O plano de Deus para quem se casa

Deus cria o primeiro casal para a felicidade

Quem criou o  primeiro casal foi o próprio Deus, pois criando Adão, considerou Deus que não era bom que ficasse só, tirando a mulher da costela de Adão, após tê-lo colocado em um sono profundo.

Quem dá sentido para Adão é a Eva.

Após serem criados homem e mulher, Deus determinou que fossem fecundos (Gênesis 1,28).

Vejamos que o matrimônio não é algo puramente humano. Foi Deus quem o criou e criou para alguns fins (desígnios de Deus).

O Catecismo nos ensina que o desígnio de Deus para um casal abençoado por Ele é:

  1. A íntima comunhão de vida e de amor (ponto 1603);
  2. A fecundidade do casal a fim de preservar a criação (ponto 1604);
  3. A unidade de vida, ao ponto de o Papa falar em “unidade de dois”, os dois passam a ser “uma só carne” (Gênesis 2,24 e Mateus 19,6 e ponto 1605);
  4. para a vida inteira, pois o que Deus uniu o homem não separe.

Percebemos pelos desígnios mencionados pelo Catecismo da  Igreja Católica que Deus pensou no matrimônio para a realização pessoal  dos cônjuges, em outras palavras, o fim do matrimônio é a FELICIDADE dos cônjuges,  foi por isso que Deus disse – “não é bom que o homem esteja só”, criando uma semelhante para ele, prevendo a íntima comunhão de vida para sempre e a fecundidade. O fim sempre foi esse: a realização pessoal, a felicidade de Adão e Eva e de todos os casais.

E essa felicidade decorreria de uma VIDA VIRTUOSA: fidelidade, amor, abertura aos filhos… e acreditam os teólogos que essa realidade natural do matrimônio com o fim de satisfação pessoal e felicidade dos cônjuges estava prevista para ser elevada a Sacramento, à íntima união com Deus, um dia, porque no Apocalipse fala-se sobre o casamento entre Deus e a humanidade. Aquele – e os dois serão uma só carne – se tornaria realidade porque Deus estaria em todos no final.

Para viver uma vida virtuosa e feliz o primeiro  casal tem um diferencial em relação à criação: imagem e semelhança de Deus

 

O diferencial nota-se da própria narração em Gênesis:

Observa-se que a criação do homem e da mulher não vem de uma sucessão natural da criação, mas  Deus entra dentro de Si e conclui: “Façamos à nossa imagem e semelhança”.

Recorramos, novamente, à catequese de São João Paulo II, proferida no dia 12.09.1979:

“…o homem é criado na terra juntamente com o mundo visível. Ao mesmo tempo, porém, o Criador ordena-lhe que subjugue e domine a terra (Cfr. Gén. 1, 28) : ele é portanto colocado acima do mundo. Embora o homem esteja tão intimamente ligado ao mundo visível, a narrativa bíblica não fala todavia da sua semelhança com o resto das criaturas, mas somente com Deus [Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus ... (Gén. 1, 27) ]. No ciclo dos sete dias da criação manifesta-se evidentemente uma gradualidade nítida(1); o homem, pelo contrário, não é criado segundo uma sucessão sa entrar em si mesmo, para tomar decisão: Façamos o homem à Nossa imagem, à Nossa semelhança … (Gén. 1, 26)”

 

 

 

Deus é amor, concluirá São João em Sua Epistola, ao analisar a entrega feita por Deus Pai de seu Filho Unigênito para nos resgatar do pecado.

 

Deus vive uma comunhão de amor e o amor humano deve refletir isso.

 

 

O amor é possível, e nós somos capazes de o praticar porque criados à imagem de Deus. Viver o amor e, deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo, como diz o Papa Emérito Bento XVI, em sua Encíclica “Deus Caritas Est”.

O primeiro casal após o pecado original: consequências

O problema é que depois do pecado original os desígnios de Deus originais não tem sido fáceis para o casal.

É que o pecado original simplesmente:

  • gerou acusações recíprocas ;
  • a atração física criada por Deus se transforma em uma relação de dominação e de cobiça
  • a vocação à fecundidade é onerada com os dores do parto e o suor do ganha-pão (ponto 1607).

É muito importante sabermos disso, porque o relacionamento entre homem e mulher será um relacionamento entre dois pecadores que terão de se perdoar, de ter muita generosidade um com o outro, lutar contra essas más tendências de dominação e cobiça que faz um deles ou ambos enxergarem no outro apenas um objeto de sua satisfação pessoal….

Como curar tudo isso?

O Padre Paulo Ricardo responde de uma forma muito clara:

…“a aliança matrimonial, (…) ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole, (…) foi elevada, entre os batizados, à dignidade de sacramento por Cristo Senhor” [2]. Isto é, o pacto natural existente entre o homem e a mulher, com vista à realização pessoal de ambos, por meio de uma vida virtuosa, foi de algum modo perturbado pelo drama do pecado original: injustiças, ciúmes e outras doenças afetivas começaram a fazer parte do convívio entre os dois. Nosso Senhor, então, veio redimir a realidade conjugal, transformando o homem em um ser capaz não só de virtude, mas também de santidade. (Padre Paulo Ricardo, Resposta Católica n. 222., http://www.padrepauloricardo.org).

Verifica-se que Jesus, ao morrer na Cruz, casa-se com a Igreja, é-lhe fiel, entrega-se por Amor a ela, e comunica as graças do seu lado aberto pela lança para também tornar uma realidade que já era natural, em Sacramento, ou seja, o Matrimônio torna-se um meio de santificação, um meio de união com Cristo.

De modo prático, como ensina Padre Paulo Ricardo, o esposo deve se aproximar da esposa como se aproxima da comunhão – com Amor a Cristo. Quando entre na porta de casa, é como abrir a porta do Sacrário. Ela, a sua esposa,  é o seu Cristo. Tratá-la como se fosse Cristo. E sabendo que Cristo não o deixará sozinho. A graça de Cristo saída do lado aberto do seu peito transpassado pela lança do soldado, em que saíram água e sangue, é que será a força e sustento de  todos meus atos.

O matrimônio se tornou um meio de santificação, um Sacramento.

Pela graça, os cônjuges possuem força para resistir quando filhos estão sendo objeto de preocupação…para resistir às sugestões demoníacas da carne…para perdoar o outro….pois assim como Deus me perdoou e não desiste de mim, farei o mesmo com o meu cônjuge.

O matrimônio não é uma realidade só natural. Está enraizada na nossa natureza. Mas a graça de Deus para o  matrimônio eleva essa realidade.

O matrimônio passa de um NÍVEL NATURAL, para um NÍVEL SOBRENATURAL.

Foi o que quis dizer São Paulo em sua Carta aos Efésios 5, 21 e seguintes:

Sejam submissos uns aos outros no temor a Cristo. Mulheres, sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor. De fato, o marido é a cabeça da sua esposa, assim como Cristo, salvador do Corpo, é a cabeça da Igreja. E assim como a Igreja está submissa a Cristo, assim também as mulheres sejam submissas em tudo a seus maridos. Maridos, amem suas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela; assim, ele a purificou com o banho de água e a santificou pela Palavra,para apresentar a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou qualquer outro defeito, mas santa e imaculada. Portanto, os maridos devem amar suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama SUA MULHER, está amando a si mesmo. Ninguém odeia a sua própria carne; pelo contrário, a nutre e dela cuida, como Cristo faz com a igreja, porque somos membros do corpo dele. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Esse mistério é grande: eu me refiro a Cristo e à Igreja. Portanto, cada um de vocês ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido. (Ef 5, 21-33)

Como nos explica Padre Paulo Ricardo:

São Paulo descreve o relacionamento de UM CASAL, homem e mulher, esposo e esposa, porém, no final, afirmará que aquela descrição, na verdade, refere-se a Cristo e à Igreja.

A palavra mistério, em latim, quer dizer “sacramento” e é justamente o uso deslocado dessa palavra que possibilita ao Papa João Paulo II afirmar que o matrimônio é um sacramento primordial, ou seja, quando se diz que homem e mulher se tornarão uma só carne (desde o Gênesis, há que se contar), na verdade, se está também falando do relacionamento entre Cristo e a Igreja, quando todos serão um só corpo. Passa-se da ordem natural para a ordem sobrenatural. (Padre Paulo Ricardo, Sacramento Primordial, www.padrepauloricardo.org).

 

 

O que significa a submissão da mulher ao marido, a que se refere São Paulo?

Vejamos a excelente explicação do Padre Paulo Ricardo quando aborda o tema do matrimônio como um Sacramento primordial:

“O versículo 21 (Carta de São Paulo aos Efésios 5,21) afirma: “Sedes submissos uns aos outros no temor a Cristo”. O Papa João Paulo II aponta para um aspecto fundamental na compreensão do que significa “submissão”. No Antigo Testamento e em hebraico, quando se fala dos sete dons do Espírito Santo, na verdade, esses dons são seis. Isso ocorre porque a palavra “temor” aparece com dois significados diferentes. Piedade e temor, essas são as traduções usadas e, alerta o Papa, na hebraica, existe realmente o aspecto de piedade dentro do conceito de temor.

Ora, dentro da família, a instituição familiar como tal, exige uma certa submissão mútua das pessoas sob a virtude da piedade (que é um aspecto do temor do Senhor).

O mandamento do amor universal está em pleno vigor, ou seja, é preciso amar a todos os homens. Em relação às pessoas da própria família é preciso mais do que o amor caritas, é necessário a virtude da piedade, que consiste no reconhecimento do vínculo espiritual existente na família. As pessoas, então, passam a amar não somente pelas razões naturais, mas por uma razão sobrenatural, que é Cristo.

Quanto à submissão da mulher ao marido que aparece também em outras Cartas de São Paulo, é preciso fazer uma distinção entre a ordem natural e a sobrenatural, como ela seria sem o pecado original e como se tornou após o pecado. Para tanto é preciso adentrar no campo da política.

Os grandes filósofos antigos Platão e Aristóteles, afirmam que existem três formas de se governar: monarquia (o governo de um), aristocracia (o governo de uma classe de pessoas nobres) e a democracia (o governo de todos). Eles se questionaram qual seria a melhor forma. Talvez, influenciados pelo tempo presente, alguns ousariam responder que é a democracia, no entanto, os filósofos apontaram para outro regime.

Disseram que, numa sociedade de pessoas virtuosas, o melhor governo, de fato, é a monarquia. Nesse caso, porém, a virtude seria um requisito e, existindo, esse grupo de pessoas virtuosas, naturalmente haveria de procurar alguém ainda mais virtuoso que as governasse. E assim se daria o regime ideal.

Contudo, existe um problema apontado pelos filósofos e também por Santo Tomás de Aquino em seu Comentário à Política de Aristóteles: numa sociedade pervertida (sem pessoas virtuosas), a monarquia se transforma rapidamente em tirania.

Portanto, na atual circunstância da socidade, não virtuosa, o melhor regime é mesmo a democracia. Como as pessoas são pecadoras, este regime faz com que um pecador limite o outro e, assim, ninguém prevalece. De todos os regimes ruins, a democracia é o menos pior. (Padre Paulo Ricardo, Sacramento Primordial, www.padrepauloricardo.org).

 

Dessa forma, o Padre Paulo Ricardo explica a primeira parte da Carta de São Paulo aos Efésios em que se fala primeiramente da submissão de todos a Cristo como sendo um primeiro dever familiar.

Seria, assim, necessário reconhecer o vínculo espiritual dos membros da família (mais do que caritas, é preciso uma submissão mútua (pietas que nós nos submetemos por amor a Cristo). Amo as pessoas da minha família por uma razão sobrenatural por pietas para com Cristo – foi dele que recebemos esse vínculo familiar, Por isso a submissão mútua entre os membros de  uma mesma família.

Mas e a submissão da mulher?

O Padre Paulo Ricardo explica que o despotismo do homem sobre a mulher não tem fundamento. Marido é  o cabeça da família, mas a explicação disso está dentro da virtude. Toda a família deve se submeter ao marido virtuoso e santo, mas, evidentemente,  se é um crápula não tem mais sentido. Essa liderança poderia ocorrer em sua plenitude se realmente tratássemos todos de pessoas virtuosas, aí, ao marido santo, ao marido virtuoso a mulher não teria problema nenhum em se submeter, como a Cristo. O marido deve tentar lidera servindo, dando o sangue pela família, como um reflexo do amor de Cristo pela Igreja. Se o marido der a vida pela esposa e filhos, aí justificaria a submissão da mulher.

Um marido, ao qual a mulher deve submissão, deve ter ciência que Jesus fala sobre um exercício da autoridade completamente diferente daquele que é o exercício dos pagãos, não convertidos. Quando Ele fala sobre a autoridade diz: “Entre vós não será assim, o primeiro seja o servidor de todos”. Esta é a forma de se exercer a autoridade para Cristo: servindo.

Não se trata, é claro, de defender que o marido é o líder, chefe, o cabeça da família a qualquer preço e sob qualquer circunstância. Não. Assim como Santo Tomás admite que a monarquia é o projeto de Deus, mas não em qualquer situação, assim também acontece na realidade familiar. Deveria haver uma submissão da esposa ao marido, se este fosse realmente virtuoso. Isso tem um fundamento teológico e também natural, como bem nos explica o Padre Paulo Ricardo.

 

 

 

Quer dizer então que o que fez Jesus de novo em relação ao matrimônio foi elevá-lo a Sacramento?

Sim.

O fundamento disso encontra-se na passagem do Gênesis em que Deus diz que o homem e mulher serão uma só carne.  A morte de Cristo na Cruz significou o seu casamento com a Igreja, com a qual se uniu de forma permanente, indissolúvel, fiel, até a consumação do que aparece no Gênesis que é descida da Nova Jerusalém (a Igreja) ornada para seu esposo, o Cordeiro.

Quando foi dito que serão uma só carne, essa referência fazia uma alusão à união entre Cristo e a Igreja. Quem conclui isso, dizendo que a união homem e mulher se refere na realidade a um mistério muito maior, o mistério  entre Cristo e a Igreja (Efésios  5,21).

O fundamento disso também encontra-se na Cruz, pois Jesus ali deixou Pai e mãe, uniu-se à Igreja como no matrimônio de forma fiel e indissolúvel e comunicou-lhe todas as graças para santificá-la. Assim,  o matrimônio criado por Deus, que sempre existiu desde o início da humanidade como uma realidade natural.

Isto significa que, na celebração do casamento, perante um sacerdote ou diácono, os nubentes recebem um selo, algo que os une de forma indissolúvel (lembrar do que disse Jesus o que Deus uniu o homem não separe) e recebem o próprio Espírito Santo, como nos outros Sacramentos.

A partir daí Deus lhes enviará as graças especiais para:

  1. também para renovarem o amor, pois o amor é oferecido pelo próprio Espírito Santo. (ponto 1624).
  2. Para cumprirem os deveres matrimoniais – fidelidade, coabitação
  3. Viverem a dignidade de seu estado de casados.
  4. Aperfeiçoarem o amor
  5. Fortificar a sua unidade indissolúvel.

Novamente, o Padre Paulo Ricardo comenta:

Portanto, a partir de Cristo, o matrimônio entre dois batizados passa a ter um caráter sacramental, pois eles recebem da Cruz – de onde brotam todas as graças – a graça santificante que faz com que possam ser doação mútua, e a fidelidade dos dois reflete a fidelidade de Cristo e da Igreja. (O sacramento primordial, Padre Paulo Ricardo, www.padrepauloricardo.org.br).

 

Qual é o fundamento de se dizer que o matrimônio é uma unidade indissolúvel?

Foi Nosso Senhor Jesus Cristo que disse aos fariseus:

«É permitido a um homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?». Ele respondeu: «Não lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher, e disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne? Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não o separe o homem». «Por que foi então, perguntaram eles, que Moisés preceituou dar-lhe carta de divórcio ao repudiá-la?». «Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas

mulheres; mas ao princípio não foi assim» (Mt. 19, 3 ss.; cfr. também Mc. 10, 2, ss.).

Diz São João Paulo II em sua primeira catequese sobre a Teologia do Corpo, proferida em 05.09.1979:

«Princípio» significa portanto aquilo de que fala o Livro do Gênesis. É portanto o Gênesis 1, 27 que cita Cristo, em forma resumida: O Criador desde o princípio fê-los homem e mulher; mas o trecho originário completo soa textualmente assim: Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Em seguida, o Mestre refere-se ao Gênesis 2, 24: Por esse motivo, o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne. Citando estas palavras quase «in extenso», por inteiro, Cristo dá-lhes ainda mais explícito significado normativo (dado que era admissível a hipótese de no Livro do Gênesis figurarem como afirmações unicamente de fatos: «Deixará … unir-se-á … serão uma só carne»). O significado normativo determina-se uma vez que não se limita Cristo somente à citação em si, mas acrescenta: «Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que

Deus uniu, não o separe o homem». Este «não o separe» é determinante. A luz desta palavra de Cristo, o Gênesis 2, 24 enuncia o princípio da unidade e indissolubilidade do matrimônio como sendo o próprio conteúdo da palavra de Deus, expressa na mais antiga revelação.

 

Como nos explica o Papa Emérito Bento XVI, em sua Encíclica “Deus Caritas Est”:

Faz parte da evolução do amor para níveis mais altos, para as suas íntimas purificações, que ele procure agora o carácter definitivo, e isto num duplo sentido: no sentido da exclusividade — « apenas esta única pessoa » — e no sentido de ser « para sempre ». O amor compreende a totalidade da existência em toda a sua dimensão, inclusive a temporal. Nem poderia ser de outro modo, porque a sua promessa visa o definitivo: o amor visa a eternidade

Algumas dicas práticas para conseguir viver o matrimônio indissolúvel

Quando falamos que Deus envia as graças especiais para vivermos essa unidade indissolúvel, isso não nos dispensa de nos esforçarmos para viver esse amor.

Assim, é importante cultivarmos alguns hábitos em relação ao outro cônjuge.

Eis algumas dicas práticas extraídas de um texto entitulado “Algumas experiências práticas e considerações básicas de um pai de família sobre a vida conjugal e familiar”):

  1. Presunção de inocência

O pensamento gera sentimento, dizem os psicólogos.

Por isso devemos evitar pensamentos negativos sobre o outro, quanto mais se tratar do cônjuge.

É preciso pensar: o outro não fez por mal, foi por incapacidade ou por ignorância e não por má vontade.

Não ficar responsabilizando o outro pelo mal estar que se sente.

Fazer isso é cultivar o hábito da presunção de inocência.

  1. Conhecer as diferenças na comunicação e nas reações emotivas

b.1) Realizar perguntas:

Mulheres: em geral fazem perguntas para manter conversa ou demonstrar que se interessam por temas.

Homens: só fazem pergunta quando querem obter alguma informação.

O homem quando a mulher faz uma pergunta eles tendem a querer solucionar o problema, quando na realidade a mulher só está querendo um comentário afetivo ou pessoal.

b.2.) Forma de manter uma conversa

O homem diz o que tem que ser dito e não se estende.

A mulher vai fazendo conexão até chegar ao ponto que queria.

b.3) Detalhes de conversa

A mulher gosta de compartilhar com detalhe os seus pensamentos e emoções; o marido está mais confortável falando de política, esporte…sem entrar no detalhe ou suas emoções.

b.4) Finalidade da comunicação

A mulher comenta com o marido suas experiências só para compartilhá-las.

O marido acha que são problemas a serem resolvidos e procura resolver.

Se acham o problema difícil e complicado, tendem a entristecer-se, pensando que  estão fracassando por não conseguir fazer com que a mulher deixe de se preocupar com essas coisas.

É importante saber que se o outro não demonstra suas emoções ou não se comporta de uma determinada maneira, é porque não aprendeu a fazê-lo de outra forma.

  1. A falsa pretensão da integridade:

Se levada ao extremo conduz à neurose de achar que se deve contar absolutamente tudo .

Não é possível materialmente ´contar tudo´: é preciso saber encontrar o equilíbrio e selecionar. Há, além disso, um âmbito em parte incomunicável, que se refere à vida interior da relação com Deus; o mesmo acontece com as tentações e sugestões a que qualquer um está submetido e que seria indelicado e contraproducente contar fora do âmbito da direção espiritual.

c.1) A sinceridade emotiva:

Alguns pensam que deve ser sincero dizendo tudo o que vem à cabeça num momento de aborrecimento.

Isso é um erro, porque o que se diz sob forte estado emocional não é às vezes o que se pensa. É preciso saber esperar, pedir perdão e não dar importância ao assunto.

c.2) É preciso treino e esforço:

Para vivermos em casa a cortesia e a delicadeza precisamos esforçar, mas isso não significa que não seja você.

É um erro pensar, não sou eu, não é o meu modo de ser, não sai espontâneo e então dar livro curso à grosseria ou aos caprichos….

Do mesmo modo que alguém treina para jogar tênis, também precisamos treinar as “jogadas” de cortesia e de delicadeza com o outro.

Existe uma coisa que se chama educação do amor, um amor da vontade, da decisão.

Ter um propósito e algum treinamento, isto é amor.

  1. Atualizar o compromisso diariamente

Isto se dá com a seguinte pergunta a ser respondida pelos cônjuges a si mesmos no final do dia? “Soube manifestar o meu afeto pela minha esposa (pelo meu esposo)? Ela (e) percebeu?

Conclusão

Vamos pedir a Nossa Senhora que nos auxilie a viver bem o matrimônio, criado, desejado por Deus, tentando imitar a Sagrada Família, em um matrimônio virtuoso, santo e que assim consigamos ser felizes, assim como Deus sempre o  desejou a todos os casais.

A virtude da prudência: uma sabedoria do coração, para saber qual é o fim e empregar os meios convenientes

Ensina-nos  Santo Tomás de Aquino (III Sententiarum, dist 33, a.2, a.5) que a prudência é a genitrix virtutum, mãe de todas as virtudes.

A prudência é mãe,  portanto,  da laboriosidade, da sociabilidade, da generosidade, da sinceridade, da fortaleza, da sobriedade, do otimismo, do respeito, do pudor, da ordem, da lealdade, da audácia, da justiça, da humildade, da paciência, da obediência, da compreensão, da perseverança, da responsabilidade…

O que quer dizer: A virtude da prudência é a mãe de todas as virtudes?

E quando falamos que a prudência é a MÃE DE TODAS AS VIRTUDES, o que queremos dizer com isso?

Significa que quando agirmos para adquirir uma determinada virtude, nunca poderemos nos esquecer de que essa virtude em questão tem uma mãe, é a prudência.

E as virtudes devem ser MEIO para alcançar um fim honesto, agravável, louvável para Deus.

Exemplo dado por Padre Paulo Ricardo, em seu programa sobre Direção Espiritual, em que aborda a virtude da prudência vai nos aclarar sobre essa questão.

Ele cita o caso de um homem que resolve ser casto. Mas a virtude da castidade que ele se propõe tem um único fim: a riqueza. Não quer mulher em sua vida porque não quer repartir bens com ela e não tendo mulher não terá herdeiros.

Neste caso, a castidade, que é uma virtude  foi exercida para obtenção da riqueza (fim egoísta).

A prudência, como veremos em seguida, visa um fim, mediante o emprego dos meios convenientes, mas esse fim não é a riqueza.

O fim da castidade reto, louvável é o de dar glória a Deus, o de preparar o meu coração para o Senhor jamais para obtenção da riqueza.

Assim, de que adiantou a castidade sem a prudência neste caso em concreto? Para nada, essa castidade deixou de ser virtuosa.

O padre Paulo Ricardo cita também Santo Tomás de Aquino “em outra frase não menos chocante, retirada do “Comentário às sentenças”, quando diz que “sem a prudência, as demais virtudes quanto maiores fossem, mais danos causariam.” Ora, se uma pessoa é casta, mas a finalidade de sua castidade não é o céu, essa pessoa simplesmeO fnte não é casta. A sua castidade não é virtude, é cosmético, boas maneiras, mas não virtude.”

Quer dizer, então que existe uma virtude, a prudência, que é aquela  que direciona as demais para o fim honesto, bom, louvável?

Sim.

Como diz São Josémaria Escrivá, quem tem prudência  terá o “hábito que nos predispõe a atuar bem: a clarificar o fim e a procurar os meios mais convenientes para alcançá-lo.” (ESCRIVÁ, Amigos de Deus, 2000, p. 101-2).

Em outras palavras, quem tem a virtude da prudência enxerga o fim e passa a procurar os meios para alcançar esse mesmo fim.

