Dois homens e um segredo: a santificação do, no e com o trabalho

“Nada atrai mais almas do que o exemplo de uma vida constantemente virtuosa. Um justo, um homem cumpridor do seu dever, é uma pregação contínua…”[i]

 

Dois homens, um segredo

Certo dia, havia dois pedreiros trabalhando em uma construção. “Alguém aborda o primeiro pedreiro e pergunta: “O que você está fazendo?” Ele olha para cima e responde: “Você não vê? Estou colocando tijolos, um em cima do outro. As pedras são pesadas, e levantá-las pode ser árduo. Eu nem tenho certeza se esse projeto será concluído durante minha vida. É um pouco monótono, com certeza”. Cerca de dez metros depois, essa pessoa se aproxima do segundo pedreiro e lhe faz a mesma pergunta. Ele olha para cima e responde: “Você não pode ver? Estou construindo uma catedral.”

 

Que diferença desses dois pedreiros! O primeiro é um cumpridor de obrigações e mais nada. Seu olhar é curto. Não vê finalidade, concentra-se só no seu agir. Não pensa nos outros, é um egoísta.

O segundo pedreiro, que coração grande, que magnanimidade! Coloca amor na sua obrigação, amor ao próximo, vê finalidade no que faz e no quanto o seu trabalho é importante para os outros, aquele mero tijolo colocado em cima de outro, faz parte de uma bela construção, em que outros estarão lá um dia e ele é o colaborador disto.

Qual dos dois pedreiros será capaz de se empenhar por cumpri-lo com perfeição e não com má vontade, qual deles será capaz de demonstrar, embora esteja realizando algo aparentemente monótono e cotidiano, alegria de quem sabe que da sua pequena contribuição é que sairá uma linda catedral, que servirá a muitos no futuro?

Se quisermos, com o nosso trabalho, agradar a Deus, demonstrar a nossa gratidão a Ele, declarar o nosso amor por Ele em cada segundo de trabalho bem feito, devemos adotar a postura do segundo pedreiro.

Mas, não será que o primeiro pedreiro encara o trabalho como algo penoso, daí o seu desânimo?

Existe uma verdade que precisamos entender, o homem foi feito para trabalhar, assim como as aves para voar.

Deus criou o homem para trabalhar, para participar do Seu poder criativo.

A vocação do homem: trabalhar

Dizer que nós estamos aqui, pois Deus quer-nos trabalhadores, cooperadores da Sua Obra, não é uma opinião, um palpite.

A vocação do homem é essa mesma, trabalhar. E isso não veio por causa do pecado. O trabalho já estava nos planos do Criador antes do pecado original em que se diz tirará o homem o seu pão do suor do seu rosto.

É que Deus é trabalhador. Lembremos daquela passagem em que Jesus até comenta sobre isso:

A razão é dúplice:

  • “Proliferai e multiplicai-vos enchei a terra e submetei-a” (Gênesis 1,28).

Eis um dos motivos que dizemos que a nossa vocação é a de trabalhar, pois Deus nos outorgou um mandato: submeter (dominar, exercer um senhorio) a terra (o mundo visível).

Significa que o nosso dever cotidiano, conforme nossa vocação profissional, e nosso estado de vida (casado, solteiro, leigo, padre…) “se endereça para um objeto exterior, pressupõe um específico domínio do homem sobre a terra (…) terra (…) deve entender-se todo o mundo visível (…) submeter a terra tem um alcance imenso. Ela indica todos os recursos que a mesma terra (e indiretamente o mundo visível) tem escondidas em si e que, mediante a atividade consciente do homem, podem ser descobertas e oportunamente utilizadas por ele.” [ii]

  • “Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus os criou, homem e mulher” (Gênesis 1,27)

O outro motivo pelo qual extraímos que a nossa vocação é a do trabalho, insere-se neste contexto: somos feitos à imagem de um Deus que é trabalhador (Jesus mesmo dizia: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também – João 5:17), Deus  é Criativo, e quer a nossa coparticipação nos Seus feitos: “Deus criou o mundo para manifestar e para comunicar sua glória. Que suas criaturas participem de sua verdade, de sua bondade e de sua beleza, é a glória para a qual Deus as criou.”[iii]

“…o homem, ao tornar-se – mediante o seu trabalho – cada vez mais senhor da terra, e ao consolidar – ainda mediante o trabalho – o seu domínio sobre o mundo visível, em qualquer hipótese e em todas as fases desse processo, permanece na linha daquela disposição original do Criador, a qual se mantém necessária e indissoluvelmente ligada ao fato de o homem ter sido criado, como varão e mulher ´à imagem de Deus´ “. [iv]

Trabalho e vida interior

São Josemaria Escrivá, o Santo do Cotidiano, diz que qualquer atividade lícita e moral, pode ser uma ocasião de amarmos a Deus, de demonstrar-Lhe a nossa gratidão, de querer agradar-Lhe.

Seria, em suas palavras, a nossa santificação por meio do nosso trabalho, do nosso dever cotidiano, das nossas obrigações familiares, profissionais e sociais.

“Para o Fundador, é preciso reconduzir a Deus toda a criação e, tal como o rei Midas que transformava em ouro tudo o que tocava, fazer do trabalho humano, ´por amor, a Obra de Deus, Opus Dei, operatio Dei, um trabalho sobrenatural.”

Podemos santificar, isto é, elevar os nossos afazeres diários, algo que é humano, podemos elevá-lo a uma ordem superior, a uma ordem sobrenatural.

“Não entenderia a nossa vocação quem pensasse que a nossa vida sobrenatural se edifica de costas voltadas para o trabalho, porque o trabalho é para nós um meio específico de santidade.”[v]

Dessa forma, basta realizar o nosso trabalho, seja ele manual ou intelectual, doméstico ou profissional,  independentemente do cargo, função, etc…com   FÉ,  ESPERANÇA e  CARIDADE.

O que é fé?

Fé é uma virtude (prática habitual do Bem) que nos une a Deus, pois passamos a ter certeza de que Deus existe e de que somos contempladas por Ele e assim, com essa certeza, passamos também a contemplá-Lo, a admirá-Lo, ao longo de todo o dia, desde que acordamos até a hora do nosso repouso.

A fé é dada por Deus, pois não é algo que conquistamos pela prática de alguns atos, mas é infundida por Deus em nossos corações por ocasião do Batismo, mas a fé é como uma semente, se não a cultivamos desde que a recebemos no Batismo, ela vai, pouco a pouco, morrendo em nosso coração. Para ela voltar à vida, precisamos de uma boa confissão e também voltar a frequentar o que a alimenta, que são os Sacramentos, sobretudo, o alimento dado nas Missas: o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O que tem a ver a fé com o nosso trabalho cotidiano?

Tem tudo a ver.

Quem tem fé, passa a realizar o seu trabalho na presença de Deus.

Sabe que Deus, cujos “olhos” vê tudo, está contemplando o seu trabalho.

E assim, quem tem fé passa a contemplar a Deus, enquanto trabalha, realiza seus afazeres diários.

Assim, passa-se mais do que rezar e trabalhar dos beneditinos.

A nossa própria ação que é requerida pelo trabalho, pelo dever cotidiano, passa a ser uma ação contemplativa, uma ação que nos leva a Deus, que nos une a Ele. Assim, como o nosso coração bate e nós nem percebemos, enquanto realizamos o nosso dever diário, aquilo que a nossa vocação profissional e espiritual exige, o nosso coração está pulsando de amor e gratidão a Deus.

Essa é espiritualidade do Opus Dei e que pode ser a de um cristão batizado: uma vida contemplativa a Deus sem deixar de ser ativa, pois feita no meio das nossas ocupações habituais, no meio do mundo. Dessa forma, um cristão corrente, pode e deve se santificar, não precisando, já que não seria a sua vocação, se retirar para um mosteiro, para só aí ter vida contemplativa. A nossa contemplação a Deus pode perfeitamente se dar “no meio do mundo”.

“´A nossa vida consiste em trabalhar e rezar e vice-versa, em rezar e trabalhar. Chega um momento em que já não se sabem distinguir estes dois conceitos, estas duas palavras, contemplação e ação, que acabam por significar a mesma coisa na mente e na consciência.´ Sem o trabalho, sem o cumprimento dos deveres pessoais, não pode haver para o cristão corrente, vida e oração, vida contemplativa…sem vida contemplativa não serviria de nada trabalhar para Cristo.”[vi]

Por isso, quem tem fé realiza os seus afazeres diários com o máximo de perfeição humana possível.

Perfeição humana significa realizar tudo com virtude humana: vivendo a pontualidade, a laboriosidade, a veracidade, a prudência, justiça, lealdade, ordem, fortaleza, sinceridade, generosidade, sobriedade, compreensão, responsabilidade, perseverança, paciência, respeito, amizade, flexibilidade…

Para que o trabalho tenha tais perfeições humanas, atentará aos detalhes, às coisas pequenas. Como diz Jesus: “Quem é fiel no pouco, é no muito”. Quem é cuidadoso nos detalhes de uma obrigação bem cumprida, será cuidadoso em grandes empreendimentos. Uma alma magnânima não despreza os detalhes, coloca amor neles.

Sabe que até o modo de se fechar uma porta, não é de qualquer jeito, é com delicadeza. Que se iniciou um curso de atualização profissional, o fará até o fim, colocando “a última pedra”, se cuida de crianças ou idosos, colocará carinho, se atua com negócios, não irá mentir,  nem trapacear…

Conta-se que São Josemaria Escrivá gostava de subir em uma torre em Burgos, próximo ao Mosteiro de Las Huelgas com alguma pessoa e levava-a para contemplar um rendilhado de pedras na torre da Catedral que não se via lá de baixo e dizia que assim é o trabalho, a Obra de Deus.

Esse “acabar as tarefas pessoais com perfeição, com beleza, com primor destas delicadas rendas de pedra. Diante dessa realidade que entrava pelos olhos dentro, compreendiam que tudo isso era oração, um diálogo belíssimo com o Senhor. Os que haviam consumido as suas energias nessa tarefa sabiam perfeitamente que das ruas da cidade ninguém apreciaria o seu esforço: era só Deus.” E ele arrematava: “Entendes agora como é que a vocação profissional pode aproximar de Deus? Faze o mesmo que aqueles canteiros, e o teu trabalho, será também operatio Dei, um trabalho humano com raízes e perfis divinos.” [vii]

Quem tem fé, sabe que, para o seu trabalho ser perfeito humanamente haverá a satisfação, ainda, de duas exigências: uma material e outra formal.

A material é fazer o que a sua vocação profissional exige, o que você precisa fazer pelo seu estado de vida, cada um devendo analisar o que é o seu fazer para um casado, que certamente será diferente do fazer de um solteiro.

O elemento formal do trabalho bem feito humanamente é estar no que fazes. Não ir para trás e nem para frente. Empenhar a cabeça (inteligência) naquele dever e o coração em Deus.

São Josemaria tinha uma frase que bem resumia isso: “Faz o que deves e está no que fazes”.[viii]

“É este também o natural caminho de santidade que S. Josemaria propõe: “Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes” (Caminho, 815).

As palavras anteriores mostram dois tipos de exigência da santidade: Uma material (“faz o que deves e está no que fazes”: cumprir o pequeno dever de cada momento, e cumpri-lo sem atrasos: hodie, nunc, hoje, agora) e outra formal (“está no que fazes”: cumpri-lo com perfeição e empenho, por amor a Deus). Estas duas exigências confluem numa única: o cuidado amoroso pelas coisas pequenas. Porque, na prática, os nossos deveres não são coisas materialmente grandes, mas “pequenos deveres” de cada momento; e porque a perfeição do seu cumprimento consiste também em “coisas pequenas” (em actos de virtude em coisas pequenas).”[ix]

Quando realizamos esse trabalho, empenhando-nos para que saia do modo melhor possível, sem marretagens e dentro das exigências cristãs,  estamos contribuindo para a edificação do próximo. Estamos não só “santificando o trabalho”, como “santificando-nos pessoalmente no trabalho” e finalmente  “santificando com o trabalho.”

O que significa santificar o trabalho, no trabalho e com o trabalho?

Santificamos o trabalho, porque lhe daremos esse sentido sobrenatural, fazemos o nosso melhor para agradar, louvar, amar a Deus. Aquele trabalho deixa de ter valor só humano, passa a ser uma oferta nossa a Deus.

Santificamo-nos no trabalho, pois nos esforçaremos para exercer ao máximo todas as virtudes humanas que aquele trabalho requer: paciência, prudência, laboriosidade…

Santificamos com o trabalho, pois a força do nosso exemplo, pode ensejar laços verdadeiros de amizade, faremos um “apostolado de confidência” como diria São Josemaria Escrivá, pois teremos ocasião de explicar, com muita naturalidade, de onde vem aquela “força” aquela perseverança em realizar as coisas, pequenas muitas vezes, com tanta dedicação, carinho, empenho, que é Deus, a nossa união com Ele, que somos somente instrumentos do seu Opus Dei, operatio Dei. Quem sabe até contribuiremos para edificar o nosso próximo, não só pelo nosso exemplo, possível pela graça divina, como também pela oferta a Deus desse nosso trabalho pela conversão, santificação e salvação do próximo, em união com o sacrifício de Jesus, o eterno Sacerdote?

Esperança

A esperança é um virtude teologal que inspira-nos a realizar o nosso trabalho, os nossos deveres cotidianos, sem desânimo, ordenando tudo para Deus, com o coração dilatado pois sabe que Deus está vendo tudo e que um dia estará com Ele no Paraíso, pois foi isso que Jesus veio nos trazer, essa esperança de um dia estar vivendo a Vida Dele, a Vida Bem-Aventurada.

A esperança de estarmos caminhando não para a morte, mas para a Vida, e a Vida de Deus,  “nos traz alegria mesmo na provação: ´alegrando-nos na esperança, perseverando na tribulação´(Rm 12,12).”[x]

Se por acaso, sentirmo-nos abatidos, desanimados em nossos deveres cotidianos, nada melhor do que recitar com muita piedade o Pai-Nosso, como nos exorta o ponto 1820 do Catecismo, porque é o “Pai-Nosso, resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.”

Caridade

A Caridade é uma virtude também teologal que vem junto com a fé e a esperança.

Se eu tenho fé, é como se fosse um primeiro degrau, para poder ir galgando os estágios de amor: de um amor egoísta, centrado em mim mesma, para um amor a Deus por interesse (medo de ir para inferno ou só pela recompensa do céu), para um amor a Deus desinteressado, amar a Deus pelo que Ele é, amá-lo com um amor de amizade e gratidão.

O meu trabalho pode ter ligação com a caridade?

Sim, com o meu trabalho diário, o meu dever cotidiano, posso realizá-lo para alguma satisfação pessoal, ou por cobiça, mas posso purificar tudo isso e realizá-lo com o coração posto em Deus, fazê-lo “por amor a Deus, entregando-me com generosidade ao serviço dos meus irmãos, os homens, de todas as almas, pois aquele que realiza a sua tarefa profissional com toda a responsabilidade presta um serviço direto à sociedade, alivia as cargas dos outros e presta obras de assistência a favor das pessoas e dos povos mais desfavorecidos.” [xi]

Transformar o trabalho em oração contemplativa-ativa

São Josemaria dizia que não convertêssemos as nossas vidas “numa espécie de sala de espera das estações ferroviárias…matando o tempo enquanto o trem não chega”, essa não é a atitude de quem deseja unir-se a Deus pelo cumprimento do seu dever cotidiano.

O tempo para amar a Deus é aqui e agora. Não quando…

Podemos transformar o nosso dever bem cumprido em um diálogo amoroso com Deus, contemplando-O e sabendo-se contemplada por Ele, que é Nosso Pai.

Só assim, aquele nosso dever bem cumprido junto com esse diálogo com Deus, transforma-se em oração, fazendo-nos ser pessoas de uma peça só, em uma unidade de vida, da vida exterior e da vida interior com Deus Uno e Trino.

Também dizia o mesmo São Josemaria que de nada adiante realizar o trabalho, sem a presença de Deus, um trabalho feito no anonimato, sem dirigir-se a Deus, não seria esse trabalho, sem presença de Deus, sem oferta a Deus, sem amor a Deus, sem união com Deus, uma Obra de Deus, mas um trabalho no anonimato, como alguém que entrasse em uma Igreja, sem se referir a Deus, mas ocultando-se na oração pública dos outros, sem empenhar a mente e o coração para Deus.

As nossa ocupações “não podem cair na obscuridade anônima de uma tarefa rotineira, impessoal….tem de converter-se num grande colóquio com o nosso Pai do céu.”[xii]

Essa atitude de por-se em colóquio com Deus, em contemplá-Lo e saber-se contemplada…transforma o nosso afazer diário em oração, que sem deixar de ser ativo, é também contemplativo.

Neste ponto vale recordarmos a passagem evangélica de Marta e Maria, em que Maria era contemplativa e Marta não estava sabendo contemplar a Deus, que estava em sua casa, enquanto realizava seus afazeres. Jesus a recorda, que “somente uma coisa é necessária”, essa contemplação amorosa em relação a Deus. Marta estava tendo o privilégio de ouvir da boca do próprio Jesus, mas não estava unindo a sua ação à contemplação daquelas palavras.

[i] Schrijvers, Joseph. O Dom de Si: vida de abandono em Deus, São Paulo: Quadrante, 1993, p. 123-4.

[ii] Carta Encíclica de São João Paulo II, na época Papa, Laborem Exercens – sobre o Trabalho Humano, 1981, página 17.

[iii] Catecismo da Igreja Católica, ponto 319.

[iv] Carta Encíclica de São João Paulo II, na época Papa, Laborem Exercens – sobre o Trabalho Humano, 1981, página 18.

[v] Tournau. Dominique de. O Opus Dei: tradução portuguesa do volume 2207 da Coleção Que Sais-Je?

[vi] Tournau. Dominique de. O Opus Dei: tradução portuguesa do volume 2207 da Coleção Que Sais-Je?

[vii] Escrivá de Balaguer, Josemaria, Amigos de Deus: tradução de Emérito da Gama, 2ª. Edição, São Paulo: Quadrante, 2000, p. 65-6.

[viii] Escrivá de Balaguer. Josemaria. Caminho, ponto 815.

[ix] Fonte: http://www.pt.josemariaescriva.info/artigo/santidade3f-coisas-pequenas, acesso em 04.04.2015.

[x] Catecismo da Igreja Católica, ponto 1820.

[xi] Tournau. Dominique de. O Opus Dei: tradução portuguesa do volume 2207 da Coleção Que Sais-Je?, p. 32.

[xii] Escrivá de Balaguer, Josemaria, Amigos de Deus: tradução de Emérito da Gama, 2ª. Edição, São Paulo: Quadrante, 2000, p. 64.

Jesus of Nazareth: ” He is not here, He has risen!”

São Paulo discusses the sure and certain hope of the resurrection of Jesus saying:

I gave you first what I myself had received: that Christ died for our sins according to the Scriptures; He was buried, and rose again the third day according to the Scriptures; appeared to Cephas, then to the twelve. Then appeared to more than five hundred brothers at once, most of whom still lives (and some are already dead); then appeared to James, then to all the Apostles. And, last of all he appeared to me also.

The Apostle Paul tells us about a truth: Jesus of Nazareth, was resurrected as had predicted.

The resurrection of Jesus prefigures the end of time in which Jesus glorious again and there will be the resurrection of the dead.

This is what explains the so Are John Paul II, at the time Pope, in his apostolic letter Novo Milenio Ineunte: is givenparamount, on which rests the Christian faith (cf. 1 Cor 15.14), a fact which is situated in the Centre of the mystery of time,and prefigures the last day Jesus will return glorious

In fact, as St. Paul says: and if Christ is not risen, it’s useless to your is and you are still in your sins.

Let’s dig in this truth and mystery, in the resurrection of Christ, held that “first day of the week”, that Sunday, to live well ourEaster Sunday.
1-Narrations of the post-resurrection appearances of Jesus

1.1. Gospel of Matthew (28: 10)

In the Gospel of Matthew, Jesus appears to Mary Magdalene and the other Mary on his empty tomb and asks to inform the others that he’s alive and prepends in Galilee.

The eleven disciples go to a mountain in Galilee to meet Jesus, who appears and commands them to baptize in the name of the father, the son and the Holy Spirit, and also to make disciples in all Nations.

1.2. Gospel of Luke (24)

The Gospel of Luke, recounts the apparition of the risen Jesus:

A-the Cleopas and his companion on the road to Emmaus. The principles of “their eyes couldn’t recognize”, but then, at dinner at Emmaus, “their eyes were opened and they recognized him. In this passage, Jesus is recognized to “break bread”.

B-For Simon Peter. This appearance is not described directly by Luke, but is reported by other Apostles. It is unclear whether it occurred before or after the appearances in Emmaus.

C-the eleven, together with some others (including Cleopas and his companion), in Jerusalem. Jesus appears to the disciples and supper with them, demonstrating that he is actually flesh and blood and not a “ghost”. He asks them to waitin Jerusalem at the beginning of his mission by the world and then ascends to heaven.

1.3. Gospel of John (20 and 21)

St. John’s Gospel recounts that Jesus appeared to:

A-For Mary Magdalene. At first, she didn’t recognize him and mistakes him for the gardener. When he calls her, she recognizes. He asks her to do not touch, do not yet ascended to the Father.

B-to the disciples (less Tome) that same day. They were indoors in fear of persecution of the Jews. Jesus went in and wentinto the middle of them, even though the door locked and asks that Tome touch his wounds to demonstrate who is flesh and blood.

C-the disciples, including Thomas, called Didymus “. This appearance occurred a week later, again under confinement, andthe event became known as the doubting Thomas.

