos auxiliar nesse amor ao nosso Pai Deus:

“Espírito Santo, Espírito do Filho, que nunca deixastes de animar os corações do Senhor e da sua Santíssima Mãe com o mais puro amor ao Pai enquanto peregrinaram nesta terra, dignai-vos abrasar-me também a mim com esse mesmo amor terno e fillial.

Ó Vós, por meiio de quem nos é concedida a mercê de chamar a Deus com o doce nome de Pai e de sermos de verdade seus filhos, fazei que nos esforcemos por ser cada vez menos indignos de um Pai tão bom e tão misericordioso, e que, depois de o termos amado com todo o nosso coração neste mundo, possamos continuar por meio de Vós a glorificá-lo por toda a eternidade no seu Filho único.” (RIAUD, Alexis. A ação do Espírito Santo na Alma, tradução de M. Abrantes, Quadrante, São Paulo: 1998, página 75).

 

 

 

[i] Escrivá, Josemaria. É Cristo que passa, n. 84

[ii] Para saber mais sobre a graça divina e a necessária colaboração humana: http://revistaseletronicas.pucrs.br/fo/ojs/index.php/teo/article/viewFile/2701/2052

 

 

 

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Inquietação interior: posso honrar a Deus, agradecê-lo, consolá-lo?

Inquietações de uma “alma sacerdotal”

 

Você sabia que Nosso Senhor necessita de algo que você possui?  É que todo batizado é, embora às vezes não o saiba,  chamado a por em prática sua “alma sacerdotal”, uma espécie de boa vontade em corresponder a uma vocação, uma chamada divina, de ser colaborador, ou “corredentor” com Jesus Cristo na Sua Obra de Redenção de todo o gênero humano. Isto mesmo. Jesus te espera agora mesmo, quer associar você nesta missão tão nobre de corredenção.

Muitos podem estar  dizendo: não entendi nada…, como eu uma mãe de famíllia, uma profissional,  posso ser “sacerdotisa”, pode ser chamada a uma vocação de padre, só por que sou batizada?

 Não, não somos sacerdotes como um padre é, porque ele recebe um Sacramento específico, chamado Ordem, Ordenação, ele é sacerdote no sentido de estar autorizado a consagrar as espécies do pão e do vinho e, pela ação do Espírito Santo, em suas mãos, oferecê-los transubstanciados no Corpo e Sangue de Nosso Senhor, mas todo batizado é sacerdote também só que de um modo leigo, podemos na mesma missa em que se consagram e se realizam a oferta incruenta do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, também nós ofereceremos a nossa pequena oferenda de nossas vidas, corações a Deus, que são apresentadas por Jesus a Deus Pai junto com o Seu próprio Sacrifício perfeito.

Para entendermos  esse desígnio de Jesus Cristo, precisamos voltar às nossas origens, o que faremos adiante.

Mas só para saciar-nos um pouco essa indagação inicial é   respondida pelos pontos 783-4, do Catecismo,  que trata justamente sobre a nossa vocação sacerdotal:

“Jesus Cristo é aquele que o Pai ungiu com o Espírito Santo e que constitui “Sacerdote, Profeta e Rei”. O Povo de Deus inteiro participa dessas três funções de Cristo e assume as responsabilidades de missão e de serviço que daí decorrem.

Ao entrar no Povo de Deus pela fé e pelo Batismo, recebe-se participação na vocação única deste povo, em sua vocação sacerdotal: ´Cristo, Senhor, Pontífice tomado entre os homens, fez do novo povo ´um reino e sacerdotes para Deus Pai´. Pois os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma morada espiritual e sacerdócio santo. (LG 10).”

 

Em outras palavras, Jesus espera por cada um de nós, que correspondamos à vocação de oferecemos todas as nossas ações, alegrias e sofrimentos diários,  o nosso coração e o nosso ser  para Aquele que nos Criou, que é  assim o Nosso Pai,  e assim,  esta oferta diária, unida à que já fez Jesus por um laço sagrado de Amor, que é o Espírito Santo, é aproveitado para santificar, para introduzir a vida divina em outras almas, pois Jesus em cada missa realizada renova este pedido a Deus, pedido feito na Última Ceia (que todos sejam Um como nós somos Um).  Nós somos chamados a ser corredentores junto de Jesus Cristo, a sermos Um com Ele nesta tarefa.

 

Essa chamada sacerdotal para todos nós batizados não tem outro sentido senão o de conferir a vida divina em nós e de nos transformarmos em filhos de Deus no Filho.

 

 

Criação do ser humano, início da ruptura da nossa vida com a  Vida Bem Aventurada de Deus, plano de Deus para consertar isso

 

 

Deus é Bondade infinita.  Assim sendo, por Ser Bondade aspira sua difusão e comunicação.

Cria o mundo. Cria o homem e dele a mulher para sua auxiliar. Viu que tudo era “muito bom”.

Adão e Eva caem na “conversa” da serpente que lhes diz estar Deus mentindo, pois se comerem o fruto  da árvore do bem e do mal, não morrerão, mas serão como deuses. Ambos comem o fruto.  Perdem os dons preternaturais (ausência de sofrimento e de morte) e o dom sobrenatural (a vida divina, chamada graça) ao comerem.   O primeiro sintoma que percebem é que “estavam nus”, indicando que um dos efeitos da perda dos dons que Deus lhes havia adornado a alma, é a imediata supressão daquele estado de inocência que as crianças possuem, que não sentem vergonha por estarem sem as vestes.

Jesus, que é o Verbo de Deus, ou a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, por meio do Espírito Santo,  sai do seio do Pai, porém, note-se,  sem nunca tê-lo deixado,  porque  não deixa de estar atrelado às demais Pessoas da Santíssima Trindade que é Uma. Jesus apenas assume um lado que não possuía – o humano – sem nunca deixar de ser o que é Deus-Filho, e se encarna no seio da Virgem Maria. Ele vem salvar-nos, vem para nos comunicar o que perdêramos – o dom sobrenatural, a graça santificante, a vida divina. Não são restabelecidos os dons preternaturais (ausência do sofrimento e  da morte).

E assim trabalha Jesus, ocultamente, como carpinteiro com seu São José,  já operando a nossa redenção por esse labor oculto, pois nunca deixou de oferecer as suas ações, alegrias e penas a Seu Pai e à Sua glória, e aceita aniquilar-se mais, morrendo na Cruz, ao lado de dois malfeitores,  derramando o Seu sangue. Quando após morto, Lhe perfuram o coração jorra sangue e  também água do seu lado aberto, água esta que é o símbolo do Espírito Santo, a Graça Incriada que nos santifica,  que nos concede a participação na vida divina da Santíssima Trindade. Foi daí que surgiram todos os Sacramentos: “Nascida sobre a cruz, saída do lado transpassado do Salvador, a Igreja perpetua, por meio do ministério apostólico, a ação benéfica e redentora do Homem-Deus.” (A Alma de Todo Apostolado, p. 30).[i]

 

Com o Seu sangue derramado, num ritual que é uma Nova Páscoa judaica, já que Ele se ofereceu a Deus, como os  judeus faziam na Páscoa, em que um Cordeiro sem defeito era imolado em memorial a Deus havê-los libertado da escravidão no Egito, assim Jesus, como o próprio João Batista disse foi o “Cordeiro de Deus” que tira os pecados do mundo nos liberta da escravidão do pecado e oferece-se como um cordeiro para Nova Ceia, a Nova Páscoa.

O início do ritual pascal de Jesus é feito em uma sala em que realizou a última Ceia com os seus Doze Apóstolos,  numa quinta-feira,  pouco antes de irem prendê-lo,  e termina com Ele na Cruz bebendo aquele último cálice previsto pela lei judaica do vinho, uma quarta taça, só que no seu caso, bebe um vinho estragado, o vinagre que Lhe é levado à boca pouco depois de haver exclamado na cruz “tenho sede”.

 

Mas será que ao derramar o seu sangue, Jesus operou de modo imediato sobre as almas a redenção, de modo que não precisam os homens fazer mais nada, não precisamos ser batizados, nem ir à missa oferecer as minhas alegrias e canseiras diárias,  etc.. ?

 

Não. O fato de ter morrido na Cruz e feito o Seu sacrifício pascal para nos libertarmos da escravidão do pecado não significa que o efeito sobre os homens seja imediato e sem a nossa colaboração. E isso é notório, basta vermos que apesar da morte de Jesus, o homem, pela sua concupiscência ainda peca.

Jesus restaura a graça do dom sobrenatural (=vida santificante, vida divina, vida do Espírito Santo), mas ela passa a ser aplicada aos poucos às nossas almas, porque a corrupção do pecado e a nossa liberdade ferida impedem que consigamos os efeitos da redenção imediatamente.

Entendamos melhor.

Na Última Ceia Jesus antecipou aos Apóstolos a Ceia de Seu Corpo e Sangue e disse: “fazei isto em memória de mim”.

Logo,  não basta Ele haver morrido, nós temos, como na páscoa judaica que era um memorial da libertação do povo de Israel da escravidão dos egípcios com o sacrifício de um cordeiro sem defeito, cabe a cada um de nós, na missa, participar da Ceia comendo o “Cordeiro”, no caso o  Corpo e o Sangue de Jesus: é o “tomai comei isto é o meu corpo que será entregue por vós”…”bebei todos eles isto é o meu sangue, o sangue na Nova e Eterna Aliança, que será derramados por vós e por muitos para a remição dos pecados”…”fazei isto em memória de mim”…

 

A missa é fundamental, portanto, e a Eucaristia muito mais, pois é quando alimentamos a nossa alma com a divindade e humanidade de Nosso Senhor, disfarçados no pão e no vinho, mas na realidade, transubstanciados no Seu Corpo e Sangue para nos conferir a Sua Vida Divina, a divinização das nossas almas.

 

Jesus não quis resolver tudo sozinho, embora pudesse operar a redenção sem a nossa colaboração, e isso?

Sim. Ele como um sacerdote perfeito, ofereceu sim uma oferenda perfeita a Deus –Pai que foi a Si mesmo, o Homem-Deus. Esta oferenda é suficiente para operar a redenção da Humanidade inteira e de fato a opera. Porém, ela é como um remédio, precisa ser tomado por nós essa Redenção, para fazer efeito em nossa alma, para nos comunicar o que Ele conseguiu com o Seu sacrifício de Redenção, que foi a comunicar-nos Sua Vida Divina.

Sobre isso, comenta Dom João Batista Chautard, um abade de Nossa Senhora de Sept-Fons, que viveu de 1857 a 1935 e escreveu uma grande obra chamada A Alma de Todo o Apostolado:

 

“Foi somente Jesus Cristo quem derramou o sangue que resgata o mundo. Por si só, Ele também teria podido aplicar a virtude desse sangue e operar de modo imediato sobre as almas, como faz pela Eucaristia. Quis, porém, colaboradores na distribuição dos seus benefícios. Por quê? Sem dúvida porque a Majestade Divina assim o exigia, mas não menos a  conveniência em governar, na maioria dos casos, por intermédio dos seus ministros, que condescendência da parte de Deus dignar-se associar pobres criaturas aos seus labores e à sua glória!” [ii]

 

Como é que Jesus obtém colaboradores para o munus sacerdotal de Jesus em que Ele deseja cooperadores para a Redenção da humanidade até o final dos tempos?

 

Os primeiros a colaborarem com Ele foram os Apóstolos, que não só passaram a divulgar que o Reino de Deus está em nosso meio, após a morte e ressurreição de Jesus, mas também passaram a realizar a missa e eucaristia. Certamente,  para isso Jesus não os deixou sós, mas não só ficou ainda 40 dias após a sua Ressurreição no meio deles, como também soprou sobre eles o seu santo Espírito, ou Espírito Santo e ainda deixou sua Mãe, Santa Maria, por um tempo com os Apóstolos, como uma verdadeira Mãe (Filho,  aí tens a tua mãe…Mãe eis aí o teu Filho… foi o que Jesus disse antes de morrer na Cruz).

E hoje quem pode colaborar com Jesus nesse múnus sacerdotal de Jesus, nesse múnus de ir renovando as ofertas diariamente a Deus Pai junto com a oferta perfeita de Jesus e assim redimir-nos?

 

O Batismo nos confere esse múnus sacerdotal. Todo batizado deve tomar consciência de que tem “alma sacerdotal”, porque pode oferecer os acontecimentos seus diários também para honra e glória de Deus, e depois renovar essa intenção na Missa, que é onde são, por assim dizer, apresentadas essas nossas ofertas a Deus Pai, junto com as de Jesus, o único que tem o de Melquisedec).

 

Explicam-nos o ponto 783-4, do Catecismo, sobre a nossa vocação sacerdotal:

“Jesus Cristo é aquele que o Pai ungiu com o Espírito Santo e que constitui “Sacerdote, Profeta e Rei”. O Povo de Deus inteiro participa dessas três funções de Cristo e assume as responsabilidades de missão e de serviço que daí decorrem.

Ao entrar no Povo de Deus pela fé e pelo Batismo, recebe-se participação na vocação única deste povo, em sua vocação sacerdotal: ´Cristo, Senhor, Pontífice tomado entre os homens, fez do novo povo ´um reino e sacerdotes para Deus Pai´. Pois os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma morada espiritual e sacerdócio santo. (LG 10).”

 

Qual a consequência prática de sermos sacerdotes de nossas vidas a Deus-Pai?

 

A consequência prática é que estaremos  colaborando na santificação hoje na introdução da Vida Divina, neste dom sobrenatural que Adão e Eva perderam mas que Jesus reconquista com a Sua entrega perfeita na Cruz há mais de 2000 ano, mas também a conseqüência prática de que estaremos, com isso, vivendo verdadeiramente como filhos de Deus, que ama tanto seu Pai Deus que tudo se refere a Ele, seja enquanto descansa, ou trabalha, ou se diverte.

 

Ora, se Jesus é o Filho de Deus como Ele mesmo disse e Ele, que conhece a Deus-Pai, tem a atitude de se oferecer ao mesmo em toda a sua vida oculta e ordinária e depois a pública até a Sua morte dolorosa numa Cruz, concordemos que devemos ter a consciência de que, para nós que nunca vimos cara a cara a Deus-Pai  resta, se queremos ter e dar-Lhe a honra de ser nosso Criador e Pai verdadeiro, precisamos começar a imitar Jesus, entrar em comunhão com Ele, que é o Unigênito de Deus, aquele que é Filho pela substância da qual foi gerado, oferecendo também nossa vida.

 

Como diz o Papa Emérito Bento XVI: “Então a filiação tornou-se um conceito dinâmico: não somos ainda de um modo acabado filhos de Deus, mas devemos tornar-nos e sermos sempre mais por meio da nossa mais profunda comunhão com Jesus. Ser filo torna-se assim o mesmo que seguir a Cristo. A palavra a respeito de Deus ai torna-se assim um chamamento para nós mesmos: para vivermos como `filhos´, como filho e filha de Deus.” (Jesus de Nazaré: primeira parte, Josepch Ratzinger, São Paulo, Editora Planeta do Brasil, 2007, página 129).

 

 

Aliás, essa é a grande novidade do Cristianismo, porque Deus se fez Homem, Homem sem deixar de ser Deus e :

“asume todo lo que es humano, histórico, material, transformándolo en medio de expresión del amor de Dios, en camino de santidad y de redención”.

 

Quer dizer então que, depois de Jesus Cristo, o Deus-Homem  que recapitula a vida do ser humano desde a infância até a idade adulta, realizando tudo com perfeição, obediência e amor a Deus até a Cruz,  podemos dizer que o cotidiano passa a ter algo de divino e eterno, de sobrenatural que nós também podemos “ver” em cada ação nossa que a realizarmos com amor a Deus?

 

Sim.

Existe um santo espanhol,  São Josemaria Escrivá que justamente foi chamado a Deus para fundar prelazia pessoal do Opus Dei cujos fiéis espalhados pelo mundo inteiro (www.opusdei.org.br) que fazem essa realidade se tornar presente em suas ocupações diárias e cotidianas, pois eles, em tudo o que realizam ao longo do dia, trabalho, descanso, alegrias, sofrimentos, tudo isso eles oferecem a Deus para prestar honras,  glória, ação de graças, pedidos de reparação e intercessão pelo próximo e se esforçam para não perder de vista que devem imitando a Jesus Cristo, inclusive no que se refere à grandeza da filiação divina, de sermos, depois de Cristo, realmente filhos de Deus, pela introdução em nossas almas da Graça Divina, ou Vida Divina, ou Dom Sobrenatural,  perdido por Adão e Eva pela desobediência e reconquistado pela obediência de Jesus a Deus-Pai.

Eis o ponto de um dos livros de meditação de São JoséMaria Escrivá que diz:

 

“Sabedlo bien: hay un algo santo, divino, escondido en las situaciones más comunes, que toca a cada uno de vosotros descubrir”

Para entendermos melhor, segue um vídeo http://www.opusdei.pt/art.php?p=53883 em que São Josémaria nos explica melhor o que foi dito até aqui.

 


[i] CHAUTARD. Dom João Batista. A Alma de Todo Apostolado. Editora Coleção FTD Ltda., p. 30.

[ii] CHAUTARD. Dom João Batista. A Alma de Todo Apostolado. Editora Coleção FTD Ltda., p. 30.

 

The relation between the Resurrection of Jesus for over two thousand years and our Sundays

Have we ever stopped to ponder the importance of Sunday in our life ? Why do some say that Sunday is the ” weekly Easter ” ?

To answer all these questions, let’s start with something no less intriguing , ie , what would be the resurrection of Jesus Christ , then explain what your connection with the Lord’s Day , Sunday .

The Resurrection of Jesus

” If Christ be not risen , then is our preaching vain , your faith is vain . And we still turned up false witnesses of God , because
claim against God that He raised Christ . “
( 1 Cor 15: 14-15 )

The resurrection of Jesus is simply the foundation of the Christian faith.
Benedict says :

” … In our research on the figure of Jesus , the resurrection is turning point . That Jesus existed only in the past or, conversely , also exists in the present, depends on the resurrection. “

What the Gospel tells us about Jesus’ resurrection ?

No one knew what ” resurrection ” in practice and had many doubts , just remember when someone asks Jesus how would the situation of a woman who , in this life , had had seven husbands , which one woman she would be after the resurrection of the dead .

The disciples of Jesus and some people had had contact with some miracles connected with people who have died and were revived by a miracle performed by Jesus .

But the resurrection of Jesus was more than that .

 

The resurrection of Jesus was not a resuscitation of a corpse , but a life never to die

His Resurrection was not a ” resuscitation ” of a corpse , which , after a lifetime at one point , definitely die . No. Resurrection was more than that . Mean returning to life to never die. Meant that the giver of Life Defeat Death, death.

The resurrection was not equal to His ” resurrection ” that Christ had performed a miracle the young man of Nain , or of the daughter of Jairus, and Lazarus , Jesus’ friend . As well explains Benedict XVI :

” The New Testament witnesses leave no doubt about the fact that the ” resurrection of the Son of man ” had happened something completely different . The resurrection of Jesus was the escape to a whole new way of life , a life not subject to the law already dying and becoming , but situated beyond that : a life that opened a new dimension of being a man . Therefore , the resurrection is not a singular event , we can belittle and belong only to the past but is a kind of ‘ decisive mutation ‘ , a qualitative leap . In the resurrection of Jesus was reached a new possibility of being man , a possibility that concerns everyone and opens a future , a new genus of the future for men. ” ( Benedict XVI , Jesus of Nazareth , the entrance of Jerusalem to the Resurrection , Publisher planet , p . 219-220 ) .

Explained in paragraph 646 of the Catechism of the Catholic Church :

” The Resurrection of Christ did not constitute a return to earthly life , as was the case of the resurrection that He had performed before Easter : Jairus’ daughter , the young man of Nain , and Lazarus . These facts were miraculous events , but people contemplated by miracles simply returned to earthly life ‘ ordinária’pelo power of Jesus . At some point come back to die . Christ’s Resurrection is essentially different . In his risen body he passes from a state of death to another life beyond time and space . In the resurrection , Jesus’ body is filled with the power of the Holy Spirit, participates in the divine life in the state of glory , so Paul can call the Christ ‘ the heavenly man .’ “

 

Reaction of those who saw Jesus after his resurrection

The reaction was not to recognize it . Even people who accompanied him on his public mission , did not recognize him after the event , just remember the disciples on the Emmaus road and Mary Magdalene and Peter, except John had expressed : ” It is the Lord.”

The disciples on the road to Emmaus recognized only by the way he had left the bread and gave thanks , Mary Magdalene by the tone and accent that said ” Mary! ” Peter said after John is the Lord .