“Em su trabajo y em las relaciones con los demás, recoge una información que enjuicia de acuerdo con critérios rectos y verdaderos, pondera las consecuencias favorables y desfavorables para el y para los demás antes de tomar una decisión, y luego actúa o deja actuar, de acuedo con ló decidido.” (ISAACS, 2000, p. 331).

Qual é o fim que devemos enxergar pela prudência em nossa vida como um todo  e também no dia-a-dia?

Podemos pensar em dois fins prudentes:

1º) fim da nossa vida terrestre – o nosso fim prudente é a nossa conversão, santidade e salvação para a vida eterna (fim da nossa vida terrestre).

Um dia todos nós morreremos,  isto é um fato inexorável. De que adiante então, como diz Nosso Senhor Jesus Cristo:

Que a proveita ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a nossa alma? (Lucas 9:25)

O nosso fim é o encontro com Deus. Precisamos pensar nisso todos os dias.

2º.) o fim de nossas ações em concreto –  Lembrando-nos disso, passamos a perceber que o fim das nossas ações devem ser a de amá-lo, de tentar agradar a Deus nas pequenas coisas do dia a dia, isso é dar glória a Deus no cotidiano (fim da nossa vida diária), como fazia Jesus.

Quais são os meios de obter o nosso fim diário e prudente que é dar glória a Deus?

Nada de extraordinário, cumprindo os deveres de cada instante com o coração em Deus, tentando realizar o melhor que podemos (como Jesus o fez em sua vida de carpinteiro e oculta em Nazaré).

E os meios são a prática das virtudes.

Mas, não praticá-las s como um fim em si mesmo, mas como um meio de dar glória a Deus (fim da nossa ação virtuosa).

Lembremos do que nos ensina São Paulo em 1 Coríntios 10, 31-33: “Quer comais, que bebais, ou façais qualquer coisa fazei tudo para a glória de Deus.”

Tudo o que fizermos deve ser para a glória de Deus, demonstrando, assim, o nosso amor por Ele.

Assim, as virtudes que estejamos a praticar devem ter por fim este, a glória de Deus.

Voltando àquele exemplo do Padre Paulo Ricardo, aquele homem que exercia a virtude da castidade, deveria fazê-lo não para conservar-se rico (motivo egoísta), mas para a glória de Deus, para deixar o seu coração mais livre para amá-lo somente a Deus.

Se a prudência é ver o fim e procurar os meios convenientes para alcançá-lo, e sabendo que o fim último é irmos um dia para o céu e que o fim cotidiano dar glória, amar a Deus, quais são os meios que a prudência nos diz?

Sim, a nossa meta é salvação eterna, para   um dia entrarmos em comunhão com Deus, em seu Amor, e para isso a nossa meta cotidiana é demonstrar que o amamos, que queremos lhe dar glória, graças etc para obter a nossa santidade….o meio conveniente para alcançar o fim de darmos GLÓRIA DE DEUS, em concreto,  é a prática das virtude (fazê-las para a glória de Deus).

Existe no Evangelho algum menção a isto que estamos falando?

Sim, vejamos alguns exemplos tirados do próprio Evangelho em que havia uma aparência de virtude, de intenção reta de dar glória a Deus, mas que na verdade não havia virtude, por falta de prudência, em que, embora até pensassem em dar glória a Deus (fim de uma ação concreta), mas o meio não era o conveniente:

  • Mateus 9, 10:13 – Jesus estava sentado com pecadores e os fariseus perguntam aos Seus discípulos porque o Mestre comia com eles. Vejam, os fariseus podiam estar pensando no fim de dar glória a Deus. Mas o meio mais conveniente seria o menosprezo do próximo?
  • Mateus 12, 9:13 – Jesus foi à sinagoga num sábado e um homem tinha a mão paralisada. Os fariseus para colocá-lo à prova perguntam se era lícito curar em dia de sábado? Jesus replica dizendo se eles não tirariam num dia de sábado uma ovelha se ela caísse em um buraco? Claro que eles a tirariam, Jesus já sabia que era a resposta. Então Ele manda o homem estender a mão e o cura, pois uma pessoa vale mais do que um animal. Neste caso, os fariseus até estão tentando dar glória a Deus, guardando, mas o meio não é o mais conveniente, porque não seria um descumprimento do descanso sabático judaico o fato de se realizar um bem (a cura).
  • Mateus 26, 6:13 – Jesus está na casa de Simão à mesa. De repende, uma mulher entre aproxima-e e, por trás, derrama um perfume caro na cabeça de Jesus. Os discípulos indignados acham um desperdício, pois o perfume poderia ser vendido e dinheiro correspondente dado aos pobres. Jesus diz-lhes que pobre sempre haverá, mas Ele nem sempre estaria com eles. Neste caso, os discípulos estavam querendo dar glória a Deus, mas o meio mais conveniente não seria o de honrar pessoalmente a Jesus, cada um dentro do seu carinho e possibilidade como fez a mulher?

Devemos tomar muito cuidado para não transformar o que poderia ser bom em algo ruim.

Talvez seja por isso que no antigo Testamento, Isaías 29:14, Deus já alertava-nos : “Aniquilarei a sabedoria dos sábios e reprovarei a prudência dos prudentes.”

Ter cuidado com atos de falta prudência.

A virtude da prudência é uma sabedoria do Coração

A prudência tem a ver com uma sabedoria que vem do coração, de um coração que ama e quer glorificar a Deus (Provérbios 15, 21-31).

Cuidado com a falsa prudência que é o agir sem ter por fim o céu, por fim dar glória a Deus ou que escolhe meios inadequados e inconvenientes, um agir por egoísmo, por astúcia

São Josemaria Escrivá  (Amigos de Deus, ponto 85) nos alerta sobre o perigo da falsa prudência:

“Porque existe uma falsa prudência – que devemos chamar antes de astúcia – que está a serviço do egoísmo, que se serve dos recursos mais adequados para atingir fins tortuosos. Usar então de muita perspicácia não leva senão a agravar a má disposição e a merecer a censura que Santo Agostinho formulava ao pregar ao povo: Pretendes  desviar o coração de Deus, que é sempre reto, para que se acomode à perversidade do teu? Essa é a falsa prudência daquele que pensa que as suas próprias forças são mais que suficientes para ser justo aos olhos de Deus.”

Os “prudentes” acham tudo uma insanidade nossa

O ‘prudente” acha tudo uma loucura, porque, pelo seu comodismo, egoísmo, hipocrisia, ignorância vencível, evita qualquer esforço para viver segundo os desígnios de Deus.

Por isso o “prudente” será a favor do aborto, da eutanásia, do divórcio…pois para eles onde já se viu não deixar que a mulher escolha, agredi-la fazendo-a levar uma gravidez indesejada, ou onde já se viu deixar uma pessoa sofrendo sendo que ela está com uma doença incurável, onde já se viu obrigar marido e mulher viver para sempre sendo que não existe mais amor….

Diz São Josemaria Escrivá em Caminho, ponto 479: “Sempre os “prudentes” têm chamado de loucura as obras de Deus.”

Vamos pedir à Nossa Senhora que possamos chegar à sabedoria do coração, a Verdadeira Prudência, Mãe de todas as virtudes, para chegarmos um dia à audácia a que se refere São Josemaria Escrivá em Caminho, ponto 402:

“Não peças perdão a Jesus apesar de tuas culpas, não O ames com teu coração somente…ama-O com toda a força de todos os corações de todos os homens que mais O tenham amado. Sê audaz, dizlhe que estás mais louco por Ele que Maria Madalena, mais que Teresa e Teresinha.”

BIBLIOGRAFIA

ESCRIVÁ, Josemaria. Amigos de Deus. Homilias. Tradução de Emérito da Gama, 2ª. Edição, Quadrante, São Paulo, 2000.

ISAACS, La Educación de Las Virtudes Humanas Y Su Evaluación, Decimotercea edición ampliada, Ediciones Universidad de Navarra, S.A. Pamplona, 2000.

Novo Testamento, Evangelho de São Mateus, Cartas de São Paulo.

PADRE PAULO RICARDO. (https://padrepauloricardo.org/blog/direcao-espiritual-a-prudencia, acesso em 16.10.2014).

Role of laymen in Church

Preliminary notions

THE Church is a project that was born in the heart of God-Father: “The eternal father, by libérrimo and arcane design of his wisdom and goodness, created the entire universe; decided to raise men to communion with the divine life “, to which calls all men in his son.

THE Church was being prepared from the old Covenant and she is “God’s reaction to the chaos caused by sin.” (761 point, the Catechism of the Catholic Church) .

Begins with “the vocation of Abraham, whom God promises that will be the parent of a great people . The immediate preparation has its beginnings with the election of Israel

As the people of God. By his election, Israel must be held for the future of all Nations. But already the prophets accuse Israel of having breached the

Alliance and to have behaved like a prostitute. Announce a new and everlasting Covenant. This New Alliance, Christ instituted. ” (point 762, the catechism).

Jesus comes and carries out that plan to raise men to communion of divine life, ushering in the Kingdom of heaven right here on Earth, starting a Church, it’s us, your

Flock which He is pastor. He endows the Church of a structure that will remain until the consummation of the Kingdom, choose twelve apostles, Peter as the head.

 

He also endows the Church of sacraments:

“The beginning and the growth of the Church are meant by the blood and water that came out of the open side of the crucified Jesus. Because the side of Christ asleep on the cross

Were you born the admirable sacrament of the whole Church. In the same way that Eve was formed from the sleeping Adam’s side, so the Church was born of the heart

Trespass of Christ dead on the cross. ” (766 point, the catechism).

And to sanctify the Church sent the Holy Spirit at Pentecost and this to accomplish its mission “dota and directs the Church through the various hierarchical and charismatic gifts.” (Lumen Gentium, 4).

The Church is the universal sacrament of salvation (analog in).

This is because the Holy Spirit diffuses the grace of Christ (head) in the Church (body) through the seven sacraments . The sacrament is the visible sign of the invisible and mysterious (Grace).

In fact, sacramento comes from “sacramentum” which is the same as “misterion” (Greek) or “mysterium” (Latin).

“As Sacrament, the Church is Christ’s instrument. ´ In his hands, she is the instrument of the Salvation of all men, the universal sacrament of salvation, by which Christ manifest ´

And updates the love of God towards men ´. She is the project visible ´ of the love of God for humanity, whatever ´ ´ whole humankind constitutes the only people of God, if brings together

In the one body of Christ, to be built in only one Temple of the Holy Spirit. ” (AG 7, LG 17) 776, point of Catechism.

“The person becomes a member of the people of God not by physical birth but by high birth ´ ´, ´ of the water and the spirit ´ (Jo -5 3.3), it is by faith in Christ and Baptism. This people has for Boss (head) Jesus Christ (Anointed, Messiah); because the same Anointing, the Holy Spirit, flowing from the Head to the body, he is the Messianic People ´ ´. The condition of this people is the dignity of freedom of the children of God; in their hearts, as in a temple, the Holy Spirit resides. His law is the new commandment to love as Christ loved us. Is the law new Holy Spirit ´. Its mission is to be the salt of the Earth and the light of the world, it is for the entire ´ mankind the strongest unit germ, hope and salvation. Finally, its goal is the Kingdom of God, ´ started on Earth by God even, Kingdom to be extended further and further, until, at the end of time, is consummated by God himself.

Jesus Christ is the one who the Father anointed with the Holy Spirit and that constituted ´ Priest, Prophet and King ´ . The people of God participates in these three integer functions of Christ and assumes the responsibilities of mission and service that then arise. When entering the people of God by faith and by baptism, receive participation in unique vocation of this people, in his priestly vocation: Christ the Lord ´, Pontiff taken from men, made of new people a Kingdom of priests ´ for God Father. ´, because the baptized, by regeneration and the anointing of the Holy Spirit, are consecrated to be a spiritual abode and Holy priesthood. ” (paragraphs 782 to 784, the catechism).

 

  • Unity of the Church-

In relation to the people of God “no Jew nor Greek, neither slave nor free, neither man nor woman, ye are all one in Christ Jesus (Gál. 3.28; Col 3.11).

“It is therefore, uno the chosen people of God: one Lord, one faith, one baptism.” (Eph. 4.5).

Are common to all the chosen people of God:

  • The dignity by regeneration in Christ;
  • The grace of children;
  • The vocation to perfection;
  • A just salvation;
  • One hope
  • Indivisible charity.

“That the faithful are immersed in the world, carrying out the the recessus saeculo giving eschatological witness public does not imply any specialty or any difference in the fundamental order of the Church. The communis filiorum gratia is for all he, for all the communis ad perfectionem vocatio, a salus, a indivisaque caritas spes. (p. 125)

“This is an important, which tells us that the distinction between the various categories of faithful cannot do by its relationship with the contents of the doctrine of Christ, for they follow more or less extreme the demands of Christian life. Specifically, the quoted text of the Council – insert in the chapter of the Constitution Lumen Gentium which treats of the laity shows us that these, that the faithful laity, not specified by its smaller provisions in the order of the vocation to holiness, nor by their situation of passive members in order to the apostolate. Not distinguished by nomen gratiae, but for its specific mission within the Church, and consequently the legal situation mode “(p. 126)

  • Faithful, Lay is the same?

 

Faithful is genre, which cleric and layman are species.

 

Faithful are those who, because they have been incorporated in Christ through baptism, have been constituted in people of God and for this reason have become the way participants of the priestly office, prophetic and kingly mission of Christ and, according to their own condition, are called to exercise the mission which God has entrusted to the Church for this conduct in the world. (Cann. 204 §1 of the code of Canon law).

 

By institution of Jesus Christ, the faithful may be clerics or laymen. And both can be faithful who follow the Evangelical counsels of poverty, chastity and obedience that dedicated to God so peculiar, although they are not a separate structure within the hierarchy of the Church. Are religious. There is therefore, religious and lay religious clerics. (see can. 207 of the code of Canon law).

 

Thus, there are lay faithful and faithful clergyman.

 

In this study, we focus on the lay faithful who is not religious.

 

“… the side of equality in basic order of the people of God, there is a functional diversity, also legally relevant. Well, the Foundation of this diversity, d not another character that will distinguish the faithful in clergy, laypeople and religious. The Sagrada Scripture, when speaking, by the mouth of São Paulo, the diversity of the Church, puts this plea on multiplicity of functions – the same way that different members of the body have different mission – namely, in the variety of ministries, all in the one body, and therefore in the unity of the Church’s mission. ” (p. 126)

  • Unity of the Church – Multiplicity of functions or multiplicity of ministries

 

“In the Church’s diversity of ministries, but unity of mission. Christ entrusted to the Apostles and their Successors the mission to teach, sanctify, grazing on their behalf and with their power. But the laity, mission participants tornadoes priestly, prophetic and kingly of Christ, play roles in the mission themselves people of God in the Church and in the world. ” (Decree Apostolicam actuositatem number 2).

  • Role of the layperson: common priesthood

 

The laity, since, as all the faithful, are deputies to the apostolate by virtue of baptism and confirmation, have the General obligation and shall enjoy the right to either individually or grouped in associations, work so that the divine message of salvation may be known and received by all men and in all

Parts of this earth; obligation becomes more urgentand in circumstances where only through them men can hear the Gospel and know Christ. Still have the peculiar duty of, each according to his own condition, imbue and perfect with Evangelical spirit the temporal order, and to give witness to Christ especially in its operations and in the performance of its secular functions. Those living in the conjugal State, according to their vocation, have the peculiar duty to work on building up the people of God by means of marriage and the family. The parents, since it gave life to their children, have the most serious obligation and the right to raise them, therefore, to Christian parents job primarily take care of Christian education of the children, according to the doctrine of the Church. (Cann. 225, paragraphs 1. And second, and Cann. 226, paragraphs 1. E 2º).

“… the layman has a specific function and peculiar and own, that does not correspond to all the faithful and which therefore belongs to him by virtue of their lay status. In other words, that your mission has an own character and distinctive as a result of its position in the context of social relations. Own character and peculiar that makes him different from clerics and religious. ” (PORTILLO, 1971, p. 127)

“The Council notes with all clarity that needs of the laity, lay people are active and integral part of the Church; ….The words that Pope Pius XII expressed are now full confirmation and full realization: ´ they (the laity) must have a convincing increasingly clear, not only of belonging to the Church, but also which are the Church. ” (PORTILLO, 1971, p. 127)

  • Some examples of ferments renovators who contributed to deepen the knowledge of the nature and structure of the Church.

 

“the approval of associations-and the doctrine of spiritual authors – that they put in the spotlight the existence of a universal vocation to holiness, showing that the layman is not a Christian second class, before teaching that he also must perform the radicalism of the requirements of the message of Christ . As one of the most prominent personalities in this field: ´ Came say, with humility of who know sinner and much- homo pecator sum, say with Pedro – but with faith who lets himself be guided by the hand of God, that Holiness is not privileged: that everyone calls the Lord, who all hold Love: everyone, wherever they are, of all people, whatever their State, their profession or their craft. “(quote from a letter of Saint Josemaría Escrivá de Balaguer, 24-iii-Madrid, 1930). (PORTILLO, 1971, p. 128)

“…We also have the various works born on impulse of recent popes, especially Pius XI that launched the laity in social action and in Catholic action, in order to collaborate with the hierarchy of divine institution, for the establishment of the Kingdom of Christ in civilian life. ´ work, by Ricochet, led to meditate on the subject of relations between the hierarchy and the laity, and on issues relating to the autonomy of the temporal Christians. ” (PORTILLO, 1971, p. 128).

  • Which documents are specifically about the layperson in the Church?

 

Are: Constitution Lumen Gentium and the Decree Apostolicam Actuositatem in addition to the code of Canon law and Catechism of the Catholic Church.

  • Laity: challenge of finding the point of convergence between the inner and outer Life Unit

 

“… the laity need to know find the continuous fulfilment of the will of God – the discovery circumstances of the secular life the point of convergence of all your actions, so they get to achieve fully the unity of life without which the Christian would be a man inwardly divided.” (PORTILLO, 1971, p. 163).

  • The Apostolic function of lay’s in its insertion in the temporal field.

 

Says the Vatican II – “this life of intimate Union with Christ in the Church feeds on spiritual aid, common to all the faithful, especially by active participation in the sacred liturgy and they must employ them in such a way that, while complying with the obligations of rectitude world in ordinary conditions of life, not separate their life Union with Christ, but grow it, fulfilling his duty according to the will of God. It is by this path that the beds must advance in Holiness with decision and joy, endeavouring to overcome the difficulties with prudence and patience. Neither family concerns nor other temporal occupations, must be outside of the supernatural life plan, as the words of the Apostle: everything you do by words or by deeds, is all in the name of the Lord Jesus Christ, giving thanks to God Father for him (Col. 3.17). Such a life requires a constant exercise of faith, hope and charity. “

  • Difference of ministries-mission unit

 

“The Const. Lumen Gentium describes very clearly the distinction of ministries …. it not Shepherds ´ were instituted by Christ to take themselves all the Church’s mission to save the world, but his exalted Office is feeding the faithful and recognize their services and charisms, so that everyone, in his own way, cooperate on common task ´ unanimously. As you can see, the sacred Pastors in exercising their hierarchical function have a duty to recognize the mission that, in the Church, it is up to the laity. ” (PORTILLO, 1971, p. 167)

  • Right of the faithful laity

 

“1. – The freedom to perform their own apostolic action and cooperate so on total Mission of the Church;

2nd. – The right of the own apostolate and legitimate is respected and not restrained.

  1. – The freedom to maintain the characteristics of the lay apostolate…
  2. – The right to join that corresponds to all the faithful…. ” (PORTILLO, 1971, p. 167-8)
  • Facets of the apostolate of the laity

 

According to the Vatican II they are:

  • Testimony of life
  • Be present and operative in places and conditions under which the people of God could not be the salt of the Earth or by the laity
  • Help hierarchy, such as those that help Paulo the dissemination of the Gospel
  • Sanctifying the family and marriage
  • Aspects of the Apostolate of the laity:

 

Álvaro Del Portillo enumerates, in summary, the following:

“1. Be Christian in temporal realities yeast “

Means order temporal realities to which are conducted according to Christ.

“2nd. -The sanctification of professional work, as opus perfectum clan, made intentionally to cooperate in the work of creation and as a personal contribution to the achievement of the providential plan of God in history. This end, precisely, was regarded as gonzo or axis of the particular spirituality of Opus Dei, one of the associations which have contributed to the process of development of lay spirituality and the apostolate of the laity. It’s not about ´ – wrote its founder in 1940 – of supernatural mission temporalizar of Christ and his Church: this is exactly the opposite, of temporal action sobrenaturalizar of man. Because we are fully convinced that all human work legitimate, no matter how humble, small and insignificant it may seem, can always have a transcendent sense. “

“3. The Christian inspiration of political structures, social, economic, legal etc. in other words, belongs to the apostolate of social environment that the other members of the Church can hardly perform directly, promote peace and solidarity of peoples etc. ” (PORTILLO, 1971, p. 171-2).

  • PRIESTLY SOUL OF THE LAY

In the old Covenant, the priest was constituted to intervene in favour of men in their relationships with God to offer gifts and sacrifices for sins, according to St. Paul in the letter to the Hebrews 5.1.

The priesthood of Aaron (brother of Moses) guiding and sanctified the people, the liturgical service that were feitso by the tribe of Levi and the seventy elders, which were communicated the spirit given to Moses by assisting the Government of this holy people descended from Abraham (Nm 11, 24-25) prefiguraram the ordained Ministry of the new Covenant. This prefigurações old Covenant priesthood find fulfillment in Christ Jesus only mediator between God and men and eternal priest in the order of Melchizedek (Gn 14.18, Hb 5.10, 6.20). It was Jesus who by his only sacrifice of the cross led to the perfection and forever he sanctifies (Hb 10.14).

The sacrifice on the cross is present in the Eucharistic sacrifice of the Church.

St. Thomas Aquinas says that “therefore Christ is the true priest; the others are his ministers “.

We explain the Catechism, 1554 point, the word “sacerdos” means bishops and priests.

Both the episcopate (bishops) and the priesthood (priests) are degrees of ministerial participation in the priesthood of Christ.

The diaconate (deacons) is also a ministerial participation in the priesthood of Christ, destined to help and serve the bishops and priests.

The three (episcopacy, priesthood and diaconate) are conferred by a sacramental Act called ordination or sacrament of Holy orders, which was the way that God thought so that the economy of salvation operate for all until today.

But, not only bishops, priests, deacons are priests. The idea of Jesus was most extensive, making the church a “Kingdom of priests to God, his father” (Rev. 1.6).

The whole community of the faithful’s priestly, explains-our catechism 1546 point: “it is by the sacraments of baptism and confirmation the faithful are ´ consecrated to be a Holy priesthood.” (Lumen Gentium, 10).

The difference is that the ordained Minister (i.e. the Bishop, the priest, the deacon who receive the sacrament of the respective Order) because of the sacrament of Order Act “in persona Christi Capitis” (in the person of Christ the head).

In the old testament, the priest Aaron, for example, was the figure of Christ, today the priest acts in his person, in St. Thomas Aquinas explains Short Theológica III, 22.4.

The Minister’s priesthood is MINISTERIAL and depends entirely on Christ and his unique priesthood, as it is the sacrament of Holy orders communicates a “sacred power” which is the power of Christ.

The priesthood of the Minister, the ministerial priesthood represents Christ in front of the faithful and serves to represent us in prayers and in the Eucharistic sacrifice, but not as our representatives.

When they, ministerial priests, pray and make offerings make it on behalf of the whole Church (head and limbs), i.e., it is Christ in worship, Christ total (head – Jesus – and we members) praying and offering for him, with him and in him in a unit that occurs of the Holy Spirit and God the Father. Is “the whole body, caput et Member who worships and offers” (paragraph 1553, Catechism).

Thus, there is Ministerial priests and ordinary priests (US), but both, says the Lumen gentium, 10 participated in the one priesthood of Christ, the only mediator between God and men.

Ministerial priests are there to take care of the flock if Christ, is at the service of the common priesthood of the faithful baptized and after, and act in the person of Christ the head. We act as members of the mystical body of Christ, with a life of faith, hope and charity and of a life according to the spirit (1547 point).

“We all, destined to be other Christs, like the Apostles, by Divine Sculptor’s work, we have within the ama the archetype in which we transform

Our brothers, men: do them, too, other Christs. I think that this task is reserved only to the priests. We all have this responsibility. Every baptized – you, my sister, my brother – has the Royal priesthood was conferred by the sacrament of baptism.