D-the “Simon Peter, Thomas called Didymus, Nathanael of Cana in Galilee, the sons of Zebedee, and two other disciples”,on the shores of Lake Tiberias, immediately before the miracle of fishing for 153 fish. The beloved disciple was present in this group and who acknowledged that “it is the Lord”.

1.4. St. Mark’s Gospel
There are three appearances:

  • For Mary Magdalene, Mary the motherof James and Mary Salome.
  • For two of his disciples, when they were walking in the countryside (Jesus “manifested itself in another form”).
  • At the age of 11, during a supper.

1.5. Act of the Apostles

In acts of the Apostles, written by the same author of Luke, Jesus appears:

  • To his disciples after his death and stay with them for forty days before ascending, when he then ascended to heavenleaving the prophecy that would return (acts 1: 1-11).
  • For Saul (Paul), on the road to Damascus, although, according to the text, was a voice and a vision, because the Apostlewas blinded by a light (acts 9: 3-9, Acts 22: 6-11, Acts 26: 12-18). In addition, Paul also would have seen Jesus talking when I was in a trance (acts 22:17 -21).
  • Stephen saw Jesus before his martyrdom (acts 7:55).
  • The vision of Peter a towel with animals (acts 10: 9-16 and Acts 11: 4-10).

1.6. In 1 Corinthians 15

  • «and that appeared to Cephas, then to the twelve. ‘ (1 Corinthians 15: 5)
  • «appeared to more than five hundred brethren at once …» (1 Corinthians 15: 6)
  • «then appeared to James, then to all the Apostles ‘ (1 Corinthians 15: 7)
  • «and finally all appeared also to me “(I Corinthians 15: 8-9) (also in 1 Corinthians 9: 1)
  1. Something new has occurred

The resurrection of Jesus was something new. It wasn’t like the miracle of the resurrection of Lazarus (Jn 11, 1-44) or of the daughter of jairus (Mc-5.22 24.35-43).

As Benedict XVI clarifies:

The New Testament writers testimonials do not leave any doubt about the fact that, in ´ resurrection of the son of man hadsucceeded something totally different. The resurrection of Jesus was the evasion to a whole new kind of life, to a life no longer subject to the law of the die and become, but situated in addition, a life that opened a new dimension to be man(…). In the resurrection of Jesus was achieved a new possibility of being man, a possibility that concerns all and opens afuture, a new genus of future for men. (…) Jesus didn’t come to a normal human life in this world, as happened with Lazarus and others dead resurrected by him. Went out to a diverse, new life: went to the vastness of God and it is from her that manifests their.

This event should change our life. Jesus was born to be able to resurrect, to start a new life from which we will participateand will have no end, a lifetime of love and happiness.

Cause us a lot of hope. Physical death ceases to be an end. Is only a beginning of true life.

The human being is so preoccupied with finding new lives elsewhere. Barely, those who don’t have faith, that Jesus has already ushered in a new life. New heavens and Earth are being prepared for us. Our life, as St. Paul says, is hidden in ChristJesus.

And all this is something new that even the Jews awaited. The Jews who believed in resurrection, thought that theresurrection would be only at the end of times. For us will be that way, but for Jesus, the son of God by nature.

He’s alive and risen. “But a resurrection for a definitive and different condition, in the middle of the old world that continues to exist …”. He’s alive, risen and Present. So much so that there are saints who have had the experience of seeing it in the flesh.

Mary Magdalene, the disciples of Emmaus didn’t recognize

Interesting in the account of the Gospels, that people don’t recognize, very close by the sea, while only John, the disciple whom Jesus loved, recognize saying “it is the Lord”.

Maybe this show who had not understood the question of resurrection which Christ has predissera them, or had no faith,given the horror of watching him die on the cross.

It’s worth meditating on the attitude of the mother of Jesus, Holy Mary, you don’t doubt for a moment, so much so that,although it has remained all the time with Jesus dying on the cross and seeing him die of asphyxiation, agonizing in thosehorrors of the death of the cross, Santa Maria did not follow the Holy women who went to embalm the body of Jesus, aswas the Jewish custom.

It was not because it had absolute certainty of the resurrection of Your Son on the third day as predicted by the same.

The first meeting of the Resurrected Jesus appears to women first

Interesting that both in the narration of the cross and Resurrection, the women have preeminence in relation to men,although, as Benedict XVI explains, “in Jewish tradition, were accepted as witnesses in court only men, the testimony ofwomen was not considered reliable.”

In fact, some people believe that, before any person, Jesus appeared first to his mother.

Anyway, the Emeritus Pope Benedict XVI, analyzing the question of women who have first contact with the risen Jesus,concludes:

“Already the cross – except John – had found only women, so they designed the first encounter with the risen one.”

And then goes on:

On the legal structure, the Church is founded upon Peter and the Eleven, but on concrete form of ecclesial life are alwaysnew women who open their door to you, accompany you to the cross and thus may find it too as risen ”

Georges Chevrot, a 20TH century French priest, also meditates on the apparition of the risen Jesus, firstly, women saying:

These boníssimas women of Galilee well deserved to be the first to acknowledge the victory of Easter. For months andmonths, staying quietly in the shade, had taken care of well material of the disciples who followed the Lord (…)

And after Georges Chevrot also tells us that women have fidelity to God and that we women even in the worst moments of failure, we know that the last word is always of God. Those women, analyzes Monsignor Georges Chevrot, despite their painand knowing that there was no longer to be done, “had thought they could still do something, at least a gesture of affection for honoring the grave of Jesus”, being for such reasons that our Lord had a gesture of great delicacy with the same.
In his new body, it’s not just Spirit, because it eats with the disciples

Jesus, isn’t it, how the disciples were afraid at first, a ghost, a spirit but ´ ´ has meat-and-bone ´ ´ (cf. lk 24, 36-43) (…). Jesus did not come from the dead – that world that He definitely turned his back – but it comes precisely from the world of pura vida, comes from God, like really living that is, himself, the source of life. Lucas put in relief of drastic way the contrast witha spirit, as long as ´ ´ Jesus have asked, the disciples still perplexed, any House to eat and then, in sight of them, would haveeaten a lot of baked fish.

The risen Jesus confirms the new Alliance

And finally, it is interesting that the narration of the acts of the Apostles made by Luke (Acts 1: 4-1) says that Jesus would have eaten with his disciples.

But in the Greek, the word used was “synalizámenos”.

Pope Benedict XVI Emeritus, again, analyzes the term which means that Jesus ate salt with them “:

This eat salt in the old testament, served to ´ seal solid alliances (cf. Nm 18.19; 2 Cro 13.5. (…) Salt is considered asguarantees of durability (…) The ´ eat ´ salt by Jesus after the resurrection, that thereby we find as a sign of new life and permanent refers to the new feast of the risen one with yours. Is an event of Alliance and are in close connection with the last supper, in which the Lord established the new Covenant. Thus, the mysterious cipher of ´ eat salt ´ expresses an indoor-outdoor connection between the banquet before the passion of Jesus and the new convivial communion of the risen one.

As explained by Benedict XVI, salt was added to the deals in the Old Testament (Leviticus 2.13) and in Saint Mark’s Gospel,Jesus tells us the salt, saying that we are the salt of the world, and that we should not miss the “flavor”, indicating howBenedict XVI says that the salt is necessary to make the gift of self to God (Mc -50 9.49).

And I? I have increased my salt, my spice when I realize my actions, my daily duties, always offering a detail well done toGod, as a demonstration of my gratitude to God for his love for me?

Resurrection and his influence in my life: to honor the Lord

What is the practical consequence in my life to take science on the truth of the Ressurrreição of Jesus?

Each one should meditate at this point and come to your own conclusion and make its purpose.

Anyway, there is a concrete purpose stems from all this.

We need to thank him.

Thank you, because Jesus was not a Godly man, or a Superman, a superhero. He was a martyr, died for us, just to be thefirst of the new creation. He is a new Adam. And we, by the grace of God, we are your brothers in this new creation.

Is no small feat.

Translating, we will one day revive him, stand by his side in this new world, we participate in his divine life.

Let’s take a look at the words of Saint John Paul II, when he was Pope: “Jesus is the new man ´ ´ (cf. Eph 4.24; CL 3.10) thatinvites the humanity redeemed to join your divine life (…) to the goal of ´ deification ´ by inserting in Christ the manrescued, admitted to the intimacy of Trinitarian life ”

We know very well that “just because you did truly the son of God, man is that man can, in him and through him, become truly the son of God.”

I propose, then, that we do in order to participate in the Eucharist, Thanksgiving, that Jesus performs at mass, which we need to go, at least on Sundays, because it was on a Sunday that Jesus resurrected (Gospel of Mark 16, 2-9; Lucas 24.1,John 20.1).

Our Thanksgiving joins Thanksgiving perfectly performed by Jesus at the last supper and death on the cross and renewedat mass is going forward “truly, (…) the heart of Sunday ´ ´, irrevocable commitment embraced not only to comply with aprecept, but as need for a truly Christian life conscious and coherent. ”

Our Lady pray for us!

As well as our Lady the mother of Jesus rejoiced with the resurrection of Your Son, let us ask God as the final prayer of the Regina Caeli:

O God, who gave You brighten your world with

Resurrection of your son Jesus Christ, our Lord,

grant us, we pray Thee, who by his mother, the Virgin Mary,

reach the joys of everlasting life.

For Christ, Our Lord.

Amen!

  • 1 Corinthians 15, 3-8.
  • Pope John Paul II, Apostolic Letter Novo Milenio Ineunte, item 35, p. 54.
  • 1 Corinthians 15: 17.
  • Gospel of Saint Luke 24: 1.
  • Easter Sunday is a date that varies each year because it comes right after the first full moon of autumn equinox in thesouthern hemisphere.
  • Benedict XVI, Pope, Joseph Ratzinger, Jesus of Nazareth: the entrance of Jerusalem to the resurrection; translate Bruno Bastos Lins-São Paulo: Editora Planet of Brazil, 2011, p. 219-220.
  • Benedict XVI, Pope, Joseph Ratzinger, Jesus of Nazareth: the entrance of Jerusalem to the resurrection; translate Bruno Bastos Lins-São Paulo: Editora Planet of Brazil, 2011, p. 220.
  • Benedict XVI, Pope, Joseph Ratzinger, Jesus of Nazareth: the entrance of Jerusalem to the resurrection; translate Bruno Bastos Lins-São Paulo: Editora Planet of Brazil, 2011, p. 235.
  • Benedict XVI, Pope, Joseph Ratzinger, Jesus of Nazareth: the entrance of Jerusalem to the resurrection; translate Bruno Bastos Lins-São Paulo: Editora Planet of Brazil, 2011, p. 235-6.
  • Chevrot, Georges. Easter victory: translation of Henry Elfes, São Paulo: quadrant, 2002, p. 48.
  • Benedict XVI, Pope, Joseph Ratzinger, Jesus of Nazareth: the entrance of Jerusalem to the resurrection; translate Bruno Bastos Lins-São Paulo: Editora Planet of Brazil, 2011, p. 240.
  • Benedict XVI, Pope, Joseph Ratzinger, Jesus of Nazareth: the entrance of Jerusalem to the resurrection; translate Bruno Bastos Lins-São Paulo: Editora Planet of Brazil, 2011, p. 243.
  • Pope John Paul II, Apostolic Letter Novo Milenio Ineunte, item 23, p. 34 and 35.
  • Pope John Paul II, Apostolic Letter Novo Milenio Ineunte, item 23, p. 35
  • Pope John Paul II, Apostolic Letter Novo Milenio Ineunte, item 36, p. 54.

Translation: bing

Jesus de Nazaré: “não está aqui, Ressuscitou”!

 

São Paulo discorre sobre a certeza da ressurreição de Jesus dizendo:

Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e, em seguida aos Doze. Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maior parte ainda vive (e alguns já são mortos); depois apareceu a Tiago, em seguida a todos os apóstolos. E , por último de todos, apareceu também a mim…[i]

O Apóstolo São Paulo fala-nos sobre uma Verdade: Jesus de Nazaré, ressuscitou como havia predito.

A ressurreição de Jesus prefigura os fins dos tempos em que Jesus voltara glorioso e haverá a ressurreição dos mortos.

Eis o que nos explica o então São João Paulo II, na época Papa,  em sua Carta Apostólica Novo Milenio Ineunte:  é dado primordial, sobre o qual se apoia a fé cristã (cf 1 Cor 15,14), um fato que está situado no centro do mistério do tempo, e prefigura o último dia em que Jesus voltará glorioso[ii]

Aliás, como diz São Paulo: E se Cristo não ressuscitou, é inútil a vossa é, e ainda estais em vossos pecados.[iii]

Vamos aprofundar nessa Verdade e Mistério, na Ressurreição de Cristo, ocorrida naquele “primeiro dia da semana” [iv], naquele Domingo, para vivermos bem o nosso Domingo de Páscoa.[v]

 

  • Narrações das aparições de Jesus pós-Ressurreição

 

  • Evangelho de Mateus (28:10)

No Evangelho de Mateus, Jesus aparece para Maria Madalena e outra Maria em seu túmulo vazio e pede para informar aos outros que Ele está vivo e os precederá na Galileia.

Os onze discípulos vão para uma montanha na Galileia para se encontrar com Jesus, que lhes aparece e comanda que eles batizem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e também que façam discípulos em todos os povos.

  • Evangelho de Lucas (24)

O  Evangelho de Lucas, narra a aparição de Jesus ressuscitado:

A- A Cléofas e seu companheiro na estrada em Emaús. A princípio os “olhos deles não o puderam reconhecer”, mas depois, no jantar em Emaús, “seus olhos se abriram” e eles o reconheceram. Neste trecho, Jesus é reconhecido ao “partir o pão”.

B- Para Simão Pedro. Esta aparição não é descrita diretamente por Lucas, mas é relatada por outros apóstolos. Não está claro se ela ocorreu antes ou depois das aparições em Emaús.

C- Aos Onze, juntos com alguns outros (inclusive Cléofas e seu companheiro), em Jerusalém. Jesus aparece para os discípulos e ceia com eles, demonstrando que ele é de fato de carne e osso e não um “fantasma”. Ele lhes pede que esperem em Jerusalém pelo começo de sua missão pelo mundo e então ascende aos céus.

  • Evangelho de João (20 e 21)

O Evangelho de São João narra que Jesus apareceu a:

  • Para Maria Madalena. A princípio, ela não o reconhece e o confunde com o jardineiro. Quando ele a chama, ela o reconhece. Ele pede que ela não o toque, pois ainda não ascendeu ao Pai.
  • Aos discípulos (menos Tomé) naquele mesmo dia. Eles estavam dentro de casa com medo da perseguição dos judeus. Jesus entrou e foi até o meio deles, mesmo estando a porta trancada e pede queTomé toque as suas chagas para demonstrar que é de carne e osso.
  • Aos discípulos, inclusive Tomé, chamado “Dídimo”. Esta aparição ocorreu uma semana depois, novamente em ambiente fechado, e o evento ficou conhecido como a Dúvida de Tomé.
  • A “Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanaelde Caná na Galileia, os filhos de Zebedeu e dois outros discípulos”, às margens do Lago Tiberíades, imediatamente antes do milagre da pesca dos 153 peixes. O discípulo amado estava presente neste grupo e foi quem reconheceu que “é o Senhor”.
  • Evangelho de São Marcos

 

Há três aparições:

  • Para Maria Madalena, Maria, mãe de TiagoMaria Salomé.
  • Para dois dos discípulos, quando eles estavam caminhando no campo (Jesus “manifestou-se sob outra forma”).
  • Aos Onze, durante uma ceia.
    • Ato dos Apóstolos

Nos Atos dos Apóstolos, escrito pelo mesmo autor de Lucas, Jesus aparece:

 

  1. Algo de novo ocorreu

A Ressurreição de Jesus foi algo novo. Não foi como o milagre da ressurreição de Lázaro (Jo 11, 1-44) ou da filha de Jairo (Mc 5,22- 24.35-43).

Como esclarece Bento XVI:

Os testemunhos neotestamentários não deixam qualquer dúvida sobre o fato de que, na ´ressurreição do Filho do homem tinha sucedido algo de totalmente diverso. A ressurreição de Jesus foi a evasão para um gênero de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situada para além disso, uma vida que inaugurou uma nova  dimensão de ser homem (…). Na ressurreição de Jesus foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo gênero de futuro para os homens. (…) Jesus não voltou a uma vida humana normal deste mundo, como sucedera com Lázaro e os outros mortos ressuscitados por Ele. Saiu para uma vida diversa, nova: saiu para a vastidão de Deus e é a partir dela que Se manifesta aos Seus.[vi]

Esse acontecimento deve mudar a nossa vida. Jesus nasceu para poder ressuscitar, para iniciar uma Vida Nova da qual participaremos e não terá fim, uma vida de amor e feliz.

Causa-nos muita esperança. A morte física deixa de ser um fim. É apenas um começo da verdadeira Vida.

O ser humano fica tão preocupado em descobrir novas vidas em outro lugar. Mal sabem, os que não têm fé, que Jesus já inaugurou uma Nova Vida. Novos céus e terra estão sendo preparados para nós. Nossa vida, como diz São Paulo, está escondida em Cristo Jesus.

E tudo isto é algo novo que nem os judeus esperavam.  Os judeus que acreditavam na ressurreição, pensavam que a ressurreição só se daria no final dos tempos. Para nós será assim, mas para Jesus, o Filho de Deus por natureza não.

Ele está vivo e ressuscitado. “Mas uma ressurreição para uma condição definitiva e diferente, no meio do mundo velho que continua a existir…”.[vii] Ele está Vivo, Ressuscitado e Presente. Tanto que há santos que tiveram a experiência de vê-lo em carne e osso.

Maria Madalena, os discípulos de Emaús não o reconhecem

Interessante no relato dos evangelhos, que pessoas bem próximas, não o reconhecem à beira-mar, quando somente João, o discípulo que Jesus amava, o reconhece dizendo “É o Senhor”.

Talvez isto demonstre que não haviam compreendido a questão da ressurreição da qual Cristo já lhes predissera, ou não tiveram fé, dado o horror de Vê-lo  morrer na Cruz.

Vale a pena meditar na atitude da Mãe de Jesus, Santa Maria, que não duvidou por nenhum instante, tanto que, embora tenha permanecido o tempo todo com Jesus agonizando na Cruz e vendo-O morrer asfixiado, agonizando naqueles horrores da morte da Cruz, Santa Maria não acompanhou as santas mulheres que iam para embalsamar o corpo de Jesus, como era o costume judaico.

Não foi, pois tinha certeza absoluta da Ressurreição de Seu Filho ao terceiro dia como predito pelo Mesmo.

O primeiro encontro do Ressuscitado: Jesus aparece a mulheres em primeiro lugar

Interessante que, tanto na narração da Cruz e na da Ressurreição, as mulheres tenham preeminência em relação aos homens, embora, como explica Bento XVI, “na tradição judaica, eram aceitos como testemunhas em tribunal só os homens, o testemunho das mulheres não era considerado confiável.” [viii]

Aliás, há quem acredite que, antes de aparecer a qualquer pessoa, Jesus teria aparecido em primeiro lugar à Sua Mãe.

De qualquer modo, o Papa Emérito Bento XVI,  analisando a questão de serem as mulheres que têm o primeiro contato com Jesus Ressuscitado,  conclui:

“Já  junto da cruz – exceto João – tinham se encontrado só mulheres, assim a elas se destinava o primeiro encontro com o Ressuscitado.”

E depois prossegue:

Na estrutura jurídica, a Igreja está fundada sobre Pedro e os Onze,  mas, na forma concreta da vida eclesial, são sempre de novo as mulheres que abrem  a porta ao Senhor, O acompanham até a Cruz e assim podem encontrá-Lo também como Ressuscitado”[ix]

Georges Chevrot, um sacerdote francês do século XX, também medita sobre a aparição de Jesus Ressuscitado, em primeiro lugar,  às mulheres dizendo:

Essas boníssimas mulheres da Galileia bem mereciam ser as primeiras a tomar conhecimento da vitória da Páscoa. Durante meses e meses, permanecendo discretamente na sombra, haviam cuidado do bem material dos discípulos que acompanhavam o Senhor (…)

E depois Georges Chevrot  também nos fala que as mulheres possuem fidelidade a Deus e que nós mulheres mesmo nos piores momentos do fracasso, bem sabemos que a última palavra é sempre a de Deus. Aquelas mulheres,  analisa Monsenhor Georges Chevrot, apesar da sua dor e sabendo que já não havia o que ser feito, “tinham pensado que ainda podiam fazer alguma coisa, Pelo menos um gesto de afeto para honrar a sepultura de Jesus”[x], sendo por tais motivos que Nosso Senhor teve um gesto de grande delicadeza com as mesmas.

 

 

Em seu novo corpo, não é só Espírito, pois come com os discípulos

Jesus, não é, como os discípulos temiam num primeiro momento, um fantasma, um ´espírito´, mas tem  ´carne e ossos´(cf. Lc 24, 36-43) (…). Jesus não vem do mundo dos mortos – aquele mundo a que Ele definitivamente deu as costas – mas vem precisamente do mundo da pura vida, vem de Deus, como o realmente vivente que é, Ele mesmo,  fonte da vida. Lucas põe em relevo de maneira drástica o contraste com um ´espírito´, contando que Jesus teria pedido, aos discípulos ainda perplexos,  qualquer coissa para comer e depois, à vista deles, teria comido uma porção de peixe assado.[xi]

Jesus Ressuscitado confirma a Nova Aliança

E finalmente, é interessante que a narração dos Atos dos Apóstolos feito por Lucas (Atos 1:4-1) diz que Jesus teria comido com os seus discípulos.