Thus, as Benedict says :
” It is understood the peculiarity of such New Testament witness. Jesus did not return to a normal human life of this world , as happened with Lazarus and the other dead resurrected by Him Out for a , new life Miscellaneous … The new life was associated with the beginning of a new world and , from this perspective , to be well understood : there is a new world , it naturally there is also a new way of life ….. it was an absolutely unique experience that went beyond the usual horizons of experience , and yet , for the disciples was totally uncontested . From that explained the peculiarity of the testimony concerning the resurrection : speak something paradoxical anything that surpasses all experience , but this is absolutely real mode ” .
( Benedict XVI , Jesus of Nazareth , From the Entrance into Jerusalem to the Resurrection , Publisher Planet , pages 220 and 221 ) .

Resurrection and DIES DOMINI

All our introduction about the resurrection of Jesus was necessary to understand something very important in the life of every Catholic : the Dies Domini , the Lord’s Day , or Sunday.

The Sun has a great sense : he simply recalls the day of Christ’s resurrection . In the words of Pope John Paul II in his Apostolic Letter Dies Domini on the sanctification of Sunday: ” It is the weekly Easter , Christ’s victory over sin and death , the beginning of the ‘ new creation ‘ 2 Cor 5:17 . “

 

So , Sunday , in addition to remember the day of Jesus’ resurrection that occurred that day is also the first day of a ‘ new creation ‘ , because it resurrected Jesus appeared in a glorious body that has conquered death , and so is too will be , for when He comes again , only this time , in his glory of God that is , and when He will renew all things , even there will be a new creation , a new creation .

How to live well Sunday, which prefigures the first day of the new creation , of which Jesus was the first ?

The Pope John Paul II in his Apostolic Letter Dies Domini reminds us :

It is a day we should rejoice and sing for joy , as Psalm 118 says ;
It is an invitation to joy , Jesus conquered death by His death on the Cross . It is the firstborn of a new creation .
It is an invitation to relive the experience :
a) From the uproar of women who had witnessed the crucifixion of Christ , when he came to the tomb – Mc 16.2 – find it empty ;
b ) Of the two disciples of Emmaus who felt the ‘ heart burning in the risen peito’quando walked with them , explaining the Scriptures and revealing the ‘ breaking of bread ” Luke 24.22 to 35
c ) the echo of joy …. the Apostles experienced on the afternoon of the same day , when they were visited by the risen Jesus and received the gift of his peace and his Spirit – Jn 20: 19-23.

Sunday is not a pure ” weekend ” day of rest or mere fun

” The disciples of Christ are asked to not confuse the celebration of Sunday, which should be a true sanctification of the Sabbath , with the ‘end of time semana’entendido primarily as mere rest or fun’ … implies also a deeper understanding of Sunday , to be able to live it , even in difficult situations , with complete docility to the Holy Spirit … ” ( Apostolic Letter Dies Domini , Pope John Paul II , p . 7 ) .

” …. Faithful must give thanks to He who regenerated them unto a lively hope by the resurrection of Christ from the dead, 1 Peter 1.3 ( Constitution Sacrosanctum Concilium 106 ) “

Suggestion for live Sunday , the Lord’s Day

” The duty to keep Sunday holy , especially with participation in the Eucharist and a home permeated with Christian joy and brotherhood … ” ( Apostolic Letter Dies Domini , Pope John Paul II , p . 9 ) .

As John says , all things were made through the Word , and without Him nothing was created .

” This active presence in the creative work of the Son of God was fully revealed in the paschal mystery , in which Christ, rising as’ first fruits of those who have died ” ( 1 Cor 15:20) inaugurated the new creation and began the process Himself will carry upon their glorious return , ‘ while delivering the kingdom to God the Father ( … ) ‘ “

The Sunday has to do with the creation of Genesis ?

Yes , it’s true . The Sun has a lot to do with the narration that exists in Genesis about the creation of the world and of man and woman .

It is because after ‘ build world ‘ God rested on the seventh day ( Saturday ) . But this ‘ repouso’não was merely doing nothing , for in God there is no downtime , as well as explains Pope John Paul II , but it was the day ( seventh day ) , corresponding to our Sabbath, which he took to ” contemplate ” your Divine Work , which, incidentally , he saw ” that it was good .”

” The divine rest of the seventh day does not allude to an inactive God , but emphasizes the fullness of what had been done , as if to express that God rested on the work ‘ very good ‘ ( Gen. 1.31 ) out of their hands , to launch upon her a gaze full of joyous complacency : a ” contemplative gaze ‘ not aimed at new achievements but above all to appreciate the beauty of what was done , a cast over all things , but especially about the man , looking culmination of creation . It’s a look at which one can somehow intuit the already dynamic ‘ esponsal’da relationship God wants to establish with the creature made ​​in his image , calling her to commit to a covenant of love . He ‘ santifica’o seventh day with a special blessing and makes it ‘ their dia’por excellence …. The ‘ day of Senhor’é , par excellence , the day of this relationship, in which man ascends to God your corner , making it eco whole creation ” ( Apostolic Letter Dies Domine , p . 15-18 ) .

If He rested on the seventh day ( Saturday ) what does this have to do with Sunday ?
It has to do because after the big event of the Resurrection of Christ , which is the Sabbath ‘your dia’por excellence , the ‘ Lord’s day ‘ , moves that date for Sunday, which now becomes not only the first day of the week and the first day that refers to the creation , but shall correspond to the eighth day .

Consider
Sunday – Day 1
Saturday – Day 7
Sunday – 8th . day

Sunday is more than an allusion to the first day of creation, but is also the eighth day , ie , is a day that Christ inaugurates a new creation , for He has been renewed , and renew us all when the day of our own resurrection , and if He had rejoiced with his first creation , when contemplated , let alone now when his own son is a fully resurrected God-man , perfect, immortal, the first of many who also deserve the same .
  
The Resurrection of Jesus is an extraordinary fact , that not only foreshadows our own future resurrection and opens the doors to a new life , this time immortal, spiritual, and ratifies the truth , that Jesus is God and more , that He is true , because in the Old Testament the promise was that the resurrection of the dead .

 

As well as teaches the point 651, the Catechism of the Catholic Church , ” The Resurrection above all constitutes the confirmation of all that Christ did and taught . All truths , even those most inaccessible to the human spirit , find their justification if, by resurrecting Christ gave the ultimate proof that he had promised , his divine authority . “
Google Translation

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A relação entre a Ressurreição de Jesus há mais de dois mil anos e os nossos Domingos

Será que já paramos para meditar sobre a importância do Domingo na nossa vida? Por que alguns dizem que o Domingo é a “Páscoa da semana”?

Para responder a todas essas dúvidas, comecemos com algo não menos intrigante, ou seja, o que seria a ressurreição de Jesus Cristo,  em seguida explicaremos qual a sua ligação com o Dia do Senhor, o Domingo.

 

A ressurreição de Jesus

 

“Se Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa pregação, é vã a vossa fé. E nós aparecemos ainda como falsas testemunhas de Deus, porque

contra Deus afirmamos que Ele ressuscitou a Cristo.”

(1 Cor 15, 14-15)

 

 

A ressurreição de Jesus é simplesmente o fundamento da fé cristã.

Diz Bento XVI:

 

“…na nossa pesquisa sobre a figura de Jesus, a ressurreição é ponto decisivo. Que Jesus tenha existido só no passado ou, pelo contrário, exista também no presente, depende da ressurreição.”

 

 

O que nos diz o Evangelho sobre a ressurreição de Jesus?

 

Ninguém sabia o que significava “ressurreição” na prática e tinham muitas dúvidas, bastando relembrar quando alguém pergunta a Jesus como ficaria a situação de uma mulher que, nesta vida, tinha tido 7 maridos, de qual deles ela seria mulher após a ressurreição dos mortos.

 

 

Os discípulos de Jesus e algumas pessoas já tinham tido contado com alguns milagres relacionados com pessoas que teriam morrido e tinham revivido por milagre operado por Jesus.

 

Mas, a ressurreição de Jesus foi mais do que  isso.

 

 

 

A ressurreição de Jesus não foi uma reanimação de cadáver, mas uma vida para nunca mais morrer

 

A ressurreição Dele não foi uma “reanimação” de um cadáver, que, depois de um tempo de vida, em certo momento, morreria definitivamente.  Não. Ressurreição era mais do que isso. Significaria voltar à vida para nunca mais morrer. Significou que Aquele que dá a Vida Vence a Morte, pela morte.

 

A ressurreição Dele não ocorreu igual à “ressurreição” que Cristo realizara por milagre ao jovem de Naim, ou da filha de Jairo, ou de Lázaro, amigo de Jesus. Como bem explica Bento XVI:

 

“Os testemunhos neotestamentário não deixam qualquer dúvida sobre o fato de que, na “ressurreição do Filho do homem” tinha sucedido algo de totalmente diverso. A ressurreição de Jesus foi a evasão para um gênero de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situada para além disso: uma vida que inaugurou uma nova dimensão de ser homem. Por isso, a ressurreição não é um acontecimento singular, que poderemos menosprezar e que pertenceria apenas ao passado, mas é uma espécie de ´mutação decisiva´, um salto de qualidade. Na ressurreição de Jesus foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo gênero de futuro para os homens.”  (Bento XVI, Jesus de Nazaré, Da entrada de Jerusalém à Ressurreição, Editora Planeta, p. 219-220).

 

Explica-nos o ponto 646 do Catecismo da Igreja Católica:

 

“A Ressurreição de Cristo não constituiu uma volta à vida terrestre, como foi o caso das ressurreições que Ele havia realizado antes da Páscoa: a filha de Jairo, o jovem de Naim e Lázaro.  Tais fatos eram acontecimentos miraculosos, mas as pessoas contempladas pelos milagres voltavam simplesmente à vida terrestre ´ordinária´pelo poder de Jesus. Em determinado momento voltariam a morrer. A Ressurreição de Cristo é essencialmente diferente. Em seu corpo ressuscitado, Ele passa de um estado de morte para a outra vida, para além do tempo e do espaço. Na Ressurreição, o corpo de Jesus é repleto do poder do Espírito Santo; participa da vida divina no estado de sua glória, de modo que Paulo pode chamar a Cristo de ´o homem celeste´.”

 

 

 

Reação de quem viu Jesus após sua ressurreição

 

A reação era a de não reconhecê-lo. Inclusive pessoas que o acompanhavam na sua missão pública, não o reconheceram após o sucedido, bastando lembrar os discípulos no caminho de Emaús e Maria Madalena e Pedro, com exceção de João que exprimira: “É o Senhor”.

 

 

Os discípulos a caminho de Emaús só reconheceram pelo jeito que Ele partira o pão e dera graças, Maria Madalena pelo tom e sotaque que disse “Maria!”,  Pedro depois que João dissera É o Senhor.

 

Assim, como diz Bento XVI:

“Daqui se compreende a peculiaridade de tal testemunho neotestamentário. Jesus não voltou a uma vida humana normal deste mundo, como sucedera com Lázaro e os outros mortos ressuscitados por Ele. Saiu para uma vida diversa, nova…A vida nova estava associada com o início de um mundo novo e, nessa perspectiva, até se compreendia bem: se há um mundo novo, nele naturalmente existe também um modo novo de vida…..Tratava-se de uma experiência absolutamente única, que ultrapassava os horizontes habituais da experiência e, não obstante, para os discípulos era totalmente incontestável. A partir disso explica-se a peculiaridade dos testemunhos acerca da ressurreição: falam de algo paradoxal, de qualquer coisa que supera toda experiência, mas que está presente de modo absolutamente real.”

(Bento XVI, Jesus de Nazaré, Da entrada em Jerusalém à ressurreição, Editora Planeta, páginas 220 e 221).

 

Ressurreição e o DIES DOMINI

 

Toda a nossa introdução sobre a ressurreição de Jesus foi necessária para compreensão de algo muito importante da vida de todo católico: o Dies Domini, o Dia do Senhor, ou seja, o Domingo.

 

O Domingo tem um grande sentido: ele simplesmente recorda o dia da ressurreição de Cristo. Nos dizeres do Papa João Paulo II na Carta Apostólica Dies Domini sobre a santificação do Domingo: “É a Páscoa da semana, vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte, início da ´nova criação´ 2 Cor 5,17.”

 

 

 

 

Assim, o Domingo,  além de nos recordar o dia da ressurreição de Jesus que ocorreu nesse dia, é também o primeiro dia de uma ´nova criação´, pois nele Jesus apareceu ressuscitado, num corpo glorioso que  venceu a morte, e é assim que também seremos, pois quando Ele voltar, só que desta vez, na sua glória de Deus que é, e quando Ele renovará todas as coisas, inclusive haverá uma nova criação, novas criaturas.

 

Como viver bem o Domingo, que prefigura o primeiro dia da nova criação, da qual Jesus foi o primeiro?

 

O Papa João Paulo II na Carta Apostólica Dies Domini nos recorda:

 

É um dia que devemos exultar e cantar de alegria, como diz o Salmo 118;

É um convite à alegria, Jesus VENCEU A MORTE pela sua morte de Cruz. É o primogênito de uma nova criação.

É um convite para revivermos a experiência:

a)      Do alvoroço das mulheres que tinham assistido à crucifixão de Cristo, quando, dirigindo-se ao sepulcro – Mc 16,2 – encontram-no vazio;

b)      Dos dois discípulos de Emaús que sentiram o ´coração ardendo no peito´quando o ressuscitado caminhava com eles, explicando as Escrituras e revelando-se a ´partir do pão´´Lc 24,22-35

c)       Do eco da alegria ….que os Apóstolos experimentaram na tarde daquele mesmo dia, quando foram visitados por Jesus ressuscitado e receberam o dom da sua paz e do seu Espírito – Jo 20, 19-23.

 

O Domingo não é um puro “fim de semana”, dia de mero repouso ou de diversão

 

“Os discípulos de Cristo é-lhes pedido que não confundam a celebração do domingo, que deve ser uma verdadeira santificação do dia do Senhor, com o ´fim de semana´entendido fundamentalmente como tempo de mero repouso ou de diversão´ …implica também uma compreensão mais profunda do domingo, para poder vivê-lo, mesmo em situações difíceis, com plena docilidade ao Espírito Santo…” (Carta Apostólica Dies Domini, Papa João Paulo II, p. 7).

 

“….fiéis devem dar graças a Deu que os regenerou para uma esperança viva pela ressurreição de Cristo de entre os mortos 1 Pd 1,3  (Constitução SacroSanctum Concilium 106)”

 

Sugestão para viver o Domingo, Dia do Senhor

 

“o  dever de santificar o domingo, sobretudo com a participação na Eucaristia e com um repouso permeado de alegria cristã e de fraternidade…” (Carta Apostólica Dies Domini, Papa João Paulo II, p. 9).

 

Como diz São João, tudo começou a existir por meio do Verbo e sem Ele nada foi criado.

 

“Esta presença ativa do Filho na Obra criadora de Deus revelou-se plenamente no mistério pascal, no qual Cristo, ressuscitando como ´primícias dos que morreram´(1 Cor 15,20) inaugurou a nova criação e deu início ao processo que Ele mesmo levará a cabo no momento do seu retorno glorioso, ´quando entregar o Reino a Deus Pai (…)´”

 

O Domingo tem a ver com a criação do Gênesis?

 

Sim, é verdade. O Domingo tem muito a ver com a narração que existe em Gênesis sobre a criação do mundo e do homem e da mulher.

 

É porque depois de ´construir o mundo´ Deus repousou no sétimo dia (Sábado). Mas esse ´repouso´não foi um mero não fazer nada, pois em Deus não há inatividade, como bem explica o Papa João Paulo II, mas foi o dia (sétimo dia), correspondente ao nosso Sábado, que Ele aproveitou para “ contemplar” a sua Obra Divina, que, aliás, Ele via  “que tudo era bom”.

 

“O repouso divino do sétimo dia não alude a um Deus inativo, mas sublinha a plenitude do que fora realizado, como que a exprimir que Deus descansou diante da obra ´muito boa´(Gn 1,31) saída das suas mãos, para lançar sobre ela um olhar repleto de jubilosa complacência: um ´olhar contemplativo´ que  não visa novas realizações, mas sobretudo a apreciar a beleza de quanto foi feito; um olhar lançado sobre todas as coisas, mas especialmente sobre o homem, ponto culminante da criação. É um olhar no qual já se pode de certa forma intuir a dinâmica ´esponsal´da relação que Deus quer estabelecer com a criatura feita à sua imagem, chamando-a a comprometer-se num pacto de amor. Ele ´santifica´o sétimo dia com uma benção especial e faz dele o ´seu dia´por excelência….O ´dia do Senhor´é, por excelência, o dia desta relação, no qual o homem eleva a Deus o seu canto, tornando-se eco da inteira criação” (Carta  Apostólica Dies Domine, p. 15-18).

 

Se Ele repousou no sétimo dia (Sábado) o que isso tem a ver com o Domingo?

Tem a ver porque depois do grande acontecimento da Ressurreição de Cristo, o Sábado que é o ´seu dia´por excelência, o ´dia do Senhor´, desloca-se essa data para o Domingo, que agora passa a ser não só o primeiro dia da semana e o primeiro dia que se refere à criação, mas passa a corresponder ao oitavo dia.

 

Vejamos

Domingo – 1º dia

2ª feira- 2º. dia

3ª. Feira – 3º dia

4ª. Feira – 4º. dia

5ª. Feira – 5º. dia

6ª. Feira- 6º. dia

Sábado – 7º dia

Domingo – 8º. dia

 

O Domingo é mais do que uma alusão ao primeiro dia da criação, mas é também o oitavo dia, ou seja, é um dia em que Cristo inaugura uma nova criação, pois Ele se renovou, e nos renovará a todos quando for o dia da nossa própria ressurreição, e se Ele havia se regozijado com a sua primeira criação, quando a contemplou, que dirá agora quando o seu próprio Filho é um Homem-Deus plenamente ressuscitado, perfeito, imortal, o primeiro de muitos que também merecerão o mesmo.

 

A Ressurreição de Jesus é um fato extraordinário, que não só prenuncia a nossa própria ressurreição futura e nos abre as portas de uma nova vida, desta vez imortal e espiritual, como ratifica a Verdade, de que Jesus é Deus e mais, de que Ele é fiel, pois no Antigo Testamento a promessa era essa, a ressurreição dos mortos.

 

 

 

Como bem ensina o ponto 651, do Catecismo da Igreja Católica, “A Ressurreição constitui antes de mais nada a confirmação de tudo o que o próprio Cristo fez e ensinou. Todas as verdades, mesmo as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram sua justificação se, ao ressuscitar, Cristo deu a prova definitiva, que havia prometido, de sua autoridade divina.”

 

 

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A Vontade de Deus para a nossa vida

Muitas vezes nos perguntamos:  o que Deus deseja que eu faça?

Em outras ocasiões nos lamentamos por não sermos tão santas e não conseguirmos ouvir a “voz” de Deus…hesitamos…estamos com muitas dúvidas que caminho percorrer, o que fazer nesta ou naquela circunstância concreta.

Como seria bom se Jesus nos aparecesse agora mesmo, pois teríamos tanto a lhe  perguntar ou a solicitar…

Pois é. Mas Ele prefere ficar assim, escondido. Não é à toa que São Tomás dizia: “Adoro-te com devoção, Deus escondido…”

Mas Deus não nos deixa desamparados.

Existe um meio para sabermos sim qual é a Sua Vontade, não uma vontade geral, mas a Vontade Dele para a tua, a minha vida!

 

Por que é tão importante sabermos qual é a Vontade de Deus para a minha vida?

 

Excelente pergunta. A resposta é dada por Jesus mesmo: “Nem todo aquele que diz ´Senhor, Senhor` entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está no céu.”

(Mateus 7,21).

Fica claro que não adianta dizer que “eu acredito em Deus, claro”, se isso não vem concretizado em obras de amor a Deus, em outras palavras fazendo-se a Sua Vontade.

 

Então quer dizer que eu tenho de seguir um algo imposto, não posso decidir por mim mesma?

 

Não é isso. A Vontade de Deus não é um mero capricho de um Deus opressor. Ao contrário, porque Ele detém o passado, presente e futuro e  é o Criador de tudo, somente Ele tem condições de dizer-nos qual foi a finalidade de cada coisa ou pessoa ao ser criada.

 

Grosseiramente, faço uma comparação. Nós não lemos o manual do fabricante, antes de usar um produto. Pois é, os mandamentos de Deus para nós são o nosso manual.