You take, at the bottom of his soul, recorded the priesthood of Christ. You have priestly soul, according to what St. Peter tells us: ´ ye are chosen race, a royal priesthood, a Holy nation, a people for God (I EP. 2.9). You have the responsibility of forming the other, sculpting in others the personality of Christ. “

(CIFUENTES, 2002, p. 29).

“We, sons of God, give us all the souls, because we care about each one of them.” (Furrow, Are Josemaría Escrivá, point 750).

That’s right, we, God’s children mind in every soul. The Apostolic mission is not only of the faithful who are called to the ministerial priesthood, but all of us children of God.

“This universality is our direct requirement divine sonship.” When we were incorporated into Christ by baptism we become children of God and we participate in Christ and his mission. In reality, this is what we do when identificarmo us with Christ, continue his mission on Earth: be mediators between God and men, and between men and God. Take the men to God and ask God for ourselves and for our fellow men. By baptism we were all participating in the priesthood of Christ. This supernatural reality, the common priesthood of the faithful, does not prevent us to be people chains, the street with the mentality of the laity who live in the midst of the world but you know with Christian soul. People therefore lay mentality and priestly soul, how I wish I could say Are Josemaría Escrivá. (CARVAJAL, 1996, p. 159-60).

  • HOW TO LIVE IN PRACTICE THIS PRIESTLY SOUL?

 

“The Ministry is not an activity the more join the normal occupations of the son of God, not something superimposed on your inner life, the constant effort to identify with Christ. Is a natural consequence:

Look for souls as Jesus, with a compassionate heart, to the extent that we identify with him. …In the same way that life, human reality, can and should be the occasion of communication with God-prayer-life of Christ in us, the apostolate ´ also is like the breath of a Christian: a son of God in can live without this spiritual pulsar. ´ (ESCRIVÁ, Christ is passing by no 122) “(CARVAJAL, 1996, p. 161).

Just as God loves everyone, we also. “For this reason, we have to respect and love all souls. We don’t have to love them for their behavior, but for what they are. And if there is around us who act badly or have a less dignified conduct of a child of God we must love them too because that life is sacred ´: Christ died to redeem! If he doesn’t the despised, how can you dare you despise her ´ (ESCRIVÁ, Friends of God, point 256) “(CARVAJAL, 1996, p. 161).

  • JUST AS CHRIST IS A DIVINE PERSON IN A HUMAN BODY AND SOUL.

 

As we know, in Jesus there is a Hypostatic Union. He is the second person of the Holy Trinity who joined hipostaticamente to humanity of Jesus.

Jesus is a divine person, and not human, and their actions reflect the actions of God.

So too we must in some sense be us.

We have a soul of priests, we are children of God by grace, our Act should also reflect the actions of God in us:

“God has sent into our hearts the spirit of his Son one crying: Abba, Father. So that you are no longer a slave, but son. ” -6 4.5 Gal.

Without duplicity, in perfect unity of life, we must act like Christ acts, because at baptism received the spirit of God.

“La doctrina de la unión tells us, pues, Hypostatic el camino de la secularidad authentic Cristiana. These realities – – secular del mundo valen y han de ser respetadas in their secular nature (such as fall respetada la naturaleza humana de Nuestro Senor); Pero AL margen de su references a Dios, según algunos secularismos y quisieran ateos, since then nothing cristianos. Así como la humanidad de Jésus exists by la persona del Verbo, our anxieties y ajetreos duration by adquieren esa relación con Dios constant: relación that we never forget, Bell foster; siendo bien conscious Ella. ” (PERO-SANZ, 1998, p. 104-5)

  • FINAL CONSIDERATIONS

 

Let’s ask God that as children of God, to grow in us the Apostolic eagerness to be fruitful as Christ. “He is the vide and we are the vine shoot; give fruits in it and glory to his father and our Father God to the extent that we are attached to It. ” (CARVAJAL, 1996, p. 160).

BIBLIOGRAPHY

 

Francisco Fernández CARVAJAL and Pedro Beteta López, Diel, 1996

CATECHISM OF THE CATHOLIC CHURCH

CODE OF CANON LAW

CIFUENTES. Rafael Llano. Strength and smoothness of the Holy Spirit-Mahmoud Sami and Graphics editors, Rio de Janeiro, 2002.

ESCRIVÁ. Josemaria.  Christ is passing by.

_______________. Friends of God: homilies, Quadrant: São Paulo, 2000.

PERO-SANZ, José Miguel. El Symbol Eh-and la Trinidad a la Encarnación – Cuadernos Palabra, Madrid, 1998.

Álvaro Del PORTILLO, the faithful and the layman in the Church, Aster, London, 1971.

 

 

 

O Fiel leigo na Igreja

Noções preliminares

A Igreja é um projeto que nasceu no coração de Deus-Pai: “O Pai eterno, por libérrimo e arcano desígnio de sua sabedoria e bondade, criou todo o universo; decidiu elevar os homens à comunhão à vida divina”, à qual chama todos os homens em seu Filho.

A Igreja foi sendo preparada desde a Antiga Aliança e ela é “a reação de Deus ao caos provocado pelo pecado.” (ponto 761, do Catecismo da Igreja Católica).

Começa com “a vocação de Abraão, a quem Deus promete que será o pai de um grande povo. A preparação imediata tem seus inícios com a eleição de Israel

Como povo de Deus. Por sua eleição, Israel deve ser o sinal do congraçamento futuro de todas as nações. Mas já os profetas acusam Israel de ter rompido a

Aliança e de ter-se comportado como uma prostituta. Anunciam uma nova e eterna Aliança. Esta Aliança Nova, Cristo a instituiu.” (ponto 762, do Catecismo).

Jesus vem e realiza esse plano de elevar os homens à comunhão da vida divina, inaugurando o Reino dos Céus já aqui na terra, iniciando a Igreja, que somos nós, o seu

Rebanho do qual Ele é o pastor. Ele dota a Igreja de uma estrutura que vai permanecer até a consumação do Reino, escolhe Doze apóstolos, Pedro como o chefe.

 

Ele também dota a Igreja de sacramentos:

“O começo e o crescimento da Igreja são significados pelo sangue e pela água que saíram do lado aberto de Jesus crucificado. Pois do lado de Cristo dormindo na Cruz

É que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja. Da mesma forma que Eva foi formada do lado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração

Transpassado de Cristo morto na Cruz.” (ponto 766, do Catecismo).

E para santificar a Igreja foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes e este para realizar sua missão “dota e dirige a Igreja mediante os diversos dons hierárquicos e carismáticos.” (Lumen Gentium 4).

A Igreja é o sacramento universal da salvação (em sentido analógico).

Isto porque o Espírito Santo difunde a graça de Cristo (Cabeça) na Igreja (Corpo) por meio dos sete sacramentos. O sacramento é o sinal visível do que é invisível e misterioso (a graça).

Aliás, sacramento vem de “sacramentum” que é o mesmo que “misterion” (grego) ou “mysterium” (latim).

“Como sacramento, a Igreja é instrumento de Cristo. ´Nas mãos dele, ela é o instrumento da Redenção de todos os homens, o sacramento universal da salvação, pelo qual Cristo, ´manifesta

E atualiza o amor de Deus pelos homens´. Ela  ´é o projeto visível do amor de Deus pela humanidade´, que quer que o  ´gênero humano inteiro constitua o único povo de Deus, se congregue

No único Corpo de Cristo, seja construído no único templo do Espírito Santo.” (AG 7, LG 17) ponto 776, do Catecismo.

“A pessoa torna-se membro do Povo de Deus não pelo nascimento físico, mas pelo  ´nascimento do alto´, ´da água e do Espírito´(Jo 3,3-5), isto é pela fé em Cristo e pelo Batismo. Este povo tem por Chefe (Cabeça) Jesus Cristo (Ungido, Messias); pelo fato de a mesma Unção, o Espírito Santo, fluir da Cabeça para o Corpo, ele é o ´Povo messiânico´. A condição deste povo é a dignidade da liberdade dos filhos de Deus; nos corações deles, como em um templo, reside o Espírito Santo. Sua lei é o mandamento novo de amar como Cristo mesmo nos amou. É a lei ´nova do Espírito Santo. Sua missão é ser o sal da terra e a luz do mundo, ´Ele constitui para todo o gênero humano o mais forte germe de unidade, esperança e salvação. Finalmente, sua meta é ´o Reino de Deus, iniciado na terra por Deus mesmo, Reino a ser estendido mais e mais, até que, no fim dos tempos, seja consumado por Deus mesmo.

Jesus Cristo é aquele que o Pai ungiu com o Espírito Santo e que constituiu ´Sacerdote, Profeta e Rei´. O Povo de Deus inteiro participa dessas três funções de Cristo e assume as responsabilidades de missão e de serviço que daí decorrem. Ao entrar no Povo de Deus pela fé e pelo Batismo, recebe-se participação na vocação única deste povo, em sua vocação sacerdotal: ´Cristo Senhor, Pontífice tomado dentre os homens, fez do novo povo ´um reino de sacerdotes para Deus Pai.´, pois os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma morada espiritual e sacerdócio santo.” (pontos 782 a 784, do Catecismo).

 

  • Unidade da Igreja –

Em relação ao Povo de Deus “não há judeu, nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem nem mulher, todos vós sois um em Cristo Jesus (Gál. 3,28; Col 3,11).

“É portanto, uno o povo eleito de Deus: um só Senhor, uma só fé, um só Batismo.” (Efésios 4,5).

São  comuns a todo o povo eleito de Deus:

  • A dignidade pela regeneração em Cristo;
  • A graça de filhos;
  • A vocação à perfeição;
  • Uma só salvação;
  • Uma só esperança
  • Caridade indivisível.

“Que o fiel esteja imerso no mundo, que se dedique o recessus a saeculo dando um testemunho escatológico público não implica nenhuma especialidade nem nenhuma diferença na ordem fundamental da Igreja. A communis filiorum gratia é para todos ele, para todos a communis ad perfectionem vocatio, uma salus, uma spes indivisaque caritas. (p. 125)

“Eis um dado importante, que nos indica que a distinção entre as diversas categorias de fieis não pode fazer-se pela sua relação com o conteúdo da doutrina de Cristo, por seguirem de modo mais ou menos radical as exigências da vida cristã. Concretamente, o citado texto do Concílio – inserto no capítulo da Constituição Lumen Gentium que trata dos leigos mostra-nos que estes, que os fieis leigos, não se especificam pelas suas menores disposições na ordem da vocação à santidade, nem pela sua situação de membros passivos em ordem ao apostolado. Não se distinguem pelo nomen gratiae, mas pela sua missão específica dentro da Igreja, e consequentemente pela modalidade da sua situação jurídica”  (p. 126)

  • Fiel, Leigo é o mesmo?

 

Fiel é gênero, do qual clérigo e leigo são espécies.

 

Fieis são aqueles que, por terem sido incorporados em Cristo pelo batismo, foram constituídos em povo de Deus e por este motivo se tornaram a seu modo participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo e, segundo a própria condição, são chamados a exercer a missão que Deus confiou à Igreja para esta realizar no mundo. (Cân. 204 parágrafo 1º. do Código de Direito Canônico).

 

Por instituição de Jesus Cristo, os fieis podem ser clérigos, ou leigos. E de ambos podem haver fieis que seguem os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência que se consagram a Deus de modo peculiar, embora não sejam uma estrutura separada dentro da hierarquia da Igreja. São os religiosos. Há portanto, clérigos religiosos e leigos religiosos. (vide Cân. 207 do Código de Direito Canônico).

 

Assim, há fiel leigo e há fiel clérigo.

 

Aqui neste estudo, vamos focar no fiel leigo que não é religioso.

 

“…ao lado da igualdade na ordem básica  do Povo de Deus, há uma diversidade funcional, também juridicamente  relevante. Pois bem, o fundamento dessa diversidade, d não outro, será o do caráter que distinga os fieis em clérigos, leigos e religiosos. A Sagrada Escritura, ao falar, pela boca de São Paulo, da diversidade da Igreja, coloca este fundamento na multiplicidade das funções – da mesma maneira que os diferentes membros de um corpo têm diversa missão – ou seja, na variedade de ministérios, tudo na unidade de um só corpo, e portanto na unidade da missão da igreja.” (p. 126)

  • Unidade da Igreja – Multiplicidade de funções ou multiplicidade de ministérios

 

“Na Igreja há diversidade de ministérios, mas unidade de missão. Cristo confiou aos Apóstolos e aos seus Sucessores a missão de ensinar,santificar, apascentar em seu nome e com seu poder. Mas os leigos, tornados participantes da missão sacerdotal, profética e real de Cristo, desempenham funções próprias na missão do Povo de Deus, na Igreja e no mundo.” (Decreto Apostolicam actuositatem número 2).

  • Papel do leigo: sacerdócio comum

 

Os leigos, uma vez que, como todos os fieis, são deputados para o apostolado em virtude do batismo e da confirmação, têm a obrigação geral e gozam do direito de, quer individualmente, quer reunidos em associações, trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e em todas

As partes da terra; esta obrigação torna-se mais urgente nas circunstâncias em que só por meio deles os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Têm ainda o dever peculiar de, cada qual segundo a própria condição, imbuir e aperfeiçoar com espírito evangélico a ordem temporal, e de dar testemunho de Cristo especialmente na sua atuação e no desempenho das suas funções seculares. Os que vivem no estado conjugal, segundo a própria vocação, têm o dever peculiar de trabalhar na edificação do povo de Deus por meio do matrimônio e da família. Os pais, já que deram ao vida aos filhos, têm a obrigação gravíssima e o direito de os educar, por consequência, aos pais cristãos compete primariamente cuidar da educação cristã dos filhos, segundo a doutrina da Igreja. (Cân. 225, parágrafos 1º. E 2º, e Cân. 226, parágrafos 1º. E 2º).

“…o leigo tem uma função específica e peculiar e própria, que não corresponde a todos os fieis e que, portanto, lhe pertence a ele em virtude da sua condição laical. Por outras palavras, que a sua missão tem um caráter próprio e peculiar como resultado da sua posição no contexto das relações sociais. Caráter próprio e peculiar que o faz diferente de clérigos e religiosos.” (PORTILLO, 1971, p. 127)

“O Concílio faz notar com toda a clareza que tem necessidade dos leigos, que os leigos fazem parte integrante e ativa da Igreja;  ….As palavras que Pio XII pronunciara encontram agora a sua plena confirmação e inteira realização: ´eles (os leigos) devem ter um convencimento cada vez mais claro, não só de que pertencem à Igreja, mas também de que são a Igreja.” (PORTILLO, 1971, p. 127)

  • Alguns exemplos de fermentos renovadores que contribuíram para aprofundar o conhecimento da natureza e estrutura da Igreja.

 

“…a aprovação das associações – e a doutrina de autores espirituais – que puserem em destaque a existência de uma vocação universal à santidade, mostrando assim que o leigo não é um cristão de segunda classe, antes ensinando que também ele deve realizar o radicalismo das exigências da mensagem de Cristo. Como escrevia uma das personalidades mais destacadas neste campo: ´Viemos dizer, com humildade de quem se sabe pecador e pouca coisa  – homo pecator sum, dizemos com Pedro – mas com a fé de quem se deixa guiar pela mão de Deus, que a santidade não é para privilegiados: que a todos chama o Senhor, que de todos espera Amor: de todos, estejam onde estiverem, de todos, qualquer que seja o seu estado, a sua profissão ou o seu ofício. “ (citação à uma Carta de São Josemaria Escrivá de Balaguer, Madrid, 24- iii-1930). (PORTILLO, 1971, p. 128)

“…Temos também as diversas obras nascidas por impulso dos últimos pontífices, em especial de Pio XI que ‘ lançou os leigos na ação social e na Ação Católica, a fim de colaborarem com a hierarquia da instituição divina, para estabelecimento do reino de Cristo na vida civil.´Trabalho que, por ricochete, levou a meditar sobre o tema das relações entre a Hierarquia e o laicado, e sobre as questões relacionadas com a autonomia temporal dos cristãos.” (PORTILLO, 1971, p. 128).

  • Quais os documentos que tratam especificamente sobre o leigo na Igreja?

 

São: Constituição Lumen Gentium e o Decreto Apostolicam Actuositatem, além do Código de Direito Canônico e do Catecismo da Igreja Católica.

  • Leigos: desafio de encontrar o ponto de convergência entre a Unidade de Vida Interior e Exterior

 

“…os leigos têm de saber encontrar no cumprimento contínuo da Vontade de Deus – descoberta nas circunstâncias próprias da vida secular  o ponto de convergência de todas as suas ações, de modo que cheguem a alcançar plenamente a unidade de vida sem a qual o cristão seria um homem interiormente dividido.” (PORTILLO, 1971, p. 163).

  • A função apostólica do leigo está na sua inserção no terreno temporal.

 

Diz o Concílio Vaticano II – “Esta vida de íntima união com Cristo na Igreja alimenta-se de auxílios espirituais, comuns a todos os fieis, sobretudo pela participação ativa na Sagrada Liturgia e eles devem empregá-los de tal forma que, enquanto cumprem com retidão as obrigações do mundo nas condições ordinárias da vida, não separem da sua vida a união com Cristo, mas cresçam nela, cumprindo o seu dever segundo a vontade de Deus. É por este caminho que os leitos devem avançar na santidade com decisão e alegria, esforçando-se por vencer as dificuldades com prudência e paciência. Nem as preocupações familiares, nem outras ocupações temporais, devem estar fora do plano sobrenatural da vida, conforme as palavras do Apóstolo: Tudo o que fizerdes por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças a Deus Pai por Ele (Col. 3,17). Uma vida assim exige um constante exercício de fé, da esperança e da caridade.”

  • Diferença de ministérios – unidade de missão

 

“A Const. Lumen Gentium descreve com nitidez a distinção de ministérios….´Os Pastores sabem que não foram instituídos por Cristo para assumirem sozinhos toda a missão da Igreja para salvar o mundo, mas que o seu excelso múnus é apascentar os fieis e reconhecer-lhes os serviços  e carismas, de tal maneira que todos, a seu modo, cooperem unanimemente na tarefa comum´. Como se pode ver, os Sagrados Pastores no exercício da sua função hierárquica têm o dever de reconhecer a missão que, na Igreja, cabe aos leigos.”  (PORTILLO, 1971, p. 167)

  • Direito dos fieis leigos

 

“1º. – A liberdade de realizar a sua própria ação apostólica e cooperar assim na missão total da Igreja;

2º. – O direito de que o apostolado próprio e legítimo seja respeitado e não impedido…

3º. – A liberdade de manter as características próprias do apostolado laical…

4º. – O direito a associar-se que corresponde a todos os fieis ….” (PORTILLO, 1971, p. 167-8)

  • Facetas do apostolado dos leigos

 

Segundo o Concílio Vaticano II são elas:

  • Testemunho de vida
  • Fazer-se presente e operante nos lugares e condições em que o Povo de Deus não poderia ser sal da terra senão pelos leigos
  • Ajudar a Hierarquia, como aqueles que ajudam Paulo na difusão do Evangelho
  • Santificar a família e o matrimônio
  • Aspectos do Apostolado dos leigos:

 

Álvaro Del Portillo enumera, em síntese, o seguinte:

“1º. Ser fermento cristão nas realidades temporais”

Significa ordenar as realidades temporais para que sejam realizadas segundo Cristo.

“2º. – A santificação do trabalho profissional, como opus perfectum, feito intencionalmente para cooperar na obra da Criação e como contribuição pessoal para a realização do plano providencial de Deus na história. Este fim, precisamente, foi considerado como gonzo ou eixo da espiritualidade específica do Opus Dei, uma das associações que mais têm contribuído para o processo de desenvolvimento da espiritualidade laical e do apostolado dos leigos. ´Não se trata – escrevia o seu Fundador em 1940 – de temporalizar a missão sobrenatural de Cristo e da sua Igreja: trata-se exatamente do contrário, de sobrenaturalizar a ação temporal do homem. Porque estamos plenamente convencidos de que todo o trabalho humano legítimo, por mais humilde, pequeno e insignificante que pareça, pode ter sempre um sentido transcendente.”

“3º.  A inspiração cristã das estruturas políticas, sociais, econômicas, jurídicas etc por outras palavras, pertence-lhes o apostolado do meio social que os outros membros da Igreja dificilmente podem realizar de maneira direta, promover a paz e a solidaridade dos povos etc.” (PORTILLO, 1971, p. 171-2).

  • ALMA SACERDOTAL DO LEIGO

Na Antiga Aliança, o sacerdote era constituído para intervir em favor dos homens em suas relações com Deus para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados, conforme explica São Paulo na Carta aos Hebreus 5,1.

O sacerdócio de Aarão (irmão de Moisés) que guiava e santificada o povo, os serviço litúrgicos que eram feitso pelos da Tribo de Levi e os setenta anciãos, aos quais foram comunicados o Espírito dado a Moisés auxiliando este no governo do povo santo descendente de Abraão  (Nm 11, 24-25)  prefiguraram o ministério ordenado da nova aliança. Essa prefigurações do sacerdócio da Antiga Aliança encontram cumprimento em Cristo Jesus único mediador entre Deus e os homens e sacerdote eterno na ordem de Melquisedec (Gn 14,18, Hb 5,10, 6,20). Foi Jesus quem por seu único sacrifício da Cruz levou à perfeição e para sempre o que ele santifica (Hb 10,14).

O sacrifício na Cruz está presente no sacrifício eucarístico da Igreja.

Santo Tomás de Aquino diz que “Por isso Cristo é o verdadeiro sacerdote; os outros são seus ministros”.

Segundo nos explica o Catecismo, ponto 1554, a palavra “sacerdos” designa bispos e sacerdotes.

Tanto o episcopado (dos bispos) e o presbiterado (sacerdotes) são graus de participação ministerial no sacerdócio de Cristo.

O diaconado (dos diáconos) também é uma participação ministerial no sacerdócio de Cristo, destinado a ajudar e servir os bispos e os sacerdotes.

Os três (episcopado, presbiterado e diaconado) são conferidos por um ato sacramental chamado ordenação ou Sacramento da Ordem, que foi o modo que Deus pensou para que a economia da salvação opere para todos até hoje.

Mas, não somente os bispos, os sacerdotes, os diáconos são sacerdotes. A ideia de Jesus foi mais ampla,  fazer da Igreja um “reino de sacerdotes para Deus, seu Pai” (Ap 1,6).

A comunidade inteira dos fieis é sacerdotal, explica-nosso o Catecismo ponto 1546 : “É pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação que os fieis são ´consagrados para ser um sacerdócio santo.” (Lumen Gentium 10).

A diferença é que o ministro ordenado (ou seja, o bispo, o sacerdote, o diácono que recebem o Sacramento da Ordem respectivo) por causa do Sacramento da Ordem agem “in persona Christi Capitis” (na pessoa de Cristo Cabeça).

No Antigo Testamento, o sacerdote Aarão por exemplo, era a figura de Cristo, hoje o sacerdote age em sua pessoa, nos explica Santo Tomás de Aquino Suma Theológica III, 22,4.

O sacerdócio do ministro é MINISTERIAL e depende inteiramente de Cristo e do seu sacerdócio único, pois é o Sacramento da Ordem que comunica um “poder sagrado” que é o poder de Cristo.

O sacerdócio do ministro, sacerdócio ministerial representa Cristo diante dos fieis e serve para nos representar nas orações e no sacrifício eucarístico, mas não como representantes nossos.

Quando eles, sacerdotes ministeriais, oram e fazem a oferenda o fazem em nome de toda a Igreja (Cabeça e membros), ou seja, é Cristo no culto, Cristo total (Cabeça – Jesus – e nós membros) orando e oferecendo por Ele, com Ele e Nele numa unidade que ocorre do Espírito Santo e é feita a Deus Pai. É  “todo o corpo, caput et membra que ora e se oferece” (ponto 1553, Catecismo).

Assim, há sacerdotes ministeriais e os sacerdotes comuns (nós), mas ambos , diz a Lumen gentium 10, participamos do único sacerdócio que é o de Cristo, único mediador entre Deus e os homens.

Os sacerdotes ministeriais estão aí para cuidar do rebanho se Cristo, está a serviço do sacerdócio comum dos fieis batizados e crismados, e agem na pessoa de Cristo Cabeça. Nós agimos como membros do Corpo Místico de Cristo, com uma vida de fé, de esperança e de caridade e de uma vida segundo o Espírito (ponto 1547).