Mas no grego, a palavra usada foi “synalizámenos”.

O Papa Emérito Bento XVI, novamente, analisa o termo que significa que Jesus  “comeu sal com eles”:

Esse comer sal no Antigo Testamento, servia para ´selar alianças sólidas (cf. Nm 18,19; 2 Cro 13,5.(…) O sal é considerado como garante da durabilidade (…) O ´comer sal´ por parte de Jesus depois da ressurreição, que desse modo encontramos como sinal de vida nova e permanente remete para o banquete novo do ressuscitado com os Seus. É um acontecimento de aliança e por isso está em íntima conexão com a última ceia, na qual o Senhor instituíra a Nova Aliança. Assim, o misterioso cifrado do ´comer sal´exprime uma ligação interior entre o banquete antes da Paixão de Jesus e a nova comunhão convival do Ressuscitado.[xii]

Como explica Bento XVI, o sal era acrescido às ofertas no Antigo Testamento (Levítico 2.13) e no Evangelho de São Marcos, Jesus nos fala do sal, dizendo que nós somos o sal do mundo, e que  não devemos perder o “sabor”, indicando como diz Bento XVI que o sal é necessário para fazermos o dom de si a Deus (Mc 9,49-50).

E eu? Tenho acrescido o meu sal, o meu tempero quando realizo as minhas ações, os meus deveres cotidianos, oferecendo sempre um detalhe bem feito a Deus, como demonstração concreta da minha gratidão à Deus, pelo Seu Amor por mim?

Ressurreição e sua influência em minha vida: honrar o Senhor

Qual é a consequência prática em minha vida de tomar ciência sobre a Verdade da Ressurrreição de Jesus?

Cada um deve meditar neste ponto e chegar à sua própria conclusão e fazer o seu propósito.

De qualquer forma, existe um propósito concreto que decorre de tudo isso.

Precisamos agradecer-Lhe.

Agradecer-Lhe, porque Jesus não foi um homem divinizado,  ou um super-homem, um super-herói. Ele foi um mártir, morreu por nós, simplesmente para ser o primeiro da Nova Criação. Ele é um Novo Adão. E nós, pela graça de Deus, seremos Seus irmãos nesta Nova Criação.

Não é pouca coisa.

Traduzindo, nós vamos um dia ressuscitar como Ele, estar ao Seu lado neste novo mundo, vamos participar da sua Vida Divina.

Vejamos as palavras de São João Paulo II, quando era Papa: “Jesus  é o ´homem novo´(cf. Ef 4,24; Cl 3,10) que convida a humanidade redimida a participar da sua vida divina (…) para a meta da ´divinização´pela inserção em Cristo do homem resgatado, admitido à intimidade da vida trinitária” [xiii]

Sabemos, muito bem, que “só porque se fez verdadeiramente homem o Filho de Deus, é que o homem pode, Nele e por Ele, tornar-se realmente filho de Deus.”[xiv]

Proponho, então, que façamos o propósito de participar da Eucaristia, da ação de graças, que Jesus realiza na missa, a qual precisamos ir, pelo menos aos Domingos, pois foi num Domingo que Jesus ressuscitou  (Evangelho de Marcos 16, 2-9; Lucas 24,1, João 20,1).

Que a nossa ação de graças se una à Ação de Graças perfeitamente realizada por Jesus na Última Ceia e morte na Cruz e renovada na Missa seja daqui para frente “verdadeiramente, (…) o ´coração do domingo´, um compromisso irrenunciável abraçado não só para obedecer a um preceito, mas como necessidade para uma vida cristã verdadeiramente consciente e coerente.” [xv]

Nossa Senhora rogai por nós!

Assim como Nossa Senhora a Mãe de Jesus alegrou-se com a Ressurreição de Seu Filho, peçamos a Deus conforme a oração final do Regina Caeli:

Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a

Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso,

concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria,

alcancemos as alegrias da vida eterna.

Por Cristo, Senhor Nosso.

Amém!

Anexo: Tabela extraída do Wikipédia, em que constam as passagens narrando Jesus já Resssuscitado:

Número Evento Mateus Marcos Lucas João
1 Três Marias Mateus 28:1 Marcos 16:1 Lucas 24:1
2 Túmulo vazio Mateus 28:2-8 Marcos 16:2-8 Lucas 24:2-12 João 20:1-13
3 Ressurreição de Jesus Mateus 28:9-10 Lucas 24:1-8 João 20:14-16
4 Noli me tangere João 20:17-17
5 Encontro na estrada para Emaús Marcos 16:12-13 Lucas 24:13-32
6 Aparições de Jesus após a ressurreição Lucas 24:36-43 João 20:19-20
7 Grande Comissão Mateus 28:16-20 Marcos 16:14-18 Lucas 24:44-49 João 20:21-23
8 Dúvida de Tomé João 20:24-29
9 Ascensão de Jesus Marcos 16:19-20 Lucas 24:50-53

[i] 1 Coríntios 15, 3-8.

[ii] Papa João Paulo II, Carta Apostólica Novo Milenio Ineunte, item 35, p. 54.

[iii] 1 Coríntios 15: 17.

[iv] Evangelho de São Lucas 24:1.

[v] O Domingo de Páscoa é uma data que varia a cada ano, pois vem logo após a primeira lua cheia do equinócio de outono aqui no hemisfério sul.

[vi] Bento XVI, Papa, Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré: da entrada de Jerusalem até a ressurreição ; tradução Bruno Bastos Lins – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011, p. 219-220.

[vii] Bento XVI, Papa, Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré: da entrada de Jerusalem até a ressurreição ; tradução Bruno Bastos Lins – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011, p. 220.

[viii] Bento XVI, Papa, Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré: da entrada de Jerusalem até a ressurreição ; tradução Bruno Bastos Lins – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011, p. 235.

[ix] Bento XVI, Papa, Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré: da entrada de Jerusalem até a ressurreição ; tradução Bruno Bastos Lins – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011, p. 235-6.

[x] Chevrot, Georges. A Vitoria da Páscoa: tradução de Henrique Elfes, São Paulo: Quadrante, 2002, p. 48.

[xi] Bento XVI, Papa, Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré: da entrada de Jerusalem até a ressurreição ; tradução Bruno Bastos Lins – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011, p. 240.

[xii] Bento XVI, Papa, Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré: da entrada de Jerusalem até a ressurreição ; tradução Bruno Bastos Lins – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011, p. 243.

[xiii] Papa João Paulo II, Carta Apostólica Novo Milenio Ineunte, item 23, p. 34 e 35.

[xiv] Papa João Paulo II, Carta Apostólica Novo Milenio Ineunte, item 23, p. 35

[xv] Papa João Paulo II, Carta Apostólica Novo Milenio Ineunte, item 36, p. 54.

O Valor do Sofrimento

“Completo na minha carne” – diz São Paulo[i] – “o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja”.

Depois o mesmo acrescenta: “Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa”.[ii]

Por que o Apóstolo consegue se alegrar com os sofrimentos?  Como será possível alcançar esse nível de entrega de vida a Deus?

A alegria na dor

São João Paulo II, quando era Sumo Pontífice, em uma de suas Cartas Apostólicas, a “Salvifici Doloris”, analisou detalhadamente o sentido do sofrimento humano para o cristão e expôs uma verdade consoladora: de que existe um “sentido salvífico do sofrimento”.

E tudo começou com Cristo.

A grandeza do Amor de Deus foi demonstrada pela Encarnação de Jesus, quando se fez homem, capaz de sofrer, assumindo a nossa natureza sofredora.

Deus não é um Deus que “lava as mãos”, não nos abandona em nosso pecado, e aceita sofrer as penas que caberiam a nós, pela Justiça Divina: “…a ele, que não conhecera o pecado, Deus tratou-o, por nós, como pecado.”[iii]

Não há dúvidas de que a  Redenção da humanidade foi operada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Porém, nós podemos oferecer também nossa vida, nossas ações, alegrias e sobretudo os nossos sofrimentos em união com os méritos infinitos de Cristo a Deus Pai, cooperando com essa Redenção.

O nosso sofrimento, em união com o de Cristo, pode contribuir com a conversão, santidade e salvação de outras pessoas. Tornamo-nos corredentores com Cristo. É um modo de correspondermos à grandeza do  Amor de Deus, de lhe mostrar como somos gratos a Ele, por tudo, tentando dar-Lhe a alegria do retorno de muitos outros filhos pródigos a Este Pai tão amoroso quanto aquele narrado por Jesus na parábola do filho pródigo.  Este é o único “presente” que podemos colaborar em dar-Lhe, pois Deus não tem necessidade de nada fora de Si.

Por isso o Apóstolo diz: “completo na minha carne” e “alegro-me”. A alegria de um filho grato, que deseja corresponder ao Amor de seu Pai Deus.

Mas, como conseguir essa correspondência à graça e Amor de Deus obtida pelo Apóstolo Paulo nos sofrimentos, que às vezes, se revestem de circunstâncias tão repugnantes, de injustiças reais, de cruzes reais em nossas vidas, e não ficar apenas na tibieza, ou na resignação morna, ou pior, na revolta e na murmuração contra Deus?

Como digerir o fato, aparentemente incompatível, de que existe sim um Deus de misericórdia por trás desse meu sofrimento humano?

Primeiro passo: Deus não é indiferente ao nosso sofrimento

A primeira coisa a entender é que Deus não é um Ser indiferente.

Embora em sua natureza divina não seja capaz de sofrer, Ele quis sim sofrer como nós.

Ao aceitar formar um corpo para Si mesmo, ao assumir a natureza humana para ser o primogênito da nova Criação, Jesus teve corpo, alma humanos e vale dizer, coração humano.

Esteve sujeito às leis físicas, ao aprendizado experimental humano, sofreu tentações, foi maltratado, e até aceitou morrer de uma forma cruel. Ele “…operou a nossa Redenção mediante a Cruz…ou seja pelo seu sofrimento.[iv]

Em sua vida houve vários sofrimentos e Ele que é o Filho Unigênito, por natureza, Aquele que é consubstancial ao Deus Pai.

E nunca se revoltou, nunca se limitou a uma resignação.

Quis deixar-nos um modelo de amor. Ele nos amou com coração de homem.

Mostrou que se importa conosco. Não estava obrigado a aceitar Encarnar-se ou morrer numa Cruz.

É um Deus compassivo, que se coloca em nosso lugar, caminha junto em nosso sofrimento. São Josemaria Escrivá, um grande Santo dos nossos tempos, em sua costumeira sensibilidade nos demonstra esta verdade relativa ao nosso Deus. No ponto 166, de “É Cristo que Passa” São Josemaria diz que só olhando e contemplando o Coração de Cristo é que saberemos reagir cristãmente perante os sofrimentos alheios e perante a dor. E ele nos recorda quando Cristo andava pelas proximidades da Cidade de Naim e vê a angústia de uma viúva que havia perdido do único filho. Cristo se compadeceu. Na morte de  Lázaro, Ele chorou. Jesus Cristo não é insensível ao nosso sofrimento, conclui São Josemaria Escrivá.

Segundo passo: O sofrimento nos torna mais “humanos”

Não é verdade que nos solidarizamos com o próximo de uma forma mais eficaz se já tivermos uma experiência parecida?

Como é difícil compreender, colocar-se no lugar do outro, quando nunca passamos por aquilo?

Em outras palavras, é o sofrimento que nos torna mais humanos, que faz com que sejamos capazes de nos colocar no lugar do outro, a sentir compaixão, ou pelo menos uma empatia.

Dizia São João Paulo II: “o sofrimento humano suscita compaixão, inspira também respeito..” [vi]

Terceiro passo: A vida é uma sucessão de acontecimentos, uns agradáveis e outros penosos

Ainda que fujamos de alguma circunstância que nos tem causado sofrimento, é impossível eliminar todos os sofrimentos e dores. Faz parte da nossa natureza e do nosso amadurecimento.

O padre redentorista belga Joseph Schrivers, autor de várias obras de espiritualidade como “A Boa Vontade” e “Dom de Si” pela Editora Quadrante, explica muito bem sobre isso:

“Tudo varia sem cessar na natureza: o Criador assim o quis. As árvores frutíferas ficam durante longos meses sem folhas e como que privadas de vida, depois a seiva circula novamente nos galhos e estes cobrem-se de flores e de frutos. A nossa alma também passa por invernos rigorosos…” Aliás, prossegue o padre Joseph Schrivers, “… a fadiga, indisposição, numerosas ocupações que paralisam a imaginação, esfriam o coração e absorvem o espíritos. O mesmo acontece quando a oposição dos homens, os contratempos, os reveses, alteram o nosso bom humor e nos lançam na tristeza e no abatimento.” [vii]

Quarto passo: A capacidade de sofrer indica o grau do amor

Se uma pessoa chega para nós e diz que nos ama, mas, em seguida, for incapaz de ficar do nosso lado, de sofrer conosco em determinada circunstância, não é verdade que chegaremos à conclusão de que ela não nos ama, pois não demonstrou capacidade de sofrer?

É nas dificuldades que sabemos quem é amigo, diz-se popularmente.

Isso é uma verdade.  O outro lado da moeda do amor é o sacrifício.

São João Paulo II dizia que há uma “verdade do amor mediante a verdade do sofrimento.”[viii]

Novamente o padre redentorista belga Joseph Schrivers esclarece essa verdade.

Ele diz que o que nos faz gemer é a nossa inconstância no amor.

“Hoje, são todas de fogo, amanhã são todas de gelo. Hoje sentem-se seduzidas pela oração e pela vida de recolhimento, amanhã são incapazes de reunir dois pensamentos e de exprimir, de coração, um bom sentimento.” [ix]

Quinto passo: Cuidado com as falsas cruzes

Devemos ser maduros, para não dar nome àquilo que não é senão uma falsa cruz.

Às vezes, aquilo que denominamos sofrimento, não é senão o nosso próprio defeito que se evidencia diante de determinado acontecimento, ou pessoa. Por exemplo, pode ser uma incapacidade de perdoarmos uma pessoa, ou pode ser uma preguiça…

Precisamos encarar os nossos defeitos e pecados e lutar contra eles.

“Temos já bastante trabalho com as cruzes que Ele próprio não nos envia. Por que criar dificuldades novas, imaginar obstáculos lá onde o caminho para a santidade é plano?” [x]

 

Sexto passo: Tirar proveito do sofrimento para nós e para os outros

Se o sofrimento causa-nos repulsa, precisamos nos lembrar do que aconteceu com o profeta Jonas.

Deus o encarregou de pregar em Nínive e ele achando a missão totalmente impossível, tentou esquivar-se, fugindo para a Península Ibérica.

Mas, o que ocorreu? Uns marinheiros pagãos simplesmente sacrificaram-no ao “deus do mar”  e ele ficou três dias na barriga da baleia.

Quando finalmente resolveu “encarar” o sofrimento moral que a missão lhe impunha, chegou a Nínive, pregou a penitência e teve sim sucesso.

A pergunta é: não teria ele sofrido menos se tivesse de pronto encarado a sua missão, a Vontade Divina a seu respeito?

Precisamos aprendera tirar proveito até do sofrimento.

É assim que Deus faz.

Ele tira do nada, o tudo e do mal o bem.

Deus é Infinita Sabedoria, basta olharmos a Beleza da Criação e para nós, seres dotados de inteligência e vontade.

É admirável o modo divino Seu de atuar:  apesar de uma mulher ter pecado – Eva – Deus quis que uma Mulher participasse da Redenção,  operada pelo Único Mediador entre Deus e o homem, Cristo Jesus, Sua Mãe, a Virgem Maria.

Poderia ter rejeitado a ideia de uma Mulher desfazer o que uma outra havia feito. Mas, não.

E a Redenção então, operada na Cruz. Não foi Jesus que provocou, que foi um malfeitor para merecer a Cruz. Ele só fez o bem.  Mas, aceitou toda a humilhação desde a injustiça do processo condenatório à Cruz, até a Sua morte propriamente dita,  aceitou TODO AQUELE SOFRIMENTO PARA LOUVAR A DEUS E IMPLORAR-LHE PERDÃO PARA NÓS, SOFRER EM NOSSO LUGAR, PARA NOS “CONQUISTAR A LIBERDADE DE FILHOS DE DEUS” ( como diz São Josemaria Escrivá na página de introdução à Via Sacra).

Numa linguagem bem popular, precisamos aprender a usar dos limões que nos atiram para fazer uma bela limonada.

Aprendamos de quem é a Sabedoria em Pessoa:  Nosso Senhor Jesus Cristo!

Não percamos tempo: aprendamos a oferecer a Deus, como o nosso louvor a Ele, toda contrariedade, todo o sofrimento e aproveitemos para declarar, com isso, o nosso amor a Ele.

Somos livres. Podemos fugir de um sofrimento. Mas, é claro, esde que não implique determinado sofrimento em risco de vida para nós ou para o próximo, não será  este sofrimento, esta contrariedade, uma ótima ocasião para exercer a paciência, o perdão, o amor ao próximo PORQUE EU AMO A DEUS?

Sétimo passo: Tudo concorre para o nosso bem quando amamos a Deus

Não é verdade que Jesus pede-nos uma entrega filial à providência do Pai celeste, que, se permitiu um sofrimento,  em sua Infinita Sabedoria e Bondade, é para nosso bem?

Quem não se recorda da história de José, vendido como escravo pelos seus irmãos, e depois acabou sendo ele mesmo aquele que salvaria os mesmos da fome?

Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.”[xi]

Conclusão: “Juntos, venceremos!”

Com Jesus, oferecendo a Deus o nosso sofrimento de cada instante, à Sua Perfeita Oblação na Cruz, seremos vencedores com Ele também.

“Nas horas difíceis do Gólgota, o Senhor tinha contra si, todo o poder espiritual do judaísmo e o tremendo poder material do Império Romano; e afinal, vencido aparente, foi o Vencedor. Ora, com Ele venceram os poucos homens que estiveram junto da Cruz, todos aqueles que de bom grado a aceitaram.”

E não nos esqueçamos de pedir o auxílio de Nossa Senhora, Ela que é a Consoladora dos Aflitos, pois daí tudo ficará mais fácil, pois estaremos sob o seu carinho maternal.

[i] Cl 1,24

[ii] Cl 1,24

[iii] 2 Cor 5,21

[iv] São João Paulo II, Carta Apostólica “Salvifici Doloris”, p. 6.

[v] Escrivá de Balaguer. Josemaría. É Cristo que Passa, São Paulo, Editora Quadrante, ponto 166.

[vi] São João Paulo II, Carta Apostólica “Salvifici Doloris”, p. 6.

[vii] Schrivers, Joseph. A Boa Vontade, São Paulo, Editora Quadrante, 2011, páginas 57 e 58.

[viii] São João Paulo II, Carta Apostólica “Salvifici Doloris”, p. 34.

[ix] Schrivers, Joseph. A Boa Vontade, São Paulo, Editora Quadrante, 2011, páginas 56

[x] Schrivers, Joseph. A Boa Vontade, São Paulo, Editora Quadrante, 2011, páginas 56

[xi] Romanos 8,28.

Amar a si mesmo, ao próximo e a Deus enquanto ainda é tempo…

“No entardecer da nossa vida, seremos julgados sobre o amor.  O amor é a diferença  entre céu e inferno”.

O Homem foi criado para ser feliz, tanto que Deus cria Adão e Eva e os coloca em posição privilegiada em relação às demais criaturas e os coloca no Jardim do Éden, um jardim de delícias.

E por ser, diferentemente das outras criaturas, feito à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26)  a intenção de Deus sempre foi a de,  um dia, elevar o Homem à comunhão com Ele mesmo em sua vida íntima bem-aventurada, no seio da  Santíssima Trindade.

Não haveria a morte tal como a conhecemos, que é a separação da alma e do corpo. Não havia sofrimento.

Sabemos que o Homem pecou, foi expulso do Jardim do Éden, e foi privado daqueles dons preternaturais e sobrenaturais que ele estava dotado antes da desobediência a Deus.

Sabemos que o Filho de Deus, por nós e  para a nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo poder do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria e, sem deixar de ser Deus, assumiu a carne e a alma humanos. E, desfazendo a desobediência de Adão, foi um Filho de Deus obediente até a morte, e a venceu com a Ressurreição, sendo, portanto, o novo Adão.

Essa morte foi redentora, teve por finalidade restabelecer a nossa dignidade e liberdade como filhos de Deus adotivos. Deus nos adota como filhos,  não como o Filho Unigênito é Filho por ser consustancial ao Pai, mas somos filhos pela graça divina, saída do lado aberto de Jesus na Cruz,  do qual jorraram sangue e também água,  esta última como o símbolo do Espírito Santo (Graça Incriada) e da graça divina.

É muito bonito, porque assim como Eva surgiu da costela de Adão, a Igreja que somos nós saímos do lado aberto do coração do novo Adão.

E é pelo Batismo, recebemos  essa graça divina que jorra do peito de Jesus e o próprio Espírito Santo,  que tem a função de nos transformar, nos divinizar, nos santificar ao longo da nossa vida terrestre. Como o Batismo nos dá essa semente de vida divina, caso a percamos, temos outros Sacramentos para recuperá-la ao longo da vida  como por exemplo a Confissão ou para incrementá-la como o Sacramento do Matrimônio, da Ordem.

Jesus conquista para nós a graça santificante, para que, quando morrermos termos a aptidão da visão beatífica de Deus e da comunhão com Deus. Quanto mais graça santificante em nossa alma, tanto mais será a visão de Deus, melhor o compreenderemos, porque quanto mais graça santificante, maior a luz da glória necessária para a visão beatífica de Deus.