Se não usarmos do jeito e para a finalidade pela qual foi criado, não vai funcionar. No nosso caso, não estaremos trilhando o caminho de santidade e de chegada digna no céu que Deus nos preparou.

 

Lembra daquela passagem que Jesus diz que uma pessoa queria entrar na festa de casamento sem a veste nupcial. Pois é, não há como. Ou trilhamos no caminho que nos dá a veste nupcial, ou não seremos dignos da festa de casamento.

 

Não significa que Deus é um ser caprichoso, pois como diz um monge beneditino Benedikt Baur:

 “ A vontade de Deus é divinamente santa e sábia, e o cristão será santo e sábio na medida em que souber transformar a sua vontade na D ´Ele: foi assim, aliás, a vida de Cristo, nossa cabeça, que não conheceu outra vontade além da do Pai.” (BAUR, Benedikt. A vida espiritual, Quadrante, São Paulo, p. 147).

 

Além disso, não nos esqueçamos que justamente o pecado entrou na  humanidade por causa do exercício da liberdade de Adão e Eva que desobedeceram em um único pedido que Deus lhes mandara. Assim,  não tem cabimento pensar que Deus não é senão um verdadeiro Amante da liberdade, tanto que nos fez com liberdade. Quem não quiser segui-lo, Ele nunca forçará, Ele só deseja ser amado por livre e espontânea vontade. Não quer do seu lado pessoas como bonecos que Ele comanda e manda amar. Amá-lo não é um mandamento, mas uma resposta nossa àquele que nos ama primeiro, pois nos criou por amor, sustenta-nos na existência por amor. 

A nossa liberdade é só ela pode arruinar todo o plano que Deus traçou para a nossas vidas. A escolha sempre será nossa, e contamos com o auxílio da graça divina, que são impulsos para praticarmos o bem com a nossa liberdade que pode não seguir esse impulso.

 

Por que não seguiríamos a Vontade de Deus se a Pessoa mais perfeita que já existiu entre nós só cumpriu a Vontade de Seu Pai, e Ele era Deus também, ou seja, Jesus Cristo?

 

Ora, não seria sensato querermos ser filhos rebeldes, ou querermos ser mais do  que o próprio Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor.

Ele, na qualidade de Deus Filho, poderia ter sido independente e fazer tudo ‘da sua cabeça’, mas não fez assim.

Ele mesmo declarou aos seus discípulos, os quais  logo após o seu diálogo com a samaritana,  lhe  ofereciam algo para comer, que “Meu alimento é fazer a Vontade Daquele que me enviou e cumprir a Sua obra.”.

Não sejamos tolos. Imitemos alguém que  é a própria Sabedoria. Façamos em tudo a Vontade de Deus para a nossa Vida.

Como sei sobre a Vontade de Deus?

 

A Vontade de Deus é:

a)      Revelada, pelos mandamentos de Deus e da Igreja, que está autorizada a “falar em Seu nome” pelo poder que deu a São Pedro e aos que viriam após este na sucessão apostólica;

 

Como diz Benedikt Baur conhecemos a Vontade Revelada de Deus no plano natural e no plano sobrenatural da seguinte forma:

 

“Na ordem natural Deus quer que o homem pense e reflita …e que empregue os meios naturais para conhecer a sua vontade, que se deixe aconselhar por outros e utilize a inteligência, pois Ele deu-a ao homem para que saiba aplicar aos casos concretos de vida diária….

Na ordem sobrenatural, a vontade de Deus é revelada pelos seus mandamentos, pelo da santa madre Igreja e pelas obrigações de estado de cada um …” (A Vida Espiritual, Editora Quadrante, São Paulo, p. 150).

 

Como cumprir a Vontade Revelada de Deus  quando eu estiver trabalhando?

 

“As obrigações de estado dos cristãos especificam-se principalmente através dos deveres profissionais de cada um,  quer se trate de um empregado, de um médico, ou operário, de um pai ou mãe de família. É nessas ocasiões que cada um deve ver o que Deus quer dele em cada instante….Não se deve deter na obrigação em si, nem nas pessoas sejam ou não superiores por meio das quais lhe vêm as ordens; tem de se elevar até a causa primeira que é Deus, até a sua vontade, e saber vê-la em todas as obrigações e prescrições que lhe dizem respeito, como ainda nas exigências da natureza em relação ao alimento e ao descanso, nas imposições sociais e nas necessidades de todo o gênero. Mas, para isso é necessária uma fé profunda e viva: ninguém o conseguirá se como acontece habitualmente, pensar e julgar de um modo puramente humano, natural. O olhar purificado pela fé deve sempre atender a Deus a vê-lo em todos os deveres, em todas as obrigações. Com isto ter-se-á dado o primeiro passo e talvez o mais difícil. Esse olhar da fé, que faz dizer: Tu o queres, Tu me chamas, faça-se a tua vontade deve chegar a ser familiar e natural ao cristão, de modo que se torne espontâneo em todos os momentos. … ” (A Vida Espiritual, Editora Quadrante, São Paulo, p.151).

 

b)      Verificada pelos benefícios que Deus opera em favor de cada um.

“dirige-se a cada um em particular…dá a conhecer não o que cada um deve fazer por Deus, mas o que Deus faz por ele, o que opera nele, por ele e sobre ele.” (A Vida Espiritual, …p. 153).

 

Como “enxergar” essa Vontade de Deus?

 

“´Há uma Providência que se oculta por detrás de todos os acontecimentos e azares da vida; que tudo ordena, dirige e dispõe como melhor possa servir à salvação de cada um: tudo, absolutamente tudo, tanto o que sucede no âmbito geral do universo, como o que se passa no pequeno mundo da profissão, da família e da vida de todos os dias. Ao serviço da Providência estão todos os homens, quer nos queiram bem ou mal assim como tudo o que tem alguma influência na nossa vida. Todos os homens são apenas instrumentos de que o Senhor se serve para a nossa santificação. Nas coisas da vida interior, não existe qualquer ´acaso´ou ´destino cego´(A Vida Espiritual, Editora Quadrante, p 152).

 

Até as injustiças são Vontade de Deus?

 

“Deus nunca quer o mal nem que ninguém seja injusto conosco e por nossa causa minta ou faça o mal de qualquer forma: não quer, mas permite-o de um modo ou de outro, embora le fosse fácil impedi-lo. O beneplácito de Deus manifesta-se nas disposições e permissões divinas, em tudo o que o vaivém do dia apresente interior e exteriormente: penas e alegrias, humilhações e sacrifícios, deveres, desventuras, fracassos, injustiças, faltas de caridade, contrariedades, tentações, doenças….Repetimos: o ´azar´não existe. Tudo quanto sucede numa vida está de um modo ou de outro permitido ou positivamente desejado pela vontade infinitamente sábia e justa de Deus, que sobre nós vela incessantemente. (1 Pe 5,7). “ ( A Vida Espiritual, Benedikt Baur, Quadrante,  p. 154).

 

Na prática, como amar a Vontade Deus para nós, sem revoltas, sem desespero, sem angústia?

 

 

 

 

Não há nenhum dia igual ao outro

 

“Deus só conserva a existência deste grande mundo por uma contínua alternativa de dias e noites, de estações que se vão sucedendo, umas às outras e de diferentes tempos de chuvas e de secas, dum ar tranqüilo e sereno e de vendavais e tempestades, de modo que quase não há um dia igual ao outro: admirável variedade, que tanto contribuir para a beleza do universo!

O mesmo se passa no homem, que, na expressão dos antigos, é um mundo abreviado. Nunca ele está no mesmo estado e sua vida passa sobre a terra como as águas de um rio, numa contínua variação de momentos, que ora o levantam a grandes esperanças, ora o abatem ao temor, já o inclinam à direita com a consolação, já à esquerda com  tristeza, de sote que nunca um de nossos dias, nem mesmo uma hora sequer é inteiramente igual à outra.”  (São Francisco de Sales, Filoteia p. 397)

 

Manter o coração inalterável no meio das desigualdades dos acontecimentos diários: ter somente a Deus em vista

 

“Cumpre-nos, pois, conservar, no meio de tamanha desigualdade de acontecimentos e acidentes, uma igualdade contínua e inalterável do coração e, de qualquer modo que as coisas variem e se movam ao redor de nós, nós permaneceremos sempre imóveis e fixos nesse único ponto de nossa felicidade, que é ter somente a Deus  em vista, ir a ele e aceitar só de suas mãos todas as coisas.

O navio pode tomar qualquer rumo que se lhe der, pode navegar para o oriente ou para o ocidente,  para o sul ou para o norte, com qualquer vento que seja,  mas a bússola, que deve dirigir a sua rota, estará sempre apontando para a estrela polar. “ ( São Francisco de Sales, Filoteia, Editora Vozes, p. 397)

 

Nenhum acontecimento, nem ninguém nos separe do amor de Deus

 

“Quer vivamos ou morramos, somos de Deus, e quem nos separará de seu amor” diz São Paulo.

 

“Não, nada nos poderá separar jamais: nem as tribulações, nem angústias, nem a morte, nem a vida, nem as dores presentes, nem o temor das futuras, nem as ciladas do espírito maligno, nem as mais altas consolações, nem a confusão das humilhações, nem a ternura da devoção, nem as securas do espírito, nada de tudo isso nos deve separar jamais da caridade santa, que é fundada em Jesus Cristo.” ( São Francisco de Sales, Filoteia p. 398).

 

Quem cumpre a Vontade de Deus demonstra que O Ama de verdade

 

“…muitas almas há que …não renunciam a seus vícios e, portanto, não possuem  um verdadeiro amor a Deus e muito menos uma verdadeira devoção.

Saul perseguindo a Davi até o deserto, para o matar, entrou sozinho numa caverna em que Davi estava escondido com os seus; facilmente poderia este desfazer-se de seu inimigo, mas não quis nem sequer lhe causar medo, contentando-se em o chamar depois que saíra da guta, para fazer ver o que lhe poderia ter feito e para lhe dar ainda esta prova de sua inocência. Pois bem, o que não fez Saul para mostrar a Davi quanto seu coração estava enternecido! Chamou-o seu filho, chorou copiosamente, louvou a sua benignidade, rezou a Deus por ele, publicou altamente que ele reinaria depois de sua morte e lhe recomendou a sua família. Poderia ele manifestar maior doçura e ternura de coração? Contudo o seu coração não estava mudado e ele não deixou de perseguir cruelmente a Davi. Do mesmo modo, pessoas  há que, considerando a bondade de Deus e a paixão de Nosso Senhor, sentem-se com o coração enternecido a ponto de verterem muitas lágrimas e soltarem suspiros nas orações e ações de graça muito sensíveis, dando a aparência de uma grande devoção. Mas, se as pomos a provas, bem depressa se verá que são as chuvas de verão que, passageiras, caem em torrente sobre a terra, mas não a penetram e só servem para produzir cogumelos; ver-se-á, digo, que essas lágrimas tão ternas caem num coração viciado e não o penetram, lhe são inteiramente inúteis, porque essas pessoas não largariam nem um ceitil de todos os bens injustos que possuem, não renunciariam à menor de suas más inclinações e não sofreriam o mais leve incômodo pelo serviço de Jesus Cristo, pelo qual tanto choravam; todos esses bons movimentos do coração não passaram de falsos sentimentos de devoção, semelhantes aos cogumelos, que são um produto falso da terra. …Ah, Filoteia, é bom chorar a morte e paixão dolorosas de nosso Pai e Salvador, mas por que então não lhe dar o nosso coração e amor, que esse querido Redentor está pedindo? Por que não lhe sacrificamos essas inclinações, satisfações, complacências que ele nos quer arrancar do coração e com as quais preferimos nos deliciar do que com a sua graça divina?”’  ( São Francisco de Sales, Filoteia p. 399-400).

 

 

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O que fazer para sermos pessoas boas aos olhos de Deus?

Afinal, o que é ser bom? 

Muitas vezes confundimos bondade com agradar os outros, ser frouxo…

Se é verdadeiro que uma pessoa bondosa nos faz bem, não é menos verdadeiro que essa mesma pessoa pode às vezes nos causar um “certo desconforto”, o que se contrapõe à idéia de que a bondade não nos tiraria da nossa “zona de conforto”, do nosso “comodismo”.

Logo, a bondade tem a ver com o bem, mas não com o “ficar bem”. A pessoa com bondade REAL nos faz um bem, sem dúvidas, mas um bem MORAL E ESPIRITUAL.

É que o verdadeiro “homem bom” não é um “frouxo” que se deixa fazer de “gato e sapato”, que “come na mão do outro”, o conhecido “ah, ele  é tão bonzinho, coitado…”.

A bondade é algo tão forte como qualquer outra qualidade de uma pessoa virtuosa e, nas palavras de Jesus,  o homem bom  “tira BOAS COISAS do seu BOM TESOURO”.

É o que se lê em Mateus 12,35:

“O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o mau homem tira más coisas do seu mau tesouro”

 

Bom tesouro: é um coração misericordioso

 

Como será que uma pessoa é capaz de tirar boas coisas do bom tesouro, ou, dito de outro modo, onde é que tiramos coisas, onde está o nosso tesouro.

Sem dúvidas o nosso bom tesouro consistirá em coração misericordioso.

“A misericórdia é, pois, mais do que a simples piedade, que implica uma distância entre o homem que sofre e aquele que o lamenta. Supõe uma verdadeira compaixão, a partilha efetiva das misérias dos nossos irmãos, de suas dificuldades materiais e de suas fraquezas morais.” (O Sermão da Montanha, Georges Chevrot, Editora Quadrante, p. 114).

Jesus, no Sermão da Montanha, alertava para a quinta bem-aventurança: “Bem aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia”.

É isso, um bom tesouro é um coração cheio de misericórdia, um coração capaz, como o de Cristo, de compreender e se compadecer das misérias alheias.

 

É por isso que um homem bom, por que não é mesquinho, porque se compadece da miséria do outro:

 

 

 

 

a-    Não é mesquinho, sempre procura desculpar o outro:

“O coração do homem bom está sempre inclinado a desculpar…” (O Homem Bom, Francisco Faus, Editora Quadrante, São Paulo, p. 33).

 

Como a pessoa com bondade real sabe que ela mesma também é cheia de misérias, ela não vai cair do defeito de julgar o outro, como um juiz perfeito e impiedoso. Sabe-se também necessitado de se autoconhecer, autocorrigir, por isso, ao observar um defeito alheio, saberá na hora oportuna, com muita caridade, e tentando corrigir o outro de forma não emocional ou racional, falar a sua visão sobre uma determinada situação, sempre no intuito de cooperar com o seu irmão.

 

Aliás, Jesus respondendo a Pedro, eu o indagava quantas vezes devemos perdoar o nosso irmão e pensando ser generoso, pois achava que seriam só sete vezes, Cristo replicava: “Não sete vezes, mas setenta vezes sete”.

 

b-    Abre-se ao outro

 

O homem bom não é aquele que atua só por justiça: isso não é problema meu.

O homem bom preocupa-se com o próximo como se fosse ele mesmo, dá-lhe valor.

 

Esse abrir-se aos outros é fundamental na bondade, pois não há bondade para si mesmo. Só se fala em bondade em relação a.

 

Quem só pensa em ter uma vida cômoda, procura “não complicar a vida”, pensa só no próprio prazer e bem-estar não está praticando bondade real.

A este propósito vale recordarmos daquela  passagem de Lucas 10, 25-37 que narra sobre o  bom samaritano, o único de uma série de pessoas que, indiferentes, sem querer “complicar a sua vida e tempo” deixam de acudir uma pessoa jogada,  quase meio morta no meio da estrada, pois já tinham os seus planos. O Bom samaritano é o único que sente compaixão, que cuida e se sacrifica no seu tempo e dinheiro.

 

Esse é o que se abriu ao outro, o que foi bom.

 

Isso é muito importante, porque Jesus já alertava que são os “violentos” que entram no Reino dos Céus, ou seja, aqueles que não se acomodam com a sua preguiça, com o seu cansaço, com a sua ira….mas lutam…por melhorar a si próprios…a sair de si….

 

 

c-    É paciente e confiante, pois acredita que o outro pode mudar com o tempo

 

Aliás, esta atitude de compreender, calar na hora da emoção, corrigir com o máximo de doçura, com a humildade de quem se sabe cheio de defeitos, é a atitude de um verdadeiro líder, que nunca desiste de ninguém, pois sabe que todos podem melhorar com o tempo.

 

Eis o que dizem os especialistas em liderança, o que podemos aplicar plenamente aqui em termos da virtude da bondade:

 

“A pior coisa que pode acontecer para um líder é perder a confiança da sua equipe. O líder está ali pra auxiliar, ajudar, defender, ouvir e falar em nome da sua equipe. Uma equipe que se dá bem acaba almoçando junto, conversando, compartilhando. Um líder com confiança perdida acaba sendo deixado de lado pela sua equipe e isso cria um ambiente desconfortável para todos. Portanto, não precisa forçar a barra para se entrosar com a equipe mas é importante que eles vejam no líder alguem com quem podem contar.”

Faz parte da bondade real confiar na possibilidade do outro mudar.

E essa confiança, se conseguirmos demonstrá-la ao outro com uma boa comunicação, com gestos elevados, pensando em ajudar e não humilhar outro, poderá ser tão frutífera que despertará o outro também para a bondade.

Quem já não experimentou essa sensação de alguém que nos compreendeu e demonstrou uma confiança tão em nossa mudança ou em nossa conduta desculpável que nos projeta algo como uma felicidade?

 

 

d-    Sabe que a bondade é um dom de Deus

A bondade não é algo espontâneo. Como qualquer virtude, uns tem maior facilidade, outros menos, mas o fato é que decorre de uma séria de pequenos atos cotidianos.

 

O fundamental é saber que chegaremos à bondade se estivermos unidos a Deus.

Já respondia Jesus ao jovem que lhe perguntava  “Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?” e Jesus respondia: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus.” (Marcos 10, 17-18).

 

Assim, como diz o padre Francisco Faus:

 

“A bondade não brota espontaneamente, como uma planta silvestre, mas forja-se na alma como o ferro trabalhado na fornalha…a bondade é sempre resultante da graça de Deus e da luta, do esforço do homem.  É nestes dois pontos que devem ser procuradas as suas fontes”.  (O Homem Bom, Francisco Faus, Editora Quadrante, São Paulo, p. 17).

 

Boas coisas

 

Finalmente, trazemos aqui uma pequena lista de conduta que poderá nos auxiliar no nosso exame de consciência, para tentarmos nos melhorar com relação à bondade, o que Deus espera de nós, pois Ele mesmo é A Bondade. Seriam as boas coisas, que devemos tirar do nosso bom tesouro, de um coração cheio de misericórdia, como  foi  e é o de Jesus Cristo:

 

  • ·         Atuo em favor dos outros?
  • ·         Atuo em favor do outro desinteressadamente?
  • ·         Atuo em favor mesmo sem qualquer relação afetiva com o outro?
  • ·         Atuo em favor mesmo que saiba que não haverá nenhum retorno?
  • ·         Penso na necessidade dos demais?
  • ·         Reconheço o valor do meu tempo, dos meus talentos, da minha fé que os outros precisam deles?
  • ·         Estou disponível ao outro, ou só me preocupo com as minhas coisas?
  • ·         Sei escutar, ou só falo?
  • ·         Sei exigir razoavelmente do outro, para que realizem ações também em meu favor, sabendo que estou contribuindo para a sua melhora moral e espiritual de serviço?
  • ·         Presto atenção no que o outro fala?
  • ·         Sei superar cansaço, ira, mau humor, para atender aos demais?
  • ·         Sei emprestar?
  • ·         Confio que há sementes de bondade que estão no coração do outro que podem por mim ser ativadas e cultivadas?
  • ·         Tenho ciência de que perder a confiança em alguém é como matá-lo?
  • ·         Procuro não rotular as pessoas?
  • ·         Estou sempre inclinado a desculpar o outro?

 

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O que a morte de Jesus, em seu sacrifício na Cruz, tem a ver com a minha vida hoje?

Todos somos pecadores. Não somos perfeitos. Agimos como não queremos. Deixamos de fazer o bem que queremos. Fazemos o mal que não queremos.

 O pecado não é só uma questão de moral.

 Todo pecado traz em si mesmo um colocar-se a si mesmo ou outra criatura, ou uma coisa,  no lugar de honra, que só pertence ao Criador.

 Exemplo: quando julgo as pessoas no meu interior e as critico, coloco-me no lugar de Deus, o único que sabe a motivação interna de cada ato praticado.