“Todos nos, destinados a sermos outros cristos, como os apóstolos, por obra do Escultor Divino, temos dentro da ama o arquétipo no qual devemos transformar

Os nossos irmãos, os homens: fazer deles, também, outros cristos. Não pensemos que essa tarefa está reservada apenas aos sacerdotes. Nós todos temos também essa responsabilidade. Cada batizado – você, minha irmã, meu irmão – tem o sacerdócio real que nos foi conferido pelo Sacramento do Batismo.

Você leva, no fundo da sua alma, gravado o sacerdócio de Cristo. Você tem alma sacerdotal, de acordo com o que nos diz São Pedro: ´Vós sois raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus (I Pe. 2,9). Você tem a responsabilidade de formar os outros, de esculpir nos outros a personalidade de Cristo.”

(CIFUENTES, 2002,  p. 29).

“A nós , filhos de Deus, importam-nos todas as almas, porque nos importa cada uma delas.” (Sulco, São Josemaria Escrivá, ponto 750).

Isso mesmo, a nós, filhos de Deus importam-nos todas as almas. A missão apostólica não é somente dos fieis que são chamados ao sacerdócio ministerial, mas de todos nós filhos de Deus.

“Esta universalidade é exigência direta da nossa filiação divina.” Quando fomos incorporados a Cristo pelo batismo e nos tornamos filhos de Deus, passamos a participar de Cristo e da sua missão. Na realidade, é isto o que fazemos ao identificarmo-nos com Cristo, continuar a sua missão na terra: sermos mediadores entre Deus e os homens e entre os homens e Deus. Levar aos homens a Deus e pedir a Deus por nós próprios e pelos nossos irmãos os homens. Pelo Batismo todos participamos do sacerdócio de Cristo. Esta realidade sobrenatural, o sacerdócio comum dos fieis, não impede que sejamos pessoas correntes, da rua, com a mentalidade própria dos leigos que vivem no meio do mundo mas que se sabem com alma cristã. Pessoas, pois, com mentalidade laical e alma sacerdotal, como gostava de dizer  São Josemaria Escrivá. (CARVAJAL, 1996, p. 159-60).

  • COMO VIVER NA PRÁTICA ESSA ALMA SACERDOTAL?

 

“O apostolado não é uma atividade a mais a juntar-se às ocupações normais do filho de Deus, nem algo sobreposto à sua vida interior, ao esforço constante por se idenficar com Cristo. É uma consequência natural:

Olhamos para as almas como Cristo, com um coração compassivo, na medida em que nos identificamos com Ele. …Do mesmo modo que a vida, a realidade humana, pode e deve ser ocasião de comunicação com Deus – oração – vida de Cristo em nós, também ´o apostolado é como a respiração do cristão: um filho de Deus no pode viver sem esse pulsar espiritual.´(ESCRIVÁ, Cristo que passa n. 122)” (CARVAJAL, 1996, p.161).

Assim como Deus ama todos, nós também. “Por essa razão, temos de respeitar e amar todas as almas. Não temos de amá-las só pelo seu comportamento, mas por aquilo que são. E se à nossa volta houver quem se porte mal ou tenha uma conduta menos digna de um filho de Deus temos de os amar também porque essa vida  ´é sagrada: Cristo morreu para redimir! Se Ele não a desprezou, como podes tu atrever-te a desprezá-la´(ESCRIVÁ, Amigos de Deus, ponto 256)” (CARVAJAL, 1996, p. 161).

  • ASSIM COMO CRISTO É UMA PESSOA DIVINA EM UM CORPO E ALMA HUMANOS …

 

Como sabemos, em Jesus há uma união hipostática. Ele é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade que se uniu hipostaticamente à humanidade de Jesus.

Jesus é uma pessoa divina, e não humana, e suas ações refletem as ações de Deus.

Assim também devemos em certo sentido sermos nós.

Temos uma alma de sacerdotes, somos filhos de Deus pela graça, o nosso agir deve também refletir as ações de Deus em nós:

“Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho que clama: Abba, Pai. De modo que já não és escravo, mas filho.” Gal 4,5-6.

Sem duplicidade, em perfeita unidade de vida, devemos agir como Cristo age, porque pelo batismo recebemos o Espírito de Deus.

“La doctrina de la unión hipostática nos indica, pues, el camino de la auténtica secularidad Cristiana. Las realidades – seculares – del mundo valen y han de ser respetadas em sua naturaleza secular (como queda respetada la naturaleza humana de Nuestro Senor); Pero no AL margen de su referencia a Dios, según quisieran algunos secularismos ateos y, desde luego, nada cristianos. Así como la humanidad de Jésus existe por la persona del Verbo, nuestras inquietudes y ajetreos adquieren sua vigência por esa relación constante con Dios: relación que nunca debemos olvidar, sino fomentar; siendo bien conscientes de Ella.” (PERO-SANZ, 1998, p. 104-5)

  • CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Vamos pedir a Deus que, como filhos (as) de Deus, cresça em nós o afã apostólico até sermos fecundos como  Cristo. “Ele é a vide e nós somos os sarmentos; daremos frutos nEle e glória a seu Pai e a nosso Pai Deus na medida em que estivermos unidos a Ele.” (CARVAJAL, 1996, p. 160).

BIBLIOGRAFIA

 

CARVAJAL Francisco Fernández e Pedro Beteta Lópes, Diel, 1996

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO

CIFUENTES. Rafael Llano. A força e a suavidade do Espírito Santo –Marques Saraiva Gráficos e Editores, Rio de Janeiro, 2002.

ESCRIVÁ. Josemaria .  É Cristo que passa.

_______________. Amigos de Deus: homilias, Quadrante: São Paulo, 2000.

PERO-SANZ, José Miguel. El Símbolo Atanasiano – e la Trinidad a la Encarnación – Cuadernos Palabra, Madrid,  1998.

PORTILLO, Álvaro Del. Os fieis e o leigo na Igreja, Aster, Lisboa, 1971.

A importância da fé para nós e para os nossos familiares

 A fé é o maior presente que alguém pode desejar para o outro.

Vejamos o que Jesus na Última Ceia pediu ao Pai para os seus discípulos ali presentes e também por todos os que têm fé e acreditam nas Revelações Divinas, sobretudo feitas por Jesus,  em suas palavras:  “por aqueles que por Tua Palavra hão de crer em Mim” (Evangelho de São João):

 

1º. Pedido – “para que todos sejam um”

2º. Pedido – “para que também eles estejam em nós”

 

O primeiro pedido de Jesus se refere a uma comunhão entre todos os crentes, todos os que têm fé. Essa comunhão é uma comunhão de amor entre nós, e esta conclusão decorre do que Ele mesmo diz: “para que todos sejam um – não de qualquer modo mas – assim como Tu Pai estás em Mim e Eu em Ti”.

Essa comunhão de amor entre todos os que têm fé faz todo o sentido, pois em seguida Ele nos explica o motivo da comunhão de amor entre os crentes, que é para nos tornar compatíveis com o Seu segundo pedido: “para que também eles estejam em nós”. Ou seja, a nossa comunhão de amor é para nos possibilitar à uma Comunhão maior, uma Comunhão com a própria Santíssima Trindade , que é uma Comunhão de Amor entre Pai, Filho e Espírito Santo.

Para estarmos em união com a Santíssima Trindade a alma precisa estar em graça.

Diz o ponto 735 do Catecismo da Igreja Católica que “Essa união passa a ser nossa garantia da nossa herança.”

É por isso que São Paulo diz que a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova  das coisas que não vemos (Hebreus 11:1).

Quem crê, Jesus pede que haja a união com a Santíssima Trindade, justamente o que esperamos, é isso que ocorrerá no céu. A fé de certa forma nos antecipa o Céu, já nos capacita a sermos filhos de Deus pelo Filho Unigênito de Deus.

Com muita propriedade São Basílio diz: “Por comunhão com Ele, o Espírito Santo torna espiritual, recoloca no Paraíso, reconduz ao Reino dos Céus e à adoção filial, dá a confiança de ser chamado filo de Deus e de ter parte na glória eterna.”

 

Quando falamos em “transmitir a fé”, ou melhor, “transmitir as verdades da fé” é importante termos tudo isto em mente.

 

Se desejamos a fé para a nossa família, saibamos que o fim desta fé é justamente a comunhão de amor entre os crentes que vai torná-los aptos à Comunhão de Amor com a Santíssima Trindade.

 

Por aí, podemos concluir que a fé é um degrau para chegarmos ao Amor, mas não a um amor abstrato, como uma ideia, mas para atingir-se o Amor, para viver de, com e para o Amor de Deus.

 

Conseguimos entender porque o catecismo considera a Fé como um ato de adesão livre.

Assim como não é possível existir amor verdadeiro sem que se queira livremente, a fé, que é o seu primeiro degrau também deve ser cultivada dentro de um ambiente de liberdade.

Não devemos tentar convencer as pessoas sobre Deus com ideias, conhecimentos.

A fé católica não é a religião de um livro, de gnose, de conhecimento. Isso era próprio dos hereges dos primeiros séculos do Cristianismo os gnósticos.

“Diz Bento XVI que mais grave que não crer é pensar que Deus é supérfluo. É olhar com indiferença para as realidades do espírito de Deus, como coisas que se situam na ordem do mero conhecimento, que se observam e se guardam na memória – algumas – como o turista pagão dos verões europeus passeia o olhar distraído pela Capela Sistina ou pela Pietá, e de vez em quando registra no seu celular algum quadro ou imagem, movido unicamente pela beleza do que vê.” (ALMEIDA, Francisco José de. A Alegria de Crer, Quadrante, São Paulo, 2012, p. 44-5).

 

 

A nossa fé é uma luz sobrenatural, infundida por Deus, para chegarmos ao Amor Verdadeiro de Deus.

Se a nossa fé for teorizada, sem aplicação concreta e prática, não conseguiremos transmitir nenhuma Verdade de Jesus, pois a nossa conduta não estará em Unidade de Vida, mas será uma conduta esquizofrênica, que muda conforme o ambiente. Na Igreja uma conduta, em casa outra. Isso não toca o coração de ninguém.

 

Deus, diz o ponto 733 do Catecismo, aludindo às palavras de São Paulo aos Romanos (5,5), derramou nos nossos corações o Amor, pelo Espírito que nos foi dado.

A fé não é um crer só nas Revelações Divinas. A fé é um caminhar com Jesus, que nos dá o Espírito, de Amor, de Caridade.

Conviver com Jesus pela oração e pelos  Sete Sacramentos (pelos quais as graças criadas e a Graça Incriada que é o Espírito Santo é derramado em nossos corações).

Quando convivemos com Jesus, Ele nos dá o Espírito Santo, e é Este Espírito que nos torna capazes de verdadeiros Atos de Caridade, de Amor a Deus, não por interesses próprios, mas por Amor Dele, por Ele ser Quem Ele é.

 

Se queremos transmitir fé, é o Amor que está em jogo. E Quem entende de Amor senão Deus? Por isso, necessária a união entre todos os crentes (pela Comunhão dos Santos, Corpo Místico de Cristo, pela Igreja) e união com Deus (pelos Sacramentos).

O nosso objetivo é que os demais à nossa volta tenham não uma fé qualquer, mas uma fé que seja um início de caminhada para chegarem à união com o  Amor, com Deus, um céu já nesta vida.

Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos morada.”

A fé deve levar-nos a obras de Caridade, a obras de Amor.

Quem ama Jesus, guarda a Sua Palavra. Eis uma das Suas Palavras: Amar a Deus sobre todas as coisas, com todas as tuas forças e ao próximo como Eu Vos amei.

 

Guardar a palavra de Jesus, Amar a Deus em primeiro lugar e por Ele amar ao próximo com o Amor de Deus.

Não somos capazes desse amor sozinhos. Não entendemos de amor. “A Caridade é o princípio da vida nova em Cristo, possibilitada pelo fato de termos recebido uma força do Espírito Santo” elucida-nos São Paulo (Ato dos Apóstolos 1,8).

Quem entende de Amor é Deus, que, como diz São João,  Deus é Amor.(1 Jo 4).

Devemos estar sempre preparados para racionalmente dar aos demais o motivo da nossa fé.

Para isso precisamos ter ideias claras sobre temas em que as pessoas mais têm dúvida do motivo pelo qual  não podemos abrir mão: a indissolubilidade do matrimônio cristão, o respeito à vida deste o útero materno, a beleza da união entre os cônjuges e a sua finalidade unitiva entre o casal e a abertura aos filhos como um projeto de Deus….

Claro que encontraremos resistência e não é difícil de entender o porquê.

Como o Catecismo bem nos recorda , o pecado original fez com que a nossa razão perdesse a sua iluminação, a sua fé sobrenatural  que advinha da própria presença de Deus no Jardim do Éden.

Como Deus agora fica escondido aos nossos olhos, embora seja evidente Sua Presença na Criação inteira, a nossa razão precisa de uma iluminação que vem da Fé.

“Se não crerdes, não entendereis”

É a vontade que deve dizer à razão: “Creia”, porque se quisermos inverter os papéis, ou seja, primeiro entender pela inteligência, por exemplo, que Deus é Uno e Trino ao mesmo tempo, não chegaremos nunca à fé.

A fé não é algo cego, não é isso. Mas, como nossa razão está debilitada pelo pecado original, para entendermos o que é sobrenatural (o que é de Deus) precisamos de uma luz sobrenatural sobre a razão (que é a fé). A razão como está com a sua luz natural é incapaz de compreender.

“Conta-se do Cura D´Ars que um dia se aproximou dele, do meio da multidão, um homem de porte distinto, um intelectual cheio de títulos e prestígio, e começou a expor-lhes as razões pelas quais não cria em Deus. Depois de ouvi-lo sem abrir a boca, São João Batista Vianney disse-lhe simplesmente:

-Ponha-se de joelhos e confesse-se

-Mas acabo de dizer-lhe que não creio!

-Ajoelhe-se e confesse-se, repetiu-lhe o Santo. E acrescentou:

-Confesse-se e acreditará!

O homem venceu a autossuficiência, ajoelhou-se, confessou-se e recebeu o dom da fé, até então obstruído pela muralha da sua vida de pecado.”  (ALMEIDA, Francisco José de. A Alegria de Crer, Quadrante, São Paulo, 2012, p. 24-5).

 

Primeiro vem a fé pela vontade – Quero crer – depois investigo as razões daquilo que já aderi, àquelas Verdades reveladas por uma Pessoa que não mente, e que não se engana: Deus.

A fé é a luz sobrenatural da razão. A fé é o que purifica a razão, que hoje, pela ausência da visão de Deus, insiste em auto-afirmar-se contra os imperativos da Razão, do Logos, de Deus.

Para darmos um testemunho de fé, ela deve ser acompanhada de obras, deve ser uma fé operativa.

“ Ora a fé mexe com a vida, altera os seus rumos e conduz a patamares novos de ação e luta. A fé só existe de verdade onde existem obras de fé. Nunca é demais refletir sobre o que diz o apóstolo Tiago em sua Epístola:

Irmãos, de que aproveitará a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, está morta em sai mesma. (…)” (ALMEIDA, Francisco José de. A Alegria de Crer, Quadrante, São Paulo, 2012, p. 45).

 

“O Papa Francisco na audiência geral desta quarta-feira (10.09.2014)  continuou com o tema da Igreja como mãe desenvolvendo um aspeto particular da ação educativa da Igreja, ou seja, como ela nos ensina as obras de misericórdia.

Segundo o Evangelho, “o essencial é a misericórdia” – afirmou o Santo Padre que recordou o ensinamento de Jesus para com os discípulos: “Sede misericordioso como o vosso Pai é misericordioso”.

Fiel a este ensinamento a Igreja repete a mesma coisa aos seus filhos: ‘Sede misericordiosos’ como é o Pai e como foi Jesus.”

Desta forma – continuou o Santo Padre – a Igreja comporta-se como Jesus, pois não faz lições teóricas, sobre o amor ou sobre a misericórdia mas ensina com o exemplo.

A Igreja ensina a dar de comer e a dar de beber a quem tem fome e sede e a vestir quem está nú”. 

O Papa Francisco referiu o exemplo de tantos santos e santas e, sobretudo, o importante exemplo das famílias que partilham os alimentos que têm com aqueles que têm fome.

A Mãe Igreja ensina-nos a estarmos próximos de quem está doente... ”

O Santo Padre recordou todos aqueles que assistem os doentes com espírito de serviço e amor ao próximo.

A Mãe Igreja ensina-nos a estarmos próximos de quem está na prisão... ”

A propósito daqueles que estão na prisão o Papa Francisco referiu que a misericórdia supera todos os muros e pode ajudar a mudar o coração e a vida.

A Mãe Igreja ensina a estar junto de quem foi abandonado e morre sozinho... ”

Recordando a Beata Teresa de Calcutá o Santo Padre recordou o modo como ela acolhia os moribundos dando-lhes um último carinho no momento da morte.

No final da sua catequese o Papa Francisco afirmou que “para mudar o mundo é preciso fazer o bem a quem não nos pode retribuir, tal como fez o Pai connosco dando-nos Jesus.”

(fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2014/09/10/o_essencial_do_evangelho_%C3%A9_a_miseric%C3%B3rdia_%E2%80%93_o_papa_francisco_na/por-824432, acesso em 10.09.2014.)

 

Precisamos descobrir uma forma, sem ferir a liberdade dos nossos familiares para transmitir-lhes a Revelação Divina, talvez até começando vivendo a beleza e os valores dentro da nossa família.

Aliás, esta vem a ser a proposta da Igreja neste Sínodo  sobre a família que acontece em outubro de 2014 e 2015, propondo uma a evangelização a partir da família, que é o núcleo da sociedade e a transmissão do que Jesus revela ser a missão e a vocação da família.

 

Façamos, pois, como Bento XVI, em sua Homilia proferida em 31.12.2006, pedindo a nós mesmos e a toda a nossa família:

 

 

“Peçamos à Mãe de Deus que nos obtenha o dom de um fé madura: uma fé que quereríamos que se assemelhasse à sua: uma fé nítida, genuína, humilde e ao mesmo tempo valente, impregnada de esperança e entusiasmo pelo Reino de Deus; uma fé que não admita o fatalismo e esteja aberta a cooperar com a vontade de Deus por uma obediência plena e gozosa, na certeza absoluta de que a única coisa que Deus quer sempre para todos é amor e vida. Maria alcançai-nos uma fé autêntica e pura, repleta de obras de fé. Nós Vos damos graças e Vos bendizemos, santa mãe de Deus. Amém.”

 

 

 

 

 

 

 

Doenças espirituais: apetites humanos desordenados

Deus, ao nos criar, deu-nos não só a inteligência, como também duas potências que estão no âmbito da VONTADE, que são apetites.
O primeiro é o apetite concuspiscível (prazer e possuir) e o segundo é o apetite irascível (conhecimento com poder).
Apetite concupiscível
Deus foi quem criou em nós gostos, desejos e prazeres , porém Deus ao criá-los os fez porque, sem eles ninguém comeria, ninguém faria sexo, ninguém se importaria pelo seu bem-estar e saúde, ou seja comprometer-se-ia a própria existência da humanidade.
“O apetite sensível nos faz desejar as coisas agradáveis que não temos. Por exemplo, desejar comer quando temos fome, ou aquecer-nos quando estamos com frio. Esses desejos são bons em si mesmos, mas muitas vezes não respeitam a medida da razão e nos levam a cobiçar injustamente…” (ponto 2535, Catecismo).
“São João (1 Jo 2,16 Vulgata) distingue três espécies de cobiça ou concupiscência: concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Conforme a tradição catequética católica o nono mandamento proíbe a concupiscência carnal; o décimo proíbe a concupiscência dos bens alheios. (Ponto 2514, Catecismo)
No sentido etimológico, a ´concupiscência´ pode designar qualquer forma veemente de desejo humano. A teologia cristã lhe deu o sentido particular de moção do apetite sensível que se opõe aos ditames da razão humana. O Apóstolo Paulo a identifica com a revolta que a ´carne ´provoca contra o ´espírito´. Provém da desobediência do primeiro pecado. Transtorna as faculdades morais do homem e, sem ser pecado em si mesma, inclina-o a cometê-lo.” (Ponto 2515, Catecismo)
O problema, então, é que depois do pecado original HOUVE UM DESVIO DO FIM ORIGINALMENTE PREVISTOS POR DEUS EM RELAÇÃO ÀQUELES APETITES CRIADOS POR DEUS, ou seja passamos do apetite concupiscível lícito à concupiscência que é pecado (concupiscência pecaminosa) e do apetite irascível à soberba.

Vejamos como a finalidade dos apetites concupiscíveis visam sempre a fins ordenados
Comer para me alimentar e não morrer…
Fazer sexo para ter filhos…
Servir-me de um bem material para necessidades e para servir ao próximo…
Receber os dons de Deus para servir a Deus e ao próximo, procurando sempre a Verdade ….

Quando me desvio desse fim ordenado e moderado, previsto por Deus, entra o pecado pessoal:

FIM DESORDENADO – PECADO PESSOAL

Naqueles exemplos acima mencionados, o apetite ficaria assim:
 Eu como, mas não só para me alimentar… mas por gula…
 Servo-me de um bem material não para minhas necessidades e da minha família e para servir ao próximo (fim bom)…mas por mero prazer, luxo, vaidade, comodismo, capricho…
 Valho-me dos dons que Deus me dá não para servir a Deus e ao próximo, mas para me enaltecer diante do próximo e de Deus mesmo ….

Esse apetite concupiscível desordenado transforma-se, pois, em “Afã desordenado de prazeres. Exagera o atrativo dos prazeres e obnubila a inteligência que deixa de compreender a ordem em que os deve observar, colocando-os em primeiro lugar, e a vontade inclina-se para eles de maneira também desordenada.”
(POZO, Juan Francisco. A vida da graça, Diel, Coimbra, 1997, p. 28).
“Os impulsos da sensibilidade e as paixões podem também diminuir o caráter voluntário e livre da falta. O mesmo se diga de pressões externas e de perturbações patológicas.” (Catecismo 1860).

Origem da desordem aos apetites criados por Deus: pecado original
Por que Eva resolveu comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal? Por três motivos:
• Era Bom para comer
• Era Agradável aos olhos
• Era Desejável para obter o conhecimento (no sentido de poder e não de sabedoria)
Essas três realidades continuam sendo a nossa tendência ao pecado:
• Bom para comer – corresponde a tudo o que me dá prazer individualmente (comida, bebida em excesso, drogas), ou existe como um prazer da humanidade como um todo (o sexo sem querer ter filhos). Fazem parte da nossa natureza, exigências do corpo. Sede de ter prazer. É a concupiscência da carne.

• Agradável aos olhos – corresponde a um querer possuir, uma tendência para querer possuir bens, riqueza, posição social. São coisas que não estão fora do nosso corpo, mas que, por uma fantasia, achamos que seremos felizes com isso. Sede de possuir. É a concupiscência dos olhos.

• Desejável para obter o conhecimento – tendência à querer ser Deus por mérito próprio, ou de se colocar no lugar Dele. Sede de poder. É a soberba da vida.
Essas três realidades existem em potência na nossa alma, mais precisamente na nossa VONTADE e não na potência racional da inteligência.
Com maestria explica-nos o Padre Paulo Ricardo em seu recente curso sobre Doenças Espirituais, aula 1 “As Três Desordens do Pecado” :
“O livro do Gênesis diz que “Deus criou o ser humano à sua imagem” [1]. Antes disso, o pecado já existia, não por natureza, mas pela má vontade dos anjos decaídos, os demônios. Foram eles quem, por inveja, se aproximaram do primeiro homem para tentá-lo. Até então, Deus o havia colocado em um jardim de benesses [2], com múltiplas possibilidades de árvores e animais para comer e inúmeras coisas para fazer, tendo proibido apenas uma coisa: “Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves comer, porque, no dia em que dele comeres, com certeza morrerás” [3].
Por medo da morte e pelo aviso divino, Adão e Eva não tinham comido da árvore, até que o demônio lhes tentou, invertendo o apelo de Deus e transformando em atrativo aquilo que era proibido: “De modo algum morrereis. Pelo contrário, Deus sabe que, no dia em que comerdes da árvore, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal” [4]. Seduzidos pelo maligno, os primeiros pais pecaram e a desordem entrou na humanidade.
Para este curso de Terapia das Doenças Espirituais, o relato do livro do Gênesis sublinha um fato de notável importância: quando a serpente apresentou o fruto da árvore à mulher, ela “viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para obter conhecimento” [5]. Estas três realidades – “comer”, “atraente para os olhos” e “desejável para obter conhecimento” – perpassam toda a história da humanidade: representam a tendência do homem para o prazer, para possuir as coisas e para o poder, essa última entendida como uma espécie de astúcia operativa.
São João entendeu bem isso, quando escreveu que “tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a ostentação da riqueza [a soberba da vida] – não vem do Pai, mas do mundo” [6]. E o próprio Senhor, no deserto, foi tentado pelo demônio com essas três matérias [7]. Primeiro, Satanás propôs a Ele que transformasse pedras em pão, a fim de comer. Depois, “mostrou-lhe, num relance, todos os reinos da terra” e prometeu dar-Lhe tudo aquilo, se Se prostrasse diante dele. Por fim, tentou Jesus a fazer uma demonstração de poder: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo”. Nosso Senhor venceu as três tentações, mostrando ao homem que é possível, com a Sua graça, vencer a carne, decaída pelo pecado original.
Mas, que são essas três coisas que com razão se podem chamar de “raízes” do pecado? Tratam-se de três libidos (libidines, em latim). As duas primeiras são chamadas por São João de “ἐπιθυμία” (lê-se: epithumía) – assim, há a “ἐπιθυμία τῆς σαρκὸς”, que é a concupiscência da carne, e a “ἐπιθυμία τῶν ὀφθαλμῶν”, que é a dos olhos –, pois estão radicadas na potência concupiscível do homem. A terceira, por sua vez, está na potência irascível: é a “ἀλαζονεία τοῦ βίου”, a soberba da vida.