É que “Em razão de sua transcendência, Deus só poderá ser visto tal como é quando Ele mesmo abrir seu mistério à  contemplação direta do homem e o capacitar para tanto. Esta contemplação de Deus em sua glória celeste é chamada pela Igreja de ´visão beatífica´.”(Catecismo 1028).

Jesus, contudo, não restabelece a ausência do sofrimento  que possuíam Adão e Eva, antes do pecado. E isto por motivos de Sabedoria Divina, já que Jesus transformou todo o sofrimento humano,ao tomar a carne humana,  inclusive a morte,  em obra de redenção, pois  se sofrermos como Jesus,  com boa vontade,   com espírito de penitência e sacrifício de louvor e ação de graças a Deus e em união à morte redentora de Jesus na Cruz, também contribuiremos, por meio de Jesus,  para que outros cheguem à fé e se salvem.

Também não há restabelecimento da ausência de morte física, porque tanto a morte de Jesus como a nossa própria morte,  passam a ser um caminho necessário para a Ressurreição, para entrarmos na glória eterna.  Ele já está ressuscitado em novo corpo glorioso como garantia de que um dia isso também se dará conosco.

Assim, sabemos que nós um dia morreremos. “A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último.”  (Catecismo, 1013).

A morte nunca foi querida por Deus,  pelo contrário “A morte foi, portanto, contrária aos desígnios de Deus criador e entrou no mundo como consequência do pecado.” (Catecismo, 1008).

E sabemos que no final dos tempos,  todos serão ressuscitados , primeiro os que estavam falecidos, depois os que se encontrarem vivos neste dia, pois “Deus, em sua onipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus.” (Catecismo,  997).

 

Mas, o que acontece com os falecidos? O que acontece logo após a nossa morte?

Há uma retribuição, ensina o Catecismo, imediatamente depois da morte, de cada um em função de suas obras e da sua fé. (ponto 1021).

Essa retribuição será de acordo com a fé e as obras.

Explicando melhor, nossa alma merecerá a separação eterna de Deus (inferno) ou a comunhão eterna com Ele (céu).

É, explica-nos o Catecismo (ponto 1021), a parábola do pobre Lázaro e a palavra de Cristo ao bom ladrão, assim como outros textos do Novo Testamento, que falam de um destino último da alma, que pode ser diferente para uns e outros.

“Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja por meio de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre.” (Catecismo 1022).

Essa retribuição se dará conforme a fé e obras, o que significa que não adiante falarmos “Senhor, Senhor” mas não nos esforçarmos para fazer a Vontade de Deus, que é a nossa santificação pela graça divina, por corresponder ao Amor de Deus.

De nada adiantará ter fé, acreditar que Jesus é Deus e em toda a Revelação Divina operada pelo Antigo e Novo Testamento. Fé, acreditar que Deus existe e em suas obras, isso até os demônios fazem como nos diz São Tiago, e tremem (2 Tiago 19). A fé desses espíritos infernais não é salvadora, porque não é uma fé que os leva a Amar o Senhor Deus.

Assim, se a nossa retribuição dependerá da fé e das obras, precisamos ter uma fé que seja um degrau para alcançarmos o cume da escada do Amor a Deus.

No final da nossa vida terrestre, estaremos diante de Deus Uno e Trino, que é Três Vezes Santo,  como bem se repete na liturgia bizantina de São João Crisóstomo (Santo, Santo, Santo, é Senhor dos Exércitos, o Céu e a Terra estão cheios da Vossa Glória, Hosana nas Alturas, Bendito o que vem em nome do Senhor, Hosana nas Alturas) e como bem repetem os anjos na visão de Isaías (Isaías 6:5) chegando até mesmo a cobrirem-se com suas asas em reverência à santidade de Deus, ou como bem se vê no Apocalipse (Apocalipse 4:8),  em que as criaturas em torno do trono de Deus repetiam o triságio sem cessar.

Estaremos diante de quem foi, é e será nosso Pai, porque:

  • Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” João 1:12-13
  • “Porque não recebeste o espírito de escravidão para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.” Romanos 8:15 –
    “E o mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” Romanos 8:16
  • “E se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo: se é certo que com Ele padecemos, para que também com Ele sejamos glorificados.” Romanos 8:17

E estaremos diante de um Pai que é como Jesus descreve na parábola do filho pródigo, um Pai que nunca feriu a liberdade de seu filho, mas sempre torceu para que ele concluísse que quem sempre o amou de verdade foi seu pai, tanto que no seu retorno todo arrependido, encontra um pai que o abraça, manda fazer festa.

Só que o tempo para haver este retorno, esta conversão é nesta vida. Foi o que Jesus pregou durante a sua vida pública: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.” (Evangelho de São Marcos 1: 14).

Estaremos diante de um Deus que é comunhão de Amor entre Pai, Filho e Espírito Santo, dando para perceber que eventuais tendências nossas ao egoísmo, desamor, ódio, rancor, falta de perdão …. tudo isso é incompatível com Ele.

Se não estivermos preparados para a retribuição do Céu, porque existe em nós ainda manchas do pecado, mas também não for caso de separação com Deus, porque morremos na sua amizade, então pensemos na hipótese do purgatório.

Mas afinal o que é o purgatório?

 

Podemos consultar a respeito do purgatório no Novo Testamento: 1 Cor 3:10,15; Lucas 12:58-59; Mateus 12:31,32, 1 Pe 13,18-19 e 4-6; e no Antigo Testamento – 2 Macabeus 44-46.

O purgatório é “um estado pós-mortal de purificação, ou seja, uma  ´purificação prévia à visão de Deus. Como esta purificação tem lugar depois da morte e antes da ressurreição final, este estado pertence ao estágio escatológico intermédio” (em Purificação da alma para o Encontro com Cristo Glorioso, da Comissão Teológica Internacional, 1990).

Na verdade, sempre houve orações pelos defuntos, como podemos ver no próprio Antigo Testamento em 2 Macabeus 12, 44-46.

O homem pode precisar ser purificado posteriormente à sua morte. Essa purificação tem mais a ver com uma dor de amor, pois é como o “amor que vê retardado o momento de possuir a pessoa amada e padece dor e pela dor purifica-se.” (em Purificação da alma para o Encontro com Cristo Glorioso, da Comissão Teológica Internacional, 1990).

 

Interessante a visão do purgatório tida por Santa Faustina Kowalska (anotações do Caderno I, item 20, de seu Diário) em que ela diz:

‘Vi o Anjo da Guarda que me mandou acompanhá-lo. Imediatamente encontrei-me num lugar enevoado, cheio de fogo, e, dentro deste, uma multidão de almas sofredoras. Essas almas rezavam com muito fervor, mas sem resultado para si mesmas; apenas nós podemos ajudá-las. As chamas que as queimavam não me tocavam. O meu Anjo da guarda não se afastava de mim nem por um momento E perguntei a essas almas qual era o seu maior sofrimento. Responderam-me, unânimes, que o maior sofrimento delas, era a saudade de Deus. Vi Nossa Senhora que visitava  as almas do Purgatório. As almas chamam a Maria ´Estrela do Mar´ Elas lhes traz alívio. Queria conversar mais com elas, mas o meu Anjo da Guarda fez-me sinal para sair. Saimos pela porta dessa prisão de sofrimento (Ouvi então uma voz interior) que me dizia: A minha misericórdia não deseja isto, mas a justiça o exige.”

 

Como bem diz São João da Cruz, “no entardecer da nossa vida, seremos julgados sobre o amor.” (Avisos e Sentencias 57).

O nosso juízo particular o que contarão serão os atos de amor a Deus e ao próximo, por isso devemos nos esforçar a cumprir aquele  “Amai-vos uns aos outros como Eu vos Amei” ;  “Amar a Deus sobre todas as coisas de toda a tua força, de toda a tua alma”, como bem nos ensina Jesus.

Em que consiste o amor sobre o qual seremos julgados no final da nossa vida terrestre?

 

Amar a si mesmo

O objeto mais próximo do amor somos nós próprios.

“Isto pode parecer um pouco alarmante, especialmente por encararmos a santidade como a perfeição do amor. Se a santidade é destruição do amor-próprio – assim nos disseram – como podemos, então ,dizer que temos de nos amar a nós mesmos partindo da caridade? De fato, destruir o nosso amor-próprio é destruir o amor por nós mesmos quando este interfere no nosso perfeito amor a Deus.” (DOHEN, Dorothy. Vocação de Amor, Editora Quadrante, São Paulo, p. 15).

Esse amor por nós mesmos será sadio se não é amor-próprio que nos afasta de Deus (amor-próprio, egoísmo), mas um amor por nós próprios que “consiste em querermos participar da felicidade eterna de Deus.”  (DOHEN, Dorothy. Vocação de Amor, Editora Quadrante, São Paulo, p. 15).

Amar ao próximo por amor a Deus e não só por um amor natural, por uma afeição natural. Mas amar ao próximo porque Deus também o ama.

Mas quem é o meu próximo?

“A resposta é simples: devemos fazer bem àqueles que estão perto de nós e àqueles que as circunstâncias, isto é, a vontade de Deus, puseram no nosso caminho…Temos de desenvolver o que Deus nos envia. Na prática da caridade, temos de ter presente a obrigação de servir em primeiro lugar aqueles que estão mais chegados a nós por natureza. Mas se um estranho estiver em necessidade desesperada, devemos ajudá-lo mais do que às pessoas de nossas relações em situação menos difícil.”

Lembrar também da parábola do bom samaritano. “Talvez o sacerdote e o levita, que não se preocuparam de ajudar o homem que caíra no meio dos ladrões, estivessem ocupados a fazer planos para várias atividades de caridade. No entanto, erraram, porque não se preocuparam de manifestar caridade por alguém que estava no seu caminho. “(DOHEN, Dorothy. Vocação de Amor, Editora Quadrante, São Paulo, p. 17).

Amar ao próximo é dar esmola?

Não amar ao próximo é muito mais do que dar esmola.

Caridade não é dar esmola.

Mas,  às vezes ajudar uma pessoa em extrema necessidade com esmola, pode ser um ato obrigatório de amor ao próximo.

Santo Tomás de Aquino diz: “temos obrigação não só de dar esmola do que nos é supérfluo, como também de dar esmola a qualquer pessoa que esteja em extrema necessidade.” (Suma Teológica II, q. 32, artigo 5.)

Necessidades espirituais dos outros  também são importantes

 

“Com efeito, se um homem está com fome, todos estão de acordo em dar-lhe comida; mas se está em pecado mortal, dizem que não têm nada a ver com isso. No entanto, as necessidades espirituais do nosso próximo são mais importantes do que as físicas.” (DOHEN, Dorothy. Vocação de Amor, Editora Quadrante, São Paulo, p. 18).

Antes do amor ao próximo, verificar se estamos sendo injustos com outra pessoa, corrigir isso

O ideal é conjugar a caridade e a justiça. Mas não se pode realizar a caridade com alguém, em detrimento de realizar uma injustiça com outra pessoa.

“…a consciência deturpada de muitos cristãos os levava a fazer atos caritativos enquanto descuidavam os seus deveres de justiça. Davam dinheiro aos pobres e não se preocupavam de pagar aos seus próprios empregados um salário suficiente para viverem.” ((DOHEN, Dorothy. Vocação de Amor, Editora Quadrante, São Paulo, p. 22).

Ser justo não significa que não se possa conjugar justiça com caridade

Explicamos melhor, às vezes  não queremos ajudar alguém, pensando ah, mas não é o meu dever, o meu dever é ajudar meu marido e filhos, não esse estranho.

Só que deixamos de realizar algo de bom para o estranho, não por falta de possibilidade real, mas por pensar só na questão da justiça, que “não é a minha obrigação”.  É preciso amenizar a justiça deixando-o não tão áspera, isso é caridade.

Na realidade, até mesmo essa justiça, deve ser resultado do amor que sentimos.

“A caridade deve vivificar a luta pela justiça. Deve temperá-la pela piedade e impedir que se torne demasiado áspera. Sem caridade, cumprir-se-á a letra da lei, mas perder-se-á o verdadeiro espírito de justiça.” (DOHEN, Dorothy. Vocação de Amor, Editora Quadrante, São Paulo, p. 23).

Caridade e verdade não se opõem: o amor não é cego como dizem

Às vezes a verdade pode doer, mas é preferível à mentira.

Temos de aprender a dizer a verdade com caridade, sem ferir, sem machucar, com prudência.

E às vezes, praticar a caridade, apesar de uma verdade.

“O grande apóstolo da caridade, São Vicente de Paulo, tinha para com os pobres uma atitude muito realista. Reconhecia que eram muitas vezes ingratos, hipócritas, repulsivos. Conhecia essas verdades, mas sabia também que eram seus irmãos em Cristo e amava-os precisamente por isso. Não há contradição entre verdade e caridade. Não é preciso fechar os olhos à realidade para amar. …Assim como Deus, que vê os nossos pecados, se esquece deles na sua misericórdia,  assim acontecerá conosco se amarmos verdadeiramente o próximo, pois o nosso amor se elevará acima do conhecimento que tivermos de qualquer verdade desagradável.” (DOHEN, Dorothy. Vocação de Amor, Editora Quadrante, São Paulo, p. 20).

Amar, algo gratuito

Se formos colocar na ponta do lápis, nenhum ser humano é digno de amor, nem mesmo nós, porque pecamos, somos cheios de defeito, “pisamos na bola” várias vezes…

Mas a questão toda é treinar o amor gratuito. Fazer e querer o bem às pessoas, independentemente do que elas são ou fazem. “Afogar  o mal com a abundância do bem”.

Um motivo, um bom motivo é ensinado por Dorothy Dohen, em seu livro Vocação de Amor:

“Os nossos pecados não nos impedem de desejar a felicidade eterna na companhia de Deus; sendo assim, por que é que os pecados do próximo nos hão de impedir de o amar e de desejar a sua bem-aventurança?” ((DOHEN, Dorothy. Vocação de Amor, Editora Quadrante, São Paulo, p. 2o).

Amar a Deus

Amar a Deus como nossa resposta pessoal a Ele.

Ele nos amou primeiro. Nunca teremos este mérito diante dele. O nosso amor é sempre uma retribuição, uma resposta, algo de retorno e não de origem. Mesmo porque não podemos Lhe retribuir nem esta vida terrena, nem a vida vindoura na glória, nem os dons e inúmeros benefícios conhecidos e ignorados que todos os dias recebemos de Suas Mãos generosas.

Amar a Deus não é mandamento é resposta Àquele que nos ama primeiro.

Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um « mandamento », mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro. (Bento XVI, Carta Encíclica, Deus Caritas Est, n. 1).

Um bom início para esse nosso amor-resposta pode ser exercitarmos em agradecer a Deus por tudo, pelo agradável e pelo desagradável, pelo que é bom e o que é aparentemente ruim, com um coração agradecido de filhos de Deus, tal como é o Coração de Cristo.

Podemos também como nosso amor-resposta, olhar para o outro,  o próximo, e realizar-lhe o bem, para agradar a Deus.

Amor se aprende amando

Vale transcrever, por fim, a lição Aristóteles, em sua obra Ética a Nicômacos:

“As coisas que temos de aprender antes de fazer, aprendemo-las fazendo-as – por exemplo, os homens se tornam construtores construindo, e se tornam citaristas tocando cítara, da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos, moderados agindo moderadamente, e corajosos agindo corajosamente.”

Nossas boas obras e seus efeitos

Como diz São Paulo: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3,23).

O pecado mortal, para ser perdoado,  necessita ser confessado, mediante um prévio exame de consciência e arrependimento sincero pelo seu cometimento.  Como regra, se alguém morre no estado de pecado mortal não confessado, morreu em um estado e não amizade com Deus, não terá chances de resgatar essa amizade após a morte e acabará se condenando quando vir a Pureza, o Amor de Deus, as graças que desperdiçou por culpa própria a vida inteira.

O pecado venial, para ser perdoado, por ser pecado, convém que seja confessado, mas, se tal não ocorrer, pode ser perdoado por outros modos, como por exemplo, dependendo do arrependimento da pessoa, na própria Santa Missa.

Seja como for, o pecado, tanto o mortal, como o venial, já perdoado quanto à sua CULPA, deixa uma consequência que não é apagada pela absolvição concedida por um sacerdote devidamente ordenado para isso, e que o faz não por poder próprio, mas por um poder que lhe é transmitido por ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Embora Deus sempre nos conceda na pessoa do sacerdote a absolvição para todo aquele que tenha se arrependido do seu pecado, no Sacramento da Penitência,  resta como um dever de reparação, pela desordem que o pecado causa em nós e nos outros.

Essa reparação é feita por boas obras, como jejum, esmola, oração, prática de piedade e caridade com o desejo de agradar a Deus…

A desordem que o pecado causa em nós tem fundamento pois, todo pecado, seja ele mortal, seja ele venial, diz o Catecismo da Igreja Católica, “acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte no estado chamado purgatório.”

Em outras palavras, toda vez que cometo um pecado qualquer, isso acarreta uma facilidade, uma tendência para praticá-lo outra  vez.

A desordem que o nosso pecado causa nos outros, vai desde o escândalo (levar outro a se desviar do caminho do bem, imitando nossa conduta, ou praticando o mal por vingança contra nós pois não nos perdoou…) até um prejuízo real e concreto ao próximo (deixar o outro triste, com raiva…) chegando mesmo a prejudicar todo o Corpo Místico de Cristo (formado por todos os batizados) que é o seguinte: a nossa queda em uma luta ascética concreta (exemplo, viver a pontualidade e não conseguir) acarretar a queda de uma outra pessoa às vezes distante de nós e que nem a conhecemos, mas que também estava tentando lutar contra o seu defeito de ser impontual e não conseguirá porque não fomos heroicos…

Mas, se é certo que o meu pecado tem consequências para todo o Corpo Místico de Cristo, quando pratico obras boas como jejum, esmola, oração, pratico virtudes para a glória de Deus…tudo isso também reflete no Corpo Místico de Cristo como um todo.

É que essa boas obras, além de terem valor diante de Deus, a Igreja acaba também concedendo aqui na Terra valor de INDULGÊNCIA para nós que estamos vivos.

E, quando praticados essas boas obras INDULGENCIADAS, se estivermos com o CORAÇÃO CONTRITO perante Deus, essa indulgência é duplicada e pode ser aplicada aos fieis defuntos na forma de SUFRÁGIO.

Assim, existe uma COMUNHÃO SOBRENATURAL entre todos os batizados: entre nós vivos (Igreja militante), entre os mortos que já estão no Céu (Igreja triunfante) e entre os mortos que estão no purgatório (Igreja padecente).

Essa COMUNHÃO SOBRENATURAL forma um Corpo, o Corpo Místico de Cristo. Ele é Místico, porque não o vemos, não sabemos quem nele está ao todo, mas é formado por Nosso Senhor Jesus Cristo (como Cabeça), e nós, os santos do céu e os que estão no purgatório (como Membros):

“A vida de cada um dos filhos de Deus se acha unida, por um admirável laço, em Cristo e por Cristo, com a vida de todos os outros irmãos cristãos na unidade sobrenatural do corpo místico de Cristo, como numa única pessoa mística.” (Papa Paulo VI, Const. Apostólica Indulgentiarum Doctrina 5 e ponto 1474 do Catecismo da Igreja Católica).

Essa COMUNHÃO é feita por um LAÇO DE UNIÃO, que é a Caridade (o Amor a Deus), realizada pelo próprio Espírito Santo que é derramado em nossas almas no Batismo.

Por este laço de união, a Caridade do Espírito Santo, há um INTERCÂMBIO DE BENS ESPIRITUAIS entre todos do Corpo Místico, que são chamados de TESOURO DA IGREJA:

“Na comunhão dos santos, ´existe certamente entre os fieis já admitidos na posse da pátria celeste, os que expiam as faltas no purgatório e os que ainda peregrinam na terra, um laço de caridade e um amplo intercâmbio de todos os bens´. (Papa Paulo VI, Const.  apostólica Indulgentiarum Doctrina, 5).  Neste admirável intercâmbio, cada um se beneficia da santidade dos outros, bem além do prejuízo que o pecado de um possa ter causado aos outros….Esses bens espirituais da comunhão dos santos também são chamados o tesouro da Igreja…” (ponto 1475 do Catecismo da Igreja Católica).

Esse TESOURO DA IGREJA é formado pelas expiações dos nosso pecados feitas por Nosso Senhor, pelas preces e boas obras da Virgem Maria e a dos Santos e as nossas.

Desse TESOURO vêm as indulgências.

As INDULGÊNCIAS são a remissão (perdão) das penas devidas pelos nossos pecados já perdoados e elas são obtidas de Deus “mediante a Igreja, que, em virtude do poder de ligar e desligar que Cristo Jesus lhe concedeu, intervém em favor do cristão, abrindo-lhe o tesouro dos méritos de Cristo e dos santos para obter do Pai das misericórdias a remissão das penas temporais devidas a seus pecados. Assim, a Igreja não só vem em auxílio do cristão, mas também o incita a obras de piedade, de penitência e de caridade” (Papa Paulo VI, loc. Cit. 8, Conc. De Trento: DS 1835, e ponto 1478 do Catecismo da Igreja Católica).

A relação entre as indulgências e os fieis defuntos é que existem atos indulgenciados que a Igreja concede para nós como regra, mas que podem se transformar em SUFRÁGIO aos fieis falecidos se nós, ao praticarmos essas boas obras indulgenciadas, estivermos com o  coração contrito.