 

Exemplo: quando bebo em excesso, como em excesso, coloco o prazer em uma coisa, tirando o foco da única coisa necessária que é dar glória a Deus pelos meus atos em temperança e sem exageros.

 

O pecado é como uma ofensa no plano humano, exige uma reparação à vítima, à altura do ofendido: no caso, ofensa a Deus, ofensa infinita, reparação deve ser infinita.

 

Como reparar algo infinito, se somos finitos neste mundo?

 

Só alguém com as duas naturezas: de Deus e de homem. Como Deus, repararia a ofensa infinita. Com homem, expiaria o seu pecado humano a Deus.

 

 

 

Como diz o Catecismo da Igreja Católica em seu ponto 616: “Nenhum homem, ainda que o mais santo, tinha condições de tomar sobre si os pecados de todos os homens e de oferecer-se em sacrifício por todos.”

 

Jesus fez isso. Ele, o Deus-Filho assume a humanidade, sem deixar de ser Deus.

 

Tem agora dupla natureza: uma divina, outra humana, sem confundir-se uma com outra. Assumiu o que não tinha (natureza humana). Não deixou de ser o que era (Deus).

 

 

Veio como Deus-homem e ofereceu o seu sacrifício para a ofensa infinita de Deus, realizando uma oferenda perfeita.

 

 

Como homem, tomou para si os nossos pecados, assumiu tudo como expiação, como se Ele fosse o pecador, em nosso lugar e aceitou, pela justiça de Deus, o que caberia a nós pecadores: a morte (não comereis o fruto do saber do bem e do mal, pois no dia em que isso ocorrer morrereis certamente; eis a conseqüência da desobediência: a morte).

 

A vinda de Jesus para essa finalidade redentora já era prevista no Antigo Testamento, veja o que diz o profeta Isaías 53,7-8:

 

Diz São Paulo: “Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras”. (1 Cor 15,3).

 

 

Assim, existe um só sacrifício que tem efeito infinito para a remição dos pecados: é o sacrifício de Jesus, na Cruz. Lá Ele foi o ofertante, a oferta e o altar, tudo ao mesmo tempo. Lá Ele redimiu a humanidade.

 

O que Jesus fez foi acolher a Vontade do Pai, que é a nossa salvação e ida para o Céu, nossa Pátria Celeste, lugar em que deveríamos estar agora mesmo, não fosse o pecado original que nos privou disso.

 

Explica-nos o Catecismo (ponto 609): “Ao abraçar em seu coração humano o amor do Pai pelos homens, Jesus ´amou-os até o fim´(Jo 13,11), ´pois ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos´(Jo 15,13). Assim, no sofrimento e na morte, sua humanidade se tornou o instrumento livre e perfeito de seu amor divino que quer a salvação dos homens. Com efeito, aceitou livremente sua Paixão e sua Morte por amor de seu Pai e dos homens, que o Pai quer salvar: ´Ninguém me tira a vida, mas eu a dou livremente´(Jo 10,18). Daí a liberdade soberana do Filho de Deus quando Ele mesmo vai ao encontro da morte.”

 

 

 

 

 

Como pode algo que ocorreu há mais de 2 mil anos, ter efeito para mim, agora, nesta época?

 

 

Porque Jesus fez uma Nova Aliança há mais de 2 mil anos para a remição dos nossos pecados. Como foi essa Nova Aliança? Ela teve duas etapas sucessivas:

 

1-     Inicia-se na Última Ceia em que Ele e os seus Apóstolos comeram e beberam a sua carne e o seu sangue. (“Quem não comer a minha carne e não beber do meu sangue, não terá a Vida Eterna”) e Jesus mesmo disse que estava entregando o seu Corpo e o seu Sangue sob a aparência de um pão e de vinho; Ainda antes de se entregar aos romanos por espontânea vontade, Ele pede aos Apóstolos que se faça isso “em memória de mim”.

 

 

Como bem explica Bento XVI, na Carta Encíclica Deus Caritas Est: “Jesus deu a este ato de oferta uma presença duradoura através da instituição da eucaristia durante a última ceia. Antecipa a sua morte e ressurreição entregando-se já naquela hora aos seus discípulos, no pão e no vinho, a si prório, ao seu corpo e sangue, como novo maná. (cj. Jo 6, 31-33).

 

E ainda, vale mencionar-se o que nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, ponto 610: “Jesus expressou de modo supremo a oferta livre de si mesmo na refeição que tomou com os Doze Apóstolos na ´noite em que foi entregue´(1 Cor 11,23). Na véspera de sua Paixão, quando estava em liberdade, Jesus fez desta Última Ceia com seus apóstolos o memorial de sua oferta voluntária ao Pai, pela salvação dos homens:  `Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que e derramado por muitos para remissão dos pecados´(Mt 26,28). A Eucaristia que instituiu naquele momento será o ´memorial´de seu sacrifício. Jesus inclui os apóstolos em sua própria oferta e lhes pede que a perpetuem. Com isso. Institui seus apóstolos sacerdotes da Nova Aliança; ´Por eles a mim mesmo me santifico, para que sejam santificados na verdade (Jo 17,19).”

 

 

 

 

2-     Na Cruz, Ele termina o que começou na Última Ceia, pois é aqui que Ele, como um Cordeiro, é morto e o seu corpo e o seu sangue foi derramado, comido e bebido previamente na Última Ceia.

 

Como diz o ponto 612, do Catecismo da Igreja Católica: “O cálice da Nova Aliança, que Jesus antecipou na Ceia, oferecendo-se a si mesmo, aceita-o em seguida das mãos do Pai em sua agonia no Getsêmani, tornandose ´obediente até a morte´(Fl 2,8). Jesus ora: ´Meu Pai, se for possível, que passe de mim este cálice…´(Mt 26,39). Exprime assim o horror que a morte representa para sua natureza humana. Com efeito a natureza humana de Jesus, como a nossa, está destinada à Vida Eterna; além disso, diversamente da nossa, ela é totalmente isenta de pecado, que causa a morte; mas ela é sobretudo assumida pela pesso divina do `Príncipe da Vida´, do ´vivente´. “

 

Se Jesus assumiu o meu lugar e ofereceu uma reparação infinita pelas ofensas infinitas a Deus na Cruz, pelo seu sacrifício, o que eu tenho de fazer hoje? Qual é a minha parte?

 

 

Sim, Jesus “ao aceitar em sua vontade humana que a vontade do Pai seja feita, aceita sua morte como redentora para carregar em seu próprio corpo os nossos pecados sobre o madeiro (1 Pd 2,24)” (ponto 612, Catecismo da Igreja Católica).

 

 

Qual seria então o nosso papel nessa redenção operada pelo sacrifício de Jesus, o que teríamos nós de fazer?

 

 

Vejamos, primeiramente, que Jesus pediu para que o ritual da Última Ceia (que se inicia nela mesma e termina na Cruz, quando Jesus toma o cálice final da Ceia que é o vinagre na cruz) fosse feito “em memória de mim”.

 

Justamente para ter efeito para nós, o sacrifício que se inicia com a Ceia e termina na Cruz é renovado por nós pelas mãos do sacerdote na missa.

 

 

Mas, para a redenção operada na Cruz ser aproveitada por nós hoje, precisamos participar da Missa, pois,  utilizando-se das palavras de Leonardo de Porto Maurício no seu livro “Excelência da Santa Missa”: “Assim o SACRIFÍCIO CRUENTO foi o MEIO de nossa REDENÇÃO, e o SACRIFÍCIO INCRUENTO nos proporciona as GRAÇAS da nossa REDENÇÃO.

 

Entendeu?

 

Quando vamos lá, nós também podemos satisfazer a justiça divina pelos nossos pecados atuais cometidos, pois as Graças que Jesus nos mereceu encontram-se lá para serem obtidas por nós.

 

É lá que saem graças para sermos perdoados dos pecados veniais e obtermos forças para não pecarmos gravemente. Só que na missa o mistério da nossa Redenção não ocorre por um sacrifício de sangue, pois este ocorreu só uma vez, Jesus não morre novamente quando renovamos o ritual da Última Ceia.

 

 

Conforme o ponto 613 e 614 do Catecismo da Igreja Católica, ao mencionar sobre a morte de Cristo como sacrifício único e definitivo: “A morte de Cristo é ao mesmo tempo o sacrifício pascal, que realiza a redenção definitiva dos homens pelo ´cordeito que tira o pecado do mundo´e o sacrifício da Nova Aliança, que reconduz o homem à comunhão com Deus, reconciliando-o com ele pelo ´sangue derramado por muitos para remissão dos pecados. Este sacrifício de Cristo é único. Ele realiza e supera todos os sacrifícios. Ele é primeiro um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega seu Filho para reconciliar-nos consigo.”

 

 

 

Mas na missa, não é só uma representação, ou um teatrinho do que Jesus fez com os Apóstolos na Última Ceia e depois na Cruz.  É repetido o mesmo sacrifício, só que de forma incruenta (sem derramento de sangue, que ocorreu uma só vez), é o mesmo Jesus como Sumo Sacerdote oferecendo-Se a Si mesmo como Vítima do sacrifício a Deus-Pai para a remição (resgate) dos nossos pecados.

 

O sacerdote apenas empresta a sua voz a Jesus que desce glorioso e Ele mesmo diz as Palavras  que operam a transubstanciação do pão em seu Corpo e do vinho em seu Sangue para alimentar a nossa alma e divinizá-la com a sua Graça, a sua Vida Divina.

 

Como podemos dizer que o pão é o Corpo de Jesus? Como pode caber o Deus-homem em uma pequena hóstia?

 

Ele mesmo disse: “Quem não comer a minha carne e não beber do meu sangue, não terá a Vida Eterna.”

 

Assim, “da mesma maneira que cabe uma catedral toda nos teus pequenos olhos. Deus pode onipotente que dotou a natureza de forças e leis, acaso não teria meios de operar outro milagre?”[i]

 

 

Existe algo a mais que ocorre na missa em que se renova o sacrifício de Jesus na Cruz?

 

 

Na missa, como vimos ocorre sem dúvida a renovação do Sacrifício de Jesus na Cruz, que se inicia na Última Ceia (em que o seu Corpo e Sangue são oferecidos antes mesmo de sua imolação como um “Cordeiro” de Deus).

 

 

Mas, na missa, após a renovação do Sacrifício, somos convidados a receber ou comungarmos o Corpo e o Sangue de Jesus entregue por nós na Cruz. Podemos “comer” o Cordeiro, em uma nova Páscoa (não a original judaica, mas uma nova Páscoa, cuja carne é a de Jesus).

 

Mais do que aquela oferta, participamos da mesma Ceia que os Apóstolos.

 

Mas, para que participarmos da Ceia, do Banquete do Senhor, dessa nova Páscoa?

 

São Paulo responde: “Uma vez  que há um só pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo,  porque todos participamos do mesmo pão.” (1 Cor 1, 17).

 

Assim, se além de assistir ao sacrifício da Missa, também recebermos o Pão e o Vinho transubstanciados em Corpo e Sangue, estaremos recebendo:

 

1-     em nossas almas individualmente a Jesus glorioso (res et contenda);

2-      e estamos, ao mesmo tempo fazendo parte de um Corpo de Jesus que é místico e muito maior do que nós (res et non contenda), do Corpo Místico de Cristo, em que Cristo é a cabeça e nós os membros.

 

Explica melhor sobre isso Bento XVI: “A união com Cristo é, ao mesmo tempo, união com todos os outros, aos quais ele se entrega. ….A comunhão tira-me para fora de mim mesmo projetando-se para ele, e, desse modo, também para a união com todos os cristãos. Tornamo-nos ´um só corpo’ fundidos todos numa única existência. O amor a Deus e o amor ao próximo estão, agora verdadeiramente juntos: o Deus encarnado atrain-nos todos a si. Assim se compreende por que o termo ágape se tenha tornado, também, um nome da eucaristia: nesta,  a ágape  de Deus vem corporalmente a nós, para continuar a sua ação em nós e através de nós.”

 

 

Deu para entender?

 

Após a comunhão, como recebemos Cristo em nossas almas e ao mesmo tempo somos introduzidos em seu Corpo Místico, Ele age através de nós. Ou seja, Ele faz uma ligação entre Ele e nós, tudo pela Eucaristia.

 

Ele revive em nós e quando agimos, Ele também age, sem tirar a nossa liberdade, fica dentro de nós.

 

Nossas ações passam a ter mérito infinito e assim nós, como Ele, na próxima missa, podemos ser sacerdotes do que tivermos feito e oferecemos, junto com o Sacrifício de Jesus na Cruz, a nossa pequena contribuição, de todo o dever, de toda a alegria ou sofrimento suportado com a intenção de ajudar Jesus na redenção.

Em outras palavras, participamos do seu Corpo Místico, e participamos, com Ele da redenção, em corredenção do gênero humano, oferecedendo-nos dentro do Corpo Místico Dele ao qual somos introduzidos.

 

Essa chamada a oferecermos as nossas canseiras, alegrias, sofrimentos desta vida fica evidenciada quando Jesus convida-nos a tomar a cruz e segui-lo. Por isso, o Fundador do Opus Dei, São Josemaria Escrivá chamava isso de ter “alma sacerdotal”, pois podemos “prolongar os efeitos da missa” durante todo o  nosso dia, oferecendo-nos a nós, nossos pensamentos, invocações piedosas a Deus, deveres bem cumpridos, alegrias, penas também e unirmos depois essa nossa oferta à de Jesus na missa. O nosso dia será o dia de uma “alma sacerdotal” de uma alma que sabe oferecer tudo em associação com o sacrifício de Jesus na hora do ofertório da próxima Missa.

 

 

Explica-nos a respeito o ponto 618 do Catecismo: A Cruz é o único sacrifício de Cristo, ´único mediador entre Deus e os homens.´Mas, pelo fato de que, em sua Pessoa Divina encarnada, ´de certo modo uniu a si mesmo todos os homens, oferece a todos os homens de uma forma que Deus conhece, a possibilidde de serem associados ao Mistério Pascal. Chama seus discípulos a ´tomar sua cruz e a segui-lo, pois ´sofreu por nós, deixou-nos um exemplo, a fim de que sigamos seus passos. Quer associar a seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os beneficiários deles. Isto realiza-se de maneira suprema em sua Mãe, associada mais intimamente do que qualquer outro ao mistério de seu sofrimento redentor.”

 

 

 

“Esta tua vida em mim é um mistério, de que pouco compreendemos. Os teólogos procuraram traduzi-lo em fórmulas e falam de vida sobrenatural, de vida da graça. Mas é um mistério, porque a união a nossa alma com Deus pela graça nos transforma…sem que deixemos de ser nós mesmos. Sou transformado e os meus atos são verdadeiramente de Deus; pode-se dizer, sem exagero e ao pé da letra, que o meu ser está divinizado. Ao mesmo tempo, porém, continuo a ser homem e simples criatura. É uma transformação mais profunda e radical que nenhuma das mudanças de que temos experiência, sem no entanto fazer desaparecer o meu ser primitivo. (…) E esta vida de Deus em nós, não há fórmulas que a descreve satisfatoriamente. Li livos sobre a ´inabitação da Santíssima Trindade na alma dos justos´. ..e prefiro refugiar-me simplesmente nas tuas próprias palavras: Eu sou a vide verdadeira e meu Pai o agricultor…Permanecei em mim e eu em vos. Como o ramo não pode dar fruto se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerder em mim….Eu sou a videira, vós os ramos…Quem vive em mim e eu nele, esse dá frutos abundantes….(Jo 15, 1-7). Sim, Mestre, a tua vida em mim é a seiva da minha alma. As folhas e os frutos no ramo são folhas e frutos da videira, mas é a seiva da videira que nos alimenta e dela dá testemunho. Assim, Mestre, a minha vida sob a ação da tua graça; a minha vida nutrida da tua; a minha vida pela qual corre a tua como a seiva corre do tronco para os ramos  a minha vida, Mestre, sem esforço, sem mudança, sem fazer-me passar de um ser para outro ser, torna-se tua e todo o divino está em mim..Sim, Senhor, vejo-o bem. É a lei da tua Encarnação que se repete em mim…” (O mistério do Deus-Homem, Jacques Leclercq, São Paulo, Quadrante, p. 34-35).

 


[i] Tóth. Tihamer. A Eucaristia. São Paulo: 2005, FacTash Editora, p. 44.

 

 

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Qual a importância do Antigo e do Novo Testamento para a minha vida?

Transmissão da Revelação Divina

 

“A Sagrada Tradição e a Sagrada Eucaristia estão estreitamente relacionadas entre si. Derivando ambas da mesma fonte divina, formam como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. Com efeito, a Sagrada Escritura á palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo, a Sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos apóstolos a palavra de Deus, confiados por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos apóstolos, para que os sucessores destes, com a luz do Espírito de verdade a conversem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação, por conseqüência, não é só da Sagrada Escritura que a Igreja tira a sua certeza, a respeito de todas as coisas reveladas. Ambas devem, portanto, ser recebidas e veneradas com igual afeto de piedade.” (Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina, p. 10-11).

 

“Porém, o múnus de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou contida na Tradição só foi confiado ao magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo. Este magistério não está a acima das palavras de Deus, mas sim ao seu serviço ensinando apenas o que foi transmitido enquanto por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, ouve a palavra de Deus com amor, a guarda com todo o cuidado e a expõe fielmente, e neste depósito único da fé encontra tudo quanto propõe para se crê como divinamente revelado.” (Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina, p. 11-12).

 

 

Como interpretar a Sagrada Escritura?

 

“Importa, pois, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo pretendeu exprimir e de fato exprimiu em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, usando os gêneros literários então em voga.” (De doct.Christ., II 18,26 PL 34,76-6, Santo Agostinho).

 

“Para  entender retamente o que o autor sagrado quis afirmar por escrito, deve-se atender bem, que aos modos peculiares de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo, quer àqueles que na mesma época  costumavam empregar-se nos intercâmbios humanos (Pio XII, I.c.).

 

 

ANTIGO TESTAMENTO

 

O que é o Antigo Testamento?

 

 

“O Antigo Testamento, também conhecido como Escrituras Hebraicas, tem 46 livros e constitui a primeira grande parte da Bíblia cristã,1 2 e a totalidade da Bíblia hebraica. Foram compostos em hebraico ou aramaico.

Chama-se também Tanakhacrônimo lembrando as grandes divisões dos escritos sagrados da Bíblia hebraica que são os Livros da Lei (ou Torá), os livros dos profetas (ou Nevi’im), e os chamados escritos (Ketuvim). Entretanto, a tradição cristã divide o antigo testamento em outras partes, e reordena os livros dividindo-os em categorias; Leihistóriapoesia (ou livros de sabedoria) e Profecias. (…)

A Lei compreende os primeiros cinco livros, tais como na Bíblia cristã. Já os Profetas incluem: Isaías, JeremiasEzequiel, os Doze Profetas MenoresJosuéJuízes1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. Os escritos reúnem o grande livro de poesia, os Salmos, além de ProvérbiosEster,Cantares de SalomãoRuteLamentaçõesEclesiastesDanielEsdrasNeemias e 1 e 2 Crônicas.

Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora a Lei ocupasse espaço maior era escrito em dois grandes pergaminhos.

aramaico foi a língua original de algumas partes dos livros de Daniel e de Esdras. Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito durante o Século II A.C. e por isso, se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré. Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.

Composições

Diferentes tradições cristãs possuem um diferente cânone para o Antigo Testamento. A Igreja Católica Romana utilizou , a partir do século I, como canônica a versão chamada Septuaginta, que foi uma tradução dos escritos hebraicos para o grego, feita antes mesmo do fechamento do cânone hebraico na tradição judaica. Assim, a Septuaginta inclui material que não foi incluído na Bíblia Hebraica, de fontes diferentes e divergentes, inclusive material original já escrito em grego. Os defensores da reforma protestante excluíram do cânone todos os livros ou fragmentos que não correspondiam ao texto hebraico massorético, e como resposta a isso o Concílio de Trento em 1546 determinou que os livros de JuditeTobiasSabedoriaEclesiásticoBaruc1° Macabeus2° Macabeus, os capítulos 13 e 14 e os versículos 24 a 90 do capítulo 3 de Daniel, os capítulos 11 a 16 de Ester (todos existentes em língua grega) deveriam ser tratados como canônicos, ao passo que os textos conhecidos como oração de Manassés e os livros de 3 e 4 Esdras não mais o seriam. A Igreja Católica Ortodoxa acabou por decidir pela inclusão de Tobias, Judite,Sirácida e Sabedoria.