A primeira, a libido amandi, é o apetite desordenado que “tem por objeto tudo o que pode fisicamente sustentar o corpo seja para a conservação do indivíduo, alimento, bebida etc., seja para a conservação da espécie, as coisas venéreas” [8]. O objeto dessa concupiscência é tanto a gula quanto o sexo desordenado, que é o vício da luxúria. É curioso que, na mesma época em que se vê o fenômeno da anorexia, de meninas que morrem de fome porque não querem comer, percebe-se uma humanidade que busca o prazer venéreo, mas não quer assumir a responsabilidade dos filhos. As pessoas querem comer, mas não querem engordar; querem fazer sexo, mas não querem estar abertas à vida.

A segunda, a libido possidendi, “é concupiscência animal, e tem por objeto as coisas que não se apresentam para a sustentação e o prazer da carne, mas que agradam à imaginação [delectabilia secundum apprehensionem imaginationis] ou a uma percepção semelhante, por exemplo, o dinheiro, o ornato das vestes, e outras coisas deste gênero. É esta espécie de concupiscência que se chama de concupiscência dos olhos” [9].

A terceira é a libido dominandi. É a soberba fundamental de querer ser igual a Deus, como fez Satanás. Enraizada no irascível, essa libido deseja o bem enquanto algo árduo: “Quanto ao apetite desordenado do bem difícil, pertence à soberba da vida, sendo que a soberba é o apetite desordenado da excelência [appetitus inordinatus excellentiae]” [10].

É para combater essas três causas do pecado que se praticam as três obras quaresmais: o jejum, a esmola e a oração; e também os três votos evangélicos: a castidade, a pobreza e a obediência. Também aqui se identificam os nossos relacionamentos com o outro, com as coisas e conosco mesmos. Se abusamos de outra pessoa, usando-a como objeto para obter prazer, estamos cedendo à concupiscência da carne; se idolatramos as coisas, pensando estar nelas a nossa felicidade, cedemos à concupiscência dos olhos; e se fazemos de nós mesmos deus, estamos na soberba da vida.
Deus criou o homem para que ele participasse de Sua divindade, mas ele deveria sê-lo pela graça, não por suas próprias forças. Quando Eva “se apega ciosamente ao ser igual a Deus”, ela rouba, com “ἁρπαγμὸς” (lê-se: harpagmós): as suas mãos se fecham para pegar para si. As mãos de Cristo são o contrário das mãos de Eva: elas se abrem para dar. Enquanto Eva quis, Cristo tudo entregou. Enquanto as mãos de Eva se voltam ao lenho para pegar, as de Cristo se deixam pregar ao lenho da Cruz para dar. Da primeira árvore nos vêm a desgraça e a morte; da segunda, a graça e a vida, a nossa salvação.”

(fonte: Padre Paulo Ricardo, Cursos, Terapia das Doenças Espirituais, Aula 01, htpp://www.padrepauloricardo.org).

Comer – ligado à potência concuspiscível, colocando o prazer no lugar de Deus.
Pecado resultante:
Por causa da concupiscência da carne – Debilidade da gula
Resultados:

• Pratico atos impuros comigo mesma ou com outrem – quando deveria ser prudente e casta
• Excedo do comer e beber- quando deveria ter temperança

Por causa da concupiscência da carne – Debilidade da luxúria
• Sinto amor por mim até o desprezo de Deus – quando deveria ter caridade
• Sou inconstante – quando deveria ter fortaleza
• Tenho cegueira espiritual – quando deveria ter prudência e fé

Possuir – ligado à potência concuspiscível, colocando uma coisa no lugar de Deus.
Pecado resultante:
Por causa da concupiscência dos olhos – Debilidade da Avareza
Resultados:
• Fraudo o outro – quando deveria praticar justiça
• Desespero-me – quando deveria ter esperança

Poder – ligado à potência irascível, colocando a si próprio no lugar de Deus.
Pecados resultantes:

Por soberba de mim mesma – Debilidade de Soberba-Egoísmo
Resultados:

• Rivalizo – quando deveria ter caridade
• Alimento antipatias e aversões – quando deveria ter caridade
• Odeio – quando deveria ter caridade
• Discordo – quando deveria ter caridade
• Não obedeço ninguém – quando deveria ser justa

Por causa da soberba de mim – Debilidade da preguiça
Resultados:
• Torno-me tíbia- quando deveria ter caridade
• Torno-me pusilânime- quando deveria ter fortaleza

Por Soberba para com o próximo – Debilidade da Inveja
Resultados:
• Tenho ódio – quando deveria ter caridade
• Sou maledicente – quando deveria ter caridade
• Alegro-me com o mal alheio – quando deveria ter caridade

Por soberba para com o próximo – Debilidade da Ira
Resultados:
• Ajo com violência – quando deveria ter caridade e temperança
• Blasfemo contra Deus – quando deveria ter fé
• Falo injúrias contra o próximo – quando deveria ter caridade

Em todos esses casos, há pecado em decorrência de:

I- MALÍCIA

MALÍCIA – sei e quero mesmo assim
Pela inteligência – eu sabia que Deus não gostaria. Sei que é pecado, que desvia do fim previsto por Deus, porque até já me confessei antes sobre isso.
Pela vontade – eu quero realizá-lo mesmo sabendo que é pecado sim.
Se a matéria for grave – o que eu sei e quero é grave, fere a caridade a Deus e ao próximo, será caso de pecado chamado mortal.
Sei que Deus não quer que eu odeie ninguém, somos irmãos, porém, tenho inveja e não me importo com isso, e passo a deliberadamente desejar o mal para fulano ou beltrano e se puder até faço-lhe o mal, como retribuição (premeditado).
Isso transforma o meu pecado em mortal, porque há plena liberdade, não está concorrendo nenhuma paixão violenta e momentânea com o meu ato (foi até premeditado).
“O pecado cometido por malícia, por escolha deliberada do mal, é o mais grave.” (Catecismo, 1860).

II- IGNORÂNCIA
IGNORÂNCIA- não sei, ou deveria saber, e quero por causa de um defeito ou paixão que possuo (algum pecado capital)

IGNORÂNCIA VENCÍVEL OU VOLUNTÁRIA

Eu tenho aversão…mas porque não alimento bons pensamentos em favor aquela pessoa (sou negligente).
Em outras palavras, ajo com CULPA, mas sem malícia (minha vontade não queria o fim mal, mas porque sou negligente peco- tenho aversão).
Pratiquei o ato ou o pensamento, porque:
– ou houve imprudência – não deveria agir naquele ato, mas me abster (não deveria ter gritado com impaciência com o meu subordinado, ou com meu marido, ou filho..). Mas a paixão me arrastou para isso – no caso a ira;
-ou negligência – não deveria ter sido omissa, mas deveria ter agido (não deveria ter deixado de defender alguém que eu sabia inocente numa situação). Mas a paixão me arrastou para isso – no caso a inveja que eu sentia daquela pessoa.
Não há malícia porque pela minha inteligência eu sei que é contra o fim ordenado por Deus, porém não consigo dirigir a minha vontade para o fim bom previsto por Deus.
IGNORÂNCIA INVOLUNTÁRIA

“A ignorância involuntária pode diminuir, ou mesmo desculpar, a imputabilidade duma falta grave. Mas parte-se do princípio de que ninguém ignora os princípios da lei moral, inscritos na consciência de todo o homem.” (Catecismo 1860).

III.Debilidade

“Diante do esforço que requer a conduta reta. Costuma aumentar as dificuldades com a imaginação, e dissuade de as enfrentar.”
(POZO, Juan Francisco. A vida da graça, Diel, Coimbra, 1997, p. 28).

Debilidade: transformação do apetite concupiscível que busca o bem, para uma busca do mal

Outras vezes, temos não um problema no fim que eu escolhi para o apetite concupiscível que deveria ser aquele previsto originalmente por Deus, o Criador de Todas as Coisas, mas aquele mesmo apetite se transforma em coisa má:
Eu amo….transforma-se em Eu odeio…
Eu desejo….transforma-se em Eu tenho aversão…
Eu usufruo….transforma-se em Eu me sinto triste com isso…
Veja que Deus criou o apetite concupiscível para um fim bom e honesto, mas eu o transformo em um MAL concretamente.

Pecado Mortal, ou Pecado Venial?

Veja que em todos esses casos, dependendo da gravidade resultante do nosso pecado e da nossa maior ou menor malícia em querer praticá-lo, ou a nossa ignorância vencível ou a nossa debilidade por conta de um vício, um mau hábito já adquirido, o pecado pode ser mortal, ou seja rompe a nossa amizade totalmente com Deus, ou é venial, não rompendo a nossa amizade, mas iniciando um processo de futura ruptura e um processo de tendência à sua repetição, ou seja, faz com que o pecado cometido se torne um VÍCIO, além do que geram outros pecados e outros vícios.

Quer dizer que um pecado cometido pode se tornar um vício e pode gerar outro vício?
Sim, diz o Catecismo:
“O pecado arrasta ao pecado; gera o vício, pela repetição dos mesmos atos. Daí resultam as inclinações perversas, que obscurecem a consciência e corrompem a apreciação concreta do bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e reforçar-se, embora não possa destruir radicalmente o sentido moral.” (Catecismo, 1865).
“ Os vícios podem classificar-se segundo as virtudes a que se opõem, ou relacionando-os com os pecados capitais que a experiência cristã distinguiu, na sequência de São João Cassiano (102) e São Gregório Magno (103). Chamam-se capitais, porque são geradores doutros pecados e doutros vícios. São eles: a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça ou negligência (acédia).” (Catecismo, 1866).
O que o Catecismo da Igreja Católica nos ensina sobre o pecado mortal?
Para que um pecado seja mortal, requerem-se, em simultâneo, três condições: «É pecado mortal o que tem por objecto uma matéria grave, e é cometido com plena consciência e de propósito deliberado» . (Catecismo, 1857).
“ A matéria grave é precisada pelos dez Mandamentos, segundo a resposta que Jesus deu ao jovem rico: «Não mates, não cometas adultério, não furtes, não levantes falsos testemunhos, não cometas fraudes, honra pai e mãe» (Mc 10, 18). A gravidade dos pecados é maior ou menor: um homicídio é mais grave que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas também entra em linha de conta: a violência cometida contra pessoas de família é, por sua natureza, mais grave que a exercida contra estranhos.” (Catecismo, 1858)
“ Para que o pecado seja mortal tem de ser cometido com plena consciência e total consentimento. Pressupõe o conhecimento do carácter pecaminoso do acto, da sua oposição à Lei de Deus. E implica também um consentimento suficientemente deliberado para ser uma opção pessoal. A ignorância simulada e o endurecimento do coração não diminuem, antes aumentam, o carácter voluntário do pecado.” (Catecismo, 1859).
“O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, tal como o próprio amor. Tem como consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. E se não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no Inferno, uma vez que a nossa liberdade tem capacidade para fazer escolhas definitivas, irreversíveis. No entanto, embora nos seja possível julgar se um acto é, em si, uma falta grave, devemos confiar o juízo sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus.” (Catecismo, 1861).

O que o Catecismo da Igreja Católica nos ensina sobre o pecado venial?

“Comete-se um pecado venial quando, em matéria leve, não se observa a medida prescrita pela lei moral ou quando, em matéria grave, se desobedece à lei moral, mas sem pleno conhecimento ou sem total consentimento.” (Catecismo, 1862).
“O pecado venial enfraquece a caridade, traduz um afecto desordenado aos bens criados, impede o progresso da pessoa no exercício das virtudes e na prática do bem moral; e merece penas temporais. O pecado venial deliberado e não seguido de arrependimento, dispõe, a pouco e pouco, para cometer o pecado mortal. No entanto, o pecado venial não quebra a aliança com Deus e é humanamente reparável com a graça de Deus. «Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade, nem, portanto, da bem-aventurança eterna» “ (Catecismo, 1863).

Se o pecado é leve ou venial, significa que ele é insignificante?

Não.
«Enquanto vive na carne, o homem não é capaz de evitar totalmente o pecado, pelo menos os pecados leves. Mas estes pecados, que chamamos leves, não os tenhas por insignificantes. Se os tens por insignificantes quando os pesas, treme quando os contas. Muitos objetos leves fazem uma massa pesada; muitas gotas de água enchem um rio; muitos grãos fazem um monte. Onde, então, está a nossa esperança? Antes de mais, na confissão…» (Catecismo, 1864).

O que é pecado venial deliberado e semi-deliberado?
No venial deliberado, a pessoa o comete sabendo que é pecado, mas não dá-lhe importância, porque afinal não seria ele um pecado mortal mas venial…
No venial semi-deliberado a pessoa não o comete com plena consciência (não o quer de modo algum), tem horror ao pecado deliberado. Mas se precipita e o comete, ou sucumbe à pressão de um ambiente, ou tem um impulso nervoso e faz com que haja sem paciência e caridade com o próximo. Podemos dele tirar proveito, na medida em que eles nos humilham apesar de estarmos nos esforçando para não pecar.
Como pode ser classificado o pecado venial semi-deliberado?

“pecados por precipitação, cometidos por irreflexão momentânea, ligeireza de caráter ou falta de senso: a decisão e a ação constituem um ato só, e, portanto, não houve tempo para tomar consciência da sua pecaminosidade.
Pecados por surpresa: uma excitação nervosa, uma situação comprometedora, um apuro, uma surpresa fazem com que decidamos e atuemos de um modo diverso daquele que queríamos. Sucumbimos á pressão das circunstâncias: cometemos uma falta, mas sem consciência total nem um consentimento plenamente livre da vontade.
Pecados por fragilidade (em sentido estrito) ou seja, por impulsos de nervosismo contra a paciência, contra a caridade, contra a mansidão, os quais, mesmo quando os descobrirmos, não são objeto de uma oposição incondicional da nossa parte. Depois da falta, temos a impressão clara e penosa de não havermos sido suficientemente generosos nem de nos termos dominado bastante, se bem que não sejamos capazes de precisar qual foi o papel exato da vontade livre na falta.” (Baur, Benedikt, A vida espiritual, tradução de Domingos Marques – São Paulo – Quadrante; 2004, p. 53).

Existe algum pecado para o qual não há perdão?

Sim, foi Jesus mesmo que diz:
«Todo o pecado ou blasfêmia será perdoado aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada» (Mt 12, 31)

Não há limites para a misericórdia de Deus, mas quem recusa deliberadamente receber a misericórdia de Deus, pelo arrependimento, rejeita o perdão dos seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo Tal endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna. (Catecismo).
Em resumo, os seis pecados contra o Espírito Santo são:
1. Desesperar da salvação
2. Presunção de se salvar sem merecimento
3. Contradizer a verdade conhecida por tal.
4. Ter inveja das mercês que Deus faz a outros.
5. Obstinação no pecado.
6. Impenitência final.
(fonte: Seleta de Orações, São Paulo, Cultor de Livros, 2011, p. 221).

Como combater essa desordem nos apetites concuspiscível e irascível?

Falaremos de duas formas:

1a.) COMUNHÃO COM NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
Devemos estar em comunhão com Nosso Senhor, que também foi tentado em relação a tais apetites e venceu – ver a tentação de Jesus no deserto em que o demônio o tentou a comer pão, transformando pedras em pão; a possuir reinos; a realizar um ato de vaidade e de poder, jogando-se do alto do pináculo do templo.

2ª.) PRÁTICA DE PENITÊNCIA
Realizando a prática de penitência a saber, combatemos as más inclinações da nossa vontade, indispensável para crescimento no amor a Deus e ao próximo:
Jejum – para combater a tendência ao prazer;
Pelo quarto mandamento da Igreja jejua-se nos tempos de penitência, nos preparando para adquirir o domínio sobre nossos instintos e liberdade de coração (ver Ponto 2043, do Catecismo).

Esmola- para combater a tendência ao possuir;
A esmola é remédio eficaz para combater a concuspiscência dos olhos e deve ser dada conforme a virtude da prudência e também seguindo um critério de necessidade-possibilidade de quem recebe e de quem concede.
A esmola deve ser concedida como um ato de amor:
1- à Igreja;
2- ao próximo necessitado.
No caso da Igreja é além de um ato de caridade às suas necessidades materiais e segundo o Ponto 2043, do Catecismo: “O quinto mandamento ´Ajudar a Igreja em suas necessidades ´recorda aos fieis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades´.
Veja-se que não diz o Catecismo, nem o Código Canônico (Cânon 222, parágrafo 1º.) que seriam 10% dos rendimentos de uma pessoa (dízimo) e sim, uma ajuda à Igreja conforme as necessidades da mesma e as possibilidades do fiel.
A esmola também é um ato de caridade aos necessitados, constituindo-se, não nos esqueçamos em obra de misericórdia corporal:
Dar de comer a quem tem fome; Dar de beber a quem tem sede; Vestir os nus; Dar abrigo aos peregrinos; Assistir aos enfermos; Visitar os presos; Enterrar os mortos.
É o que Jesus fala sobre isto:
Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber, era peregrino e me acolheste, nu e me vestiste…(Mt 25, 35-40).”

Oração – para combater a tendência à se igualar a Deus, a desobedecer a Sua Vontade Divina.
“Os grandes orantes da Antiga Aliança antes de Cristo, como também a Mãe de Deus e os santos com Ele, nos ensinam, a oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador, que tudo faz para desviar o homem da oração, da união com seu Deus.” (Ponto 2725, do Catecismo).

RAZÕES PARA FAZER PENITÊNCIA
O Padre Paulo Ricardo realiza uma comparação muito interessante para nos encorajar na prática dessas penitências sugeridas por Jesus no Sermão da Montanha, que são o jejum, a esmola e a oração.
Ele diz que se não as realizamos, estaremos fazendo como um pai ou mãe que não impõe limites ao seu filho, deixando-o reinar sem qualquer oposição aos seus pequenos caprichos, deixando-a se tornar uma criança mimada.
Ele explica que a necessidade dessas penitências, além de servirem como expiação, para nos unir a Jesus em seu Sacrifício na Cruz, tem valor redentor se praticadas por amor a Deus, também servem para impor limites à nossa vontade que sempre tende ao prazer – buscamos o prazer e fugimos da dor.
Eis as palavras do Padre Paulo Ricardo, em seu programa Resposta Católica, número 71, sobre o tema: “Formas de penitência e suas Razões”:
“Quanto mais come, mais letárgico fica; quanto mais dorme, mais sono tem; e assim por diante. Trata-se da primeira consequência do pecado original, da mãe de todas as doenças: a filáucia, que pode ser definida como o amor de si contra si e cujo lema é “foge da dor, busca o prazer”.
Esse lema está muito presente na sociedade moderna, que incentiva a busca desenfreada pelo prazer, pela satisfação de todos os desejos, representado pela “liberdade”. Enquanto isso, o ser humano se torna cada vez mais vazio e menos resistente à dor. Não suporta ser contrariado e se desestrutura quando perde algo ou alguém. Pudera, não foi ensinado a isso, não exercitou a moderação, não praticou a ascese e a disciplina.”

1 https://padrepauloricardo.org/aulas/as-tres-consequencias-do-pecado, acesso em 03.08.2014.
2 https://padrepauloricardo.org/episodios/formas-de-penitencia-e-suas-razoes#at_pco=smlwn-1.0&at_si=53de16ad34a0fce7&at_ab=per-2&at_pos=0&at_tot=1, acesso em 08.08.2014.

Filmes que educam: “À Prova de Fogo”

Este filme nos faz refletir sobre o amor humano e sobre a indissolubilidade do matrimônio cristão, como um reflexo do relacionamento indissolúvel de Cristo com a Igreja, como um casamento. Vale a pena ver.