Quais são essas obras boas que podemos realizar, indulgenciadas pela Igreja e que podem ser duplicadas na forma de sufrágio para os fieis defuntos?

Eis aqui as normas que constam da Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina do Papa Paulo VI:

fonte: http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_constitutions/documents/hf_p-vi_apc_01011967_indulgentiarum-doctrina_po.html

“N. 1. Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos.

  1. 2.A indulgência é parcial ou plenária, conforme libera parcial ou totalmente da pena devida pelos pecados.
  2. 3.As indulgências, ou parciais ou plenárias, podem sempre aplicar-se aos defuntos por modo de sufrágio.
  3. 4.Doravante indicar-se-á a indulgência parcial apenas por estas palavras: “indulgência parcial”, sem determinação alguma de dias e anos.
  4. 5.Ao fiel que, ao menos contrito de coração, realiza uma obra enriquecida duma indulgência parcial, é concedida pela Igreja uma remissão de pena temporal igual à que ele mesmo obtém por sua ação.
  5. 6. A indulgência plenária só pode ser adquirida uma vez por dia, ressalvada a prescrição da norma 18 para os que se acham “in articulo mortis”. Mas pode adquirir-se a indulgência parcial várias vezes no mesmo dia, a menos que expressamente seja indicada outra disposição.
  6. 7.Para adquirir a indulgência plenária é preciso fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes três condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice. Requer-se além disso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial. Se falta essa plena disposição ou não se cumprem as supramencionadas condições, ficando intacta a prescrição da norma 11 para os que se acham “impedidos”, a indulgência será apenas parcial.
  7. 8. As três condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita; mas convém que a comunhão e a oração nas intenções do Soberano Pontífice se façam no mesmo dia em que se faz a obra.
  8. 9.Com uma só confissão sacramental, podem adquirir-se várias indulgências plenárias, mas para cada indulgência plenária é necessária uma comunhão e as orações nas intenções do Sumo Pontífice.
  9. 10. A condição da oração nas intenções do Sumo Pontífice pode ser plenamente cumprida recitando em suas intenções um Pai-nosso e Ave-Maria; mas é facultado a todos os fiéis recitarem qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Pontífice Romano.
  10. 11.Sem prejuízo da faculdade dada aos confessores pelo cân. 935 do CDC de comutarem para aqueles “que se acham impedidos” ou a obra prescrita ou as condições requeridas, podem os ordinários locais conceder aos fiéis sob sua autoridade, conforme as normas do direito, caso morem esses fiéis em lugares onde lhes é impossível ou ao menos mui difícil confessar-se ou comungar, a possibilidade de ganharem a indulgência plenária sem confissão e comunhão imediata, contanto que tenham o coração contrito e estejam dispostos a se aproximarem desses sacramentoslogo que o puderem.
  11. 12.Fica abolida a distinção das indulgências em pessoais, reais e locais, para fazer aparecermais claramente que são as ações dos fiéis as enriquecidas com indulgências, mesmo que às vezes ligadas a um objeto ou a um lugar.
  12. 13.Omanual das Indulgências será revisto a fim de que não sejam enriquecidas de indulgências senão as principais orações e obras de piedade, de caridade e de penitência.
  13. 14.Os catálogos e compilações de indulgências das ordens, congregações religiosas, sociedades de vida comum sem votos, institutos seculares e associações pias de fiéis serão revistos assim que possível, para a indulgência plenária poder ser adquirida só em certos dias particulares, marcados pelaSanta Sé, sob proposta do superior geral ou, em se tratando de associações pias, do ordinário do lugar.
  14. 15.Em todas as igrejas, oratórios públicos ou semi-públicos – para os que legitimamente usam desses últimos – pode-se ganhar a indulgência de 2 de novembro, que só pode ser aplicada aos defuntos. Além disso nas igrejas paroquiais pode-se ganhar a indulgência plenária em duas ocasiões por ano: na festa do titular e no dia 2 de agosto, dia da indulgência da “Porciúncula” ou noutro dia mais oportuno que o ordinário fixará. Todas as supramencionadas indulgências podem ganhar-se nos referidos dias ou, com o consentimento do ordinário, nodomingo precedente ou no domingo seguinte. As outras indulgências, ligadas a igrejas ou oratórios, serão o mais cedo possível revistas.
  15. 16.A obra prescrita para ganhar a indulgência plenária ligada a uma igreja ou oratório é a visita piedosa durante a qual se recitará a oração dominical e o símbolo da fé (Pai-nosso e Creio).
  16. 17.Aos fiéis que utilizam religiosamente umobjeto de piedade (crucifixo, cruz, terço, escapulário, medalha), validamente abençoado por um padre, concede-se indulgência parcial. Ademais, se o objeto de piedade foi bento pelo Soberano Pontífice ou por um bispo, os fiéis que religiosamente ousam podem também obter a indulgência plenária no dia da festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, ajuntando, porém, a profissão de fé sob uma forma legitima.
  17. 18.No caso da impossibilidade de haver um padre para administrar a um fiel em perigo de morte os sacramentos e a bênção apostólica com a indulgência plenária a ela ligada, de que se trata no cân. 468, parágrafo 2, do CDC, concede benignamente nossa piedosa Mãe Igreja a esse fiel bem disposto a indulgência plenária a lucrar em artigo de morte, com a condição de ter ele durante avida habitualmente recitado algumas orações. Para aquisição dessa indulgência é louvável empregar um crucifixo ou uma cruz. Essa mesma indulgência plenária em artigo de morte pode ser ganha por um fiel, ainda que ele já tenha no mesmo dia ganho outra indulgência plenária.
  18. 19.As normas estabelecidas quanto às indulgências plenárias, especialmente a norma 6, são aplicáveis às indulgências plenárias que até então se chamavam toties quoties.
  19. 20.Nossa piedosa Mãe Igreja, em sumo grau solicita pelos fiéis defuntos, resolveu conceder-lhes os seus sufrágios namais ampla medida em cada sacrifício da missa, ab-rogando por outro lado todo privilégio neste domínio.

As novas normas regulando a aquisição das indulgências entrarão em vigor três meses após o dia da publicação desta Constituição nas Acta Apostolicae Sedis.

As indulgências ligadas ao uso de objetos de piedade, não mencionadas acima, cessarão três meses após o dia da publicação desta Constituição nas Acta Apostolicae Sedis.

As revisões de que se falou nas normas 14 e 15 devem ser propostas à Sagrada Penitenciaria Apostólica durante o ano. Após dois anos, a partir da data desta Constituição, cessarão de vigorar as indulgências que não tiverem sido confirmadas.

Queremos que estas decisões e prescrições sejam firmes e eficazes no futuro, não obstante eventualmente as Constituições e Ordenações Apostólicas emanadas de nossos predecessores e outras prescrições mesmo dignas de menção ou de exceção particulares.

Dado em Roma, junto de São Paulo, na oitava da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, a 1 de janeiro de 1967, quarto do nosso pontificado.

PAPA PAULO VI”

Por fim, a Penitenciaria Apostólica editou o Manual das Indulgências a 29 de junho de 1968,  dia da solenidade de São Pedro e São Paulo.

O download pode ser obtido no seguinte endereço:

http://www.presbiteros.com.br/site/wp-content/uploads/2011/12/Manual-de-Indulg%C3%AAncias.pdf

O plano de Deus para quem se casa

Deus cria o primeiro casal para a felicidade

Quem criou o  primeiro casal foi o próprio Deus, pois criando Adão, considerou Deus que não era bom que ficasse só, tirando a mulher da costela de Adão, após tê-lo colocado em um sono profundo.

Quem dá sentido para Adão é a Eva.

Após serem criados homem e mulher, Deus determinou que fossem fecundos (Gênesis 1,28).

Vejamos que o matrimônio não é algo puramente humano. Foi Deus quem o criou e criou para alguns fins (desígnios de Deus).

O Catecismo nos ensina que o desígnio de Deus para um casal abençoado por Ele é:

  1. A íntima comunhão de vida e de amor (ponto 1603);
  2. A fecundidade do casal a fim de preservar a criação (ponto 1604);
  3. A unidade de vida, ao ponto de o Papa falar em “unidade de dois”, os dois passam a ser “uma só carne” (Gênesis 2,24 e Mateus 19,6 e ponto 1605);
  4. para a vida inteira, pois o que Deus uniu o homem não separe.

Percebemos pelos desígnios mencionados pelo Catecismo da  Igreja Católica que Deus pensou no matrimônio para a realização pessoal  dos cônjuges, em outras palavras, o fim do matrimônio é a FELICIDADE dos cônjuges,  foi por isso que Deus disse – “não é bom que o homem esteja só”, criando uma semelhante para ele, prevendo a íntima comunhão de vida para sempre e a fecundidade. O fim sempre foi esse: a realização pessoal, a felicidade de Adão e Eva e de todos os casais.

E essa felicidade decorreria de uma VIDA VIRTUOSA: fidelidade, amor, abertura aos filhos… e acreditam os teólogos que essa realidade natural do matrimônio com o fim de satisfação pessoal e felicidade dos cônjuges estava prevista para ser elevada a Sacramento, à íntima união com Deus, um dia, porque no Apocalipse fala-se sobre o casamento entre Deus e a humanidade. Aquele – e os dois serão uma só carne – se tornaria realidade porque Deus estaria em todos no final.

Para viver uma vida virtuosa e feliz o primeiro  casal tem um diferencial em relação à criação: imagem e semelhança de Deus

 

O diferencial nota-se da própria narração em Gênesis:

Observa-se que a criação do homem e da mulher não vem de uma sucessão natural da criação, mas  Deus entra dentro de Si e conclui: “Façamos à nossa imagem e semelhança”.

Recorramos, novamente, à catequese de São João Paulo II, proferida no dia 12.09.1979:

“…o homem é criado na terra juntamente com o mundo visível. Ao mesmo tempo, porém, o Criador ordena-lhe que subjugue e domine a terra (Cfr. Gén. 1, 28) : ele é portanto colocado acima do mundo. Embora o homem esteja tão intimamente ligado ao mundo visível, a narrativa bíblica não fala todavia da sua semelhança com o resto das criaturas, mas somente com Deus [Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus … (Gén. 1, 27) ]. No ciclo dos sete dias da criação manifesta-se evidentemente uma gradualidade nítida(1); o homem, pelo contrário, não é criado segundo uma sucessão sa entrar em si mesmo, para tomar decisão: Façamos o homem à Nossa imagem, à Nossa semelhança … (Gén. 1, 26)”

 

 

 

Deus é amor, concluirá São João em Sua Epistola, ao analisar a entrega feita por Deus Pai de seu Filho Unigênito para nos resgatar do pecado.

 

Deus vive uma comunhão de amor e o amor humano deve refletir isso.

 

 

O amor é possível, e nós somos capazes de o praticar porque criados à imagem de Deus. Viver o amor e, deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo, como diz o Papa Emérito Bento XVI, em sua Encíclica “Deus Caritas Est”.

O primeiro casal após o pecado original: consequências

O problema é que depois do pecado original os desígnios de Deus originais não tem sido fáceis para o casal.

É que o pecado original simplesmente:

  • gerou acusações recíprocas ;
  • a atração física criada por Deus se transforma em uma relação de dominação e de cobiça
  • a vocação à fecundidade é onerada com os dores do parto e o suor do ganha-pão (ponto 1607).

É muito importante sabermos disso, porque o relacionamento entre homem e mulher será um relacionamento entre dois pecadores que terão de se perdoar, de ter muita generosidade um com o outro, lutar contra essas más tendências de dominação e cobiça que faz um deles ou ambos enxergarem no outro apenas um objeto de sua satisfação pessoal….

Como curar tudo isso?

O Padre Paulo Ricardo responde de uma forma muito clara:

…“a aliança matrimonial, (…) ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole, (…) foi elevada, entre os batizados, à dignidade de sacramento por Cristo Senhor” [2]. Isto é, o pacto natural existente entre o homem e a mulher, com vista à realização pessoal de ambos, por meio de uma vida virtuosa, foi de algum modo perturbado pelo drama do pecado original: injustiças, ciúmes e outras doenças afetivas começaram a fazer parte do convívio entre os dois. Nosso Senhor, então, veio redimir a realidade conjugal, transformando o homem em um ser capaz não só de virtude, mas também de santidade. (Padre Paulo Ricardo, Resposta Católica n. 222., http://www.padrepauloricardo.org).

Verifica-se que Jesus, ao morrer na Cruz, casa-se com a Igreja, é-lhe fiel, entrega-se por Amor a ela, e comunica as graças do seu lado aberto pela lança para também tornar uma realidade que já era natural, em Sacramento, ou seja, o Matrimônio torna-se um meio de santificação, um meio de união com Cristo.

De modo prático, como ensina Padre Paulo Ricardo, o esposo deve se aproximar da esposa como se aproxima da comunhão – com Amor a Cristo. Quando entre na porta de casa, é como abrir a porta do Sacrário. Ela, a sua esposa,  é o seu Cristo. Tratá-la como se fosse Cristo. E sabendo que Cristo não o deixará sozinho. A graça de Cristo saída do lado aberto do seu peito transpassado pela lança do soldado, em que saíram água e sangue, é que será a força e sustento de  todos meus atos.

O matrimônio se tornou um meio de santificação, um Sacramento.

Pela graça, os cônjuges possuem força para resistir quando filhos estão sendo objeto de preocupação…para resistir às sugestões demoníacas da carne…para perdoar o outro….pois assim como Deus me perdoou e não desiste de mim, farei o mesmo com o meu cônjuge.

O matrimônio não é uma realidade só natural. Está enraizada na nossa natureza. Mas a graça de Deus para o  matrimônio eleva essa realidade.

O matrimônio passa de um NÍVEL NATURAL, para um NÍVEL SOBRENATURAL.

Foi o que quis dizer São Paulo em sua Carta aos Efésios 5, 21 e seguintes:

Sejam submissos uns aos outros no temor a Cristo. Mulheres, sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor. De fato, o marido é a cabeça da sua esposa, assim como Cristo, salvador do Corpo, é a cabeça da Igreja. E assim como a Igreja está submissa a Cristo, assim também as mulheres sejam submissas em tudo a seus maridos. Maridos, amem suas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela; assim, ele a purificou com o banho de água e a santificou pela Palavra,para apresentar a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou qualquer outro defeito, mas santa e imaculada. Portanto, os maridos devem amar suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama SUA MULHER, está amando a si mesmo. Ninguém odeia a sua própria carne; pelo contrário, a nutre e dela cuida, como Cristo faz com a igreja, porque somos membros do corpo dele. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Esse mistério é grande: eu me refiro a Cristo e à Igreja. Portanto, cada um de vocês ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido. (Ef 5, 21-33)

Como nos explica Padre Paulo Ricardo:

São Paulo descreve o relacionamento de UM CASAL, homem e mulher, esposo e esposa, porém, no final, afirmará que aquela descrição, na verdade, refere-se a Cristo e à Igreja.

A palavra mistério, em latim, quer dizer “sacramento” e é justamente o uso deslocado dessa palavra que possibilita ao Papa João Paulo II afirmar que o matrimônio é um sacramento primordial, ou seja, quando se diz que homem e mulher se tornarão uma só carne (desde o Gênesis, há que se contar), na verdade, se está também falando do relacionamento entre Cristo e a Igreja, quando todos serão um só corpo. Passa-se da ordem natural para a ordem sobrenatural. (Padre Paulo Ricardo, Sacramento Primordial, www.padrepauloricardo.org).

 

 

O que significa a submissão da mulher ao marido, a que se refere São Paulo?

Vejamos a excelente explicação do Padre Paulo Ricardo quando aborda o tema do matrimônio como um Sacramento primordial:

“O versículo 21 (Carta de São Paulo aos Efésios 5,21) afirma: “Sedes submissos uns aos outros no temor a Cristo”. O Papa João Paulo II aponta para um aspecto fundamental na compreensão do que significa “submissão”. No Antigo Testamento e em hebraico, quando se fala dos sete dons do Espírito Santo, na verdade, esses dons são seis. Isso ocorre porque a palavra “temor” aparece com dois significados diferentes. Piedade e temor, essas são as traduções usadas e, alerta o Papa, na hebraica, existe realmente o aspecto de piedade dentro do conceito de temor.

Ora, dentro da família, a instituição familiar como tal, exige uma certa submissão mútua das pessoas sob a virtude da piedade (que é um aspecto do temor do Senhor).

O mandamento do amor universal está em pleno vigor, ou seja, é preciso amar a todos os homens. Em relação às pessoas da própria família é preciso mais do que o amor caritas, é necessário a virtude da piedade, que consiste no reconhecimento do vínculo espiritual existente na família. As pessoas, então, passam a amar não somente pelas razões naturais, mas por uma razão sobrenatural, que é Cristo.

Quanto à submissão da mulher ao marido que aparece também em outras Cartas de São Paulo, é preciso fazer uma distinção entre a ordem natural e a sobrenatural, como ela seria sem o pecado original e como se tornou após o pecado. Para tanto é preciso adentrar no campo da política.

Os grandes filósofos antigos Platão e Aristóteles, afirmam que existem três formas de se governar: monarquia (o governo de um), aristocracia (o governo de uma classe de pessoas nobres) e a democracia (o governo de todos). Eles se questionaram qual seria a melhor forma. Talvez, influenciados pelo tempo presente, alguns ousariam responder que é a democracia, no entanto, os filósofos apontaram para outro regime.

Disseram que, numa sociedade de pessoas virtuosas, o melhor governo, de fato, é a monarquia. Nesse caso, porém, a virtude seria um requisito e, existindo, esse grupo de pessoas virtuosas, naturalmente haveria de procurar alguém ainda mais virtuoso que as governasse. E assim se daria o regime ideal.

Contudo, existe um problema apontado pelos filósofos e também por Santo Tomás de Aquino em seu Comentário à Política de Aristóteles: numa sociedade pervertida (sem pessoas virtuosas), a monarquia se transforma rapidamente em tirania.

Portanto, na atual circunstância da socidade, não virtuosa, o melhor regime é mesmo a democracia. Como as pessoas são pecadoras, este regime faz com que um pecador limite o outro e, assim, ninguém prevalece. De todos os regimes ruins, a democracia é o menos pior. (Padre Paulo Ricardo, Sacramento Primordial, www.padrepauloricardo.org).

 

Dessa forma, o Padre Paulo Ricardo explica a primeira parte da Carta de São Paulo aos Efésios em que se fala primeiramente da submissão de todos a Cristo como sendo um primeiro dever familiar.

Seria, assim, necessário reconhecer o vínculo espiritual dos membros da família (mais do que caritas, é preciso uma submissão mútua (pietas que nós nos submetemos por amor a Cristo). Amo as pessoas da minha família por uma razão sobrenatural por pietas para com Cristo – foi dele que recebemos esse vínculo familiar, Por isso a submissão mútua entre os membros de  uma mesma família.

Mas e a submissão da mulher?

O Padre Paulo Ricardo explica que o despotismo do homem sobre a mulher não tem fundamento. Marido é  o cabeça da família, mas a explicação disso está dentro da virtude. Toda a família deve se submeter ao marido virtuoso e santo, mas, evidentemente,  se é um crápula não tem mais sentido. Essa liderança poderia ocorrer em sua plenitude se realmente tratássemos todos de pessoas virtuosas, aí, ao marido santo, ao marido virtuoso a mulher não teria problema nenhum em se submeter, como a Cristo. O marido deve tentar lidera servindo, dando o sangue pela família, como um reflexo do amor de Cristo pela Igreja. Se o marido der a vida pela esposa e filhos, aí justificaria a submissão da mulher.

Um marido, ao qual a mulher deve submissão, deve ter ciência que Jesus fala sobre um exercício da autoridade completamente diferente daquele que é o exercício dos pagãos, não convertidos. Quando Ele fala sobre a autoridade diz: “Entre vós não será assim, o primeiro seja o servidor de todos”. Esta é a forma de se exercer a autoridade para Cristo: servindo.

Não se trata, é claro, de defender que o marido é o líder, chefe, o cabeça da família a qualquer preço e sob qualquer circunstância. Não. Assim como Santo Tomás admite que a monarquia é o projeto de Deus, mas não em qualquer situação, assim também acontece na realidade familiar. Deveria haver uma submissão da esposa ao marido, se este fosse realmente virtuoso. Isso tem um fundamento teológico e também natural, como bem nos explica o Padre Paulo Ricardo.

 

 

 

Quer dizer então que o que fez Jesus de novo em relação ao matrimônio foi elevá-lo a Sacramento?

Sim.

O fundamento disso encontra-se na passagem do Gênesis em que Deus diz que o homem e mulher serão uma só carne.  A morte de Cristo na Cruz significou o seu casamento com a Igreja, com a qual se uniu de forma permanente, indissolúvel, fiel, até a consumação do que aparece no Gênesis que é descida da Nova Jerusalém (a Igreja) ornada para seu esposo, o Cordeiro.

Quando foi dito que serão uma só carne, essa referência fazia uma alusão à união entre Cristo e a Igreja. Quem conclui isso, dizendo que a união homem e mulher se refere na realidade a um mistério muito maior, o mistério  entre Cristo e a Igreja (Efésios  5,21).

O fundamento disso também encontra-se na Cruz, pois Jesus ali deixou Pai e mãe, uniu-se à Igreja como no matrimônio de forma fiel e indissolúvel e comunicou-lhe todas as graças para santificá-la. Assim,  o matrimônio criado por Deus, que sempre existiu desde o início da humanidade como uma realidade natural.

Isto significa que, na celebração do casamento, perante um sacerdote ou diácono, os nubentes recebem um selo, algo que os une de forma indissolúvel (lembrar do que disse Jesus o que Deus uniu o homem não separe) e recebem o próprio Espírito Santo, como nos outros Sacramentos.