Em outras tradições cristãs existe mais material adicional, como por exemplo na Bíblia Etíope e na Bíblia Copta. A tradição reformada optou por seguir o cânone estabelecido pela tradição judaica, porém mantendo a diferente ordem dos livros.

Transmissão do texto

Quanto ao texto transmitido, não chegou até nós nenhum rolo original de qualquer material bíblico. Atualmente os documentos mais antigos que ainda existem são oriundos do século II A.C, tais como o chamado Papíro Nash, encontrado em 1902, no Egito, que contêm o decálogo e o texto da confissão de fé hebraica Shma Israel (Deuteronômio 6:4), e os manuscritos do Mar Morto encontrados em Qumran (por um grupo religioso hebraico no ano de 1947, manuscritos este que têm 1000 anos antes dos manuscritos hebraicos – nota da autora) que incluem diversos fragmentos de textos de praticamente todos os livros da Bíblia Hebraica com a exceção de Ester.

A partir de 100 d.C. a tradição fariseu-rabínica passou a dominar no judaísmo e desenvolveu-se um método de auxílio na transmissão do texto, inclusive a correta vocalização. Os estudiosos que trabalharam para manter a originalidade do texto, especialmente com o declínio do hebraico como língua falada, eram chamados de massoretas e terminaram por elaborar um texto que passou a ganhar autoridade oficial entre os séculos VII e X, chamado de texto masorético. Oriundos dessa tradição existem dois manuscritos importantes que baseiam as edições críticas do texto atual: O Codex Leningradensis e o Codex Aleppo.

A subdivisão do texto em capítulos e versículos não vem do texto original. A primeira divisão existente foi a divisão do texto da Torá (Pentateuco) em 54 parashot que são leituras semanais para o ano litúrgico judaico. A divisão por capítulos foi introduzida pelos cristãos com o objetivo prático de auxiliar a referência a textos. Uma das atuais divisões em capítulos foi realizada por Stephan Langton por volta de 1200 d.C. e foi adotada primeiramente num manuscrito hebraico no século XIV. A divisão em versículos foi resultado de um processo que só chegou ao final no século XVI. Por isso a tradição reformada, que rompeu com a tradição católica romana antes desse período, possui diferenças na contagem de capítulos e versículos.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Antigo_Testamento

 

Qual a importância do Antigo Testamento para os cristãos?

 

“…os livros do Antigo Testamento…manifestam a todos o conhecimento de Deus e do homem, e o modo como Deus,justo e misericordioso trata os homens.” (Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina, p. 16).

 

“Tais livros, apesar de conterem também coisas imperfeitas e passageiras, revelam uma verdadeira pedagogia divina (Pio  XI, Enc. MIT. Brennender songe) – in  (Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina, p. 16).

 

“…Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs sabiamente que o Novo Testamento estivesse escondido no  Antigo e o Antigo se tornasse claro no Novo (Santo Agostinho, Quaest. In Hept 2,73 PL 34, 623) in  (Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina, p. 16).

 

O Antigo Testamento foi utilizado pelos primeiros cristãos?

 

Sim, os primeiros cristãos utilizavam-se do Antigo Testamento porque a vinda de Cristo era a etapa do cumprimento histórico da promessa do Messias. Aliás, “Os Hebreus ficavam indignados quando ouviam dizer que o Antigo Testamento pertencia exclusivamente aos cristãos, porque só os cristãos o compreendiam de forma correta. Na realidade, seguindo o exemplo de Jesus e dos apóstolos, os cristãos aceitaram o Antigo Testamento como Escritura inspirada e fonte de autoridade.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p. 103).

 

Qual era a versão normalmente utilizada pelos primeiros cristãos do Antigo Testamento?

 

“Normalmente, eles utilizavam a versão grega dos Setenta. As traduções latinas desta versão remontam ao fim do séc. II. Em várias épocas algumas das primeiras comunidades cristãs usaram também um determinado número de outros escrito hebraicos. A maior parte desses escritos, como a Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico encontravam-se na versão dos Setenta. Discute-se se eles gozavam da mesma autoridade que os livros da Bíblia hebraica. No Ocidente, sobretudo graças às influências de Agostinho, mas contra a opinião e os argumentos de Jerônimo, foram  geralmente aceites como parte do ´cânone´da Escritura. A igreja oriental normalmente reconhecia apenas os livros da Bíblia hebraica.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.103-104).

 

 

Em algum momento da Igreja houve discussão sobre a adoção do Antigo Testamento como etapa da Revelação Divina?

 

Sim, os gnósticos[i] rejeitavam o Antigo Testamento ao realizarem sua interpretação literal. “Acusavam o ´demiurgo´ [ii]como eles definiam o Deus do Antigo Testamento de ter criado um mundo material e, portanto, mau.”  (DOWLEY. Tim organizador e John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, História do Cristianismo, Bertrand Editora, p.104).

 

 

 

 

 

Demiurgo, (em grego: δημιουργός)
“Aurora do Mundo” de William Blake,1794

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gnosticismo, acesso em 17.12.2013

 

 

Existe algum heresia nesta época dos primeiros cristãos que refutavam o Antigo Testamento como fonte da Revelação Divina?

 

Sim, era a heresia chamada marcionismo, pois partiu da idéia de Marcião.

Marcião, nascido em Sínope (junto ao Mar Negro) e filho de um Bispo, influenciado “pelo mestre gnóstico Cerdon, que ensinava que o Deus do Antigo Testamento era diferente do Deus e Pai de Jesus Cristo” [iii]  não se conformava com a ira muitas vezes demonstrada no Antigo Testamento, não conseguindo enxergar que a ira de Deus é uma expressão também do seu amor. Como Pai que é, por vezes corrige os seus filhos.

Para Marcião, “o Deus do Antigo Testamento ordenava batalhas e massacres porque era dominado pela cólera e não pelo amor e, portanto, era incompatível com o Pai misericordioso de Jesus.” [iv]

“Como acreditava que o Deus do Antigo Testamento favorecia apenas os Hebreus, Marcião rejeitava todo o Antigo Testamento e também os escritos do Novo Testamento que lhe pareciam demasiado favoráveis aos Hebreus, como os Evangelhos de Mateus e de Marcos, os Atos e a Carta aos Hebreus. Dos outros livros do Novo Testamento ele excluía também o que podia comprometer as suas teorias, como as cartas pastorais de  Paulo (1 e 2 Timótio e Tito). Restava-lhe apenas uma versão mutilada do Evangelho de Lucas (sem os capítulos da infância de Jesus) e dez cartas de Paulo.” [v]

“Marcião afirmava que Jesus Cristo não tinha nascido de uma mulher, mas sim que tinha aparecido de repente na sinagoga de Cafarnaum no ano 29 como homem adulto….Mesmo declarando que a vida e crucifixão de Cristo eram necessárias para a salvação, ele acreditava que as experiências humanas e os sofrimentos de Cristo eram apenas aparentes e não reais.” [vi]

“Algumas das suas idéias penetraram em várias seitas gnósticas, e os marcionistas sofreram, por sua vez, a influência das teorias gnósticas. As suas idéias espalharam-se pela Itália e até a Arábia, Armênia e Egito. Durante muitos anos exercem uma notável influência no Oriente. Sabemos que no séc. IV ainda havia aldeias marcionistas perto de Damasco. No Ocidente a sua influência foi declinando, especialmente por causa das suas ligações com os maniqueus.”[vii]

 

 

 

 

 

 

 

Como responder a essas objeções de Marcião?

 

A resposta às objeções de Marcião pode ser obtida na medida em que devemos  “interpretar o Antigo Testamento de forma alegórica e espiritual…” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.105).

Foi o que fez Orígenes, nascido em Alexandria por volta do ano 1855:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 “Orígenes foi o maior estudiosos e o autor mais prolífico dos primeiros séculos da Igreja. Foi um pensador não só profundo como também intensamente espiritual e um cristão sincero. (…) Orígnes compôs a Hexapla, a maior obra no campo bíblico dos primeiros tempos da Igreja. Reuniu em colunas paralelas o texto hebraico do Antigo Testamento, uma transliteração do mesmo em letras gregas, as traduções gregas de Aquila, Símaco, Teodocião e dos Setenta. Orígenes fez da Hexapla a base das suas interpretações do Antigo Testamento. As suas homilias e os seus copiosos comentários ilustravam a sua teoria segundo a qual qualquer texto bíblico tem três níveis de significado, o sentido literal, a aplicação moral para a alma, e o sentido alegórico ou espiritual, que se refere aos mistérios da fé.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.107).

 

Para Orígenes:

“As Escrituras foram elaboradas por intermédio do Espírito Santo de Deus e não só têm um significado evidente, como também um significado oculto para a maior parte dos leitores. De fato, o conteúdo da Escritura é a forma exterior de certos mistérios e o reflexo das coisas divinas…A lei é toda espiritual; no entanto, o seu significado inspirado não é reconhecido por todos , mas apenas por aqueles que têm o dom da graça do Espírito Santo no mundo da sabedoria e conhecimento.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.106).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NOVO TESTAMENTO: 

 

Origem Apostólica dos Evangelhos

 

 

“Aquilo que os apóstolos, por ordem de Cristo, pregaram, depois os mesmos apóstolos e os varões apostólicos transmitiram-no por escrito, sob a inspiração do Espírito Santo, como fundamento da fé:  é o Evangelho quadriforme, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João (cf. Santo Ireneu, Adv Haer, III 11,8; PG 7,885, ED. Sagnard, p. 194) in  (Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina, p. 18.

 

“Os apóstolos, depois da ascensão do Senhor transmitiram aos seus ouvintes o que ele tinha dito e feito com aquela inteligência mais plena que, instruídos pelos eventos gloriosos de Cristo e iluminados pela luz do Espírito da verdade agora possuíam Jo 2,22; 12, 6; cf 14,26, 16, 12-13; 7, 37 in  (Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina, p. 18)…

 

 

 

O que mais está incluído nos cânones do Novo Testamento?

“O cânone do Novo Testamento encerra, além dos quatro Evangelhos, as Epístolas de São Paulo e outros escritos apostólicos redigidos por inspiração do Espírito Santo.” (Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina, p. 19).

 

TRADIÇÃO

 

Existe alguma tradição secreta transmitida só pelos apóstolos?

 

 

 

 

Não. Como já debateu com os gnósticos da sua época, Santo Ireneu, bispo de Lião no ano 177 e famoso por seus livros escritos contra as idéias gnósticas, já dizia que “as Igrejas preservaram as verdades de fé pública e oficialmente transmitidas desde os tempos apostólicos pelos dirigentes das Igrejas.” [viii]

 

Em linhas gerais qual era o pensamento dos gnósticos?

 

Os gnósticos “defendiam que era possível a salvação através dum conhecimento (em grego, gnosis) secreto. (…) O gnosticismo baseia-se no claro dualismo de um Deus transcendente oposto a um demiurgo ignorante, que muitas vezes é uma caricatura do Deus do Antigo Testamento. Alguns gnósticos ensinavam que a criação do mundo era o resultado da queda de Sophia ou Sabedoria. Todos os gnósticos acreditavam que a criação matéria lera me No entanto, algumas centelhas da divindade tinham sido encerradas no corpo de alguns indivíduos ´espirituais´destinados à salvação. Estes ´espirituais´não conheciam a sua própria origem celeste, e por isso Deus envia o seu redentor que traz a salvação sobre a forma de conhecimento (gnosis) secreto de si próprio, da sua origem  e de seu destino. Assim despertos, os ´espirituais´libertam-se da prisão do corpo quando morrem (…)
Dado que acreditavam que a salvação dependia exclusivamente do conhecimento da sua própria natureza ´espiritual ´alguns gnósticos entregavam-se a uma conduta extremamente licenciosa, afirmando serem pérolas que não podiam ser manchadas pela lama exterior. Os cainitas honravam perversamente Caim e outros criminosos do Antigo Testamento; e os Ofitas veneravam a serpente, pois ela tinha dado o ´conhecimento´a Adão e Eva. A maior parte dos gnósticos tinha uma atitude de recusa em relação ao sexo e ao casamento. No princípio, os serem humanos eram todos de um só sexo. A criação da mulher foi a causa de todos os males e a procriação dos filhos não fazia mais do que multiplicar as almas escravas do poder das trevas…” DOWLEY. Tim organizador e John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, História do Cristianismo, Bertrand Editora, p. 96-97).

 

Como sabemos sobre os gnósticos?

 

Até o séc. XIX o nosso conhecimento dos gnósticos baseava-se exclusivamente nos escritos de cristãos como Ireneu, Hipólito, Orígenes, Tertuliano e Epifânio. Alguns destes autores fornecem trechos de documentos gnósticos originais, mas falam deles sobretudo para os combater e retutar…no entanto, algumas descobertas recentes, como os textos de Nag-Hamadi confirmaram-nas (doutrinas gnósticas), pelo menos em parte…. DOWLEY. Tim organizador e John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, História do Cristianismo, Bertrand Editora, p. 97.

 

 

O que são os textos de Nag-Hamadi?

 

“Em 1946, um camponês que procurava fertilizante descobriu por acaso doze preciosíssimos códices e fragmentos coptas perto de Nag-Hamadi, no Algo Egito. A coleção, que tinha sido colocada por volta do ano 400, contém certa de cinqüenta textos que projetam muita luz sobre as crenças e práticas gnósticas. Alguns deles foram publicado. Por exemplo, o Evangelho da Verdade, atribuído por alguns ao célebre chefe gnóstico Valentim, fala da ignorância como causa principal da decadência do homem. A Carta de Rheginos, talvez de Valentim, afirma que a ressurreição não é um fato físico…. O Evangelho segundo Filipe, de Valentim, trata de vários sacramentos como o batismo, a unção com o óleo consagrado e a câmara nupcial….” DOWLEY. Tim organizador e John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, História do Cristianismo, Bertrand Editora, p.97.

 

Dê  exemplo de manuscritos com o pensamento gnóstico

 

Existe um manuscrito o Codex Berolinensis publicado em 1955 que contém “um Evangelho de Maria Madalena, uma Sabedoria de Jesus, os Atos de Pedro e um Apócrifo de João (ora mencionada por Ireneu no ano 180). DOWLEY. Tim organizador e John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, História do Cristianismo, Bertrand Editora, p.97

 

Outros exemplos de Evangelhos gnósticos:

Evangelho segundo Filipe de Valentim (chefe gnóstico)

Evangelho da Verdade de Valentim (chefe gnóstico)

Apócrifo de João – “faz uma descrição pormenorizada das origens do universo, análoga à dos Setianos e Ofitas, grupos gnósticos referidos pelos mais antigos escritores cristãos.” DOWLEY. Tim organizador e John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, História do Cristianismo, Bertrand Editora, p.97.

Apocalipse de Adão.

 

Existe ainda quem acredita  no gnosticismo antigo?

 

As comunidades mandeístas que vivem hoje no Iraque e no Irã.

 

Como o Novo Testamento chegou até nós?

 

Por meio de manuscritos (que eram compilados em forma de “códices”, ou seja,  um volume em forma de páginas ligadas, como os nossos livros).

“ Códice designa uma espécie de livro semelhante aos nossos, que se obtém ligando entre si as páginas.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.130).

 

Qual é o manuscrito do Novo Testamento mais antigo?

“O manuscrito mais antigo de todo o Novo Testamento é o Códice Sinaítico, que remonta ao séc. IV. (…) O Códice Vaticano pertence ao mesmo período; faltam-lhe porém, algumas páginas no fim do Novo Testamento. Outros manuscritos menos completos remontam ao final do séc. II ou princípio do III; um fragmento do Evangelho de João (guardado na biblioteca John Rylands de Manchester) remonta a c. 130. Os papiros Chester Beatty contém partes dos Evangelhos, dos Actos, das Cartas de Paulo, da Carta aos Hebreus e do Apocalipse e pertence à primeira metade do século III. O papiro II de Bodmer (início do século III) contém fragmentos do Evangelho de João; outros fragmentos desta coleção, datados de c. 175 a 225, contêm partes de Lucas e de João e as cartas de Pedro e de Judas.

O Códice Alexandrino (séc. V) é um importante manuscrito antigo que contém a maior parte do Novo Testamento e está agora guardado no British Museum de Londres. O Códice de Beza, guardado em Cambridge (séc. V) contém a maior parte dos Evangelhos e dos Actos em grego e latim em páginas opostas. O Códice de Washington (século IV ou V contém oss quatro Evangelhos quase completos).” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.132).

 

 

 

Qual é o fragmento mais antigo que se conhece do Novo Testamento?

 

“O fragmento mais antigo que se conhece do Novo Testamento é um pedaço de papiro com parte do texto grego de João 18,31-33 e 37. Remonta 130.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.130).

 

 

Como confiar nesses manuscritos do Novo Testamento?

 

“A maioria esmagadora maioria das variantes nos numerosos manuscritos estudados consiste em diferenças acidentais de ortografia ou em omissões. Mas há também divergências claramente desejadas. Em geral, parece tratar-se de tentativas de melhorar o estilo, de tirar ambigüidade ou, às vezes de harmonizar narrações paralelas em vários livros. Algumas variantes parece que se ficaram a dever a preocupações doutrinais do copista. (…)”

Como o Novo Testamento chegou até nós?

 

Por meio de manuscritos (que eram compilados em forma de “códices”, ou seja,  um volume em forma de páginas ligadas, como os nossos livros).

“ Códice designa uma espécie de livro semelhante aos nossos, que se obtém ligando entre si as páginas.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.130).

 

Qual é o manuscrito de todo Novo Testamento mais antigo?

“O manuscrito mais antigo de todo o Novo Testamento é o Códice Sinaítico, que remonta ao séc. IV. (…) O Códice Vaticano pertence ao mesmo período; faltam-lhe porém, algumas páginas no fim do Novo Testamento. Outros manuscritos menos completos remontam ao final do séc. II ou princípio do III; um fragmento do Evangelho de João (guardado na biblioteca John Rylands de Manchester) remonta a c. 130. Os papiros Chester Beatty contém partes dos Evangelhos, dos Actos, das Cartas de Paulo, da Carta aos Hebreus e do Apocalipse e pertence à primeira metade do século III. O papiro II de Bodmer (início do século III) contém fragmentos do Evangelho de João; outros fragmentos desta coleção, datados de c. 175 a 225, contêm partes de Lucas e de João e as cartas de Pedro e de Judas.

O Códice Alexandrino (séc. V) é um importante manuscrito antigo que contém a maior parte do Novo Testamento e está agora guardado no British Museum de Londres. O Códice de Beza, guardado em Cambridge (séc. V) contém a maior parte dos Evangelhos e dos Actos em grego e latim em páginas opostas. O Códice de Washington (século IV ou V contém oss quatro Evangelhos quase completos).” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.132).

 

 

 

Qual é o fragmento mais antigo que se conhece do Novo Testamento?

 

“O fragmento mais antigo que se conhece do Novo Testamento é um pedaço de papiro[ix] com parte do texto grego de João 18,31-33 e 37. Remonta 130.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.132).

 

 

Qual foi a primeira tradução latina do Novo Testamento e da versão grega dos Setenta?

 

“Talvez tenham sido os missionários africanos a fazer esta primeira tradução latina da versão grega dos Setenta e do Novo Testamento por volta do ano 150. Esta ´antiga versão´latina foi muito utilizada, até ser gradualmente substituída pela Vulgata de São Jerônimo. Este fragmento de papiro contém duas passagens dos capítulos 5 e 6 do Gênesis.”

 

Para outros, foi São Jerónimo  420, nascido Eusébio Sofrónio (Sofrônio)  foi um padre  …conhecido sobretudo como tradutor da Bíblia do grego antigo e do hebraico para o latim.  A edição de São Jerónimo, a Vulgata, é ainda o texto bíblico oficial da Igreja Católica Romana, que o reconhece como Padre da Igreja (um dos fundadores do dogma católico) e ainda doutor da Igreja. Nasceu em Estridão, por isso chamado Jerónimo de Estridão, na fronteira entre a Panónia e a Dalmácia, no segundo quarto do século IV e faleceu perto de Belém em sua cela, próximo à gruta da Natividade.

Vulgata foi publicada cerca de 400 d.C., poucos anos depois de Teodósio I ter feito do cristianismo a religião oficial do Império Romano (391).

 

 

 

Como o Novo Testamento chegou até nós?

 

Por meio de manuscritos (que eram compilados em forma de “códices”, ou seja,  um volume em forma de páginas ligadas, como os nossos livros).

“ Códice designa uma espécie de livro semelhante aos nossos, que se obtém ligando entre si as páginas.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.130).

 

Qual é o manuscrito do Novo Testamento mais antigo?