Resenha do filme:
O casamento está mal entre Caleb e Catherine. Discutem frequentemente. Ela passa a não deixar comida para ele, e reclama que ela é quem faz tudo em casa, apesar de trabalhar período integral em um hospital e que ele fica economizando dinheiro para comprar um barco.
Ele é bombeiro e tem plantões freqüentes, uma rotina de stress e muita responsabilidade pois frequentemente salva vidas em perigo de morte.
Eles têm uma discussão Ele resolve conversar com o pai que lhe pede, antes de tomar qualquer decisão radical (o divórcio) 40 dias de prazo e que o filho faça o que o pai vai lhe mandar pelo correio.
Chega um livro com dedicatória do pai de Caleb. É o “Desafio do amor” – um processo de 40 dias para salvar o casamento (que havia dado certo para os pais de Caleb, também em crise um época).
O livro consiste nas seguintes sugestões:
1º. Dia – Thiago 1, 19 – não dizer nada negativo ao outro
2º. Dia – verdadeiro amor não tem a ver com sentimento. Fazer ato inesperado de gentileza.
3º. Dia – Comprar algo para mostrar que estava pensando nela hoje.
4º. Dia – Se precisa de alguma coisa hoje. (amigas – ele está te enganando – fica bonzinho para pedir o divórcio depois). E ela acha que é isso mesmo, porque ela ficava espionando o histórico do computador. Sai uma discussão (ele se sente injustiçado porque estava se esforçando). Ele fica desesperado. O pai o acalma. Viver um dia de cada vez. O amor é uma questão de decisão e não de sentimento. Pais rezam pelo filho. Ela depois da discussão não sabe o que fazer. Ela se sente humilhada e acredita que ele não percebe isso. Ela se diverte no trabalho com o bom-humor de um médico colega de trabalho.
16º. – orar por ela
17º – ouvi-la
18º. – estudá-la para ganhar o coração dela (hábitos e hobbies). Deveria a aprender a ganhar o coração dela para a vida inteira.
Pula para 18º. Dia – Jantar à luz de velas e fazer uma lista de perguntas . O amigo acrescenta torne uma data memorável, comida boa de restaurante….
Ela pergunta o que significa isso e ele talvez queira jantar com minha esposa – ela replica – vou deixar bem claro eu não amo mais você. Ele liga ao pai. O pai – antes de atender – ah, filho é quando fica difícil…Ele diz que foi a parte mais difícil. Não se basear no que viu, porque ela a esposa viu que o filho tentou. O pai vai vê-lo no outro dia.
A mulher vai para o quarto e fica lá chorando.
20ª. Dia: Até aqui – a mulher dele estava ignorando.
Ele não estava lendo o mais importante, que eram os versículos que existiam no final de cada página.
O filho se recusa, não quer Jesus como “bengala”.
O pai insiste que precisamos de Jesus do Seu perdão e da Salvação que vem Dele.
O pai diz que o filho violou os padrões dele. A verdade, amor, devoção…Amar a Deus…padrões altos….a luxúria para ele é adultério e o ódio é como matar alguém…
Por que ele está tão frustrado com ela- é ingrata, vive reclamando…não demonstrou …não é bem vindo em sua própria casa… Ela jogou fora as flores…Ela não merece …como demonstrou amor por alguém que dia após dia vem me rejeitando….o pai diz – é uma boa pergunta….
Como demonstrar amor para alguém que me rejeita…
Não se pode…mesmo….amar merecendo o outro ou não. Como Deus. Ele nos ama, mesmo que cuspamos na sua cara…
Isso é amar de verdade.
O pai pede para o filho confiar a vida a Jesus Cristo, pedir perdão, ele precisa de Jesus em sua vida…
Ele procura o amigo que sempre vinha dando bons conselhos e diz que está dentro. O amigo fica feliz e o chama de irmão, porque agora têm o mesmo Pai.
O amigo é um convertido, já tinha sido casado com uma outra mulher. E se arrependeu de se divorciar, porque achou que estava seguindo o coração mas não estava, quando se deu conta, a ex já havia se casado com outro. Ele sugere ao Kaleb não se divorciar de modo algum. Diz que o casamento é para sempre.
Ele desiste de entrar em sites de mulheres. Aí ele pega o livro. É o dia 23º. O livro recomenda cuidado com os parasitas (tudo o que se agarra a um dos cônjuges) que sugam vida do casamento, prometem prazer mas crescem como uma doença e consomem pensamento, tempo e dinheiro…. e roubam sua lealdade e coração dos que te amam– destruir vícios que habitem em seu coração: jogos, pornografia, drogas…raramente os casamentos sobrevivem com os parasitas. Eliminar os vícios, se não eles nos destroem.
Ele depreda o próprio computador.
Ela chega e vê o computador no lixo da casa. No lugar do computador…um vaso de flores com os dizeres: Eu te amo ainda mais.
Ela também deixa uma carta. Ele acorda e vê, fica feliz, mas se trata da petição de pedido de divórcio.
Ele chora e fica arrasado e implora a Deus, conta tudo para o pai pelo telefone.
Enquanto isso…..aquele médico que a estava assediando, enviando cartas, flores…o Keller…Ele toma atitude e paga as cadeiras de roda que a mãe da esposa precisava. Ele pagou tudo, mas sem se identificar. Ela prevê que era o Keller, o médico que a estava assediando e acerta e o agradece. Ele também se declara a ela por carta.
Ele vai falar com o médico pessoalmente sobre a Catherine, depois de encontrar em casa a carta em que o médico se declara à esposa.
E o médico desmarca o encontro, diz que está ocupado.
Ela vai almoçar com uma amiga, que não a vê há um tempo – Ana – e desabafa com esta. Ela se sente vazia e quer alguém que a trate bem. Ela acha que Dr. Keller é um homem bom, a faz sentir importante…Ana a alerta – se ela está fazendo isso com a Catherine que é casada…pode ser que repita com ela…
Ele começa a limpar a casa…rezar…pensar na Cruz de Jesus…lavar a louça para a esposa…

43º. Dia:
Um dia ela fica meio deprimida e não vai trabalhar …ele pergunta o que é mais ela diz que vai ficar bem…aí ele sai..compra um café da manhã para ela e entrega para ela na cama…e verifica que ela está com febre…Ela pergunta por que ele está fazendo isso…e ele diz que aprendeu nunca deixar para trás um parceiro e daí ele conta sobre o livro que o pai dele havia entregue…Ela já tinha descoberto no dia anterior…e ela pergunta qual dia ele está…ele diz que está no 43…ela replica…mas só são 40 dias…e ele: quem disse que era para parar…..
Ela fica curiosa e ela diz que no início ele não queria…Ele diz que passou a querer quando entendeu o que era o amor….Ela quer acreditar que tudo é verdade…mas ela não consegue ainda…ele entende…
Ele diz – eu sinto muito – diz estar sendo egoísta, que a maltratou nos últimos 7 anos…que ele amou outras coisas…E ele disse que Deus deu um amor por ela que ele nunca tinha sentido antes e ele pediu perdão a Deus e esperava que ela o perdoasse também…não quer viver o resto da vida sem a esposa…
Ela fala sobre os documentos que deve entregar ao advogado..ela diz que precisa de um tempo para pensar…Ele concorda….
Ela volta para o local em que comprava as coisas para mãe doente….E a mulher conta que foi o marido dela que deu a cadeira de rodas, a cama hospitalar…que o Dr. Keller só havia doado 300,00….Ela chora ao saber….vai e resgata o anel de noivado que ela havia escondido em uma gaveta de roupas….e percebe quem a verdadeiramente a ama…o seu marido…Ela vai até o serviço dele (ele era bombeiro)…e diz que ele mudou e que ela deseja que ela também mude….Ela pede para ele envelhecer com ela….
O amigo que tanto torceu pelo Caleb…ficou muito feliz….
Ele a leva à Cruz em que ele meditava sobre Jesus…conta aos pais que ficam radiantes…
Ele conversa com o pai e diz que o Desafio do Amor mudou a sua vida….E o pai replica dizendo que só foi um instrumento.
E conta a verdade: foi a mãe dele que havia feito isso com o pai. Ele conta que ela o amou incondicionalmente e através dela chegou até Cristo….quem queria se separar era o pai do Caleb, mas pelo exemplo da esposa, dedicação e demonstração de amor incondicional tudo mudou….Ele se sensibiliza porque Caleb passou o mesmo que a mãe….isso cria um vínculo de amor mais forte com a mãe dele que ele de vez em quando criticava…Eles se casam na presença de Deus e perante testemunhas….

Texto para refletirmos sobre a indissolubilidade do matrimônio cristão, que é o grande tema de fundo do filme:

07/08/2013 13:51 | Categoria: Sociedade
A indissolubilidade do Matrimônio, reflexo do amor total de Cristo
A Igreja não pode renunciar à sua missão de acordar a consciência dos povos e chamar os casais ao sacrifício da Cruz e à salvação

Parece comum, em nossa época, uma tendência a separar o amor da verdade, como se aquele fosse “um sentimento que vai e vem”, e não uma realidade concreta, destinada a “superar o instante efêmero e permanecer firme para sustentar um caminho comum” (cf. Lumen Fidei, n. 27). As obras literárias, os filmes, novelas e seriados produzidos em larga escala e distribuídos ao grande público ajudam a promover esta “cultura do provisório”: exaltam-se personagens do tipo “solteironas”, “muito ocupadas em não fazer nada” (2 Ts 3, 11); modelam-se jovens sem perspectiva, dados a “aproveitar” a vida ao máximo, e adultos frustrados, cujo script se resume ou a um casamento infeliz ou a uma vida de traição e mentira. O cenário, assistido e copiado por muitos, parece indicar a impossibilidade de um relacionamento por toda a vida, de uma entrega definitiva, que nos comprometa totalmente e envolva toda a nossa existência.
O Catecismo da Igreja Católica reconhece que “pode parecer difícil, e até impossível, ligar-se por toda a vida a um ser humano”. No entanto, a Igreja não pode renunciar à sua missão de acordar a consciência dos povos e, ao mesmo tempo, chamar os homens à salvação e à felicidade. A teologia do sacramento do Matrimônio deve ser lida a partir do amor total que nosso Senhor demonstrou no sacrifício da Cruz, como indica o próprio São Paulo: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5, 25). Ora, é inconcebível que o amor de Cristo seja passível de negociação. Do mesmo modo, a aliança firmada entre um homem e uma mulher, com a intenção de criar e educar os filhos, não pode ser quebrada, como quando se prevê o divórcio legal ou dispositivos para facilitá-lo.
Neste ponto, muitas vezes, a Igreja é acusada de não acompanhar o zeitgeist (o espírito do tempo) ou a marcha da história. Como se ela fosse uma instituição meramente humana ou um vendedor à procura de clientes. Mas, afinal, a quem a Igreja deve servir: aos homens ou ao Evangelho? Quando Jesus falou da indissolubilidade do Matrimônio, foi categórico: “não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6); a Igreja, fiel à palavra de Cristo, não pode simplesmente alterar esta doutrina ou anunciar realidade diferente desta. Como disse o Papa Bento XVI, em entrevista ao jornalista Peter Seewald, “o matrimônio contraído na fé é indissolúvel. É uma palavra que não pode ser manipulada: devemos mantê-la intacta, mesmo que contradiga os estilos de vida dominantes hoje”01.
Estes “estilos de vida dominantes” são impulsionados pela própria legislação civil, quando admite juridicamente o rompimento do vínculo conjugal. Os propugnadores do divórcio dizem ser esta uma questão do foro íntimo dos indivíduos, que devem ter reconhecido o seu direito a alterar o “contrato” do casamento. Aqui, sem entrar pormenorizadamente nas angústias e dificuldades específicas de cada relacionamento, prevalece, em maior parte, uma escolha egoística, hedonista. O casal é tentado a pensar em si, em seu conforto, em sua carreira, em seu ego ferido; do lado, porém, de tantos conflitos, estão os filhos, cuja dignidade se vê ameaçada pela decisão arbitrária de seus pais. De fato, não são poucas as crianças e adolescentes que veem seu desenvolvimento humano e afetivo comprometido pela separação e dissolução do casamento de seus pais.
Não menos dolorosa é a situação dos casais que vivem em segunda união. Bento XVI reconheceu tratar-se “dum problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira chaga02 do ambiente social contemporâneo que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos”03. Nesta dimensão, ao lado de recordar que o homem não pode separar o que Deus uniu, a Igreja acolhe a súplica de seus filhos e os convida a viver quotidianamente sua vocação, se não possível por meio da comunhão eucarística, pelo menos através da oração, da penitência e da educação cristã de seus filhos. Afinal, ao lado de lutar contra o erro e o pecado, a Igreja tem ciência de sua missão de anunciar o Evangelho e buscar a salvação de toda criatura.
Por: Equipe Christo Nihil Praeponere
https://padrepauloricardo.org/blog/a-indissolubilidade-do-matrimonio-reflexo-do-amor-total-de-cristo, acesso em 22.07.2014, às 11h 22m.
Referências
1. BENTO XVI, Papa. Luz do mundo: o Papa, a Igreja e os sinais dos tempos: uma conversa com Peter Seewald – São Paulo: Paulinas, 2011.
2. À época da publicação da carta, a palavra piaga, em italiano, foi traduzida no site da Santa Sé como “praga”, mas a expressão correta é “chaga”.
3. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, número 29.

Aprendendo a fazer uma oração eficaz

Verdade incontestável sobre Deus e nós

 

Antes de falarmos sobre a oração, precisamos iniciar com uma verdade incontestável: Deus nos criou e nos cumulou de dons naturais como o nosso corpo, a visão, a inteligência, enfim, a nossa vida!

Mas, além disso, de toda a criação visível só nós somos capazes pela nossa inteligência, liberdade e vontade querer conhecer e amar a Deus,  de uma forma muito maior do que a nossa capacidade humana, porque Deus nos cumula, além dos dons naturais, de dons sobrenaturais, que é uma participação pela chamada GRAÇA da sua própria NATUREZA DIVINA.

Esse conhecimento de Deus e amor a Deus já se inicia aqui mesmo e continua no Céu, onde seremos felizes para sempre com Ele, porque seremos tratados como filhos de Deus-Pai (pela graça), no Filho de Deus (que é Filho por ser consubstancial ao Pai).

 

Consequência incontestável decorrente do conhecimento da Verdade sobre Deus e nós

 

Por conseguinte, qual seria a atitude de um filho de Deus? Uma profunda atitude de humildade diante de um Deus Todo-Poderoso, Criador de todas as  coisas visíveis e invisíveis, bem como de total agradecimento diante de tanta prova de amor.

Se não fôssemos pecadores, essa atitude de humildade e agradecimento já existiria, imagine-se tratando nós de pessoas que por uma debilidade de alma, ocasionada pelo pecado original, mantemos uma dificuldade imensa de praticar o bem e de escolher o bem, qual não será o nosso dever senão de implorar a ajude desse Deus que é só Bondade e Amor para não o ofendê-lo e , se cairmos, de pedir-lhe perdão sincero e arrependido?

 

Uma via para falar com Deus, agradecê-Lo, louvá-Lo, pedir-Lhe perdão: a oração

 

“A oração é um diálogo amoroso e confiado do homem com Deus. É a comunicação da criatura com o seu Criador, do filho com o Pai, abrindo o coração na mais nobre relação que podemos viver e exprimir. Não há manifestação mais íntima e mais elevada da vida humana que a oração.” (Departamento de Pastoral e Catequese, Universidad de Navarra, Curso Elemental de Catequesis, Pamplona, 1977, Editorial Prumo).

 

A oração como forma de adoração

 

Quando oramos “seja feita a Vossa Vontade” a Deus, é o mesmo que dizer-Lhe: “o que me importa é Vos glorificar, porque eu Te amo meu Deus”.

Se o nosso desejo é de nos identificar a nossa vontade com o Querer Divino, estamos orando para Lhe agradar, para nos abandonar em suas mãos, reconhecemos implicitamente que Ele sabe mais do que nós e temos plena confiança Nele.

E mais. Adoramos a Deus se na nossa oração reconhecemos por qualquer outro modo a Sua grandeza, o Seu poder, a Sua soberania sobre toda a Sua criação, da maravilha da Encarnação, da Vida Santa de Jesus, dos milagres que Ele realiza, da Sua Cruz, da Sua Ressurreição….e assim vamos “mimando” esse Grandioso Deus que tanto nos ama e nos quer bem.

 

A oração para agradecermos

 

Podemos orar para agradecer a Deus por todos os benefícios conhecidos, ignorados, manifestos e ocultos que todos os dias recebemos de Suas mãos liberais.

É importante ter esse sentimento de gratidão por um Deus que nos ama primeiro, ao nos criar, ao ter planejado um modo para nos livrar da escravidão do pecado original pela Redenção operada pela morte tão dolorosa e cruel de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não fazer como aqueles nove leprosos que não retornaram para sequer agradecer a Jesus que os havia curado daquela doença incurável na época, pois como se sabe somente um retornou para agradecê-Lo. (Lucas 17, 18).

Oração para pedirmos

 

Podemos  usar uma parte da oração para pedir a Deus pelas nossas necessidades temporais, materiais próprias e dos outros.

Mas, neste ponto o pedido deve ser realizado como Jesus no Horto das Oliveiras: “Pai, se quiseres….não se faça porém a minha vontade mas a Tua.” (Lucas 22, 41-44).

É que os projetos de Deus são “infinitamente melhores, mas muitas vezes permanecem incompreensíveis à mente humana…Qual deve ser a nossa atitude diante desta provida e clarividente ação divina? Não devemos, certamente, esperar de maneira passiva aquilo que Ele nos manda, mas colaborar com Ele, a fim de que leve a cumprimento tudo o que iniciou a fazer em nós. Devemos ser solícitos sobretudo na busca dos bens celestes. Estes devem ocupar o primeiro lugar, como exige Jesus: Procurai primeiro o seu reino e a sua justiça. (Mt 6,33). Os outros bens não devem ser objeto de preocupações excessivas, porque o nosso Pai celeste conhece quais são as nossas necessidades; é o que nos ensina Jesus quando exorta os seus discípulos a ´um abandono filial à Providência do Pai celeste, que cuida das mais pequenas necessidades de seus filhos.´(CIC, 305, João Paulo III, Catequese da 4ª. Feira de 24 de março de 1999).” [i]

 

Oração para pedir perdão

 

A oração, por ser um falar com Deus, também comporta um pedido de perdão.

Recordemos que pedir perdão a Deus é algo necessário, ainda mais diante de um Deus que assumiu a nossa natureza humana, que se humilhou, que não fez uso do sua prerrogativa de Filho de Deus, que morreu de uma forma tão cruel na Cruz.  É o que nos sugere São Josemaria Escrivá, em seus escritos “É Cristo que Passa”, ponto 101:

 

“Faz muitos anos, vi um quadro que se gravou profundamente em meu interior. Representava a Cruz de Cristo e, junto do lenho, três anjos: um chorava desconsoladamente; outro tinha um prego na mão, como que para se convencer de que tudo aquilo era verdade; o terceiro estava recolhido em oração. Um programa sempre atual para cada um de nós: chorar, crer e orar.

Perante a Cruz, dor de nossos pecados, dos pecados da humanidade, que levaram Jesus à morte; fé, para aprofundarmos nessa verdade sublime que ultrapassa todo o entendimento, e para nos maravilharmos ante o amor de Deus; oração, para que a vida e a morte de Cristo sejam o modelo e o estímulo da nossa vida e da nossa entrega. Só assim nos chamaremos vencedores; porque Cristo ressuscitado vencerá em nós, e a morte se transformará em vida.”

 

E neste ponto não nos esqueçamos da recomendação de Jesus, que, ao ensinar os seus discípulos a orarem, e também na parábola do servo mau, deixa-nos claro que Deus nos perdoa sim, mas esse perdão tem um pressuposto: que nós perdoemos também àqueles que nos ofenderam:

 

“…perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido…”

(Pai-Nosso)

 

Oração e amor estão intimamente ligados no entender de São Josemaria Escrivá

 

Diz São Josemaria Escrivá em seu livro “Amigos de Deus”, ponto 255[ii], nos alerta que o amor é criativo, portanto, quem ama a Deus saberá certamente descobrir o seu caminho pessoal e íntimo para o seu diálogo com o Senhor:

 

 

“Há mil maneiras de orar, digo-vos novamente. Os filhos de Deus não necessitam de um método, quadriculado e artificial, para se dirigirem a seu Pai. O amor é criativo, engenhoso; se amamos, saberemos descobrir caminhos pessoais, íntimos, que nos conduzam a esse diálogo contínuo com o Senhor.

Queira Deus que tudo o que hoje contemplamos não passe por cima da nossa alma como uma tormenta de verão: quatro gotas, depois o sol, e a seca de novo. Esta água de Deus tem de remansar-se, tem de chegar às raízes e dar fruto de virtudes. Assim irão transcorrendo os nossos anos – dias de trabalho e de oração -, na presença do Pai. Se fraquejarmos, acudiremos ao amor de Santa Maria, Mestra de oração; e a São José, nosso Pai e Senhor, a quem tanto veneramos, que foi quem neste mundo mais conviveu com a Mãe de Deus e – depois de Santa Maria – com o seu Filho Divino. E eles apresentarão a nossa fraqueza a Jesus, para que a converta em fortaleza.”

 

Oração e amor, para São Josemaria, estão estreitamente ligados. Quem ama a Deus, tem necessidade de Lhe falar, de orar, portanto. E se não estamos sabendo orar, falta-nos amor e se falta-nos amor,  este deverá ser o início da nossa oração, como também sugere São Josemaria Escrivá em Forja, no ponto referente à luta espiritual (número 66):

“Meu Deus, ensina-me a amar! – Meu Deus, ensina-me a orar!” [iii]

 

Quando a nossa oração é atendida?

 

Na realidade,  há duas condições para que a nossa oração seja  atendida:

 

1ª. Condição para a eficácia da oração: conformidade com a Vontade Divina

 

A primeira, é a que a nossa oração será sempre atendida se em conformidade com a Vontade Divina:

Esta é a confiança que temos para com Ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele nos ouve. (1 João 5.14)



O motivo é óbvio e simples: Deus é detentor do passado, presente e futuro e Ele sabe bem qual o nosso lugar no seu Reino. Ele conduzirá, se assim o permitirmos, a nossa vida de modo a ser concretizado esse plano amoroso para a nossa vida aqui e no Reino Dele. Se algo que pedimos nos for prejudicial  – e às vezes Ele permite que seja aqui mesmo mostrado porque Ele não nos concedeu algo – Ele não nos dará.

 

Mas, às vezes sentimos dificuldade em saber qual seria a Vontade Divina para este ponto concreto da nossa vida. Como fazer neste caso?

Podemos pedir o que achamos o que nos convém, de acordo com a nossa inteligência aplicada ao caso concreto, porém não esquecendo do que é mais importante, isto é, de  imitar Nosso Senhor Jesus Cristo, quando no Horto das Oliveiras deixa que a sua vontade humana se uma à Vontade do Pai, pois disse:

Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia, não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. (Mateus 26, 39).

É assim que devemos pedir:  “Deus,  necessito de tal coisa, não se faça porém a minha Vontade neste caso, mas a Tua Vontade.”

O Papa Emérito Bento XVI, em sua obra Jesus de Nazaré, nos explica que para acontecer a Vontade Divina em nossas vidas é fundamental que estejamos em comunhão com Jesus:

…compreendemos agora como Jesus é, no sentido mais profundo e próprio, o ´céu´; Ele, no qual e pelo qual a vontade de Deus acontece plenamente. Olhando para Ele, aprendemos como nós não podemos ser ´justos´ a partir de nós mesmos: o peso da nossa vontade atrai-nos sempre para longe da vontade de Deus, faz-nos ser simples ´terra´. Mas Ele nos recebe, nos atrai para si, e na comunhão com Ele aprendemos também a  vontade de Deus. Assim, em última instância, pedimos neste terceiro pedido do Pai-Nosso para estarmos sempre mais próximos d´Ele e que a vontade de Deus vença o lastro do nosso egoísmo, nos torne capazes da altura para a qual fomos chamados. [iv]

 

Não nos esqueçamos de que Jesus, depois de haver conversado com a Samaritana e quando os seus discípulos lhe perguntam se Ele gostaria de algo para comer, Ele lhes respondeu: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou.”

Esta frase resume toda a existência de Nosso Senhor, aliás, bem confirma o Papa Emérito Bento XVI, na mesma obra supra citada, ao comentar que em Jesus se cumpriu o mistério contido no Salmo 40, do Antigo Testamento:

 

“Não exigiste holocaustos nem sacrifícios, mas preparaste para mim um corpo…Então eu disse: sim, eu venho – assim está escrito sobre mim no rolo da lei – para fazer a tua vontade.” (Hb 10, 5 sss; Sl 40, 7-9). Toda a existência de Jesus está resumida nestas palavras: “Sim, eu venho para fazer a tua vontade.”. Só assim é que compreendemos totalmente a palavra: ´O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou” [v]

 

Ora, se o que sempre vai prevalecer é a Vontade Divina, então não preciso orar?

A resposta a isso é justamente o inverso da pergunta. Eu preciso ORAR para poder reconhecer a Vontade Divina e não o contrário.

 

2ª. Condição para a eficácia da oração:  orar como um filho de Deus ora perante seu Pai

 

A segunda condição é procurarmos ter uma vida de filhos (as) de Deus, que não querem ofender ao seu Pai Deus pelo pecado, que tanto contradiz o Seu Amor:

Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende. (João 9.31)

Mas, como conciliar o que diz São João em sua Epístola, com aquela passagem do publicano e do fariseu em que Jesus diz que o publicano saiu justificado em sua oração e o fariseu não? Não teria Deus atendido um pecador, no caso o publicano?

Neste caso, o publicano é o que orou como um filho de Deus, um filho pródigo, arrependido, reconhecendo a sua miséria e o fariseu orou como um pagão, alguém que quer convencer a Deus, o que é impossível, pois Deus enxerga os corações, as intenções boas e más.

Então, por causa da sua Misericórdia, Deus ouve a oração de um pecador, mas obviamente que a oração de um justo possui mais valor quando se ora com a intenção de agradar a Deus, uma oração informada pela Caridade, que é o que trataremos na terceira condição.

 

3ª. Condição para a eficácia da oração: oração feita com intuito de agradar a Deus

 

A terceira condição é orar com Caridade, que pede e que fala a Deus sempre com o intuito de Lhe agradar, não uma oração pagã sem Caridade alguma, mas que visa futilidades,  o seu egoísmo, não pede com a intenção reta de dar glória a Deus, mas para a sua própria glória, ou para satisfação de desejos egoístas  e mesquinhos, disfarçados muitas vezes de boas intenções.

Neste ponto, convém transcrevermos a explicação magnífica dada pelo Padre Paulo Ricardo, sobre o tema: “Será que Deus escuta a oração dos pecadores?”[vi]

 

“Santo Tomás de Aquino, com seu gênio teológico, ilumina essa questão, lembrando que “a oração, afora o efeito do consolo espiritual que traz no momento em que é feita, possui dupla virtualidade quanto ao efeito futuro: a de merecer e a de impetrar” (Suma Teológica, II-II, q. 83, a. 15)

 

O valor impetratório é a eficácia da oração com relação à fé. O orante pede porque crê que Deus é onipotente e pode realizar aquilo que é o objeto de sua súplica: “A fé é necessária da parte de Deus, a quem oramos, isto é, que creiamos poder conseguir d’Ele o que pedimos” Suma Teológica, II-II, q. 83, a. 15

 

É claro que, no caso do pecador – de quem não está em estado de graça –, esta fé é uma fé morta, porque não é informada pela caridade. Então, Deus ouve aquela oração por pura misericórdia.