A partir daí Deus lhes enviará as graças especiais para:

  1. também para renovarem o amor, pois o amor é oferecido pelo próprio Espírito Santo. (ponto 1624).
  2. Para cumprirem os deveres matrimoniais – fidelidade, coabitação
  3. Viverem a dignidade de seu estado de casados.
  4. Aperfeiçoarem o amor
  5. Fortificar a sua unidade indissolúvel.

Novamente, o Padre Paulo Ricardo comenta:

Portanto, a partir de Cristo, o matrimônio entre dois batizados passa a ter um caráter sacramental, pois eles recebem da Cruz – de onde brotam todas as graças – a graça santificante que faz com que possam ser doação mútua, e a fidelidade dos dois reflete a fidelidade de Cristo e da Igreja. (O sacramento primordial, Padre Paulo Ricardo, www.padrepauloricardo.org.br).

 

Qual é o fundamento de se dizer que o matrimônio é uma unidade indissolúvel?

Foi Nosso Senhor Jesus Cristo que disse aos fariseus:

«É permitido a um homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?». Ele respondeu: «Não lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher, e disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne? Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não o separe o homem». «Por que foi então, perguntaram eles, que Moisés preceituou dar-lhe carta de divórcio ao repudiá-la?». «Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas

mulheres; mas ao princípio não foi assim» (Mt. 19, 3 ss.; cfr. também Mc. 10, 2, ss.).

Diz São João Paulo II em sua primeira catequese sobre a Teologia do Corpo, proferida em 05.09.1979:

«Princípio» significa portanto aquilo de que fala o Livro do Gênesis. É portanto o Gênesis 1, 27 que cita Cristo, em forma resumida: O Criador desde o princípio fê-los homem e mulher; mas o trecho originário completo soa textualmente assim: Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Em seguida, o Mestre refere-se ao Gênesis 2, 24: Por esse motivo, o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne. Citando estas palavras quase «in extenso», por inteiro, Cristo dá-lhes ainda mais explícito significado normativo (dado que era admissível a hipótese de no Livro do Gênesis figurarem como afirmações unicamente de fatos: «Deixará … unir-se-á … serão uma só carne»). O significado normativo determina-se uma vez que não se limita Cristo somente à citação em si, mas acrescenta: «Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que

Deus uniu, não o separe o homem». Este «não o separe» é determinante. A luz desta palavra de Cristo, o Gênesis 2, 24 enuncia o princípio da unidade e indissolubilidade do matrimônio como sendo o próprio conteúdo da palavra de Deus, expressa na mais antiga revelação.

 

Como nos explica o Papa Emérito Bento XVI, em sua Encíclica “Deus Caritas Est”:

Faz parte da evolução do amor para níveis mais altos, para as suas íntimas purificações, que ele procure agora o carácter definitivo, e isto num duplo sentido: no sentido da exclusividade — « apenas esta única pessoa » — e no sentido de ser « para sempre ». O amor compreende a totalidade da existência em toda a sua dimensão, inclusive a temporal. Nem poderia ser de outro modo, porque a sua promessa visa o definitivo: o amor visa a eternidade

Algumas dicas práticas para conseguir viver o matrimônio indissolúvel

Quando falamos que Deus envia as graças especiais para vivermos essa unidade indissolúvel, isso não nos dispensa de nos esforçarmos para viver esse amor.

Assim, é importante cultivarmos alguns hábitos em relação ao outro cônjuge.

Eis algumas dicas práticas extraídas de um texto entitulado “Algumas experiências práticas e considerações básicas de um pai de família sobre a vida conjugal e familiar”):

  1. Presunção de inocência

O pensamento gera sentimento, dizem os psicólogos.

Por isso devemos evitar pensamentos negativos sobre o outro, quanto mais se tratar do cônjuge.

É preciso pensar: o outro não fez por mal, foi por incapacidade ou por ignorância e não por má vontade.

Não ficar responsabilizando o outro pelo mal estar que se sente.

Fazer isso é cultivar o hábito da presunção de inocência.

  1. Conhecer as diferenças na comunicação e nas reações emotivas

b.1) Realizar perguntas:

Mulheres: em geral fazem perguntas para manter conversa ou demonstrar que se interessam por temas.

Homens: só fazem pergunta quando querem obter alguma informação.

O homem quando a mulher faz uma pergunta eles tendem a querer solucionar o problema, quando na realidade a mulher só está querendo um comentário afetivo ou pessoal.

b.2.) Forma de manter uma conversa

O homem diz o que tem que ser dito e não se estende.

A mulher vai fazendo conexão até chegar ao ponto que queria.

b.3) Detalhes de conversa

A mulher gosta de compartilhar com detalhe os seus pensamentos e emoções; o marido está mais confortável falando de política, esporte…sem entrar no detalhe ou suas emoções.

b.4) Finalidade da comunicação

A mulher comenta com o marido suas experiências só para compartilhá-las.

O marido acha que são problemas a serem resolvidos e procura resolver.

Se acham o problema difícil e complicado, tendem a entristecer-se, pensando que  estão fracassando por não conseguir fazer com que a mulher deixe de se preocupar com essas coisas.

É importante saber que se o outro não demonstra suas emoções ou não se comporta de uma determinada maneira, é porque não aprendeu a fazê-lo de outra forma.

  1. A falsa pretensão da integridade:

Se levada ao extremo conduz à neurose de achar que se deve contar absolutamente tudo .

Não é possível materialmente ´contar tudo´: é preciso saber encontrar o equilíbrio e selecionar. Há, além disso, um âmbito em parte incomunicável, que se refere à vida interior da relação com Deus; o mesmo acontece com as tentações e sugestões a que qualquer um está submetido e que seria indelicado e contraproducente contar fora do âmbito da direção espiritual.

c.1) A sinceridade emotiva:

Alguns pensam que deve ser sincero dizendo tudo o que vem à cabeça num momento de aborrecimento.

Isso é um erro, porque o que se diz sob forte estado emocional não é às vezes o que se pensa. É preciso saber esperar, pedir perdão e não dar importância ao assunto.

c.2) É preciso treino e esforço:

Para vivermos em casa a cortesia e a delicadeza precisamos esforçar, mas isso não significa que não seja você.

É um erro pensar, não sou eu, não é o meu modo de ser, não sai espontâneo e então dar livro curso à grosseria ou aos caprichos….

Do mesmo modo que alguém treina para jogar tênis, também precisamos treinar as “jogadas” de cortesia e de delicadeza com o outro.

Existe uma coisa que se chama educação do amor, um amor da vontade, da decisão.

Ter um propósito e algum treinamento, isto é amor.

  1. Atualizar o compromisso diariamente

Isto se dá com a seguinte pergunta a ser respondida pelos cônjuges a si mesmos no final do dia? “Soube manifestar o meu afeto pela minha esposa (pelo meu esposo)? Ela (e) percebeu?

Conclusão

Vamos pedir a Nossa Senhora que nos auxilie a viver bem o matrimônio, criado, desejado por Deus, tentando imitar a Sagrada Família, em um matrimônio virtuoso, santo e que assim consigamos ser felizes, assim como Deus sempre o  desejou a todos os casais.

A virtude da prudência: uma sabedoria do coração, para saber qual é o fim e empregar os meios convenientes

Ensina-nos  Santo Tomás de Aquino (III Sententiarum, dist 33, a.2, a.5) que a prudência é a genitrix virtutum, mãe de todas as virtudes.

A prudência é mãe,  portanto,  da laboriosidade, da sociabilidade, da generosidade, da sinceridade, da fortaleza, da sobriedade, do otimismo, do respeito, do pudor, da ordem, da lealdade, da audácia, da justiça, da humildade, da paciência, da obediência, da compreensão, da perseverança, da responsabilidade…

O que quer dizer: A virtude da prudência é a mãe de todas as virtudes?

E quando falamos que a prudência é a MÃE DE TODAS AS VIRTUDES, o que queremos dizer com isso?

Significa que quando agirmos para adquirir uma determinada virtude, nunca poderemos nos esquecer de que essa virtude em questão tem uma mãe, é a prudência.

E as virtudes devem ser MEIO para alcançar um fim honesto, agravável, louvável para Deus.

Exemplo dado por Padre Paulo Ricardo, em seu programa sobre Direção Espiritual, em que aborda a virtude da prudência vai nos aclarar sobre essa questão.

Ele cita o caso de um homem que resolve ser casto. Mas a virtude da castidade que ele se propõe tem um único fim: a riqueza. Não quer mulher em sua vida porque não quer repartir bens com ela e não tendo mulher não terá herdeiros.

Neste caso, a castidade, que é uma virtude  foi exercida para obtenção da riqueza (fim egoísta).

A prudência, como veremos em seguida, visa um fim, mediante o emprego dos meios convenientes, mas esse fim não é a riqueza.

O fim da castidade reto, louvável é o de dar glória a Deus, o de preparar o meu coração para o Senhor jamais para obtenção da riqueza.

Assim, de que adiantou a castidade sem a prudência neste caso em concreto? Para nada, essa castidade deixou de ser virtuosa.

O padre Paulo Ricardo cita também Santo Tomás de Aquino “em outra frase não menos chocante, retirada do “Comentário às sentenças”, quando diz que “sem a prudência, as demais virtudes quanto maiores fossem, mais danos causariam.” Ora, se uma pessoa é casta, mas a finalidade de sua castidade não é o céu, essa pessoa simplesmeO fnte não é casta. A sua castidade não é virtude, é cosmético, boas maneiras, mas não virtude.”

Quer dizer, então que existe uma virtude, a prudência, que é aquela  que direciona as demais para o fim honesto, bom, louvável?

Sim.

Como diz São Josémaria Escrivá, quem tem prudência  terá o “hábito que nos predispõe a atuar bem: a clarificar o fim e a procurar os meios mais convenientes para alcançá-lo.” (ESCRIVÁ, Amigos de Deus, 2000, p. 101-2).

Em outras palavras, quem tem a virtude da prudência enxerga o fim e passa a procurar os meios para alcançar esse mesmo fim.

“Em su trabajo y em las relaciones con los demás, recoge una información que enjuicia de acuerdo con critérios rectos y verdaderos, pondera las consecuencias favorables y desfavorables para el y para los demás antes de tomar una decisión, y luego actúa o deja actuar, de acuedo con ló decidido.” (ISAACS, 2000, p. 331).

Qual é o fim que devemos enxergar pela prudência em nossa vida como um todo  e também no dia-a-dia?

Podemos pensar em dois fins prudentes:

1º) fim da nossa vida terrestre – o nosso fim prudente é a nossa conversão, santidade e salvação para a vida eterna (fim da nossa vida terrestre).

Um dia todos nós morreremos,  isto é um fato inexorável. De que adiante então, como diz Nosso Senhor Jesus Cristo:

Que a proveita ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a nossa alma? (Lucas 9:25)

O nosso fim é o encontro com Deus. Precisamos pensar nisso todos os dias.

2º.) o fim de nossas ações em concreto –  Lembrando-nos disso, passamos a perceber que o fim das nossas ações devem ser a de amá-lo, de tentar agradar a Deus nas pequenas coisas do dia a dia, isso é dar glória a Deus no cotidiano (fim da nossa vida diária), como fazia Jesus.

Quais são os meios de obter o nosso fim diário e prudente que é dar glória a Deus?

Nada de extraordinário, cumprindo os deveres de cada instante com o coração em Deus, tentando realizar o melhor que podemos (como Jesus o fez em sua vida de carpinteiro e oculta em Nazaré).

E os meios são a prática das virtudes.

Mas, não praticá-las s como um fim em si mesmo, mas como um meio de dar glória a Deus (fim da nossa ação virtuosa).

Lembremos do que nos ensina São Paulo em 1 Coríntios 10, 31-33: “Quer comais, que bebais, ou façais qualquer coisa fazei tudo para a glória de Deus.”

Tudo o que fizermos deve ser para a glória de Deus, demonstrando, assim, o nosso amor por Ele.

Assim, as virtudes que estejamos a praticar devem ter por fim este, a glória de Deus.

Voltando àquele exemplo do Padre Paulo Ricardo, aquele homem que exercia a virtude da castidade, deveria fazê-lo não para conservar-se rico (motivo egoísta), mas para a glória de Deus, para deixar o seu coração mais livre para amá-lo somente a Deus.

Se a prudência é ver o fim e procurar os meios convenientes para alcançá-lo, e sabendo que o fim último é irmos um dia para o céu e que o fim cotidiano dar glória, amar a Deus, quais são os meios que a prudência nos diz?

Sim, a nossa meta é salvação eterna, para   um dia entrarmos em comunhão com Deus, em seu Amor, e para isso a nossa meta cotidiana é demonstrar que o amamos, que queremos lhe dar glória, graças etc para obter a nossa santidade….o meio conveniente para alcançar o fim de darmos GLÓRIA DE DEUS, em concreto,  é a prática das virtude (fazê-las para a glória de Deus).

Existe no Evangelho algum menção a isto que estamos falando?

Sim, vejamos alguns exemplos tirados do próprio Evangelho em que havia uma aparência de virtude, de intenção reta de dar glória a Deus, mas que na verdade não havia virtude, por falta de prudência, em que, embora até pensassem em dar glória a Deus (fim de uma ação concreta), mas o meio não era o conveniente:

  • Mateus 9, 10:13 – Jesus estava sentado com pecadores e os fariseus perguntam aos Seus discípulos porque o Mestre comia com eles. Vejam, os fariseus podiam estar pensando no fim de dar glória a Deus. Mas o meio mais conveniente seria o menosprezo do próximo?
  • Mateus 12, 9:13 – Jesus foi à sinagoga num sábado e um homem tinha a mão paralisada. Os fariseus para colocá-lo à prova perguntam se era lícito curar em dia de sábado? Jesus replica dizendo se eles não tirariam num dia de sábado uma ovelha se ela caísse em um buraco? Claro que eles a tirariam, Jesus já sabia que era a resposta. Então Ele manda o homem estender a mão e o cura, pois uma pessoa vale mais do que um animal. Neste caso, os fariseus até estão tentando dar glória a Deus, guardando, mas o meio não é o mais conveniente, porque não seria um descumprimento do descanso sabático judaico o fato de se realizar um bem (a cura).
  • Mateus 26, 6:13 – Jesus está na casa de Simão à mesa. De repende, uma mulher entre aproxima-e e, por trás, derrama um perfume caro na cabeça de Jesus. Os discípulos indignados acham um desperdício, pois o perfume poderia ser vendido e dinheiro correspondente dado aos pobres. Jesus diz-lhes que pobre sempre haverá, mas Ele nem sempre estaria com eles. Neste caso, os discípulos estavam querendo dar glória a Deus, mas o meio mais conveniente não seria o de honrar pessoalmente a Jesus, cada um dentro do seu carinho e possibilidade como fez a mulher?

Devemos tomar muito cuidado para não transformar o que poderia ser bom em algo ruim.

Talvez seja por isso que no antigo Testamento, Isaías 29:14, Deus já alertava-nos : “Aniquilarei a sabedoria dos sábios e reprovarei a prudência dos prudentes.”

Ter cuidado com atos de falta prudência.

A virtude da prudência é uma sabedoria do Coração

A prudência tem a ver com uma sabedoria que vem do coração, de um coração que ama e quer glorificar a Deus (Provérbios 15, 21-31).

Cuidado com a falsa prudência que é o agir sem ter por fim o céu, por fim dar glória a Deus ou que escolhe meios inadequados e inconvenientes, um agir por egoísmo, por astúcia

São Josemaria Escrivá  (Amigos de Deus, ponto 85) nos alerta sobre o perigo da falsa prudência:

“Porque existe uma falsa prudência – que devemos chamar antes de astúcia – que está a serviço do egoísmo, que se serve dos recursos mais adequados para atingir fins tortuosos. Usar então de muita perspicácia não leva senão a agravar a má disposição e a merecer a censura que Santo Agostinho formulava ao pregar ao povo: Pretendes  desviar o coração de Deus, que é sempre reto, para que se acomode à perversidade do teu? Essa é a falsa prudência daquele que pensa que as suas próprias forças são mais que suficientes para ser justo aos olhos de Deus.”

Os “prudentes” acham tudo uma insanidade nossa

O ‘prudente” acha tudo uma loucura, porque, pelo seu comodismo, egoísmo, hipocrisia, ignorância vencível, evita qualquer esforço para viver segundo os desígnios de Deus.

Por isso o “prudente” será a favor do aborto, da eutanásia, do divórcio…pois para eles onde já se viu não deixar que a mulher escolha, agredi-la fazendo-a levar uma gravidez indesejada, ou onde já se viu deixar uma pessoa sofrendo sendo que ela está com uma doença incurável, onde já se viu obrigar marido e mulher viver para sempre sendo que não existe mais amor….

Diz São Josemaria Escrivá em Caminho, ponto 479: “Sempre os “prudentes” têm chamado de loucura as obras de Deus.”

Vamos pedir à Nossa Senhora que possamos chegar à sabedoria do coração, a Verdadeira Prudência, Mãe de todas as virtudes, para chegarmos um dia à audácia a que se refere São Josemaria Escrivá em Caminho, ponto 402:

“Não peças perdão a Jesus apesar de tuas culpas, não O ames com teu coração somente…ama-O com toda a força de todos os corações de todos os homens que mais O tenham amado. Sê audaz, dizlhe que estás mais louco por Ele que Maria Madalena, mais que Teresa e Teresinha.”

BIBLIOGRAFIA

ESCRIVÁ, Josemaria. Amigos de Deus. Homilias. Tradução de Emérito da Gama, 2ª. Edição, Quadrante, São Paulo, 2000.

ISAACS, La Educación de Las Virtudes Humanas Y Su Evaluación, Decimotercea edición ampliada, Ediciones Universidad de Navarra, S.A. Pamplona, 2000.

Novo Testamento, Evangelho de São Mateus, Cartas de São Paulo.

PADRE PAULO RICARDO. (https://padrepauloricardo.org/blog/direcao-espiritual-a-prudencia, acesso em 16.10.2014).

Role of laymen in Church

Preliminary notions

THE Church is a project that was born in the heart of God-Father: “The eternal father, by libérrimo and arcane design of his wisdom and goodness, created the entire universe; decided to raise men to communion with the divine life “, to which calls all men in his son.

THE Church was being prepared from the old Covenant and she is “God’s reaction to the chaos caused by sin.” (761 point, the Catechism of the Catholic Church) .

Begins with “the vocation of Abraham, whom God promises that will be the parent of a great people . The immediate preparation has its beginnings with the election of Israel

As the people of God. By his election, Israel must be held for the future of all Nations. But already the prophets accuse Israel of having breached the

Alliance and to have behaved like a prostitute. Announce a new and everlasting Covenant. This New Alliance, Christ instituted. ” (point 762, the catechism).

Jesus comes and carries out that plan to raise men to communion of divine life, ushering in the Kingdom of heaven right here on Earth, starting a Church, it’s us, your

Flock which He is pastor. He endows the Church of a structure that will remain until the consummation of the Kingdom, choose twelve apostles, Peter as the head.

 

He also endows the Church of sacraments:

“The beginning and the growth of the Church are meant by the blood and water that came out of the open side of the crucified Jesus. Because the side of Christ asleep on the cross

Were you born the admirable sacrament of the whole Church. In the same way that Eve was formed from the sleeping Adam’s side, so the Church was born of the heart

Trespass of Christ dead on the cross. ” (766 point, the catechism).

And to sanctify the Church sent the Holy Spirit at Pentecost and this to accomplish its mission “dota and directs the Church through the various hierarchical and charismatic gifts.” (Lumen Gentium, 4).

The Church is the universal sacrament of salvation (analog in).

This is because the Holy Spirit diffuses the grace of Christ (head) in the Church (body) through the seven sacraments . The sacrament is the visible sign of the invisible and mysterious (Grace).

In fact, sacramento comes from “sacramentum” which is the same as “misterion” (Greek) or “mysterium” (Latin).

“As Sacrament, the Church is Christ’s instrument. ´ In his hands, she is the instrument of the Salvation of all men, the universal sacrament of salvation, by which Christ manifest ´

And updates the love of God towards men ´. She is the project visible ´ of the love of God for humanity, whatever ´ ´ whole humankind constitutes the only people of God, if brings together

In the one body of Christ, to be built in only one Temple of the Holy Spirit. ” (AG 7, LG 17) 776, point of Catechism.

“The person becomes a member of the people of God not by physical birth but by high birth ´ ´, ´ of the water and the spirit ´ (Jo -5 3.3), it is by faith in Christ and Baptism. This people has for Boss (head) Jesus Christ (Anointed, Messiah); because the same Anointing, the Holy Spirit, flowing from the Head to the body, he is the Messianic People ´ ´. The condition of this people is the dignity of freedom of the children of God; in their hearts, as in a temple, the Holy Spirit resides. His law is the new commandment to love as Christ loved us. Is the law new Holy Spirit ´. Its mission is to be the salt of the Earth and the light of the world, it is for the entire ´ mankind the strongest unit germ, hope and salvation. Finally, its goal is the Kingdom of God, ´ started on Earth by God even, Kingdom to be extended further and further, until, at the end of time, is consummated by God himself.

Jesus Christ is the one who the Father anointed with the Holy Spirit and that constituted ´ Priest, Prophet and King ´ . The people of God participates in these three integer functions of Christ and assumes the responsibilities of mission and service that then arise. When entering the people of God by faith and by baptism, receive participation in unique vocation of this people, in his priestly vocation: Christ the Lord ´, Pontiff taken from men, made of new people a Kingdom of priests ´ for God Father. ´, because the baptized, by regeneration and the anointing of the Holy Spirit, are consecrated to be a spiritual abode and Holy priesthood. ” (paragraphs 782 to 784, the catechism).