“O manuscrito mais antigo de todo o Novo Testamento é o Códice Sinaítico, que remonta ao séc. IV. (…) O Códice Vaticano pertence ao mesmo período; faltam-lhe porém, algumas páginas no fim do Novo Testamento. Outros manuscritos menos completos remontam ao final do séc. II ou princípio do III; um fragmento do Evangelho de João (guardado na biblioteca John Rylands de Manchester) remonta a c. 130. Os papiros Chester Beatty contém partes dos Evangelhos, dos Actos, das Cartas de Paulo, da Carta aos Hebreus e do Apocalipse e pertence à primeira metade do século III. O papiro II de Bodmer (início do século III) contém fragmentos do Evangelho de João; outros fragmentos desta coleção, datados de c. 175 a 225, contêm partes de Lucas e de João e as cartas de Pedro e de Judas.

O Códice Alexandrino (séc. V) é um importante manuscrito antigo que contém a maior parte do Novo Testamento e está agora guardado no British Museum de Londres. O Códice de Beza, guardado em Cambridge (séc. V) contém a maior parte dos Evangelhos e dos Actos em grego e latim em páginas opostas. O Códice de Washington (século IV ou V contém oss quatro Evangelhos quase completos).” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.132).

 

Como foi descoberto o Codex Sinaiticus?

 

 

“O Codex Sinaiticus, também conhecido como Manuscrito ‘Aleph’ (primeira letra do alfabeto hebraico), é um dos mais importantesmanuscritos gregos já descobertos, pois além de ser um dos mais antigos (século IV), e o único codex que contém o Novo Testamento inteiro. Atualmente acha-se no Museu Britânico (Additional 43725).1 Juntamente com o Codex Vaticanus, é um dos mais importantes manuscritos gregos para o Criticismo Textual, além do texto da Septuaginta.

É escrito em quatro colunas por página, 48 linhas por página. As letras não contem acentos e respirações.2 Contém as Seções Amonianas, e os Cânones Eusebianos.

 

 

 

 

Descoberta

Codex Sinaiticus foi descoberto por Constantin von Tischendorf, em sua terceira visita ao Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, no sopé doMonte Sinai (Egipto), em 1859. Nas duas primeiras viagens, ele conseguiu partes do Antigo Testamento, encontrados num cesto que continha pedaços de vários manuscritos. Tischendorf teria ouvido de um bibliotecário que aqueles manuscritos eram lixo, e que seriam queimados no forno do mosteiro. O imperador da Rússia Alexandre II o enviou para procurar os demais manuscritos, os quais ele estava convencido de que estariam no próprio mosteiro.

A história de como Tischendorf localizou o manuscrito, que continha a maioria do Antigo Testamento e todo o Novo Testamento, tem todo o drama de um romance. Tischendorf chegou no mosteiro em 31 de janeiro de 1859; mas suas buscas pareciam infrutíferas. Em 4 de fevereiro, ele tinha resolvido retornar para casa. Eis o seu próprio relato sobre sua grande descoberta:

Na tarde deste dia eu estava caminhando com o comissário de bordo do convento na vizinhança, e quando retornamos, em direção ao ocaso, ele implorou-me para que tomasse um refresco com ele nos seus aposentos. Mal entramos no lugar, quando, resumindo nosso assunto anterior de conversa, ele disse: “E eu, demais, li um Septuaginta” — isto é, uma cópia da tradução grega do Antigo Testamento feito pelos Setenta. Depois de dizer isto, ele baixou-se e, num canto do seu quarto pegou um grande volume, embrulhado num pano vermelho, e o colocou diante de mim. Quando desenrolei o volume, para minha grande surpresa, descobri não só cópia dos mesmos fragmentos que eu havia achado quinze anos antes naquele cesto de lixo, como também outras partes do Antigo Testamento, o Novo Testamento completo, e além disto, a Epístola de Barnabé e uma parte do Pastor de Hermas.

 

 

Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina

Depois que algumas negociações, ele obteve a posse deste fragmento precioso e o enviou ao Imperador Alexandre II, que logo percebeu a sua importância. O czar da Rússia enviou 9000 rublos ao mosteiro como compensação pelo manuscrito.

Embora esta história seja considerada verdadeira pela maioria dos estudiosos, existem algumas controvérsias que envolvem a transferência deste manuscrito para a Rússia. Algumas versões desta história dão conta que este manuscrito teria sido roubado do mosteiro. Num espírito mais neutro, Bruce Metzger, um acadêmico de Novo Testamento escreve: “Certos aspectos das negociações que levaram à transferência do codex para a posse do Czar estão abertos a interpretações diversas, mas a história reflete a franqueza de Tischendorf e a boa fé dos monges do mosteiro de Santa Catarina”.

Durante muitas décadas, foi conservado na Biblioteca Nacional da Rússia. No dia de natal de 1933, a então União Soviética vendeu o Codex àBiblioteca Britânica pela incrível soma de £100,000 (libras esterlinas).

Em maio de 1975, durante um trabalho de restauração, os monges do mosteiro de Santa Catarina descobriram um cômodo em baixo da capela de São Jorge e, neste local, uma grande quantidade de fragmentos de pergaminho. Entre estes fragmentos, foram achadas doze cópias perdidas do Antigo Testamento do Codex Sinaiticus”.

 

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3dex_Sinaiticus

 

 

Qual é o fragmento mais antigo que se conhece do Novo Testamento?

 

“O fragmento mais antigo que se conhece do Novo Testamento é um pedaço de papiro com parte do texto grego de João 18,31-33 e 37. Remonta 130.” (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.136).

 

O texto,  descoberto no ano de 1920,  por Bernard Grenfell no Deserto do Médio Egipto  e estudado mais tarde, em 1934, por C. H. Roberts, na Biblioteca John Rylands, de Manchester. e um ano depois tornado público por está escrito:

 

Evangelho de João 18:31-33 (frente)

ΟΙ ΙΟΥΔΑΙΟΙ ΗΜΙΝ ΟΥΚ ΕΞΕΣΤΙΝ ΑΠΟΚΤΕΙΝΑΙ
OYΔΕΝΑ ΙΝΑ Ο ΛΟΓΟΣ ΤΟΥ ΙΗΣΟΥ ΠΛΗΡΩΘΗ ΟΝ ΕΙ-
ΠΕΝ ΣHΜΑΙΝΩΝ ΠΟΙΩ ΘΑΝΑΤΩ ΗΜΕΛΛΕΝ ΑΠΟ-
ΘΝHΣΚΕΙΝ ΕΙΣΗΛΘΕΝ ΟΥΝ ΠΑΛΙΝ ΕΙΣ ΤΟ ΠΡΑΙΤΩ-
ΡΙΟΝ Ο ΠIΛΑΤΟΣ ΚΑΙ ΕΦΩΝΗΣΕΝ ΤΟΝ ΙΗΣΟΥΝ
ΚΑΙ ΕΙΠΕΝ ΑΥΤΩ ΣΥ ΕΙ O ΒΑΣΙΛΕΥΣ ΤΩΝ ΙΟΥ-
ΔAΙΩN

OI IOUDAIOI ĒMIN OUK EXESTIN APOKTEINAI
OUDENA INA HO LOGOS TOU IĒSOU PLĒRŌTHĒ ON EI-
PEN SĒMAINŌN POIŌ THANATŌ ĒMELLEN APO-
THNĒSKEIN EISĒLTHEN OUN PALIN EIS TO PRAITŌ-
RION HO PILATOS KAI EFŌNĒSEN TON IĒSOUN
KAI EIPEN AUTŌ SY EI O BASILEUS TŌN IOY-
DAIŌN

Transliteração e tradução.

os judeus: “A nós não nos é permitido matar

ninguém,” para que a palavra de Jesus se cumprisse, que ele fa-
lou, significando de que morte havia de mor-
rer. Entrando, então, novamente no Preto-
rio, Pilatos chamou a Jesus
e disse-lhe: “És tu o Rei dos ju-

deus?”

(fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Papiro_P52, acesso em 18.12.2013.)

 

Foto do texto encontrado: (fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Papiro_P52, acesso em 18.12.2013):

 

 

 

 

Texto complementar:

 

Fonte: http://wol.jw.org/pt/wol/pc/r5/lp-t/1200004775/2832/0 acesso em 18.12.2013, 10:21

 

 

 

 

 

 

 

ANEXO I – EXPLICAÇÕES COMPLEMENTARES SOBRE A ESCRITURA HEBRAICA E O NOVO TESTAMENTO

 

Fonte: http://logoshp.6te.net/bbman.htm, acesso em 18.12.2013

MANUSCRITOS DA ESCRITURA HEBRAICA

Os manuscritos danificados das Escrituras Hebraicas usadas nas sinagogas judaicas eram substituídos por cópias verificadas, e os manuscritos estragados ou danificados eram guardados na genizá (depósito ou repositório na sinagoga). Por fim, quando esta estava cheia, os manuscritos eram retirados e cerimonialmente queimados. Sem dúvida, muitos dos antigos manuscritos pereceram assim. Mas o conteúdo da genizá da sinagoga no Antigo Cairo foi poupado, provavelmente porque fora fechada por um muro e esquecida por séculos. Depois da reconstrução da sinagoga, em 1890 EC, os manuscritos da sua genizá foram reexaminados, e dali é que manuscritos razoavelmente completos ou fragmentos das Escrituras Hebraicas (alguns supostamente do sexto século EC) chegaram a diversas bibliotecas.

Um dos mais antigos manuscritos existentes de passagens bíblicas é o Papiro Nash, encontrado no Egito e preservado em Cambridge, na Inglaterra. Tendo sido evidentemente parte duma coleção de instrução, ele é do segundo ou primeiro século AEC e consiste em apenas quatro fragmentos de 24 linhas dum texto pré-massorético dos Dez Mandamentos e de alguns versículos de Deuteronômio, capítulos 5 e 6.

A partir de 1947, encontraram-se muitos rolos bíblicos e não-bíblicos em diversas áreas ao O do mar Morto, que geralmente são chamados de Rolos do Mar Morto. Os mais significativos entre eles são os manuscritos descobertos em diversas cavernas no uádi Qumran (Nahal Qumeran) e nos arredores. Estes são também conhecidos como textos de Qumran e evidentemente pertenciam a uma comunidade religiosa, judaica, sediada na vizinha Khirbet Qumran (Horvat Qumeran). A primeira descoberta foi feita por um beduíno numa caverna a uns 15 km ao S de Jericó, onde ele encontrou diversos jarros de cerâmica contendo manuscritos antigos. Um destes era o agora famoso Rolo do Mar Morto de Isaías (1QIsa), um bem preservado rolo de couro de todo o livro de Isaías, exceto algumas lacunas. (FOTO, Vol. 1, p. 226) Contém um texto hebraico pré-massorético e foi datado como pertencente ao fim do segundo século AEC. Portanto, é cerca de mil anos mais velho do que os mais antigos manuscritos existentes do texto massorético. Todavia, embora apresente algumas diferenças na grafia e na construção gramatical, não varia doutrinalmente do texto massorético. Entre os documentos recuperados na área de Qumran há fragmentos de mais de 170 rolos, representando partes de todos os livros das Escrituras Hebraicas, exceto Ester, e no caso de alguns livros, existe mais de uma cópia. Acredita-se que estes rolos e fragmentos de manuscritos datem desde cerca de 250 AEC até aproximadamente meados do primeiro século EC, e revelam mais de um tipo de texto hebraico, tal como um texto protomassorético ou um usado para a Septuaginta grega. Os estudos de toda esta matéria ainda estão em progresso.

Entre os notáveis manuscritos hebraicos em velino, das Escrituras Hebraicas, encontra-se o Códice Caraíta do Cairo dos Profetas. Contém a Massorá e vocalização, e seu colofão indica que foi completado por volta de 895 EC pelo famoso massoreta Moses ben Asher de Tiberíades. Outro manuscrito significativo (de 916 EC) é o Códice dos Profetas Posteriores de Petersburgo. O Códice Sefárdico de Alepo, antigamente guardado em Alepo, Síria, e agora em Israel, até recentemente continha todas as Escrituras Hebraicas. Seu original texto consonantal foi corrigido, pontuado e suprido da Massorá por volta de 930 EC por Aaron ben Asher, filho de Moses ben Asher. O manuscrito de data mais antiga das inteiras Escrituras Hebraicas em hebraico é o Manuscrito de Leningrado N.° B 19A, preservado na Biblioteca Pública de Leningrado. Foi copiado em 1008 EC “dos livros corrigidos, preparados e anotados por Aaron ben Moses ben Asher, o instrutor”. Outro manuscrito hebraico digno de nota é um códice do Pentateuco, preservado no Museu Britânico (Códice Oriental 4445), que consiste no texto de Gênesis 39:20 a Deuteronômio 1:33 (com exceção de Núm 7:46-73 e Núm 9:12-10:18, que faltam ou foram supridos por uma mão posterior) e data provavelmente do século 10 EC.

Muitos manuscritos das Escrituras Hebraicas da Bíblia foram escritos em grego. Entre estes, destaca-se um na coleção dos Papiros Fouad (Número de Inventário 266, pertencente à Société Egyptienne de Papyrologie, Cairo), com partes de Gênesis e da segunda metade de Deuteronômio, segundo a Septuaginta. Ele é do primeiro século AEC e apresenta, em diversos lugares, o nome divino em caracteres hebraicos quadrados escrito dentro do texto grego. Fragmentos deDeuteronômio, capítulos 23 a 28, são encontrados no Papiro Rylands iii. 458, do segundo século AEC, preservado em Manchester, Inglaterra. Outro importante manuscrito da Septuagintacontém fragmentos de Jonas, Miquéias, Habacuque, Sofonias e Zacarias. Neste rolo de couro, datado do fim do primeiro século EC, o nome divino é apresentado na forma do Tetragrama, escrito em caracteres hebraicos antigos. — Veja o apêndice da NM, pp. 1502-1504.

Manuscritos das Escrituras Gregas Cristãs. As Escrituras Cristãs foram escritas em coiné. Embora não se saiba hoje da existência de nenhum manuscrito autógrafo original, segundo certo cálculo, existem cerca de 5.000 cópias manuscritas destas Escrituras em grego, na íntegra ou em parte.

 

 

Manuscritos em papiro. Entre os códices em papiro encontrados no Egito por volta de 1930 encontravam-se papiros bíblicos de grande importância, anunciando-se a sua compra em 1931. Alguns destes códices em grego (datando do segundo ao quarto séculos EC) consistem em partes de oito livros das Escrituras Hebraicas (Gênesis, Números, Deuteronômio, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel e Ester), e três deles contêm partes de 15 livros das Escrituras Gregas Cristãs. A maioria destes papiros bíblicos foi comprada por um colecionador americano de manuscritos, A. Chester Beatty, e eles são agora preservados em Dublim, na Irlanda. Os demais foram adquiridos pela Universidade de Michigan e por outros.

A designação internacional para os papiros bíblicos é um “P” maiúsculo, seguido por um pequeno número elevado. O Papiro Chester Beatty N.° 1 (P45) consiste em partes de 30 folhas dum códice que provavelmente tinha antigamente cerca de 220 folhas. O P45 tem partes dos quatro Evangelhos e o livro de Atos. O Papiro Chester Beatty N.° 3 (P47) é um códice fragmentário de Revelação (Apocalipse) de dez folhas um pouco danificadas. Acredita-se que estes dois papiros sejam do terceiro século EC. Bastante digno de nota é o Papiro Chester Beatty N.° 2 (P46), que se acredita ser de aproximadamente 200 EC. Tem 86 folhas, um pouco danificadas, dum códice que provavelmente tinha de início 104 folhas, e ainda contém nove das cartas inspiradas de Paulo: Romanos, Hebreus, Primeira Coríntios, Segunda Coríntios, Efésios, Gálatas, Filipenses, Colossenses e Primeira Tessalonicenses. É notável que a carta aos hebreus esteja incluída neste primitivo códice. Visto que Hebreus não fornece o nome do escritor, sua composição por Paulo freqüentemente tem sido questionada. Mas a inclusão desta carta no P46, que evidentemente consiste só nas cartas de Paulo, indica que, por volta de 200 EC, Hebreus era aceito pelos primitivos cristãos como escrita inspirada do apóstolo Paulo. Neste códice consta a carta aos Efésios, também refutando argumentos de que Paulo não escreveu esta carta.

Na Biblioteca John Rylands, em Manchester, na Inglaterra, existe um pequeno fragmento de papiro do Evangelho de João (alguns versículos do capítulo 18 de João), catalogado como Papiro Rylands 457. Tem a designação internacional de P52. Trata-se do mais antigo fragmento de manuscrito das Escrituras Gregas Cristãs em existência, tendo sido escrito na primeira metade do segundo século, possivelmente por volta de 125 EC, e assim apenas cerca de um quarto de século depois da morte de João. Estar uma cópia do Evangelho de João já naquele tempo em circulação no Egito (lugar da descoberta do fragmento) mostra que as boas novas segundo João realmente foram registradas no primeiro século EC, e pelo próprio João, não por algum escritor desconhecido bem mais tarde, no segundo século EC, após a morte de João, conforme alguns críticos antigamente afirmavam.

O acréscimo mais importante à coleção de papiros bíblicos, desde a descoberta dos Papiros Chester Beatty, foi a adquisição dos Papiros Bodmer, publicados entre 1956 e 1961. Especialmente dignos de nota são o Papiro Bodmer 2 (P66) e o Papiro Bodmer 14, 15 (P75), ambos escritos por volta de 200 EC. O Papiro Bodmer 2 contém uma grande parte do Evangelho de João, ao passo que o Papiro Bodmer 14, 15 contém muito de Lucas e de João, e textualmente é bem parecido ao Manuscrito Vaticano N.° 1209.

Manuscritos em velino. Manuscritos bíblicos escritos em velino às vezes incluem tanto as Escrituras Hebraicas como as Escrituras Gregas Cristãs da Bíblia, embora alguns contenham apenas as Escrituras Cristãs.

O Códice Bezae, designado pela letra “D”, é um valioso manuscrito do quinto século EC. Embora se desconheça seu verdadeiro lugar de origem, foi adquirido na França em 1562. Contém os Evangelhos, o livro de Atos, e apenas mais uns poucos versículos, e é um manuscrito uncial, escrito em grego nas páginas da esquerda, com um texto paralelo em latim nas páginas à direita. Este códice é preservado na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, presenteado a esta instituição por Theodore Beza, em 1581.

O Códice Claromontano (D2) também está escrito em grego e em latim em páginas opostas, o grego à esquerda e o latim à direita. Contém as cartas canônicas de Paulo, inclusive Hebreus, e é considerado ser do sexto século. Foi supostamente encontrado no mosteiro de Clermont, na França, e foi adquirido por Theodore Beza, mas é agora preservado na Bibliothèque Nationale em Paris.

Entre os mais recentemente encontrados manuscritos em velino das Escrituras Gregas Cristãs está o Códice Washington I, contendo os Evangelhos em grego (na costumeira ordem ocidental: Mateus, João, Lucas e Marcos). Foi obtido em 1906 no Egito e é preservado na Galeria de Arte Freer, em Washington, D.C., EUA. O símbolo internacional deste códice é “W”, e acha-se que foi escrito no quinto século EC, exceto que, pelo visto, por causa de danos, parte de João foi substituída no sétimo século EC. O Códice Washington II, com o símbolo “I”, também se encontra na Coleção Freer e contém partes das cartas canônicas de Paulo, inclusive Hebreus. Acredita-se que este códice tenha sido escrito no quinto século EC.

Escrituras Hebraicas e Gregas Cristãs. Os mais importantes e mais completos manuscritos bíblicos em grego existentes foram escritos em velino, com letras unciais.

Manuscrito Vaticano N.° 1209. O Manuscrito Vaticano N.° 1209 (Codex Vaticanus), internacionalmente designado pelo símbolo “B”, é um códice uncial do quarto século EC, possivelmente produzido em Alexandria, que originalmente continha toda a Bíblia em grego. Um revisor em tempos posteriores retraçou as letras, talvez porque a escrita original tinha desbotado, mas pulou letras e palavras que considerava incorretas. É provável que este códice tinha originalmente cerca de 820 folhas, das quais restam 759. Desapareceu a maior parte de Gênesis, bem como parte dos Salmos, Hebreus 9:14 a -13:25, e toda a Primeira e Segunda Timóteo, Tito, Filêmon e Revelação. O Codex Vaticanus está sendo preservado na Biblioteca do Vaticano, em Roma, na Itália, e sabe-se que está ali já desde o século 15. Todavia, as autoridades da Biblioteca do Vaticano tornaram extremamente difícil aos peritos o acesso a este manuscrito e só publicaram um fac-símile fotográfico completo do códice inteiro em 1889-1890.