O valor meritório na oração só existe “enquanto [esta] procede da raiz da caridade, cujo objeto próprio é o bem eterno que merecemos gozar” Suma Teológica, II-II, q. 83, a. 15

 

“A oração sem a graça santificante não é meritória, como nenhum outro ato virtuoso” Suma Teológica, II-II, q. 83, a. 15, ad 1

Não se confunda, aqui, a palavra “meritória” com a opinião de que a pessoa “merece” a graça que Deus lhe concede. Como diz o Concílio de Trento, “ninguém pode ser justo, senão aquele a quem se comunicam os merecimentos da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo” Concílio de Trento, Sessão VI, Decreto sobre a justificação, n. 800

 

Ou seja, a própria capacidade meritória é um dom de Deus: o único homem que realmente teve mérito diante de Deus foi Jesus Cristo; os demais são justificados na medida em que estão ou não unidos a Ele.

Então, a oração do amigo de Deus tem valor muito maior que a oração do pecador. Isso se dá, primeiramente, porque, se a pessoa ama a Deus, está em sintonia com o Seu coração, pedindo o que ela sabe que Ele lhe vai conceder. O pecador, ao contrário, pode pedir coisas fúteis ou até contrárias à vontade divina e isso, obviamente, tirará a eficácia de sua oração. Além disso, o pedido do justo é informado pela caridade: ele suplica as coisas a Deus desejando agradar o Seu coração.

Deus se agrada de nós, gosta de receber o nosso amor e de ver a nossa caridade. E é fonte de grande alegria para Ele atender os pedidos daqueles que O amam. Isso é visível na intercessão dos santos. Por que existem santos que têm um maior poder de intercessão? Por que se diz que a Virgem Santíssima é a “onipotência suplicante”, enquanto outros santos não têm a mesma eficácia de intercessão? Por causa do valor meritório. O amor da Virgem Santíssima, o fato de ela estar configurada ao coração de Cristo de forma perfeita, faz que a sua oração tenha grande poder diante de Deus, enquanto a oração de uma pessoa que passou pelo purgatório e tem menor glória no Céu tem menor eficácia. Tanto maior o amor dado a Deus, tanto mais generosa é a resposta d’Ele à sua súplica.

Então, a oração dos pecadores tem o seu valor: trata-se do valor impetratório. Já a oração do justo, da pessoa que está no caminho da santidade, tem um valor maior – o valor meritório , porque, além da fé, contém a caridade ardente de quem é amigo de Deus.”

 

Um exemplo de oração: São Paulo

 

São Paulo, o Apóstolo, deixa-nos uma dica de algo a pedir a Deus em nossas orações. Eis o que ele pedia pelos seus:

 

“Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual.” (Colossenses 1, 9).

 

 

Considerações finais

 

Por fim, resta-nos salientar os sábios conselhos sobre a oração de São Josemaria Escrivá, que dispensam quaisquer comentários diante de sua tamanha clareza e sabedoria:

“A têmpera do bom cristão adquire-se, mediante a graça, na forja da oração. E, por ser vida, este alimento que é a oração não segue uma trilha única. O coração saberá desafogar-se habitualmente, por meio de palavras, nessas orações vocais ensinadas pelo próprio Deus – o Pai Nosso – ou por seus anjos – a Ave Maria. Outras vezes, utilizaremos orações acrisoladas pelo tempo, nas quais se verteu a piedade de milhões de irmãos na fé: as da liturgia -lex orandi -, ou as que nasceram do ardor de um coração enamorado, como tantas antífonas marianas: Sub tuum praesidium…, Memorare…, Salve Regina…

Em outras ocasiões, serão suficientes duas ou três expressões lançadas ao Senhor como setas,iaculata: jaculatórias, que aprendemos na leitura atenta da história de Cristo: Domine, si vis potes me mundare – Senhor, se quiseres, podes curar-me;Domine, tu omnia nosti, tu scis quia amo te – Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que eu te amo;Credo, Domine, sed adiuva incredulitatem meam – Creio, Senhor, mas ajuda a minha incredulidade, fortalece a minha fé; Domine, non sum dignus – Senhor, não sou digno!; Dominus meus et Deus meus – Meu Senhor e meu Deus!… Ou outras frases, breves e afetuosas, que brotam do fervor íntimo da alma e correspondem a circunstancias particulares.

A vida de oração deve apoiar-se, além disso, em alguns minutos diários dedicados exclusivamente ao trato com Deus. São momentos de colóquio sem ruído de palavras, junto do Sacrário sempre que possível, para agradecer ao Senhor por essa espera – como está só! – de vinte séculos. A oração mental é esse diálogo com Deus, de coração a coração, em que intervém a alma toda: a inteligência e a imaginação, a memória e a vontade. É uma meditação que contribui para dar valor sobrenatural à nossa pobre vida humana, à nossa vida diária e corrente.

Graças a esses momentos de meditação, às orações vocais, às jaculatórias, saberemos converter o nosso dia num contínuo louvor a Deus, sempre com naturalidade e sem espetáculo. Assim, à semelhança dos enamorados, que não tiram nunca os sentidos da pessoa que amam, manter-nos-emos sempre na sua presença; e todas as nossas ações – mesmo as mais pequenas e insignificantes – transbordarão de eficácia espiritual.

Por isso, quando um cristão envereda por este caminho de intimidade ininterrupta com o Senhor – e é um caminho para todos, não uma senda para privilegiados -, a vida interior cresce, segura e firme; e o homem consolida-se nessa luta, simultaneamente amável e exigente, por realizar até o fundo a vontade de Deus.

A partir da vida de oração, podemos entender esse outro tema que a festa de hoje nos propõe: o apostolado, a realização dos ensinamentos de Jesus transmitidos aos Apóstolos pouco antes de subir aos céus: Vós me servireis de testemunhas em Jerusalém e em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.” [vii]

 

[i][i] CIFUENTES, Dom afael Llano, Não Temais, Não Vos Preocupeis: Deus é vosso Pai, Rio de Janeiro, 1999, Editora Marques Saraiva, p. 29-30.

[ii] ESCRIVÁ, Josemaria. Amigos de Deus. Tradução de Emérito da Gama. 2ª. Edição. Quadrante, São Paulo, 2000, ponto 255.

[iii] Escrivá, São Josemaria. Forja. Ponto 66.

[iv] RATZTINGER, Joseph, Jesus de Nazaré, Primeira parte: Do batismo no Jordão à transfiguração, Tradução de José Jacinto Ferreira de Fatias, SCJ, 2ª. Reimpressão, Editora Planeta, página 138.

[v] RATZTINGER, Joseph, Jesus de Nazaré, Primeira parte: Do batismo no Jordão à transfiguração, Tradução de José Jacinto Ferreira de Fatias, SCJ, 2ª. Reimpressão, Editora Planeta, página 138.

[vi] https://padrepauloricardo.org/episodios/sera-que-deus-escuta-as-oracoes-dos-pecadores, acesso em 21.07.2014, 9:17.

[vii] Escrivá, São Josemaria, É Cristo que Passa, ponto 119.

Como não desperdiçar as graças que o Espírito Santo nos envia para nos salvarmos e irmos para o céu?

Para todo ser humano,  Deus não somente coloca um Anjo da Guarda para nos proteger, reger, guardar, pois, além disso, para chegarmos ao céu um dia e desfrutarmos de Sua companhia para sempre, ao longo de nossas vidas recebemos graças: as atuais, e a santificante (ou deificante, ou habitual).

Mas, primeiramente vejamos o que se entende por GRAÇA.

Graça é um dom (porque nos é concedida pela infinita bondade de Deus, porque não temos direito a ela, pelo menos a primeira graça que é a da nossa  conversão a Deus) sobrenatural (mas não como um milagre, ou os sacramentos que são certamente sobrenaturais, mas porque a graça é dom interiores de Deus), para a nossa salvação (porque restitui o que Adão e Eva perderam ao pecarem) e merecida por Jesus Cristo.

Essa graça tem o nome de graça santificante, deificante, habitual.

A Graça é santificante porque, pelo batismo começa a nossa justificação perante Deus e o Espírito Santo vem habitar em nossa alma, tornando-nos filhos de Deus é-nos comunicado o Espírito de Deus mesmo e, assim, “Deus nos vê como vê o seu Filho”[i];  a Graça é deificante porque é uma comunicação da própria vida divina;  Essa Graça é habitual porque permanece em nós desde que não cometamos um pecado mortal, que não expulsemos a Deus da nossa morada espiritual. Somos templos do Espírito Santo. É habitual, “porque tem por finalidade ser a condição habitual, permanente, da alma.”[ii]

Essa graça santificante, deificante, habitual é mais ou menos como um pré-requisito, um pressuposto de algo que teremos no céu que é a luz da glória, que, “no entanto, não poderá ser concedida senão à alma já unida a Deus pelo dom prévio a que chamamos graça santificante.” [iii]

Sem essa graça, jamais poderemos ver a Deus.

Ela é infundida em nossa alma pelo Batismo. Por isso é uma maldade muito grande o abortamento de um feto, uma vez que, supondo que seja morto por um método de queimadura dentro do ventre da mãe,  ou destroçado lá dentro do útero, por sucção, concordemos que ele nascerá já morto e assim o batismo desse ser humano será impossível. Sem batismo, não houve infusão de graça santificante. Esta pessoa nunca terá a visão de Deus tal como Ele é.

 

 

 

Ao chegarmos no céu, veremos Deus face a face, mas para essa visão chamada beatífica, preciso da luz da glória e ela dependerá da existência da graça santificante, deificante e habitual.

 

“E o grau da nossa graça santificante determinará o grau da nossa felicidade no céu…Mas o grau da nossa felicidade dependerá da acuidade espiritual da nossa visão. E esta, por sua vez, depende do grau em que a graça santificante tiver impregnado a nossa alma.”[iv]

 

O problema é que não é tão fácil conservar e até crescer em graça santificante, ou se por uma desgraça, a perdi, recuperá-la.

 

Sabendo disso, Deus vem em nosso socorro com a GRAÇA ATUAL, que, segundo Léo Trese, no livro Fé Explicada, seria um “impulso transitório e momentâneo” ou uma “descarga de energia espiritual” que atua sobre a mente  e a vontade da pessoa, para o fim de restaurar, incrementar, conservar a graça santificante, ou deificante, ou habitual.

 

O problema é como reagimos diante desse impulso da GRAÇA ATUAL.

 

É que, omo vimos, o pecado original fez feridas na nossa alma:

Ignorância: dificuldade para conhecer a verdade e facilidade para se enganar nos juízos. Manifesta-se também na propensão para ocultar a verdade que compromete e exige adesão. Inclina para o espírito crítico e para a autosuficiência intelectual.

Malícia: inclinação da vontade para o mal; tendência para o egoísmo, resistência a atuar por amor a Deus e aos outros.

Debilidade: Diante do esforço que requer a conduta reta. Costuma aumentar as dificuldades com a imaginação, e dissuade de as enfrentar.

Concupiscência: afã desordenado de prazeres. Exagera o atrativo dos prazeres e obnubila a inteligência que deixa de compreender a ordem em que os deve observar, colocando-os em primeiro lugar, e a vontade inclina-se para eles de maneira também desordenada.”

 

(POZO, Juan Francisco. A vida da graça, Diel, Coimbra, 1997, p. 28).

 

 

 

Por causa dessas feridas é difícil para nós:

 

      enxergarmos a verdade  (lembramos até de Pilatos que, em contato com Nosso Senhor Jesus Cristo perguntou-lhe: mas..o que é a Verdade?)

      a nossa vontade tem dificuldade para escolher o bem sempre (entre acordar em um horário determinado e fixo todos os dias, pela virtude da pontualidade, tendemos a ficar 5 minutinhos a mais na cama..)

      além do que, como fomos criados para a felicidade, tendemos a buscar coisas e pessoas que nos dêem prazer (o que é reforçado pela nossa sociedade consumista que faz um marketing aliando a bebida ao divertimento, o carro à mulher bonita ou ao homem bem sucedido…)

      essas feridas vão aumentando cada vez que eu peco, de modo que, da próxima vez, já tenha uma tendência para aquele pecado (se entrei uma vez por curiosidade em um site de pornografia, isso me viciará e quererei ver uma outra vez…).

Precisamos entender (pela inteligência) o que acontece com a nossa vontade.

 

I-                    CONCUPISCÊNCIA

Em geral, temos dois tipos de APETITES (ligados à nossa VONTADE), segundo Garrigou-Lagrange em seu livro sobre As Três Idades da Vida Interior, um apetite chamado concupiscível e um irascível.

 

Apetite concupiscível transformado em CONCUPISCÊNCIA

 

Existe um apetite que é lícito e ele ocorre quando a nossa VONTADE, o nosso QUERER busca um BEM SENSÍVEL previsto por Deus,  que pode ser:

AMAR…

DESEJAR…

USUFRUIR…

É chamado de apetite concupiscível.

 

 

Veja que não é moralmente mal amar, desejar, ou usufruir de algo ou alguém (apetites concupiscíveis).

Não há nada de errado se AMO COMER BOLO DE CHOCOLATE, se DESEJO COMER O BOLO DE CHOCOLATE que a minha mãe faz, se sacio a minha fome com aquele pedaço do bolo de chocolate.

Deus criou esse apetite, porque, sem esses gostos, desejos e prazeres ninguém comeria e certamente morreria. Assim, comer comida ou sobremesa com o fim reto de me alimentar, não há problema algum.

O problema é quando eu me DESVIO DO FIM  DAQUELE APETITE CRIADO POR DEUS, ou seja passo do apetite concupiscível lícito à concupiscência que é pecado (concupiscência pecaminosa)

 

A finalidade dos apetites concupiscíveis visam sempre a fins ordenados

      Comer para me alimentar e não morrer…

      Servir-me de um bem material para necessidades  e para servir ao próximo…

      Ser amiga de uma pessoa por amor a Deus, para agradá-lo, agindo como eu agiria se Ele mesmo fosse o meu amigo….

 

Quando me desvio desse fim ordenado e moderado, previsto por Deus, entra o pecado pessoal:

                                                                     

 

                    

                                                                       FIM  DESORDENADO – PECADO PESSOAL

 

 

 

 

 

Naqueles exemplos acima mencionados, o apetite ficaria assim:

Eu como, mas não só para me alimentar… mas por gula…

Servo-me de um bem material não para minhas necessidades e da minha família e para servir ao próximo (fim bom)…mas por mero prazer, luxo, vaidade, comodismo, capricho…

Sou amiga de uma pessoa não por amor a Deus e para agradá-lo, mas para obter alguma vantagem futura que já estou projetando…

 

II –        DEBILIDADE

Debilidade: transformação do apetite concupiscível que busca o bem, para uma busca do mal

 

Outras vezes, temos não um problema no fim que eu escolhi para o apetite concupiscível que deveria  ser aquele previsto originalmente por Deus, o Criador de Todas as Coisas,  mas aquele mesmo apetite se transforma em coisa má:

Eu amo….transforma-se em Eu odeio…

Eu desejo….transforma-se em Eu tenho aversão…

Eu usufruo….transforma-se em Eu me sinto triste com isso…

Veja que Deus criou o apetite concupiscível para um fim bom e honesto, mas eu o transformo em um MAL concretamente.

E por que isso aconteceu comigo?

 

Quais são os motivos que transformam a busca de um bem  sensível de forma honesta em um  verdadeiro mal?

 

São os pecados capitais (debilidade)

 

Por soberba de mim mesma – Debilidade de Soberba-Egoísmo

Resultados:

 

  • Rivalizo – quando deveria ter caridade
  • Alimento antipatias e aversões – quando deveria ter caridade
  • Odeio  – quando deveria ter caridade
  • Discordo – quando deveria ter caridade
  • Não obedeço ninguém – quando deveria ser justa

 

 

Por Soberba para com o próximo – Debilidade da Inveja

Resultados:

  • Tenho ódio – quando deveria ter caridade
  • Sou maledicente – quando deveria ter caridade
  • Alegro-me com o mal alheio – quando deveria ter caridade

 

 

Por soberba para com o próximo – Debilidade da Ira

Resultados:

  • Ajo com violência – quando deveria ter caridade e temperança
  • Blasfemo contra Deus  – quando deveria ter fé
  • Falo injúrias contra o próximo – quando deveria ter caridade

 

Por causa da concupiscência dos olhos – Debilidade da Avareza

Resultados:

  • Fraudo o outro – quando deveria praticar justiça
  • Desespero-me – quando deveria ter esperança

 

 

Por causa da concupiscência da carne – Debilidade da gula

Resultados:

 

  • Pratico atos impuros comigo mesma ou com outrem – quando deveria ser prudente e casta
  • Excedo do comer e beber- quando deveria ter temperança

 

 

Por causa da concupiscência da carne – Debilidade da luxúria

  • Sinto amor por mim até o desprezo de Deus – quando deveria ter caridade
  • Sou inconstante – quando deveria ter fortaleza
  • Tenho cegueira espiritual – quando deveria ter prudência e fé

 

Por causa da soberba de mim – Debilidade da preguiça

Resultados:

  • Torno-me tíbia- quando deveria ter caridade
  • Torno-me pusilânime- quando deveria ter fortaleza

 

Em todos esses casos, há pecado se houver:

 

II-                  MALÍCIA

 

MALÍCIA – sei e quero mesmo assim

 

Pela inteligência – eu sabia que Deus não gostaria. Sei que é pecado, que desvia do fim previsto por Deus, porque até já me confessei antes sobre isso.

Pela vontade – eu quero realizá-lo mesmo sabendo que é pecado sim.

Se a matéria for grave – o que eu sei e quero é grave, fere a caridade a Deus e ao próximo, será caso de pecado chamado mortal.

Sei que Deus não quer que eu odeie ninguém, somos irmãos, porém, tenho inveja e não me importo com isso, e passo a deliberadamente desejar o mal para fulano ou beltrano e se puder até faço-lhe o mal, como retribuição (premeditado).

Isso transforma o meu pecado em mortal, porque há plena liberdade, não está concorrendo nenhuma paixão violenta e momentânea com o meu ato (foi até premeditado).

 

IV – IGNORÂNCIA- não sei, ou deveria saber, e quero por causa de um defeito ou paixão que possuo (algum pecado capital)

 

 IGNORÂNCIA VENCÍVEL

 

Eu tenho aversão…mas porque não alimento bons pensamentos em favor aquela pessoa (sou negligente).

Em outras palavras, ajo com CULPA, mas sem malícia (minha vontade não queria o fim mal, mas porque sou negligente peco- tenho aversão).

Pratiquei o ato ou o pensamento,  porque:

- ou houve imprudência – não deveria agir naquele ato, mas me abster (não deveria ter gritado com impaciência com o meu subordinado, ou com meu marido, ou filho..). Mas a paixão me arrastou para isso – no caso a ira;

-ou negligência – não deveria ter sido omissa, mas deveria ter agido (não deveria ter deixado de defender alguém que eu sabia inocente numa situação). Mas a paixão me arrastou para isso – no caso a inveja que eu sentia daquela pessoa.

Não há malícia porque pela minha inteligência eu sei que é contra o fim ordenado por Deus, porém não consigo dirigir a minha vontade para o fim bom previsto por Deus.

 

Qual é a solução para tudo isso?

 

1º. PASSO

DETECTAR E ADMITIR O QUE ESTÁ ERRADO E SUBMETER A VONTADE VIVIFICADA PELA CARIDADE  À INTELIGÊNCIA E À FÉ.

 

Devemos submeter a nossa vontade a uma RETA RAZÃO.

Admitir que aquilo que eu quero, desejo, usufruo não está conforme a finalidade prevista por Deus, ou que tenho, por culpa minha, sido imprudente, negligente em combater os meus defeitos com uma virtude contrária àquilo que habitualmente tenho praticado. Colocar todo o empenho para não voltar a fazê-lo e confiar plenamente em Deus, pois Ele,  antes de toda ação boa da nossa parte, Deus enviou algo que vimos, chamado graça atual, um impulso espiritual para realizarmos esse algo de bom.

A nossa parte é não repelir esse impulso da graça, sermos dóceis ao Espírito Santo.

“A docilidade do filho é, pois, uma decorrência natural do amor: a atitude de quem secunda os desejos do seu Pai, procurando satisfazê-los com extrema sensibilidade e delicadeza.”[v]

Então, sabemos que não devemos odiar o próximo e nem o nosso inimigo, mas amá-lo (nossa inteligência entende isso iluminada pela fé).

Sabemos que não devemos cultivar pensamentos de querer que o outro se dê mal, para não sentirmos aversão.

Sabemos que os bens devem estar a serviço nosso e dos outros e não uma busca pelo bem em si mesmo, para acúmulo…

Se tenho de cuidar de crianças sapecas, pensar que Deus me dará graças para eu bem tratá-las, ter essa confiança Nele nos ajudará a termos paciência.

 

 

 

 

 

2º PASSO – NÃO FICAR SE DESCULPANDO, MAS ACEITAR A GRAÇA REALIZAR UMA CONTRIÇÃO E CONFESSAR-SE QUANDO FOR POSSÍVEL

 

É importante saber que, ao pecarmos, Deus nos dará a graça da conversão, iluminando a nossa inteligência para entendermos que o que fiz foi um mal.

A atitude correta é aceitar essa graça, reconhecer o erro, pedir perdão imediatamente, realizando uma contrição.

É que, quando não desperdiçamos a primeira graça, Deus envia a segunda, que é a de confessarmos aquele mal.

Mas, se “repelir essa primeira graça e dizer: ´Isto que fiz não foi tão mau; muita gente faz coisas piores.´Se o fizer, provavelmente não terá uma segunda graça ….Este é o “ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que julga ter (Mt 25,29).” [vi]

 

3º. PASSO – ABANDONO EM DEUS

 

 

E se somos pessoas precipitadas, se o pecado capital, por exemplo, o da ira, nos pega  constantemente, o remédio será estar em dependência de Deus, abandonar-se nele.

“A santidade consiste no cumprimento amoroso da vontade de Deus, ao ritmo dos deveres e dos incidentes de cada dia, e num abandono absolutamente confiante em seus braços. Mas este abandono deve ser ativo e responsável, e há de levar-nos a lançar mão de todos os meios ao nosso alcance para enfrentarmos cada situação que nos depare….O abandono em Deus deve estar, pois, intimamente unido a uma atitude operativa, que rejeita prontamente esses argumentos de inerme resignação (´má sorte´, ´azar´ambiente adverso, injustiças, falta de condições….) que parecem virtuosos, ou razoáveis, mas que muitas vezes escondem mediocridade, preguiça, imprudência…Exige uma disposição de ânimo valorosa, empreendedora, que ´cresce perante os obstáculos´, em vez de encolher-se num conformismo antivital.”[vii]

 

 

4º. PASSO – CONHECER O MEU DEFEITO DOMINANTE

 

É necessário examinar-se diariamente para detectar qual é  o nosso ponto fraco, em que habitualmente eu perco a paciência, sou maledicente, critico….

“…es um punto débil que ni las virtudes teologales, ni las virtudes Morales defienden..”[viii]

Na prática, devemos formular a seguinte pergunta a nós mesmos:

-Qual foi hoje a causa da minha tristeza, ou da minha alegria?

-Qual foi hoje o motivo concreto de eu ter agido daquela forma, ou de ter me omitido naquela situação?

Ou então, ir repassando pecado capital por pecado capital e verificar se em algum momento teria eu incorrido em algum deles.

 

 

5º. PASSO – COMBATER O DEFEITO DOMINANTE

 

Para combater o defeito dominante, devo:

1-      Pedir perdão a Deus (ato de contrição)

2-      Pedir a Deus que me afaste dele, que eu não caia nele da próxima vez:

“Senhor, afasta de mim o que me afasta de Ti”

3-      Impor-se alguma penitência voluntária, uma satisfação para reparar  o mal cometido, podendo ser a realização do oposta ao que eu fiz (se foi um ato de maledicência, procurar a mesma pessoa para falar bem do outro…se foi um ato de negligência em ajudar ao próximo em alguma solicitação feita, ajudá-lo sem esperar por um pedido e assim por diante).

 

“Sin este combate no hay gozo interior, ni paz, porque la tranquilidad del orden, que es la paz nace del espíritu de sacrifício.” [ix]

 

6º. PASSO – MORTIFICAR-SE

 

Mortificar-se significa submeter à disciplina e à ordem as nossas paixões:

1-      Mortificando a sensualidade – fugindo das ocasiões que certamente me levarão à luxúria…como ver cenas obscenas na internet, prestar atenção no físico de uma mulher…

2-      Mortificando o coração – não buscando deleites em pensamentos, sensações…

3-      Mortificando a ira…pensando sempre bem da pessoa com a qual convivo, não discutindo por assuntos que com o tempo se pode vencer….