 

  • Unity of the Church-

In relation to the people of God “no Jew nor Greek, neither slave nor free, neither man nor woman, ye are all one in Christ Jesus (Gál. 3.28; Col 3.11).

“It is therefore, uno the chosen people of God: one Lord, one faith, one baptism.” (Eph. 4.5).

Are common to all the chosen people of God:

  • The dignity by regeneration in Christ;
  • The grace of children;
  • The vocation to perfection;
  • A just salvation;
  • One hope
  • Indivisible charity.

“That the faithful are immersed in the world, carrying out the the recessus saeculo giving eschatological witness public does not imply any specialty or any difference in the fundamental order of the Church. The communis filiorum gratia is for all he, for all the communis ad perfectionem vocatio, a salus, a indivisaque caritas spes. (p. 125)

“This is an important, which tells us that the distinction between the various categories of faithful cannot do by its relationship with the contents of the doctrine of Christ, for they follow more or less extreme the demands of Christian life. Specifically, the quoted text of the Council – insert in the chapter of the Constitution Lumen Gentium which treats of the laity shows us that these, that the faithful laity, not specified by its smaller provisions in the order of the vocation to holiness, nor by their situation of passive members in order to the apostolate. Not distinguished by nomen gratiae, but for its specific mission within the Church, and consequently the legal situation mode “(p. 126)

  • Faithful, Lay is the same?

 

Faithful is genre, which cleric and layman are species.

 

Faithful are those who, because they have been incorporated in Christ through baptism, have been constituted in people of God and for this reason have become the way participants of the priestly office, prophetic and kingly mission of Christ and, according to their own condition, are called to exercise the mission which God has entrusted to the Church for this conduct in the world. (Cann. 204 §1 of the code of Canon law).

 

By institution of Jesus Christ, the faithful may be clerics or laymen. And both can be faithful who follow the Evangelical counsels of poverty, chastity and obedience that dedicated to God so peculiar, although they are not a separate structure within the hierarchy of the Church. Are religious. There is therefore, religious and lay religious clerics. (see can. 207 of the code of Canon law).

 

Thus, there are lay faithful and faithful clergyman.

 

In this study, we focus on the lay faithful who is not religious.

 

“… the side of equality in basic order of the people of God, there is a functional diversity, also legally relevant. Well, the Foundation of this diversity, d not another character that will distinguish the faithful in clergy, laypeople and religious. The Sagrada Scripture, when speaking, by the mouth of São Paulo, the diversity of the Church, puts this plea on multiplicity of functions – the same way that different members of the body have different mission – namely, in the variety of ministries, all in the one body, and therefore in the unity of the Church’s mission. ” (p. 126)

  • Unity of the Church – Multiplicity of functions or multiplicity of ministries

 

“In the Church’s diversity of ministries, but unity of mission. Christ entrusted to the Apostles and their Successors the mission to teach, sanctify, grazing on their behalf and with their power. But the laity, mission participants tornadoes priestly, prophetic and kingly of Christ, play roles in the mission themselves people of God in the Church and in the world. ” (Decree Apostolicam actuositatem number 2).

  • Role of the layperson: common priesthood

 

The laity, since, as all the faithful, are deputies to the apostolate by virtue of baptism and confirmation, have the General obligation and shall enjoy the right to either individually or grouped in associations, work so that the divine message of salvation may be known and received by all men and in all

Parts of this earth; obligation becomes more urgentand in circumstances where only through them men can hear the Gospel and know Christ. Still have the peculiar duty of, each according to his own condition, imbue and perfect with Evangelical spirit the temporal order, and to give witness to Christ especially in its operations and in the performance of its secular functions. Those living in the conjugal State, according to their vocation, have the peculiar duty to work on building up the people of God by means of marriage and the family. The parents, since it gave life to their children, have the most serious obligation and the right to raise them, therefore, to Christian parents job primarily take care of Christian education of the children, according to the doctrine of the Church. (Cann. 225, paragraphs 1. And second, and Cann. 226, paragraphs 1. E 2º).

“… the layman has a specific function and peculiar and own, that does not correspond to all the faithful and which therefore belongs to him by virtue of their lay status. In other words, that your mission has an own character and distinctive as a result of its position in the context of social relations. Own character and peculiar that makes him different from clerics and religious. ” (PORTILLO, 1971, p. 127)

“The Council notes with all clarity that needs of the laity, lay people are active and integral part of the Church; ….The words that Pope Pius XII expressed are now full confirmation and full realization: ´ they (the laity) must have a convincing increasingly clear, not only of belonging to the Church, but also which are the Church. ” (PORTILLO, 1971, p. 127)

  • Some examples of ferments renovators who contributed to deepen the knowledge of the nature and structure of the Church.

 

“the approval of associations-and the doctrine of spiritual authors – that they put in the spotlight the existence of a universal vocation to holiness, showing that the layman is not a Christian second class, before teaching that he also must perform the radicalism of the requirements of the message of Christ . As one of the most prominent personalities in this field: ´ Came say, with humility of who know sinner and much- homo pecator sum, say with Pedro – but with faith who lets himself be guided by the hand of God, that Holiness is not privileged: that everyone calls the Lord, who all hold Love: everyone, wherever they are, of all people, whatever their State, their profession or their craft. “(quote from a letter of Saint Josemaría Escrivá de Balaguer, 24-iii-Madrid, 1930). (PORTILLO, 1971, p. 128)

“…We also have the various works born on impulse of recent popes, especially Pius XI that launched the laity in social action and in Catholic action, in order to collaborate with the hierarchy of divine institution, for the establishment of the Kingdom of Christ in civilian life. ´ work, by Ricochet, led to meditate on the subject of relations between the hierarchy and the laity, and on issues relating to the autonomy of the temporal Christians. ” (PORTILLO, 1971, p. 128).

  • Which documents are specifically about the layperson in the Church?

 

Are: Constitution Lumen Gentium and the Decree Apostolicam Actuositatem in addition to the code of Canon law and Catechism of the Catholic Church.

  • Laity: challenge of finding the point of convergence between the inner and outer Life Unit

 

“… the laity need to know find the continuous fulfilment of the will of God – the discovery circumstances of the secular life the point of convergence of all your actions, so they get to achieve fully the unity of life without which the Christian would be a man inwardly divided.” (PORTILLO, 1971, p. 163).

  • The Apostolic function of lay’s in its insertion in the temporal field.

 

Says the Vatican II – “this life of intimate Union with Christ in the Church feeds on spiritual aid, common to all the faithful, especially by active participation in the sacred liturgy and they must employ them in such a way that, while complying with the obligations of rectitude world in ordinary conditions of life, not separate their life Union with Christ, but grow it, fulfilling his duty according to the will of God. It is by this path that the beds must advance in Holiness with decision and joy, endeavouring to overcome the difficulties with prudence and patience. Neither family concerns nor other temporal occupations, must be outside of the supernatural life plan, as the words of the Apostle: everything you do by words or by deeds, is all in the name of the Lord Jesus Christ, giving thanks to God Father for him (Col. 3.17). Such a life requires a constant exercise of faith, hope and charity. ”

  • Difference of ministries-mission unit

 

“The Const. Lumen Gentium describes very clearly the distinction of ministries …. it not Shepherds ´ were instituted by Christ to take themselves all the Church’s mission to save the world, but his exalted Office is feeding the faithful and recognize their services and charisms, so that everyone, in his own way, cooperate on common task ´ unanimously. As you can see, the sacred Pastors in exercising their hierarchical function have a duty to recognize the mission that, in the Church, it is up to the laity. ” (PORTILLO, 1971, p. 167)

  • Right of the faithful laity

 

“1. – The freedom to perform their own apostolic action and cooperate so on total Mission of the Church;

2nd. – The right of the own apostolate and legitimate is respected and not restrained.

  1. – The freedom to maintain the characteristics of the lay apostolate…
  2. – The right to join that corresponds to all the faithful…. ” (PORTILLO, 1971, p. 167-8)
  • Facets of the apostolate of the laity

 

According to the Vatican II they are:

  • Testimony of life
  • Be present and operative in places and conditions under which the people of God could not be the salt of the Earth or by the laity
  • Help hierarchy, such as those that help Paulo the dissemination of the Gospel
  • Sanctifying the family and marriage
  • Aspects of the Apostolate of the laity:

 

Álvaro Del Portillo enumerates, in summary, the following:

“1. Be Christian in temporal realities yeast ”

Means order temporal realities to which are conducted according to Christ.

“2nd. -The sanctification of professional work, as opus perfectum clan, made intentionally to cooperate in the work of creation and as a personal contribution to the achievement of the providential plan of God in history. This end, precisely, was regarded as gonzo or axis of the particular spirituality of Opus Dei, one of the associations which have contributed to the process of development of lay spirituality and the apostolate of the laity. It’s not about ´ – wrote its founder in 1940 – of supernatural mission temporalizar of Christ and his Church: this is exactly the opposite, of temporal action sobrenaturalizar of man. Because we are fully convinced that all human work legitimate, no matter how humble, small and insignificant it may seem, can always have a transcendent sense. ”

“3. The Christian inspiration of political structures, social, economic, legal etc. in other words, belongs to the apostolate of social environment that the other members of the Church can hardly perform directly, promote peace and solidarity of peoples etc. ” (PORTILLO, 1971, p. 171-2).

  • PRIESTLY SOUL OF THE LAY

In the old Covenant, the priest was constituted to intervene in favour of men in their relationships with God to offer gifts and sacrifices for sins, according to St. Paul in the letter to the Hebrews 5.1.

The priesthood of Aaron (brother of Moses) guiding and sanctified the people, the liturgical service that were feitso by the tribe of Levi and the seventy elders, which were communicated the spirit given to Moses by assisting the Government of this holy people descended from Abraham (Nm 11, 24-25) prefiguraram the ordained Ministry of the new Covenant. This prefigurações old Covenant priesthood find fulfillment in Christ Jesus only mediator between God and men and eternal priest in the order of Melchizedek (Gn 14.18, Hb 5.10, 6.20). It was Jesus who by his only sacrifice of the cross led to the perfection and forever he sanctifies (Hb 10.14).

The sacrifice on the cross is present in the Eucharistic sacrifice of the Church.

St. Thomas Aquinas says that “therefore Christ is the true priest; the others are his ministers “.

We explain the Catechism, 1554 point, the word “sacerdos” means bishops and priests.

Both the episcopate (bishops) and the priesthood (priests) are degrees of ministerial participation in the priesthood of Christ.

The diaconate (deacons) is also a ministerial participation in the priesthood of Christ, destined to help and serve the bishops and priests.

The three (episcopacy, priesthood and diaconate) are conferred by a sacramental Act called ordination or sacrament of Holy orders, which was the way that God thought so that the economy of salvation operate for all until today.

But, not only bishops, priests, deacons are priests. The idea of Jesus was most extensive, making the church a “Kingdom of priests to God, his father” (Rev. 1.6).

The whole community of the faithful’s priestly, explains-our catechism 1546 point: “it is by the sacraments of baptism and confirmation the faithful are ´ consecrated to be a Holy priesthood.” (Lumen Gentium, 10).

The difference is that the ordained Minister (i.e. the Bishop, the priest, the deacon who receive the sacrament of the respective Order) because of the sacrament of Order Act “in persona Christi Capitis” (in the person of Christ the head).

In the old testament, the priest Aaron, for example, was the figure of Christ, today the priest acts in his person, in St. Thomas Aquinas explains Short Theológica III, 22.4.

The Minister’s priesthood is MINISTERIAL and depends entirely on Christ and his unique priesthood, as it is the sacrament of Holy orders communicates a “sacred power” which is the power of Christ.

The priesthood of the Minister, the ministerial priesthood represents Christ in front of the faithful and serves to represent us in prayers and in the Eucharistic sacrifice, but not as our representatives.

When they, ministerial priests, pray and make offerings make it on behalf of the whole Church (head and limbs), i.e., it is Christ in worship, Christ total (head – Jesus – and we members) praying and offering for him, with him and in him in a unit that occurs of the Holy Spirit and God the Father. Is “the whole body, caput et Member who worships and offers” (paragraph 1553, Catechism).

Thus, there is Ministerial priests and ordinary priests (US), but both, says the Lumen gentium, 10 participated in the one priesthood of Christ, the only mediator between God and men.

Ministerial priests are there to take care of the flock if Christ, is at the service of the common priesthood of the faithful baptized and after, and act in the person of Christ the head. We act as members of the mystical body of Christ, with a life of faith, hope and charity and of a life according to the spirit (1547 point).

“We all, destined to be other Christs, like the Apostles, by Divine Sculptor’s work, we have within the ama the archetype in which we transform

Our brothers, men: do them, too, other Christs. I think that this task is reserved only to the priests. We all have this responsibility. Every baptized – you, my sister, my brother – has the Royal priesthood was conferred by the sacrament of baptism.

You take, at the bottom of his soul, recorded the priesthood of Christ. You have priestly soul, according to what St. Peter tells us: ´ ye are chosen race, a royal priesthood, a Holy nation, a people for God (I EP. 2.9). You have the responsibility of forming the other, sculpting in others the personality of Christ. ”

(CIFUENTES, 2002, p. 29).

“We, sons of God, give us all the souls, because we care about each one of them.” (Furrow, Are Josemaría Escrivá, point 750).

That’s right, we, God’s children mind in every soul. The Apostolic mission is not only of the faithful who are called to the ministerial priesthood, but all of us children of God.

“This universality is our direct requirement divine sonship.” When we were incorporated into Christ by baptism we become children of God and we participate in Christ and his mission. In reality, this is what we do when identificarmo us with Christ, continue his mission on Earth: be mediators between God and men, and between men and God. Take the men to God and ask God for ourselves and for our fellow men. By baptism we were all participating in the priesthood of Christ. This supernatural reality, the common priesthood of the faithful, does not prevent us to be people chains, the street with the mentality of the laity who live in the midst of the world but you know with Christian soul. People therefore lay mentality and priestly soul, how I wish I could say Are Josemaría Escrivá. (CARVAJAL, 1996, p. 159-60).

  • HOW TO LIVE IN PRACTICE THIS PRIESTLY SOUL?

 

“The Ministry is not an activity the more join the normal occupations of the son of God, not something superimposed on your inner life, the constant effort to identify with Christ. Is a natural consequence:

Look for souls as Jesus, with a compassionate heart, to the extent that we identify with him. …In the same way that life, human reality, can and should be the occasion of communication with God-prayer-life of Christ in us, the apostolate ´ also is like the breath of a Christian: a son of God in can live without this spiritual pulsar. ´ (ESCRIVÁ, Christ is passing by no 122) “(CARVAJAL, 1996, p. 161).

Just as God loves everyone, we also. “For this reason, we have to respect and love all souls. We don’t have to love them for their behavior, but for what they are. And if there is around us who act badly or have a less dignified conduct of a child of God we must love them too because that life is sacred ´: Christ died to redeem! If he doesn’t the despised, how can you dare you despise her ´ (ESCRIVÁ, Friends of God, point 256) “(CARVAJAL, 1996, p. 161).

  • JUST AS CHRIST IS A DIVINE PERSON IN A HUMAN BODY AND SOUL.

 

As we know, in Jesus there is a Hypostatic Union. He is the second person of the Holy Trinity who joined hipostaticamente to humanity of Jesus.

Jesus is a divine person, and not human, and their actions reflect the actions of God.

So too we must in some sense be us.

We have a soul of priests, we are children of God by grace, our Act should also reflect the actions of God in us:

“God has sent into our hearts the spirit of his Son one crying: Abba, Father. So that you are no longer a slave, but son. ” -6 4.5 Gal.

Without duplicity, in perfect unity of life, we must act like Christ acts, because at baptism received the spirit of God.

“La doctrina de la unión tells us, pues, Hypostatic el camino de la secularidad authentic Cristiana. These realities – – secular del mundo valen y han de ser respetadas in their secular nature (such as fall respetada la naturaleza humana de Nuestro Senor); Pero AL margen de su references a Dios, según algunos secularismos y quisieran ateos, since then nothing cristianos. Así como la humanidad de Jésus exists by la persona del Verbo, our anxieties y ajetreos duration by adquieren esa relación con Dios constant: relación that we never forget, Bell foster; siendo bien conscious Ella. ” (PERO-SANZ, 1998, p. 104-5)

  • FINAL CONSIDERATIONS

 

Let’s ask God that as children of God, to grow in us the Apostolic eagerness to be fruitful as Christ. “He is the vide and we are the vine shoot; give fruits in it and glory to his father and our Father God to the extent that we are attached to It. ” (CARVAJAL, 1996, p. 160).

BIBLIOGRAPHY

 

Francisco Fernández CARVAJAL and Pedro Beteta López, Diel, 1996

CATECHISM OF THE CATHOLIC CHURCH

CODE OF CANON LAW

CIFUENTES. Rafael Llano. Strength and smoothness of the Holy Spirit-Mahmoud Sami and Graphics editors, Rio de Janeiro, 2002.

ESCRIVÁ. Josemaria.  Christ is passing by.

_______________. Friends of God: homilies, Quadrant: São Paulo, 2000.

PERO-SANZ, José Miguel. El Symbol Eh-and la Trinidad a la Encarnación – Cuadernos Palabra, Madrid, 1998.

Álvaro Del PORTILLO, the faithful and the layman in the Church, Aster, London, 1971.

 

 

 

O Fiel leigo na Igreja

Noções preliminares

A Igreja é um projeto que nasceu no coração de Deus-Pai: “O Pai eterno, por libérrimo e arcano desígnio de sua sabedoria e bondade, criou todo o universo; decidiu elevar os homens à comunhão à vida divina”, à qual chama todos os homens em seu Filho.

A Igreja foi sendo preparada desde a Antiga Aliança e ela é “a reação de Deus ao caos provocado pelo pecado.” (ponto 761, do Catecismo da Igreja Católica).

Começa com “a vocação de Abraão, a quem Deus promete que será o pai de um grande povo. A preparação imediata tem seus inícios com a eleição de Israel

Como povo de Deus. Por sua eleição, Israel deve ser o sinal do congraçamento futuro de todas as nações. Mas já os profetas acusam Israel de ter rompido a

Aliança e de ter-se comportado como uma prostituta. Anunciam uma nova e eterna Aliança. Esta Aliança Nova, Cristo a instituiu.” (ponto 762, do Catecismo).

Jesus vem e realiza esse plano de elevar os homens à comunhão da vida divina, inaugurando o Reino dos Céus já aqui na terra, iniciando a Igreja, que somos nós, o seu

Rebanho do qual Ele é o pastor. Ele dota a Igreja de uma estrutura que vai permanecer até a consumação do Reino, escolhe Doze apóstolos, Pedro como o chefe.

 

Ele também dota a Igreja de sacramentos:

“O começo e o crescimento da Igreja são significados pelo sangue e pela água que saíram do lado aberto de Jesus crucificado. Pois do lado de Cristo dormindo na Cruz

É que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja. Da mesma forma que Eva foi formada do lado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração

Transpassado de Cristo morto na Cruz.” (ponto 766, do Catecismo).

E para santificar a Igreja foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes e este para realizar sua missão “dota e dirige a Igreja mediante os diversos dons hierárquicos e carismáticos.” (Lumen Gentium 4).

A Igreja é o sacramento universal da salvação (em sentido analógico).

Isto porque o Espírito Santo difunde a graça de Cristo (Cabeça) na Igreja (Corpo) por meio dos sete sacramentos. O sacramento é o sinal visível do que é invisível e misterioso (a graça).

Aliás, sacramento vem de “sacramentum” que é o mesmo que “misterion” (grego) ou “mysterium” (latim).

“Como sacramento, a Igreja é instrumento de Cristo. ´Nas mãos dele, ela é o instrumento da Redenção de todos os homens, o sacramento universal da salvação, pelo qual Cristo, ´manifesta

E atualiza o amor de Deus pelos homens´. Ela  ´é o projeto visível do amor de Deus pela humanidade´, que quer que o  ´gênero humano inteiro constitua o único povo de Deus, se congregue

No único Corpo de Cristo, seja construído no único templo do Espírito Santo.” (AG 7, LG 17) ponto 776, do Catecismo.

“A pessoa torna-se membro do Povo de Deus não pelo nascimento físico, mas pelo  ´nascimento do alto´, ´da água e do Espírito´(Jo 3,3-5), isto é pela fé em Cristo e pelo Batismo. Este povo tem por Chefe (Cabeça) Jesus Cristo (Ungido, Messias); pelo fato de a mesma Unção, o Espírito Santo, fluir da Cabeça para o Corpo, ele é o ´Povo messiânico´. A condição deste povo é a dignidade da liberdade dos filhos de Deus; nos corações deles, como em um templo, reside o Espírito Santo. Sua lei é o mandamento novo de amar como Cristo mesmo nos amou. É a lei ´nova do Espírito Santo. Sua missão é ser o sal da terra e a luz do mundo, ´Ele constitui para todo o gênero humano o mais forte germe de unidade, esperança e salvação. Finalmente, sua meta é ´o Reino de Deus, iniciado na terra por Deus mesmo, Reino a ser estendido mais e mais, até que, no fim dos tempos, seja consumado por Deus mesmo.