Manuscrito Sinaítico. O Manuscrito Sinaítico (Códice Sinaítico) também é do quarto século EC, mas o Códice Vaticano talvez seja um pouco mais antigo. O Manuscrito Sinaítico é designado pelo símbolo א (ʼá·lefe, a primeira letra do alfabeto hebraico), e embora seja evidente que outrora continha toda a Bíblia em grego, perdeu-se parte das Escrituras Hebraicas. Todavia, contém todas as Escrituras Gregas Cristãs. É provável que este códice consistisse originalmente em pelo menos 730 folhas, embora se verifique hoje que existem por inteiro ou em partes apenas 393 folhas. Foi descoberto (uma parte em 1844 e outra em 1859) pelo perito bíblico Konstantin von Tischendorf no Mosteiro de Sta. Catarina, no monte Sinai. Quarenta e três folhas deste códice estão guardadas em Leipzig, partes de três folhas se encontram em Leningrado, e 347 folhas são preservadas no Museu Britânico em Londres. Relatou-se que em 1975 se descobriram mais 8 a 14 folhas no mesmo mosteiro.

Manuscrito Alexandrino. O Manuscrito Alexandrino (Códice Alexandrino), designado pela letra “A”, é um manuscrito grego uncial que contém a maior parte da Bíblia, inclusive o livro de Revelação. Das possivelmente 820 folhas originais foram preservadas 773. Considera-se em geral que este códice seja da primeira metade do quinto século EC, e ele também é preservado no Museu Britânico. — FOTO, Vol. 2, p. 448.

Codex Ephraemi Syri rescriptus. O Codex Ephraemi Syri rescriptus (Códice de Ephraem), internacionalmente designado pela letra “C”, em geral também é considerado como originário do quinto século EC. Está escrito em letras unciais gregas sobre velino e é um códice reescrito, um manuscrito palimpsesto. O texto original grego foi removido, e diversas folhas foram então reescritas com discursos de Ephraem Syrus (o Sírio), em grego. Isto provavelmente foi feito no século 12, quando havia escassez de velino. No entanto, o texto subjacente foi decifrado. Embora “C” evidentemente contivesse outrora todas as Escrituras em grego, restam apenas 209 folhas, sendo 145 das Escrituras Gregas Cristãs. Portanto, este códice contém agora apenas partes dos livros das Escrituras Hebraicas e partes de todos os livros das Escrituras Gregas Cristãs, exceto Segunda Tessalonicenses e Segunda João. É preservado na Bibliothèque Nationale em Paris.

Fidedignidade do Texto Bíblico. O apreço pela fidedignidade da Bíblia aumenta grandemente quando se percebe, em comparação, que há apenas muito poucos manuscritos existentes das obras dos escritores clássicos seculares e que nenhum destes é manuscrito original, autógrafo. Embora sejam apenas cópias feitas séculos depois da morte dos autores, os peritos atuais aceitam essas cópias posteriores como evidência suficiente da autenticidade do texto.

Os existentes manuscritos hebraicos das Escrituras foram feitos com muito cuidado. A respeito do texto das Escrituras Hebraicas, o perito W. H. Green observou: “Pode-se dizer com segurança que nenhuma outra obra da antiguidade foi transmitida com tanta exatidão.” (Archaeology and Bible History [A Arqueologia e a História Bíblica], de J. P. Free, 1964, p. 5) O falecido perito em textos bíblicos, Sir Frederic Kenyon, fez a seguinte declaração tranqüilizadora na introdução dos seus sete volumes intitulados The Chester Beatty Biblical Papyri (Os Papiros Bíblicos Chester Beatty): “A primeira e a mais importante conclusão a que se chega à base do exame deles [os Papiros] é a satisfatória de que confirmam a exatidão essencial dos textos existentes. Não aparece nenhuma variação substancial ou fundamental, quer no Velho, quer no Novo Testamento. Não há nenhumas omissões ou adições importantes de trechos, nem variações que influam em fatos ou doutrinas vitais. As variações do texto influem em questões menores, tais como a ordem das palavras ou as palavras precisas usadas. . . . Mas a sua importância essencial é sua confirmação da integridade de nossos textos existentes, pela evidência duma data anterior à disponível até agora. Neste respeito, são uma adquisição de valor que marca época.” — Londres, 1933, Fascículo I, p. 15.

Sir Frederic Kenyon declarou a respeito das Escrituras Gregas Cristãs: “O intervalo, então, entre as datas da composição original e a mais antiga evidência existente se torna tão pequeno que é, com efeito, insignificante, e a última base para qualquer dúvida de que as Escrituras chegaram até nós substancialmente como foram escritas foi agora removida. Tanto a autenticidade como aintegridade geral dos livros do Novo Testamento podem ser consideradas como finalmente confirmadas.” — The Bible and Archæology (A Bíblia e a Arqueologia), 1940, pp. 288, 289.

Há séculos, Jesus Cristo, “a testemunha fiel e verdadeira” (Re 3:14), confirmou repetida e enfaticamente a genuinidade das Escrituras Hebraicas, assim como fizeram seus apóstolos. (Lu 24:27, 44; Ro 15:4) Versões e traduções antigas existentes confirmam adicionalmente a exatidão das Escrituras Hebraicas preservadas. Manuscritos e versões das Escrituras Gregas Cristãs dão incontestável testemunho da maravilhosa preservação e transmissão exata desta parte da Palavra de Deus. Portanto, somos agora favorecidos com um texto bíblico autêntico, inteiramente confiável. O meticuloso exame dos manuscritos preservados das Escrituras Sagradas dá eloqüente testemunho da sua fiel preservação e permanência, dando um significado adicional à declaração inspirada: “Secou-se a erva verde, murchou a flor; mas, quanto à palavra de nosso Deus, ela durará por tempo indefinido.” — Is 40:8; 1Pe 1:24, 25.

 

 

 


[i] As escola gnósticas podem ser definidas como sendo membros de duas vertentes, a Escola Persa ou do Leste e da Escola Sírio-Egípicia. 44

Gnosticismo persa

 

 

Sacerdotes maniqueístas escrevendo em suas mesas, há uma inscrição em Língua sogdiana no painel central. Manuscrito de Khocho, Bacia do Tarim

A Escola Persa possui tendências dualistas mais fáceis de serem demonstradas e que refletem a influência das crenças dos zoroastras (seguidores de Zoroastro) persas. Aparecendo na Babilônia, seus escritos foram produzidos originalmente em dialetos aramaicos locais e são representativos das crenças e formas mais antigas do gnosticismo. Esses movimentos são considerados pela maioria dos estudiosos como religiões, não apenas emanações do Cristianismo ou do Judaísmo.44

  • Mandeísmo é ainda praticado por pequenos grupos no sul do Iraque e na província iraniana do Cuzistão. O nome do grupo deriva do termoMandā d-Heyyi, que significa “Conhecimento da Vida”. Embora a origem exata deste movimento não seja conhecida, João Batista eventualmente se tornaria uma figura chave nesta religião, assim como ênfase no batismo se tornou parte do cerne de suas crenças. Assim como no maniqueísmo, apesar de certos laços com o Cristianismo45 , os mandeanos não acreditam em MoisésJesus ou Maomé. Suas crenças e práticas também tem poucas sobreposições com as religiões fundadas por eles. Uma quantidade significativa das Escrituras originais Mandeanas sobreviveram até a era moderna. O texto principal é conhecido como Genzā Rabbā e tem trechos identificados pelos estudiosos como tendo sido copiados já no século II dC. Existe também o Qolastā, ou “Livro Canônico de Oração” e o sidra ḏ-iahia, o “Livro de João Batista”.
  • Maniqueísmo, que representa toda uma tradição religiosa e que agora está quase extinto, foi fundado pelo profeta Mani (216–276 d.C.). Embora acredite-se que a maior parte das Escrituras dos maniqueístas tenha se perdido, a descoberta de uma série de documentos originais ajudou a lançar alguma luz sobre o assunto. Preservados agora em ColôniaAlemanha, o Codex Manichaicus Coloniensis contém principalmente informações biográficas sobre o profeta e alguns detalhes sobre seus ensinamentos. Como disse Mani, “O Deus verdadeiro não tem nada a ver com o mundo material e o cosmos”, e “É o Príncipe das Trevas que falou com Moisés, os judeus e seus sacerdotes. Portanto, cristãos, os judeus e os pagãos estão envolvidos no mesmo erro quando adora este Deus. Pois ele os leva para perdição através dos desejos que lhes ensinou”.46 47 .

 

Gnosticismo sírio-egípcio

 

As doutrinas da escola sírio-egípcia tendem ao monoteísmo e, entre as exceções, estão movimentos relativamente modernos que incluem elementos de ambas as categorias, como os cátaros, os bogomilos e os carpocracianos. Elas são derivadas de influências platônicas que, em geral, retratam a criação como uma série deemanações de uma força única primal. Como resultado desta crença, há uma tendência em enxergar o mal em termos materiais e desprovido de intenções benévolas, algo oposto à ideia mais comum de que o mal seria uma força equivalente ao bem. Essas escolas usam os termos “bem” e “mal” como relativos e autodescritivos.

Seitas e grupos gnósticos

 

 

“A morte de Simão Mago” na Crónica de Nuremberg (“Liber Chronicarum”, 1493).

  • Simão Mago e Marcião de Sinope: ambos tinham tendências gnósticas, mas as ideias que eles apresentaram estavam ainda em formação; por isso, eles podem ser descritos como pseudo- ou proto-gnósticos. Ambos desenvolveram um considerável conjunto de seguidores. O pupilo de Simão Mago, Menandro de Antioquia também pode ser incluído neste grupo. Marcião é popularmente identificado como gnóstico, porém a maior parte dos estudiosos não entende assim48 .
  • Cerinto (ca. 100 d.C.), o fundador de uma escola herética com elementos gnósticos. Como gnóstico, Cerinto mostrou Cristo como um espírito celeste separado do homem Jesus e citou o Demiurgo como criador do mundo material. Porém, ao contrário dos gnósticos, Cerinto ensinava os cristãos a observar a lei judaica; seu demiurgo era sagrado e não inferior; e acreditava na segunda vinda de Cristo. Sua gnosis era um ensinamento secreto atribuído a um apóstolo. Alguns estudiosos acreditam que a Primeira Epístola de João foi escrita em resposta a Cerinto49 .
  • Ofitas, assim chamados por reverenciarem a serpente do Gênesis como um fonte de conhecimento.
  • Cainitas, que como o nome implica, veneravam Caim, assim como EsaúCoré e os sodomitas. Há pouca evidência sobre a natureza deste grupo; porém, é possível inferir que eles acreditavam que indulgência no pecado era a chave para a salvação, pois dado que o corpo é intrinsecamente mau, é preciso denegri-lo com atitudes imorais (veja libertinismo). O nome ‘cainita’ não é utilizado aqui no sentido bíblico de “descendentes de Caim” (que segundo a Bíblia foram exterminados no Dilúvio).
  • Carpocracianos, uma seita libertina que acreditava unicamente no Evangelho dos Hebreus.
  • Borboritas, uma seita libertina gnóstica, que acredita-se ser uma derivação dos Nicolaítas
  • Paulicianos, um grupo adocionista, também acusado por fontes medievais como sendo gnóstica e quasi-maniqueísta. Eles floresceram entre 650 e 872 na Armênia e nas províncias (ou temas) orientais do Império Bizantino.
  • Bogomilos, a síntese (no sentido do sincretismo) entre o Paulicianismo Armênio e o movimento reformista da Igreja Ortodoxa Búlgara, que emergiu durante o Primeiro Império Búlgaro entre 927 e 970, e se espalhou pela Europa.
  • Cátaros (CathariAlbigenses ou Albigensianos) são tipicamente vistos como imitadores do Gnosticismo. Se os cátaros possuíam ou não uma influência histórica direta do antigo Gnosticismo ainda é tema disputado, embora alguns acreditem que numa transferência de conhecimento dos bogomilos50 .

Neoplatonismo e Gnosticismo

Filosofia grega antiga e gnosticismo

 

As primeiras origens do Gnosticismo são obscuras e ainda contestadas. Por esta razão, alguns estudiosos preferem falar de “gnosis” ao se referir às idéias do século I que mais tarde evoluíram para o gnosticismo e reservar o termo “gnosticismo” para a síntese dessas ideias em um movimento coerente, no século II51 . Influências prováveis ​​incluem Platão, o Médio platonismo e as escolas ou academias de pensamento neopitagóricas e isto parece ser verdade em ambos os gnósticos do Setianismo e os do Valentianismo52 Além disso, se compararmos diferentes textos setianistas uns aos outros em uma tentativa de criar uma cronologia do desenvolvimento do Setianismo durante os primeiros séculos, parece que os textos posteriores continuam a interagir com o platonismo. Textos anteriores, como o Apocalipse de Adão mostram sinais de ser pré-cristão e se concentram em Sete, o terceiro filho de Adão e Eva. Estes primeiros Setianistas podem ser idênticos ou relacionados com a NazarenosOfitas ou aos grupos sectários chamados de herético por Fílon de Alexandria53 54

Textos setianos tardios como Zostrianos e Alógenes criam sobre as imagens de textos setianos mais antigos mas utilizam “um grande fundo de conceituação filosófica derivada do platonismo contemporânea, (médio platonismo tardio) com vestígios de conteúdo cristão “.55 Na verdade, a doutrina do “um único formado por três” (a trindade) é encontrada no texto de Alógenes, como descoberto na Biblioteca de Nag Hammadi e é “a mesma doutrina encontrada nos comentários anônimos em Parmênides (Fragmento XIV) que são atribuídos por Hadot a Porfírio e também, a encontramos na Enéadas de Plotino 6.7, 17, 13-26.”52

No entanto, os neoplatônicos do século III, como Plotino, Porfírio e Amélio da Toscana atacam os Setianistas. Parece que o Setianismo começou como uma tradição pré-cristã, possivelmentesincrética56 que incorporou elementos do platonismo e do cristianismo à medida que crescia, apenas para que ambos o cristianismo e o platonismo os rejeitassem se voltassem contra eles. O Prof. John Turner acredita que este duplo ataque levou à fragmentação do Setianismo em numerosos grupos menores como Arcônticos, Audianos, BorboritasFibionitas, Estratiônicos e outros.57

O estudo sobre o gnosticismo tem avançado muito desde a descoberta e a tradução dos textos de Nag Hammadi que lançam alguma luz sobre alguns dos comentários mais intrigantes feitos por Plotino e Porfírio sobre os gnósticos. Mais importante ainda, as versões ajudam a distinguir os diferentes tipos dos primeiros gnósticos. Parece claro que os gnósticos Setianistas eValentinianos58 tentaram “se esforçar para uma conciliação e mesmo afiliação” com filosofia antiga final,59 mas foram rejeitados por alguns neoplatônicos, incluindo Plotino.

Relações filosóficas entre o neoplatonismo e o gnosticismo

 

 

Os Gnósticos emprestaram várias déias e termos do platonismo, eles exibem uma profunda compreensão dos termos filosóficos gregos e do idioma grego koiné em geral; utilizam conceitos filosóficos gregos em todo o seu texto, incluindo conceitos como hipóstase (a realidade, a existência), ousia (essência, substância, ser), e demiurgo (Deus criador). Bons exemplos incluem textos como o Hipóstase dos Arcontes (Realidade dos Governantes) ou Protenoia Trimórfica (“O primeiro pensamento em três formas”).

Porfírio em A vida de Plotino estabelece uma diferença entre os genuínos seguidores de Cristo e um outro grupo de mesclava a filosofia (gnosis) com elementos cristãos e Plotino é antagônico a esta situação ao dizer “Eles (gnósticos) tiraram algumas ideias de Platão, mas todas as novidades que acrescentaram para criar uma filosofia original, são fora da verdade”60 , no mesmo tratado, Plotino critica o elitismo ao dizer que os gnósticos “visam à formação de uma doutrina especial”, Plotino repreende os gnósticos por desfigurarem a filosofia de Platão e apesar de sempre sereno em suas exposições fala de modo áspero: “Quando esses gnósticos afirmam que desprezam a beleza terrena, fariam melhor se desprezassem a dos meninos e das mulheres, para não sucumbirem à incontinência”. É preciso observar que se os gnósticos, sem exceção tivessem sido libertinos, Plotino nunca os teria admitido, já que levava uma vida de virtudes61

Outro epíteto dado por Plotino aos gnósticos é o de charlatães ao “se vangloriaram em poder expulsar doenças com fórmulas” e ainda segundo Plotino, que as doenças eram consideradas seres (ou obras) de entidades demoníacas pelo gnósticos de sua época, “Só a plebe ignara se deixa iludir(…) as doenças não são algo demoníaco.”62 . Plotino assevera que a moral dos gnósticos é inferior à de Epicuro o qual “aconselha procurar a satisfação no prazar” e ainda adverte que a doutrina é temerária porque ridiculariza a virtude e só pensa em interesses próprios.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gnosticismo acesso em 17.12.2013, 10h26m.

 

[ii] O termo Demiurgo deriva da forma latinizada do termo grego dēmiourgos (δημιουργός), literalmente, “artesão”, “alguém com habilidade específica”, de dēmios do povo, popular (dēmos, pessoas ou povo) e ourgos, trabalhador (ergon, trabalho)37 . No gnosticismo, o Demiurgo não é Deus mas oarconte ou chefe da ordem dos espíritos inferiores ou éons. De acordo com os gnósticos, o Demiurgo era capaz de dotar o homem apenas compsiquê (alma sensível) – o pneuma (alma racional) seria adicionada por Deus. Os gnósticos identificaram o Demiurgo com Jeová dos hebreus.   Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gnosticismo, acesso em 17.12.2013.

 

[iii] DOWLEY. Tim organizador e John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, História do Cristianismo, Bertrand Editora, p.104.

 

[iv] (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.104).

 

[v] (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.104).

 

[vi] (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.104).

 

[vii] (História do Cristianismo, Tim Dowley, John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, Bertrand Editora, p.104).

 

[viii] DOWLEY. Tim organizador e John H.Y. Briggs, Robert Linder, David F. Wright, História do Cristianismo, Bertrand Editora, p.100.

[ix]  Este papiro é conhecido como Papiro P 52.

“O Papiro P52 da Biblioteca de Rylands ou Papiro Biblioteca Rylands  52 (Papyrus Ryl. Gr. 457, i J. Rylands Library), conhecido como ofragmento de São João, é um fragmento de papiro exposto na Biblioteca de John RylandsManchesterReino Unido.

Escrito em grego antigo, o papiro contém parte do capítulo 18 do Evangelho segundo João, sendo que, na frente, contém os versículos 31-33 e, no verso, os versículos 37-38.

Embora Rylands P52 seja aceito geralmente como registro canônico, ainda não há um consenso entre os críticos sobre a datação exata do papiro.

Alguns historiadores afirmam que o papiro com o texto do Evangelho de João (18:31-33,37-38), teria sido escrito entre o período de 100 a 125d.C.. Outros argumentam que o estilo da escrita, leva a uma data entre o anos 125 e 160 d.C..

Independentemente destas diferenças, o manuscrito foi amplamente aceito como o texto mais antigo de um evangelho canônico, tornando-se assim, o primeiro documento que se refere à pessoa de Jesus. De qualquer modo, o papiro, que conta parte da história de Jesus de Nazaré, remonta a poucos anos após a morte de seu discípulo João .”

 

 

 

A Boa Vontade: ato de vontade imprescindível para a Graça Divina e para realizarmos uma boa obra aos olhos de Deus

Introdução

 

Quando Jesus nasceu, uns pastores que estavam vigiando e guardando o seu rebanho nos campos próximos,  um anjo apareceu-lhes, a glória do Senhor refulgiu ao redor e ele anunciou a boa Nova que era o nascimento de um Salvador que estaria envolto em faixas e posto numa manjedoura.  Em seguida, narra São Lucas em seu Evangelho: “ E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: “Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens de boa vontade.”

 

O Papa Bento XVI nos explica que a tradução literal do original grego melhor seria “paz na terra aos homens  do seu agrado.”  E daí ele lança uma reflexão: “Quem é do agrado de Deus” ?

E prossegue dizendo que, em qualquer das traduções podemos refletir porque se existem pessoas do agrado de Deus,  certamente são as que imitam aquele em que Deus-Pai “pôs todo o seu agrado” (Lucas 3,220.