4-      Mortificando a inteligência – não perdendo o precioso tempo em informar-se de coisas que não vão formar o nosso juízo, ou que é um amontoado de conhecimentos sem conexão…porque isso desvia-nos do esforço de contemplarmos a Deus pois a nossa mente está curiosa e extremamente ocupada….

5-      Mortificando a nossa vontade – realizando justiça (dar a cada um o que merece); sendo obediente (aquilo que nos é dito em uma direção espiritual); tributando a Deus o culto devido…

6-      Mortificando a imaginação e a memória

 

Aqui é muito importante mencionarmos o que diz Garrigou-Lagrange:

“El olvido de Dios hace que nuestra memória este como sumergida em el tiempo, del que no vê la relación que tiene com la eternidad, com los benefícios y las promesas de Dios. Esta falta inclina a nuestra memória a contemplar las cosas horizontalmente em la línea del tiempo que va huyendo, y del cua solo es real el momento presente, entre lo pasado que ya há desaparecido y lo futuro que todavia no a llegado. El olvido de Dios nos impide ver que aun el momente presente se halla en la línea vertical que lo une al único  instante de la inmoble eternidad, y que hay uma manera divina de vivir esse presente momente, para que, por los méritos, pertenezca  a la eternidad. Mientras que el olvido de Dios no nos levanta de la trivial y plana vista de las cosas em la linea del tiempo que pasa, la contemplación de Dios es como la visión vertical de las cosas que no Duran, y del lazo que las une com Dios que no pasa jamás. Vivir como sumergidos em el tiempo. Es olvidar su valor, es decir su relación com la eternidad.”[x]

 

 

 

 

 

 

[i] TRESE, Leo. A Fé Explicada. 7ª. Edição- Quadrante, São Paulo:200,  p. 94.

[ii] , TRESE, Leo. A Fé Explicada.  p. 94.

[iii] , TRESE, Leo. A Fé Explicada.  p. 95.

[iv]TRESE, Leo. A Fé Explicada.  , p. 95.

[v] CIFUENTES, Rafael Llano. Não temais. Não Vos Preocupeis, Deus é vossos Pai, Rio de Janeiro, 1999, p.78.

[vi] , TRESE, Leo. A Fé Explicada.  p. 96.

[vii] CIFUENTES, Rafael Llano. Não temais. Não Vos Preocupeis, Deus é vossos Pai, Rio de Janeiro, 1999, p. 75.

[viii] GARRIGOU-LAGRANGE, R. Las Tres Edades de La Vida Interior, Tomo I, Ediciones Palabra, Madrid, p. 367.

[ix] GARRIGOU-LAGRANGE, R. Las Tres Edades de La Vida Interior, Tomo I, Ediciones Palabra, Madrid, p.371.

[x] GARRIGOU-LAGRANGE, R. Las Tres Edades de La Vida Interior, Tomo I, Ediciones Palabra, Madrid, p. 402.

 

 

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Santa Maria: Mãe de Deus e nossa Mãe

SANTA MARIA, MÃE DEUS E NOSSA MÃE

 

 

SANTA MARIA: A CHEIA DE GRAÇA

 

O que é a graça e o que ela opera em nós?

 

A graça é a participação na vida divina, algo que nos foi conquistado por Nosso Senhor na Cruz, precisamente naquele momento em que, após furado o lado do coração pela lança do soldado, (para se certificarem  de que não seria preciso quebrar as pernas de Jesus apressando sua morte por asfixia já que  aquela sexta era a solenidade da Páscoa Judaica) jorram do seu coração água e sangue. A água é o símbolo do Espírito Santo, que é a graça incriada, Senhor que dá a Vida Divina. O sangue é o que nos purifica, do mesmo jeito que o sangue era aspergido pelo Sumo Sacerdote no Yom Kippur no propiciatório (da Arca da Aliança) para expiação das faltas do povo de Israel contra a Lei.

A graça opera no mais profundo da nossa alma, divinizando-nos, eudeusando-nos:

“Pela graça, a  alma é atingida no mais profundo do seu ser, de modo que bem se pode falar de uma nova criação, de uma nova vida. É por isso que São Paulo fala do cristão em graça como de ´uma nova criatura em Cristo´(2 Cor 5,7) de um homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeiras.´ (Ef 4,24)”  (DELCLOS, Antônio Orozco. Olhar para Maria, Tradução de Gabriel Périssé, Quadrante, São Paulo, 1992, p. 26).

“Á semelhança da ação do fogo sobre o ferro, a graça deixa-nos incandescente, conferindo-nos características que não tínhamos antes: uma cor, uma beleza, uma harmonia, uma fluidez e uma eficácia sobrenaturais.” (DELCLOS, Antônio Orozco. Olhar para Maria, Tradução de Gabriel Périssé, Quadrante, São Paulo, 1992, p. 26).

“O milagre da graça supera todos os que Deus realiza para devolver a saúde corporal; a ressurreição de uma alma ferida excede de longe a ressurreição de um corpo morto.” (DELCLOS, Antônio Orozco. Olhar para Maria, Tradução de Gabriel Périssé, Quadrante, São Paulo, 1992, p. 27).

“Por isso, perder a graça de Deus, matar com o pecado a graça de uma alma, é um mal maior do que a destruição de todo o universo natural” (DELCLOS, Antônio Orozco. Olhar para Maria, Tradução de Gabriel Périssé, Quadrante, São Paulo, 1992, p. 27).

“O  bem da graça de uma pessoa – afirma São Tomás – é maior do que o bem natural do universo inteiro.” (S. Th, I-II, q 113, a.9).

 

 

 

 

Pois bem. Nossa Senhora era cheia de graça, palavras do Anjo Gabriel, para ela: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo…”

E era cheia de graça desde o momento em que foi concebida no seio de sua mãe Ana. Por isso se diz que Santa Maria é a IMACULADA CONCEIÇÃO (dogma desde 1854, pelo então Papa Pio XI).

Foi assim que Nossa Senhora se apresentou à Santa Bernardete, quando esta lhe indagou quem era (em Lourdes, França, 1858) – “Eu sou a Imaculada Conceição”.

 

SANTA MARIA: MÃE DE DEUS

 

“Que Maria seja Mãe de Deus implica outro mistério elevadíssimo, talvez o de mais difícil compreensão para os homens: o da Encarnação do Verbo, pela qual, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade – o Verbo de Deus – assumiu uma natureza humana formada no seio da Virgem Maria, de modo que o homem assim concebido é homem verdadeiro, pois é verdadeiramente humana a natureza criada que assumiu e possui, sem deixar por isso de ser Deus.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 19).

 

A Encarnação de Deus Filho

 

Não foi fácil chegar-se à conclusão de que Jesus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

No início da Igreja, houve a heresia de Ário, chamada arianismo.

 

Heresia de Ário: a pessoa de Jesus é criatura do Pai (inferior)

 

Para ele e seus  adeptos Jesus não seria o Verbo encarnado, aquele que é consubstancial ao Pai, mas seria Ele uma criatura do Pai, embora divinizada e não seria co-igual a sua majestade com o Pai, nem seria Ele o Verbo eterno de Deus, gerado desde sempre.

 

 

É um absurdo o arianismo, porque chegaríamos à forçosa conclusão de que haveria alguma época em que o Pai não seria Pai, já que Jesus era uma criatura (criada a partir de um momento) do Pai. O arianismo ia contra o que ficara definido no Concílio de Nicéia que Deus Filho é consubstancial ao Pai (credo niceno).

 

Toda a confusão ocorreu porque, Ário que era presbítero e esteve presente no Concílio de Nicéia convocado pelo Imperador Constantino no seu Palácio Imperial próximo de Nicomédia, argumentava que em João Jesus mesmo dissera que o Pai era maior do que ele, indicando uma subordinação do Filho em relação ao Pai.

E assim, Constantino vacila e torna-se adepto do arianismo e, quando morre, um dos seus filhos, Constâncio também acolhe as idéias de Ário, ao contrário do filho Constante que mantém a fé como definida no Concílio de Nicéia.

Quem leva a pior é o Bispo de Alexandria, Santo Atanásio (02.05), que passa por 5 exílios, pois ele se mantém firme na questão de ser Jesus sim consubstancial ao Pai e igual a este, sem subordinação. Só para ficar registrado, Santo Atanásio era assistente do Bispo Alexandre de Alexandria e também estivera presente no Concílio de Nicéia.

 

Heresia dos macedonianos- a pessoa de Jesus é “semelhante” ao Pai, mas não co-igual

 

E também a heresia dos macedonianos que diziam que o Filho não seria igual, nem criatura, mas semelhante ao Pai e que o Espírito Santo não seria Deus.

“Depois das controvérsias dos primeiros séculos sobre o ser de Cristo, para expressar o mistério do Deus-Homem, a Igreja serviu-se das palavras que traduzimos para português por ´natureza´e ´pessoa´. Não são termos sinônimos: designam princípios realmente distintos, ainda que de fato não haja natureza humana sem que esteja dotada da ´pessoalidade´, nem pessoa (humana) que não possua uma natureza (humana). A nossa língua reflete essa distinção com muito acerto, confirmando que não se trata de uma subtileza fabricada artificialmente para explicar algo esotérico ou inexplicável. Com efeito: não é o mesmo perguntar com a palavra ´que´que com a palavra ´quem´.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 20).

 

Afinal quem é que Nossa Senhora concebeu e deu à luz?

Assim, para entendermos que Nossa Senhora é a Mãe sim da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade (não que ela o tenha gerado na eternidade, pois isso quem fez foi o Pai, mas ela o concebeu pelo poder sim do Espírito Santo, aliás, sem a concorrência de sêmen de São José):

 

Quem és? Jesus responderia: Eu sou a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

O que és? Jesus responderia: Eu sou homem e Deus. (dupla natureza).

O quem nos fornece a pessoa. O que nos fornece a natureza.

“Essa distinção é absolutamente necessária para entender que não é absurdo nem impossível que uma natureza humana possa pertencer a uma pessoa não humana.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 21).

 

“Não teríamos podido imaginar que Deus – o Deus único, criador e transcendente – pudesse fazer e querer uma coisa assim; mas uma vez sabido, não repugna à razão. Repugnaria se natureza e pessoa fossem  ao mesmo tempo divina ou viceversa. Mas não repugna que uma Pessoa divina, sem deixar de ser Deus, quer dizer, sem deixar de possuir a natureza divina, venha tomar posse de uma natureza divina, venha  tomar posse de uma

Ele tem corpo, para redimir o nosso corpo, Ele tem alma, para redimir nossa alma, Ele tem coração, para redimir o nosso coração. A natureza humana não foi aniquilada.

Ele tem inteligência, vontade, alma humana e corpo, tudo isso pertencem ao Filho de Deus.

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade assumiu a natureza humana. Ele tinha conhecimento humano porque tinha alma humana que não é onisciente, mas como Pessoa Trinitária tem, claro, onisciência. Por isso, São Lucas, diz que ele crescia em sabedoria, graça e estatura (crescia em sabedoria em sua alma humana). Ele aprendeu as coisas humanas.  Isso fazia parte de seu rebaixamento voluntário na condição de escravo. (Carta aos Filipenses).

A alma humana tinha que crescer em sabedoria.

Esse conhecimento exprimia a vida divina da sua Pessoa (São Gregório Magno).

 

Se observarmos a sua vida, entraremos no mistério de Deus, porque Ele revela uma das Pessoas da Santíssima Trindade.

 

De onde vinha o conhecimento das coisas de Deus que Ele pregava para nós? Não era por dons do Espírito Santo, mas pela união hipostática dele (alma humana unida à pessoa divina do Verbo) união íntima Dele com a Trindade. Enquanto a gente recebe o Espírito Santo, Nele o Espírito Santo permanecia (pairava sobre Ele).

E Ele manifestava tudo o que convinha a Deus.

 

Cristo exprime humanamente os modos divinos de agir da Trindade em sua alma e corpo.

Como Deus age? O sujeito que usa a humanidade é divino, é só observar a vida de Cristo.

 

Então, “a partir do instante em que a Virgem disse ´fiat´, o Verbo pôde dizer: ´este homem sou Eu´. Jesus, gerado por obra do Espírito Santo, é verdadeiro homem porque tem uma natureza real e perfeitamente humana. E é verdadeiro Deus, porque a pessoa que sustenta essa natureza não é outra senão a do Verbo. O Verbo – eterno Deus – misteriosamente, vem a ser homem: um da nossa própria espécie, alguém com uma natureza igual à nossa (salvo o pecado), mas com uma singularidade irrepetível: esse homem é o Verbo. O ´eu´desse homem, Jesus, é o `Eu´divino do Verbo.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 22).

 

“Portanto, em Cristo, não há pessoa humana, o que não obsta que a sua natureza humana seja perfeita: tem todas as perfeições que tem ou pode ter qualquer natureza humana. Também está apoiada, atualizada, vivificada, por uma pessoa, com a particularidade de que esta é a Segunda da Santíssima Trindade. Maria concebeu, por obra do Espírito Santo um homem verdadeiro que era, desde o primeiro instante da sua existência, Verdadeiro Deus.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 22).

 

 

Por que Ele disse que o Pai não tinha revelado o dia e a hora – a alma de Jesus não soube de algumas coisas, para a sua missão? Ou não convinha revelar, ou não fazia parte da sua missão.

Ele tem duas vontades – Ele quis humanamente tudo o que decidiu com a Trindade para a nossa salvação (Concílio de Constantinopla – 681, na época do Papa Agatão, no século VII haviam hereges do monotelismo e monergismo – Defende que em Jesus há duas vontades: a humana e divina – Mas o Imperador de Constantinopla queria resgatar os egípcios coptas que eram monofisismo de Cirilo de Alexandria e rejeitado o Concílio de Calcedônia- quer acordo com monofisitas – a fuga de Maomé em 622 e os árabes estavam sendo uma força armada e impressionando o império, queriam invadir o Império).

 

O Papa Honório não cometeu heresia, mas esteve mal informado (não se comete heresia se não se é informado). Reviu a opinião com consciência própria.

Cristo tem duas vontades não opostas mas cooperantes – Verbo feito carne quis humanamente tudo o que Ele mesmo decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo – não houve um conflito – A vontade de Jesus se dobra diante da Vontade Divina. A vontade Divina quer o mesmo, mas a humana sua para obedecer isso. Este drama do Horto das Oliveiras é o que acontece com a vontade humana com a Vontade Divina.

A vontade humana segue a Vontade Divina, subordinada a esta.

É o 3º. Concílio de Constantinopla.

 

SANTA MARIA NA OBRA DA REDENÇÃO

 

Somos um Só com Jesus – Novo Adão

Jesus na Última Ceia realiza uma oração sacerdotal ao Pai pedindo que “Pai Santo, cuida em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um como nós (…) Dei-lhes a glória que tu me deste, para que sejam um como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitamente um (´unum´) e o mundo conheça que tu me enviaste e que os amaste a eles como me amaste a mim.” (João 17, 11-23).

Jesus quer, então, pela Obra da Rendenção, que sejamos um com Ele (“ut omnes unum sint”), do mesmo modo como o Pai está Nele e Ele no Pai (“sicut tu Pater in me ET ego in te”).

“Eis aqui uma maravilha que vale a pena aprofundar: ´O Filho de Deus – salienta o Concílio Vaticano II – mediante a sua encarnação uniu-se de certo modo com todos os homens.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 76)

Jesus se une a cada homem, mulher concreto, em sua única e irrepetível realidade humana e assim forma o seu Corpo Místico, através do laço sagrado de Amor, o Espírito Santo.

Na verdade, os teólogos explicam que a humanidade sempre foi “unum”.

“E explica-se bastante bem concluindo que eu sou ´unum´com eles, que por sua vez eram ´unum´entre eles (dois em um, duo in carne una). Solidariedade vital entre os que têm nas veias o mesmo sangue. E como, no nosso caso, o ´sangue´, os ´ossos´, o nosso corpo inteiro é ´pessoal´(de pessoas com alma espiritual)  há também uma solidariedade espiritual entre todos os membros da humanidade. Por isso, de uma forma misteriosa, mas estritamente ´natural´somos ´unum´em Adão e Eva (que  eram ´unum´entre si).” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p.78-9)

Só que o ´unum´humano foi deteriorado com o pecado, por isso, Deus “envia ao mundo o seu Unigênito, para que se faça um de nós, que com a força infinitamente unitiva do Amor divino infunda no ´unum´humano seiva nova, capaz de restaurar o ´unum´perdido e de o elevar e introduzir no `Unum´divino trinitário.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 79)

Na realidade, como bem compreendeu Santo Agostinho “com a sua poderosa inteligência ilustrada pela Fé, consegue compreender uma síntese formidável: há só dois homens: Adão e Cristo.”

 

 

 

A Santíssima Trindade resolve realizar a redenção com a cooperação de cada homem concreto

O Catecismo da Igreja Católica nos explica muito bem essa cooperação do homem concreto no que a Igreja tecnicamente denomina de “Economia Sacramental”.

A ideia é seguinte: Jesus fez-se semelhante a nós em tudo, exceto no pecado, pois Ele sempre foi santo, cheio de virtudes e sem nenhuma imperfeição, pois Ele é Deus-Filho e Ele nos reconciliou com a sua morte na Cruz, ocaisão em que ele fez um louvor perfeito ao Pai e reparou os nossos pecados de modo perfeito e o modo como resolveu dispensar os frutos dessa redenção e de nos comunicar a sua comunhão com Deus-Pai foi por meio da atualização do mistério pascal (que não é repetido na missa, mas celebrado) e isso acontece por ação do Espírito Santo que faz com que a oferenda se transubstancie em Corpo e Sangue de Jesus e nós, pela comunhão, nos tornemos um com Jesus assim como Ele é “unum” com o Pai.

Ao nos tornarmos “unum” com Jesus pela comunhão, graças à ação do Espírito Santo, que atualiza o mistério pascal, recebemos Jesus na Eucaristia e nos tornamos membros do seu Corpo Místico, do qual “Cristo erige-se em Cabeça da humanidade renovada, revitalizada, chamada com mais força do que nunca à santidade original, ainda mais, à superação da original filiação divina, porque agora nos foi dado o poder de nos chamarmos – a ser na verdade ´ filhos no Filho´ (João Paulo II, discurso 31-Viii-1983), formamos com Cristo e n ´Ele um mesmo Filho do Pai. (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 80).

E assim, quando agimos, é Cristo que vive em nós, como diz São Paulo.

 Aliás, São Paulo captou muito bem toda essa maravilha da redenção ao exprimir a sua alegria em padecer pelos Colossenses, pois assim “cumpro na mina carne o que falta à Paixão de Cristo”.

“Paulo sem Cristo não seria ninguém, nada. Ma com Ele é “unum” com o Redentor, não o divide, mas por um desígnio de Aor ´complementa- o´e assim ´corredime´com Cristo. (…) ´(OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p.82)

Seria Maria também chamada a participar da redenção?

Claro! E com muito mais intimidade.

Pois bem, se Paulo é ´unum´com Cristo; se Paulo está chamado a ser ´unum´à semelhança do ´Unum` trinitário, como será o ´unum´que formam Cristo e sua Mãe? (…) Será uma unidade essencialmente superior à de qualquer outra criatura com Cristo. O lugar de Maria na obra da salvação não é de simples acompanhamento, nem de mera intercessão perante o Filho pelos WNão é justo reduzir a atividade de Maria à intercessão, embora se afirme com verdade que é a Onipotência suplicante. A Virgem intervém na obra de Cristo – sem o qual Ela também seria nada – de um modo intimíssimo, em todas as dimensões de toda a obra salvífica; e de um modo tão íntimo, e muito mais, embora de maneira oposto de como interveio Eva na consumação do pecado original. Se Eva esteve imersa totalmente no primeiro pecado, Maria esteve inteiramente imersa em Cristo e sob sua influência desde o primeiro instante da sua Imaculada Conceição.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p.82-3).

Eva é a Mulher prevista no Gênesis 3,15, que o Criador coloca inimizade com a serpente e a descendência de ambas e é ela que esmaga a cabeça da serpente.

“E o plano reflete a sabedoria divina, que atua na história do mundo e do homem a despeito de Satanás, que por sua vez se esforça por estragar os planos de Deus. Satanás serviu-se da mulher para arrastar Adão e os seus filhos para o abismo do pecado e da perdição. Deus servir-se-á de uma mulher para realizar as maravilhas da Encarnação e da Redenção por meio de Cristo, Verbo encarnado no seio de Maria. Deste modo, diz Pietro Parente, Deus dá a volta à trama de Satanás com sublime ironia.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 83).

 

SANTA MARIA: NOSSA MÃE

 

Santa Maria – Mãe de Cristo (Corpo Místico de Cristo)

Sim. “Maria é nossa Mãe não em sentido natural   – isto é obvio – mas sim num sentido real, espiritual e místico, porque é Mãe de Cristo, não só do Cristo em pessoa, mas do Cristo total (Cabeça e membros). Não só segundo o corpo físico de Cristo, mas também do indivisível Corpo Místico de Cristo.” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 89)

 

Santa Maria mereceu a graça de ser constituída Mãe dos filhos de Deus em Cristo

 

“Vimos já que Maria foi constituída Mãe dos filhos de Deus em Cristo. Vejamos agora que mereceu também essa graça (não nos referimos à da maternidade divina, mas à espiritual em relação aos filhos) que a converte em Nova Eva, Corredentora com Cristo. (…) Começa quando, face ao anúncio do Arcanjo S. Gabriel, em representação de toda a humanidade, dá o seu consentimento à realização dum matrimônio espiritual entre o Filho de Deus e a natureza humana. (…) As palavras ´eis aqui a escrava do Senhor´testemunham a total abertura do espírito de Maria à pessoa de Cristo, a toda a sua obra e missão. (…) E foi iuxta crucem Iesu, junto à Cruz de Jesus, onde com particular intensidade exerceu a sua missão corredentora. Ali, não sem desígnio divino, se manteve de pé, sem protestar, com uma dor como não pode haver outra, ´sofrendo profundamente com o seu Unigênito e associando-se com coração de Mãe ao seu sacrifício, consentindo amorosamente na imolação da vítima que ela própria tinha gerado´ (LG,58). ´Uma foi a vontade de Cristo e de Maria; ambas ofereciam a Deus um mesmo holocausto: Maria com sangue no coração; Cristo com sangue na carne.´ (…) Porque aceitou sem protestar aquela tortura? A resposta é esta: ´movida por um imenso amor por nós, ofereceu Ela própria o seu Filho à divina justiça para nos receber como filhos.´(Leão XIII, Enc. Iucunda semper). (…) Ela também ´sacrifica, merece, redime´. Satisfaz – de um modo subordinado e dependente – a pena merecida pelos pecados de todos os homens que foram, são e serão. E merece pelo seu sacrifício as graças da Redenção. Embora o mérito de Maria seja diverso – de côngruo, precisa São Pio X – ao mérito do Senhor, Ela mereceu-nos o mesmo que nos mereceu Cristo: não só a aplicação ou distribuição das graças, mas as próprias graças, pela super eminente santidade que possuía e pela tão perfeita compaixão que sofreu no monte do Calvário. A seu modo, mereceu todas as graças, exceto a primeira que Ela recebeu, merecida só por Cristo. (…) O Senhor Jesus fez com que sua Mãe, que estava de pé junto à Cruz, tomasse parte no próprio ato do seu sacrifício. Incluiu a vontade D´Ela dentro da sua e assim fez com a sua Mãe dentro da vontade D´Ele, tomasse parte na obra da Redenção. Foi o Filho, não a Mãe, quem realizou esta obra, mas incluindo dentro da sua própria vontade a vontade de sua Mãe” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 95-6).

 

Santa Maria: cooperação maternal corredentora

 

Maria é nossa mãe, “não tanto porque Cristo no-la proclamou como Mãe na Cruz (que é verdade), mas também porque já o era, estava sendo pela sua plena associação ao Sacrifício. As palavras ´Mulher, aí tens o teu filho´, ´aí tens a tua Mãe´são a proclamação solene destes vínculos de maternidade-filiação, que, na ordem do espírito, já existiam entre Maria e todos os homens. Por isso, a cooperação mediadora de Maria, a sua corredenção ´tem um caráter especificamente maternal. E levá-la-á a cabo tanto na linha ascendente (cooperação maternal corredentora) como na linha descendente (cooperação maternal de intercessora diante de Deus e de distribuidora de todas as graças)” (OROZCO, Antônio. Mãe de Deus, Mãe Nossa, Diel, Coimbra, p. 97).

 

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