 

Assim, na sua obra a Infância de Jesus, Bento XVI conclui que quer pensemos em “paz na terra aos homens de boa vontade” ou “paz na terra aos homens do seu agrado” estamos diante de um mistério, que um não opera sem o outro, pois se “boa vontade” é sinal de liberdade, “do seu agrado” aponta para a graça, que sempre precede, para que possamos agir com boa vontade.

 

Para falarmos sobre a Boa Vontade, contudo, é preciso refletirmos sobre algumas Verdades.

Como sabemos Deus cria o homem à sua imagem e semelhança,  não porque precisasse dele, mas por pura bondade,  para que pudéssemos usufruir da sua vida de felicidade plena.

Os primeiros do gênero humano, Adão e Eva pecam e, por que agora não conseguem só escolher o Bem, pois pelo pecado original retiram os dons sobrenaturais de Deus de suas almas, são exilados da Pátria Celeste, até que reúnam condições de retornar.

Esse não era a Vontade de Deus-Pai, o Criador.

Ninguém mais consegue  entrar no Céu. Basta lembrarmos que Jesus, quando morre, tem que descer á “mansão dos mortos” para retirar de lá todos aqueles que, sob a lei do Antigo Testamento, tinham boas obras, mas não tinham o mérito suficiente para merecer o retorno ao Paraíso, mérito esse reconquistado por Jesus na Cruz.

Jesus honra o Pai da forma que nenhum ser humano jamais conseguiria, pois usa da condição sem a qual inexiste Verdadeiro Amor, que é a condição da sua Liberdade de Deus-Filho e homem Jesus e oferece a sua Vida como um culto, como um sacrifício. Um “Cordeiro” de Deus é imolado.

 

“Ele é o cordeiro porque, assim como o sangue do cordeiro era aspergido na ombreira das portas das casas dos israelitas e libertava o primogênito daquela casa, agora Jesus pelo seu sangue nos liberta, não da opressão egípcia, mas da opressão do maligno.” (Jesus de Nazaré, Joseph Ratzinger, p. 37).

 

Jesus não reconquista os dons preternaturais que Adão e Eva perderam como herança para os seus descendentes (ausência de dor e de morte), pois Ele mesmo padece dor e morre. Porém, Ele transforma esse sofrimento e essa morte, pois com Ele o nosso sofrimento e a nossa morte, passam a ser o que nos dá a Ressurreição para uma nova Vida, uma nova Criação, em que Jesus é o primogênito, Maria é a mãe e Deus-Pai é o Pai. Fomos adotados, somos agora, filhos pelo Filho.

 

 

 A Vontade de Deus-Pai é a nossa santidade para irmos para o céu. Jesus coopera com isso, pois não só institui uma nova Páscoa para nos livrar da escravidão do pecado e do Mal, mas também se une à Humanidade,  são as núpcias, em que Jesus é o nosso Esposo, pois Ele como homem, deixa Pai (Pai, por que me abandonastes) e  sua mãe quando permanece pregado na Cruz e longe de ambos se une à sua Esposa, a Igreja, nós.

É necessário, porque quando o homem une à sua mulher ambos formam uma só carne. Jesus pela Eucaristia entra dentro de nós, forma uma só carne conosco, une-se como em núpcias com o gênero humano inteiro.

 

A Vontade de Deus-Pai não é fazer Jesus sofrer na Cruz, a vontade de Deus-Pai é o nosso ingresso no céu e a única forma que Jesus encontra, a melhor foi essa, Ele se encarnando, sofrendo como ser humano, morrendo entre malfeitores, como se fosse um pecador…Deus-Pai “tolera” essa morte de quem tanto tem afeição, Jesus. Não há outro jeito, Jesus sabe que existe uma Justiça em que Deus não pode contradizer a si mesmo….Jesus satisfaz a justiça (“Convém que se cumpra toda a justiça”, Jesus dirá a João Batista ao entrar na fila e ser batizado como se um pecador fosse…)

“O Batismo de João Batista que não era previsto pela Tora é reconhecido por Jesus com essa palavra “justiça”  e o cumprimento de toda a justiça por Jesus como expressão para o ilimitado sim à vontade de Deus, como acolhimento do seu jugo.” (Jesus de Nazaré, Joseph Ratzinger, p. 33).

 

A Vontade de Deus-Pai não é nos fazer sofrer, mas o nosso ingresso no Céu. A melhor forma para chegarmos até lá? Passará por sofrimentos, também (ninguém é maior do que o Mestre)…mas, como no caso do seu Filho Unigênito, que possui a mesma substância de Deus-Pai, tudo isso será “tolerado” para Deus-Pai, como um remédio, amargo talvez, mas que nos curará….

 

Entendeu agora?

 

Esse é o plano. Precisamos entender que o mal na nossa vida não é querido por Deus, mas é “permitido”, “tolerado”. Precisamos entender que só as boas obras, sem a intenção de dar glória a Deus não é suficiente para irmos ao Céu (os nossos antepassados do Antigo Testamento a tinham, mas não alcançaram o céu, senão depois de Jesus os conduzir, dando ordem aos anjos do Paraíso que vedavam o acesso ao humano)….

 

Além das boas obras, precisamos de BOA VONTADE.

 

 

Conceito de Boa Vontade

 

“É uma resolução generosa da alma de se consagrar à glória do divino mestre e de procurar o bem do próximo na medida das suas forças. É uma renúncia completa a tudo o que está em desacordo com a ordem divina, um sacrifício de todo o interesse próprio, um esquecimento or inteiro e uma despreocupação constante de si mesmo” (A Boa Vontade, Joseph Schrijvers,p.3 e 4, Ed. Quadrante).

 

Com o que comparar a Boa Vontade?

 

Eis uma boa comparação feita por Joseph Schrijvers:

 

“O ar que a nossa alma respira é a graça que nunca é negada a quem a pede; a terra que pisamos é a divina vontade; que não se esconde nunca sob os nossos passos; a sua respiração é o ato de amor que trata espontaneamente da boa vontade…” (ob cit. )

 

 

Assim, para que a Vontade de Deus se  faça em nós (que é a nossa santidade para irmos para o céu, viver com Ele a vida plena e feliz, onde “ninguém roubará a sua felicidade”) a nossa alma precisamos QUERER respirar o ar que é a GRAÇA, a vida divina de Deus.

 

 

Se tivermos boa vontade, respiraremos a Graça de Deus. Qual a importância da Graça na vida da alma?

 

A Graça, segundo o Catecismo (ponto 1996) é a participação na vida divina.

Se a Graça é a participação na vida de Deus (por adoção e não por substância) só podemos concluir que ela é de iniciativa Dele, porque não conseguimos obter essa vida de Deus, se Ele mesmo não nos comunicar….

 

E Ele fez isso.

Ao morrer na Cruz, Jesus teve o seu coração transpassado pela lança de um dos soldados que fazia isso para verificar se Ele ainda estava vivo e para abreviar a sua morte na Cruz, pois os romanos tinham que “desocupar” o lugar.

 

Quando abriu-se o lado de Jesus, saíram sangue e água. Não só sangue, mas água mesmo. Essa água nada mais é do que o sinal do Espírito Santo.

Quando somos batizados pela água, nós somos sepultados do homem velho e decaído e passamos a participar da Ressurreição de Jesus em uma vida agora transfigurada, diferente, uma nova criação, com o Espírito Santo dentro da nossa alma.

 

O Espírito Santo pelo batismo, crisma, ordem, matrimônio, confissão, unção dos enfermos nos comunica, nos prepara para recebermos a Graça chamada Atual, que é o primeiro “choque” na alma, para que Ela respire para uma Vida Nova, uma Vida da Graça.

 

A Graça Atual nos prepara para dizermos “quero” à Vontade de Deus-Pai. E agora, a nossa vontade convertida será capaz de dizer quero aos acontecimentos diários que Deus irá permitindo para a nossa santidade pessoal e um dia, nosso retorno à Pátria Celestial.

 

Jesus deixou vários “sacramentos” , coisas “separadas” “sagradas”’ que nos transmite tais dons (Graças Sacramentais).

São Paulo relata-nos também outras Graças, não Sacramentais, mas as Graças Especiais, por ele chamadas “carismas”, que seriam dons de interceder com milagres, profecia, exortação, dom de línguas…

Por que Jesus quis nos comunicar as Graças, da qual Ele as tem em Plenitude, por ser Filho por substância de Deus-Pai?

 

Porque, como vimos só a nossa boa obra, não era meritória o suficiente para alcançarmos a Pátria Celeste e satisfazer a Justiça de um Deus que havia sido ofendido infinitamente…. foi preciso alguém com uma qualidade também infinita (Deus –Filho) para nos comunicar a sua Graça, a sua Vida Divina. Só assim as nossas boas obras passaram a ter Boa Vontade, que é a de Jesus   que  se consagrou a vida inteiraq à glória do divino e de procurar o bem do próximo.

 

 

 

A Graça de Deus interfere em nossa liberdade, interfere na nossa Boa-Vontade?

 

 Para Deus nos conceder a primeira Graça, que é Graça atual, ela vem espontaneamente por iniciativa dele, sem que nós tenhamos merecido. Ele não pergunta se a queremos, ou não, simplesmente a envia a nós. A nossa liberdade está em acolhê-la, ou rejeitá-la. Exemplo, uma pessoa que não é batizada, o primeiro sacramento, tem a idéia de querer ser batizada e viver uma nova vida, para agradar a Deus.

 

Se acolhermos a primeira Graça, a Graça Atual, as demais graças, que são as Graças Habituais (ou Graça Santificante), nós as iremos merecendo na medida em que de Boa Vontade formos aceitando as Graças Habituais para realizarmos essa ou aquela boa obra….com mérito, mérito nosso de acolher a Graça unido aos infinitos méritos de Jesus Cristo….que Ele conquistou pela sua obediência total ao Pai na Cruz…

A Primeira vez que nós recebemos a Graça Habitual, ou a Santificante é no Batismo:

 

“ é no batismo que recebemos a graça santificante pela primeira vez.” (Fé explicada, p. 94)

 

 

A Graça, em outras palavras, faz que a nossa boa obra seja divinizada…A Graça é a vida divina em nós…é Jesus se “encarnando” em mim….ou melhor a Graça  é a que traz a inabitação de toda a Santíssima Trindade para a minha alma:

“Sim Senhor, vejo-o bem. É a lei da tua Encarnação que se repete em mim. A vida divina está em mim e, em certo sentido, nada mudou na minha humanidade. Nada mudou e tudo mudou. Continuo a ser eu mesmo, continuo a ser o pobre homem que sou, fraco e submetido a todas as fomes. E, contudo, de acordo com este modo misterioso que desconcerta já em Ti e mais ainda em nós, és tu quem opera em nós….Mesmo quando Tu vives em mim, quando toda a tua ação inunda o meu ser de glória divina, conservo o poder de dizer: Não!” (O Mistério do Deus-Homem, Jacques Leclercq, p.35, Ed. Quadrante).

 “Se alguém me ama, meu Pai o amará e veremos a ele e nele faremos morada” (Evangelho de São João 14,23).

Assim,  “a graça sempre nos precede, abraça e sustenta mas é verdade também que o homem é chamado a tomar parte nesse amor, ele não é um simples instrumento, sem vontade própria, da onipotência de Deus…” (A Infância de Jesus, Joseph Ratzinger, p. 67).

 

Na prática, qual é o efeito da Graça Santificante para que o plano de Deus de regressarmos à nossa Pátria Celestial dê certo?

 

A Graça Santificante é a que nos tornará aptos de ver a Deus.

 

“Deus criou-nos para a visão beatífica, para essa união pessoal que é a essência da felicidade do céu. Para nos tornar capazes de vê-lo diretamente, dar-nos-á um poder sobrenatural a que chamamos luz da glória. Esta luz da glória, no entanto, não poderá ser concedida senão à alma já unida a Deus pelo dom prévio a que chamamos graça santificante. Se entrássemos  na eternidade sem a graça santificante,teríamos perdido a Deus para sempre.” (Fé explicada, p. 95).

Como fazer essa Graça se conservar para podermos ter a Boa Vontade em nossas boas obras?

Não cometendo atos que impeçam a nossa boa vontade respirar, que mate a nossa respiração, ou seja,  amando a Deus e evitando tudo o que lhe desagrade (exemplo, um pecado mortal é algo que desagrada, que fere a Deus, pois é um ato com pleno consentimento e conhecimento que Deus não quer que o cometamos).

 

“Para nutrir a boa vontade, Jesus Cristo instituiu a sagrada Eucaristia. É o amor que se faz alimento, a fim de poder introduzir-se no objeto amado.” (A boa vontade, Joseph Schrijvers, p. 9).

 

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Jesus: o paradoxo de Deus que é rejeitado pelo povo que Ele havia eleito para acolhê-lo como Salvador de toda a humanidade

Por que Jesus foi “rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas (Mc 8,31) e porque o entregaram aos pagãos para ser escarnecido, flagelado e crucificado (Mt 20,19)?

“Desde o princípio do ministério público de Jesus, fariseus e partidários de Herodes, com sacerdotes e escribas, puseram-se de acordo para lhe dar a morte por alguns dos seus atos:

  • expulsões de demônios;
  • perdão dos pecados;
  • curas em dia de sábado;
  • interpretação original dos preceitos de pureza legal;
  • trato familiar com publicanos e pecadores públicos;”

 

Do que os anciãos, sumos sacerdotes e escribas acusaram Jesus?

Jesus pareceu a alguns, mal intencionados, suspeito de possessão diabólica. Foi acusado de blasfêmia  e de falso profetismo, crimes religiosos que a Lei castigava com a pena de morte por apedrejamento.

 

Muitas atitudes e palavras de Jesus foram, portanto, «sinal de contradição» para as autoridades religiosas de Jerusalém (…) ponto 575 do Catecismo.Foram fundadas as suspeitas da elite religiosa judaica contra Jesus?

Não, pois:

  • Jesus confirma as doutrinas partilhadas por esta elite religiosa do povo de Deus:

ü  a ressurreição dos mortos,

ü  formas de piedade (esmola, jejum e oração)

ü  e o hábito de se dirigir a Deus como Pai

ü  o caráter central do mandamento do amor de Deus e do próximo.  

 

  • Jesus não só confirma a Lei, como vem levá-la à perfeição.

 

Jesus fez uma solene advertência no início do sermão da montanha, ao apresentar a Lei dada por Deus no Sinai, quando da primeira Aliança, à luz da graça da Nova Aliança:

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a Terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequeno que seja, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os praticar e ensinar, será grande no Reino dos céus» (Mt 5, 17-19).

 

  • Jesus, o Messias de Israel e, portanto, o maior no Reino dos céus, fazia questão de cumprir a Lei, executando-a integralmente até nos mais pequenos preceitos, segundo as suas próprias palavras. Foi, mesmo, o único a poder fazê-lo perfeitamente . Os Judeus, segundo a sua própria confissão, não puderam nunca cumprir integralmente a Lei sem violação do mínimo preceito. Por isso é que, em cada festa anual da Expiação, os filhos de Israel pediam a Deus perdão pelas suas transgressões da Lei;

 

  • Jesus cumpriu a Lei até ao ponto de tomar sobre Si «a maldição da Lei» (363) em que incorrem aqueles que não «praticam todos os preceitos da Lei» (364); porque «a morte de Cristo foi para remir as faltas cometidas durante a primeira Aliança»(Heb 9, 15).

 

  • (…) nas vésperas da sua paixão, Jesus anunciou a ruína deste esplêndido edifício, do qual não ficaria pedra sobre pedra. Há aqui o anúncio dum sinal dos últimos tempos, que vão iniciar-se com a sua própria Páscoa. Mas esta profecia pôde ser referida de modo deturpado por falsas testemunhas, quando do interrogatório a que Jesus foi sujeito em casa do sumo-sacerdote e ser-Lhe lançada em rosto, como injúria, quando agonizava, pregado na cruz.

 

 

Por que haviam coisas que Jesus na sua autoridade de Filho de Deus (Ele que havia comunicado aos profetas sobre todo o procedimento do culto judaico)  começa a mostrar que deveriam ser  diferentes de como  os judeus a estavam praticando?

 

Jesus era um “rabbi”, ensinava nas sinagogos. Muitas vezes argumentou, no quadro da interpretação rabínica da Lei.

Mas, ao mesmo tempo, Jesus tinha forçosamente de Se confrontar com os doutores da Lei porque não Se contentava com propor a sua interpretação a par das deles: «ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas» (Mt 7, 28-29).

Com esta mesma autoridade divina, desaprova certas «tradições humanas» (368) dos fariseus, que «anulam a Palavra de Deus» (369).

 

Quais eram as tradições humanas dos fariseus que anulavam a Palavra de Deus e que Jesus forçosamente Se confrontou co os doutores da lei?

  1. A questão da pureza ou impureza de certos alimentos:

Jesus disse «Não há nada fora do homem que, ao entrar nele, o possa tornar impuro [...] – e assim declarava puros todos os alimentos – [...]. O que sai do homem é que o toma impuro. Pois, do interior do coração dos homens é que saem os pensamentos perversos» (Mc 7, 18-21).

  1. A questão de fazer ou não o bem no Sábado, dia de descanso para judeus: Isto vale sobretudo para a questão do sábado: Jesus lembra, e muitas vezes com argumentos rabínicos , que o repouso sabático não é violado pelo serviço de Deus ou do próximo  que as suas curas realizam.
  2. A questão de ter familiaridade com os publicanos e os pecadores: Jesus escandalizou os fariseus por comer com os publicanos e os pecadores  tão familiarmente como com eles . Contra aqueles «que se consideravam justos e desprezavam os demais» (Lc 18, 9).

Jesus afirmou: «Eu não vim chamar os justos, vim chamar os pecadores, para que se arrependam» (Lc 5, 32). E foi mais longe, afirmando, diante dos fariseus, que, sendo o pecado universal, cegam-se a si próprios  aqueles que pretendem não precisar de salvação.

  1. A questão de  ter misericórdia para com os pecadores e até perdoar pecados (privilégio de um Deus): Jesus escandalizou, sobretudo, por ter identificado a sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus a respeito dos mesmos. Chegou, até, a dar a entender que, sentando-Se à mesa dos pecadores, os admitia no banquete messiânico. Mas foi muito particularmente ao perdoar os pecados que Jesus colocou as autoridades religiosas de Israel perante um dilema. É que, como essas autoridades justamente dizem, apavoradas, «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7). Jesus ao perdoar os pecados, ou blasfema por ser um homem que se faz igual a Deus, ou diz a verdade e a Sua pessoa torna então presente e revela o nome de Deus.

 

Jesus chegou alguma vez a  explicar o por que do seu modo de agir e pediu para os judeus acreditarem Nele?

 

Sim, porque:

      Ele chegou a dizer:

1-      «Quem não está comigo, está contra Mim» (Mt 12, 30);

2-      o mesmo se diga de quando afirma ser «mais que Jonas,… mais que Salomão» (Mt 12, 41-42), «mais que o templo» (404); de quando lembra, a respeito de si próprio, que David chamou ao Messias o seu Senhor (405);

3-      quando afirma: «Antes de Abraão existir, “Eu sou”» (Jo 8, 58);

4-      e quando ainda mais afirma: «Eu e o Pai somos um» (Jo 10, 30).

 

      Jesus pediu às autoridades religiosas de Jerusalém que acreditassem n’Ele, por causa das obras do seu Pai que Ele fazia. Veja o trecho do Evangelho de São João que narra a passagem em que os judeus querem apedrejar Jesus:

 

“…como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus? Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais. Mas se as faço e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai…” (Jo 10, 36-38).

 

Texto extraído dos pontos 571 a 591 do Catecismo da Igreja Católica e organizado em forma de perguntas e respostas

 

Resumo do Catecismo sobre o assunto:

592. Jesus não aboliu a Lei do Sinai, mas cumpriu-a (414) com tal perfeição (415) que revelou o sentido último dela (416) e resgatou as transgressões contra ela cometidas (417).

593. Jesus venerou o templo, subindo a ele nas festas judaicas de peregrinação e amou com amor zeloso esta morada de Deus entre os homens. O templo prefigura o seu mistério. Quando anuncia a sua destruição, fá-lo como revelação da sua própria morte e da entrada numa nova idade da história da salvação, em que o seu Corpo será o templo definitivo.

594. Jesus praticou actos, como o perdão dos pecados, que O manifestaram como sendo o próprio Deus salvador (418). Alguns judeus, que, não reconhecendo o Deus feito homem(419) viam n’Ele «um homem que se faz Deus» (420), julgaram-n’O como blasfemo.

 

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