Jesus Cristo é aquele que o Pai ungiu com o Espírito Santo e que constituiu ´Sacerdote, Profeta e Rei´. O Povo de Deus inteiro participa dessas três funções de Cristo e assume as responsabilidades de missão e de serviço que daí decorrem. Ao entrar no Povo de Deus pela fé e pelo Batismo, recebe-se participação na vocação única deste povo, em sua vocação sacerdotal: ´Cristo Senhor, Pontífice tomado dentre os homens, fez do novo povo ´um reino de sacerdotes para Deus Pai.´, pois os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma morada espiritual e sacerdócio santo.” (pontos 782 a 784, do Catecismo).

 

  • Unidade da Igreja –

Em relação ao Povo de Deus “não há judeu, nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem nem mulher, todos vós sois um em Cristo Jesus (Gál. 3,28; Col 3,11).

“É portanto, uno o povo eleito de Deus: um só Senhor, uma só fé, um só Batismo.” (Efésios 4,5).

São  comuns a todo o povo eleito de Deus:

  • A dignidade pela regeneração em Cristo;
  • A graça de filhos;
  • A vocação à perfeição;
  • Uma só salvação;
  • Uma só esperança
  • Caridade indivisível.

“Que o fiel esteja imerso no mundo, que se dedique o recessus a saeculo dando um testemunho escatológico público não implica nenhuma especialidade nem nenhuma diferença na ordem fundamental da Igreja. A communis filiorum gratia é para todos ele, para todos a communis ad perfectionem vocatio, uma salus, uma spes indivisaque caritas. (p. 125)

“Eis um dado importante, que nos indica que a distinção entre as diversas categorias de fieis não pode fazer-se pela sua relação com o conteúdo da doutrina de Cristo, por seguirem de modo mais ou menos radical as exigências da vida cristã. Concretamente, o citado texto do Concílio – inserto no capítulo da Constituição Lumen Gentium que trata dos leigos mostra-nos que estes, que os fieis leigos, não se especificam pelas suas menores disposições na ordem da vocação à santidade, nem pela sua situação de membros passivos em ordem ao apostolado. Não se distinguem pelo nomen gratiae, mas pela sua missão específica dentro da Igreja, e consequentemente pela modalidade da sua situação jurídica”  (p. 126)

  • Fiel, Leigo é o mesmo?

 

Fiel é gênero, do qual clérigo e leigo são espécies.

 

Fieis são aqueles que, por terem sido incorporados em Cristo pelo batismo, foram constituídos em povo de Deus e por este motivo se tornaram a seu modo participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo e, segundo a própria condição, são chamados a exercer a missão que Deus confiou à Igreja para esta realizar no mundo. (Cân. 204 parágrafo 1º. do Código de Direito Canônico).

 

Por instituição de Jesus Cristo, os fieis podem ser clérigos, ou leigos. E de ambos podem haver fieis que seguem os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência que se consagram a Deus de modo peculiar, embora não sejam uma estrutura separada dentro da hierarquia da Igreja. São os religiosos. Há portanto, clérigos religiosos e leigos religiosos. (vide Cân. 207 do Código de Direito Canônico).

 

Assim, há fiel leigo e há fiel clérigo.

 

Aqui neste estudo, vamos focar no fiel leigo que não é religioso.

 

“…ao lado da igualdade na ordem básica  do Povo de Deus, há uma diversidade funcional, também juridicamente  relevante. Pois bem, o fundamento dessa diversidade, d não outro, será o do caráter que distinga os fieis em clérigos, leigos e religiosos. A Sagrada Escritura, ao falar, pela boca de São Paulo, da diversidade da Igreja, coloca este fundamento na multiplicidade das funções – da mesma maneira que os diferentes membros de um corpo têm diversa missão – ou seja, na variedade de ministérios, tudo na unidade de um só corpo, e portanto na unidade da missão da igreja.” (p. 126)

  • Unidade da Igreja – Multiplicidade de funções ou multiplicidade de ministérios

 

“Na Igreja há diversidade de ministérios, mas unidade de missão. Cristo confiou aos Apóstolos e aos seus Sucessores a missão de ensinar,santificar, apascentar em seu nome e com seu poder. Mas os leigos, tornados participantes da missão sacerdotal, profética e real de Cristo, desempenham funções próprias na missão do Povo de Deus, na Igreja e no mundo.” (Decreto Apostolicam actuositatem número 2).

  • Papel do leigo: sacerdócio comum

 

Os leigos, uma vez que, como todos os fieis, são deputados para o apostolado em virtude do batismo e da confirmação, têm a obrigação geral e gozam do direito de, quer individualmente, quer reunidos em associações, trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e em todas

As partes da terra; esta obrigação torna-se mais urgente nas circunstâncias em que só por meio deles os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Têm ainda o dever peculiar de, cada qual segundo a própria condição, imbuir e aperfeiçoar com espírito evangélico a ordem temporal, e de dar testemunho de Cristo especialmente na sua atuação e no desempenho das suas funções seculares. Os que vivem no estado conjugal, segundo a própria vocação, têm o dever peculiar de trabalhar na edificação do povo de Deus por meio do matrimônio e da família. Os pais, já que deram ao vida aos filhos, têm a obrigação gravíssima e o direito de os educar, por consequência, aos pais cristãos compete primariamente cuidar da educação cristã dos filhos, segundo a doutrina da Igreja. (Cân. 225, parágrafos 1º. E 2º, e Cân. 226, parágrafos 1º. E 2º).

“…o leigo tem uma função específica e peculiar e própria, que não corresponde a todos os fieis e que, portanto, lhe pertence a ele em virtude da sua condição laical. Por outras palavras, que a sua missão tem um caráter próprio e peculiar como resultado da sua posição no contexto das relações sociais. Caráter próprio e peculiar que o faz diferente de clérigos e religiosos.” (PORTILLO, 1971, p. 127)

“O Concílio faz notar com toda a clareza que tem necessidade dos leigos, que os leigos fazem parte integrante e ativa da Igreja;  ….As palavras que Pio XII pronunciara encontram agora a sua plena confirmação e inteira realização: ´eles (os leigos) devem ter um convencimento cada vez mais claro, não só de que pertencem à Igreja, mas também de que são a Igreja.” (PORTILLO, 1971, p. 127)

  • Alguns exemplos de fermentos renovadores que contribuíram para aprofundar o conhecimento da natureza e estrutura da Igreja.

 

“…a aprovação das associações – e a doutrina de autores espirituais – que puserem em destaque a existência de uma vocação universal à santidade, mostrando assim que o leigo não é um cristão de segunda classe, antes ensinando que também ele deve realizar o radicalismo das exigências da mensagem de Cristo. Como escrevia uma das personalidades mais destacadas neste campo: ´Viemos dizer, com humildade de quem se sabe pecador e pouca coisa  – homo pecator sum, dizemos com Pedro – mas com a fé de quem se deixa guiar pela mão de Deus, que a santidade não é para privilegiados: que a todos chama o Senhor, que de todos espera Amor: de todos, estejam onde estiverem, de todos, qualquer que seja o seu estado, a sua profissão ou o seu ofício. “ (citação à uma Carta de São Josemaria Escrivá de Balaguer, Madrid, 24- iii-1930). (PORTILLO, 1971, p. 128)

“…Temos também as diversas obras nascidas por impulso dos últimos pontífices, em especial de Pio XI que ‘ lançou os leigos na ação social e na Ação Católica, a fim de colaborarem com a hierarquia da instituição divina, para estabelecimento do reino de Cristo na vida civil.´Trabalho que, por ricochete, levou a meditar sobre o tema das relações entre a Hierarquia e o laicado, e sobre as questões relacionadas com a autonomia temporal dos cristãos.” (PORTILLO, 1971, p. 128).

  • Quais os documentos que tratam especificamente sobre o leigo na Igreja?

 

São: Constituição Lumen Gentium e o Decreto Apostolicam Actuositatem, além do Código de Direito Canônico e do Catecismo da Igreja Católica.

  • Leigos: desafio de encontrar o ponto de convergência entre a Unidade de Vida Interior e Exterior

 

“…os leigos têm de saber encontrar no cumprimento contínuo da Vontade de Deus – descoberta nas circunstâncias próprias da vida secular  o ponto de convergência de todas as suas ações, de modo que cheguem a alcançar plenamente a unidade de vida sem a qual o cristão seria um homem interiormente dividido.” (PORTILLO, 1971, p. 163).

  • A função apostólica do leigo está na sua inserção no terreno temporal.

 

Diz o Concílio Vaticano II – “Esta vida de íntima união com Cristo na Igreja alimenta-se de auxílios espirituais, comuns a todos os fieis, sobretudo pela participação ativa na Sagrada Liturgia e eles devem empregá-los de tal forma que, enquanto cumprem com retidão as obrigações do mundo nas condições ordinárias da vida, não separem da sua vida a união com Cristo, mas cresçam nela, cumprindo o seu dever segundo a vontade de Deus. É por este caminho que os leitos devem avançar na santidade com decisão e alegria, esforçando-se por vencer as dificuldades com prudência e paciência. Nem as preocupações familiares, nem outras ocupações temporais, devem estar fora do plano sobrenatural da vida, conforme as palavras do Apóstolo: Tudo o que fizerdes por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças a Deus Pai por Ele (Col. 3,17). Uma vida assim exige um constante exercício de fé, da esperança e da caridade.”

  • Diferença de ministérios – unidade de missão

 

“A Const. Lumen Gentium descreve com nitidez a distinção de ministérios….´Os Pastores sabem que não foram instituídos por Cristo para assumirem sozinhos toda a missão da Igreja para salvar o mundo, mas que o seu excelso múnus é apascentar os fieis e reconhecer-lhes os serviços  e carismas, de tal maneira que todos, a seu modo, cooperem unanimemente na tarefa comum´. Como se pode ver, os Sagrados Pastores no exercício da sua função hierárquica têm o dever de reconhecer a missão que, na Igreja, cabe aos leigos.”  (PORTILLO, 1971, p. 167)

  • Direito dos fieis leigos

 

“1º. – A liberdade de realizar a sua própria ação apostólica e cooperar assim na missão total da Igreja;

2º. – O direito de que o apostolado próprio e legítimo seja respeitado e não impedido…

3º. – A liberdade de manter as características próprias do apostolado laical…

4º. – O direito a associar-se que corresponde a todos os fieis ….” (PORTILLO, 1971, p. 167-8)

  • Facetas do apostolado dos leigos

 

Segundo o Concílio Vaticano II são elas:

  • Testemunho de vida
  • Fazer-se presente e operante nos lugares e condições em que o Povo de Deus não poderia ser sal da terra senão pelos leigos
  • Ajudar a Hierarquia, como aqueles que ajudam Paulo na difusão do Evangelho
  • Santificar a família e o matrimônio
  • Aspectos do Apostolado dos leigos:

 

Álvaro Del Portillo enumera, em síntese, o seguinte:

“1º. Ser fermento cristão nas realidades temporais”

Significa ordenar as realidades temporais para que sejam realizadas segundo Cristo.

“2º. – A santificação do trabalho profissional, como opus perfectum, feito intencionalmente para cooperar na obra da Criação e como contribuição pessoal para a realização do plano providencial de Deus na história. Este fim, precisamente, foi considerado como gonzo ou eixo da espiritualidade específica do Opus Dei, uma das associações que mais têm contribuído para o processo de desenvolvimento da espiritualidade laical e do apostolado dos leigos. ´Não se trata – escrevia o seu Fundador em 1940 – de temporalizar a missão sobrenatural de Cristo e da sua Igreja: trata-se exatamente do contrário, de sobrenaturalizar a ação temporal do homem. Porque estamos plenamente convencidos de que todo o trabalho humano legítimo, por mais humilde, pequeno e insignificante que pareça, pode ter sempre um sentido transcendente.”

“3º.  A inspiração cristã das estruturas políticas, sociais, econômicas, jurídicas etc por outras palavras, pertence-lhes o apostolado do meio social que os outros membros da Igreja dificilmente podem realizar de maneira direta, promover a paz e a solidaridade dos povos etc.” (PORTILLO, 1971, p. 171-2).

  • ALMA SACERDOTAL DO LEIGO

Na Antiga Aliança, o sacerdote era constituído para intervir em favor dos homens em suas relações com Deus para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados, conforme explica São Paulo na Carta aos Hebreus 5,1.

O sacerdócio de Aarão (irmão de Moisés) que guiava e santificada o povo, os serviço litúrgicos que eram feitso pelos da Tribo de Levi e os setenta anciãos, aos quais foram comunicados o Espírito dado a Moisés auxiliando este no governo do povo santo descendente de Abraão  (Nm 11, 24-25)  prefiguraram o ministério ordenado da nova aliança. Essa prefigurações do sacerdócio da Antiga Aliança encontram cumprimento em Cristo Jesus único mediador entre Deus e os homens e sacerdote eterno na ordem de Melquisedec (Gn 14,18, Hb 5,10, 6,20). Foi Jesus quem por seu único sacrifício da Cruz levou à perfeição e para sempre o que ele santifica (Hb 10,14).

O sacrifício na Cruz está presente no sacrifício eucarístico da Igreja.

Santo Tomás de Aquino diz que “Por isso Cristo é o verdadeiro sacerdote; os outros são seus ministros”.

Segundo nos explica o Catecismo, ponto 1554, a palavra “sacerdos” designa bispos e sacerdotes.

Tanto o episcopado (dos bispos) e o presbiterado (sacerdotes) são graus de participação ministerial no sacerdócio de Cristo.

O diaconado (dos diáconos) também é uma participação ministerial no sacerdócio de Cristo, destinado a ajudar e servir os bispos e os sacerdotes.

Os três (episcopado, presbiterado e diaconado) são conferidos por um ato sacramental chamado ordenação ou Sacramento da Ordem, que foi o modo que Deus pensou para que a economia da salvação opere para todos até hoje.

Mas, não somente os bispos, os sacerdotes, os diáconos são sacerdotes. A ideia de Jesus foi mais ampla,  fazer da Igreja um “reino de sacerdotes para Deus, seu Pai” (Ap 1,6).

A comunidade inteira dos fieis é sacerdotal, explica-nosso o Catecismo ponto 1546 : “É pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação que os fieis são ´consagrados para ser um sacerdócio santo.” (Lumen Gentium 10).

A diferença é que o ministro ordenado (ou seja, o bispo, o sacerdote, o diácono que recebem o Sacramento da Ordem respectivo) por causa do Sacramento da Ordem agem “in persona Christi Capitis” (na pessoa de Cristo Cabeça).

No Antigo Testamento, o sacerdote Aarão por exemplo, era a figura de Cristo, hoje o sacerdote age em sua pessoa, nos explica Santo Tomás de Aquino Suma Theológica III, 22,4.

O sacerdócio do ministro é MINISTERIAL e depende inteiramente de Cristo e do seu sacerdócio único, pois é o Sacramento da Ordem que comunica um “poder sagrado” que é o poder de Cristo.

O sacerdócio do ministro, sacerdócio ministerial representa Cristo diante dos fieis e serve para nos representar nas orações e no sacrifício eucarístico, mas não como representantes nossos.

Quando eles, sacerdotes ministeriais, oram e fazem a oferenda o fazem em nome de toda a Igreja (Cabeça e membros), ou seja, é Cristo no culto, Cristo total (Cabeça – Jesus – e nós membros) orando e oferecendo por Ele, com Ele e Nele numa unidade que ocorre do Espírito Santo e é feita a Deus Pai. É  “todo o corpo, caput et membra que ora e se oferece” (ponto 1553, Catecismo).

Assim, há sacerdotes ministeriais e os sacerdotes comuns (nós), mas ambos , diz a Lumen gentium 10, participamos do único sacerdócio que é o de Cristo, único mediador entre Deus e os homens.

Os sacerdotes ministeriais estão aí para cuidar do rebanho se Cristo, está a serviço do sacerdócio comum dos fieis batizados e crismados, e agem na pessoa de Cristo Cabeça. Nós agimos como membros do Corpo Místico de Cristo, com uma vida de fé, de esperança e de caridade e de uma vida segundo o Espírito (ponto 1547).

“Todos nos, destinados a sermos outros cristos, como os apóstolos, por obra do Escultor Divino, temos dentro da ama o arquétipo no qual devemos transformar

Os nossos irmãos, os homens: fazer deles, também, outros cristos. Não pensemos que essa tarefa está reservada apenas aos sacerdotes. Nós todos temos também essa responsabilidade. Cada batizado – você, minha irmã, meu irmão – tem o sacerdócio real que nos foi conferido pelo Sacramento do Batismo.

Você leva, no fundo da sua alma, gravado o sacerdócio de Cristo. Você tem alma sacerdotal, de acordo com o que nos diz São Pedro: ´Vós sois raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus (I Pe. 2,9). Você tem a responsabilidade de formar os outros, de esculpir nos outros a personalidade de Cristo.”

(CIFUENTES, 2002,  p. 29).

“A nós , filhos de Deus, importam-nos todas as almas, porque nos importa cada uma delas.” (Sulco, São Josemaria Escrivá, ponto 750).

Isso mesmo, a nós, filhos de Deus importam-nos todas as almas. A missão apostólica não é somente dos fieis que são chamados ao sacerdócio ministerial, mas de todos nós filhos de Deus.

“Esta universalidade é exigência direta da nossa filiação divina.” Quando fomos incorporados a Cristo pelo batismo e nos tornamos filhos de Deus, passamos a participar de Cristo e da sua missão. Na realidade, é isto o que fazemos ao identificarmo-nos com Cristo, continuar a sua missão na terra: sermos mediadores entre Deus e os homens e entre os homens e Deus. Levar aos homens a Deus e pedir a Deus por nós próprios e pelos nossos irmãos os homens. Pelo Batismo todos participamos do sacerdócio de Cristo. Esta realidade sobrenatural, o sacerdócio comum dos fieis, não impede que sejamos pessoas correntes, da rua, com a mentalidade própria dos leigos que vivem no meio do mundo mas que se sabem com alma cristã. Pessoas, pois, com mentalidade laical e alma sacerdotal, como gostava de dizer  São Josemaria Escrivá. (CARVAJAL, 1996, p. 159-60).

  • COMO VIVER NA PRÁTICA ESSA ALMA SACERDOTAL?

 

“O apostolado não é uma atividade a mais a juntar-se às ocupações normais do filho de Deus, nem algo sobreposto à sua vida interior, ao esforço constante por se idenficar com Cristo. É uma consequência natural:

Olhamos para as almas como Cristo, com um coração compassivo, na medida em que nos identificamos com Ele. …Do mesmo modo que a vida, a realidade humana, pode e deve ser ocasião de comunicação com Deus – oração – vida de Cristo em nós, também ´o apostolado é como a respiração do cristão: um filho de Deus no pode viver sem esse pulsar espiritual.´(ESCRIVÁ, Cristo que passa n. 122)” (CARVAJAL, 1996, p.161).

Assim como Deus ama todos, nós também. “Por essa razão, temos de respeitar e amar todas as almas. Não temos de amá-las só pelo seu comportamento, mas por aquilo que são. E se à nossa volta houver quem se porte mal ou tenha uma conduta menos digna de um filho de Deus temos de os amar também porque essa vida  ´é sagrada: Cristo morreu para redimir! Se Ele não a desprezou, como podes tu atrever-te a desprezá-la´(ESCRIVÁ, Amigos de Deus, ponto 256)” (CARVAJAL, 1996, p. 161).

  • ASSIM COMO CRISTO É UMA PESSOA DIVINA EM UM CORPO E ALMA HUMANOS …

 

Como sabemos, em Jesus há uma união hipostática. Ele é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade que se uniu hipostaticamente à humanidade de Jesus.

Jesus é uma pessoa divina, e não humana, e suas ações refletem as ações de Deus.

Assim também devemos em certo sentido sermos nós.

Temos uma alma de sacerdotes, somos filhos de Deus pela graça, o nosso agir deve também refletir as ações de Deus em nós:

“Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho que clama: Abba, Pai. De modo que já não és escravo, mas filho.” Gal 4,5-6.

Sem duplicidade, em perfeita unidade de vida, devemos agir como Cristo age, porque pelo batismo recebemos o Espírito de Deus.

“La doctrina de la unión hipostática nos indica, pues, el camino de la auténtica secularidad Cristiana. Las realidades – seculares – del mundo valen y han de ser respetadas em sua naturaleza secular (como queda respetada la naturaleza humana de Nuestro Senor); Pero no AL margen de su referencia a Dios, según quisieran algunos secularismos ateos y, desde luego, nada cristianos. Así como la humanidad de Jésus existe por la persona del Verbo, nuestras inquietudes y ajetreos adquieren sua vigência por esa relación constante con Dios: relación que nunca debemos olvidar, sino fomentar; siendo bien conscientes de Ella.” (PERO-SANZ, 1998, p. 104-5)

  • CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Vamos pedir a Deus que, como filhos (as) de Deus, cresça em nós o afã apostólico até sermos fecundos como  Cristo. “Ele é a vide e nós somos os sarmentos; daremos frutos nEle e glória a seu Pai e a nosso Pai Deus na medida em que estivermos unidos a Ele.” (CARVAJAL, 1996, p. 160).

BIBLIOGRAFIA

 

CARVAJAL Francisco Fernández e Pedro Beteta Lópes, Diel, 1996

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO

CIFUENTES. Rafael Llano. A força e a suavidade do Espírito Santo –Marques Saraiva Gráficos e Editores, Rio de Janeiro, 2002.

ESCRIVÁ. Josemaria .  É Cristo que passa.

_______________. Amigos de Deus: homilias, Quadrante: São Paulo, 2000.

PERO-SANZ, José Miguel. El Símbolo Atanasiano – e la Trinidad a la Encarnación – Cuadernos Palabra, Madrid,  1998.

PORTILLO, Álvaro Del. Os fieis e o leigo na Igreja, Aster, Lisboa, 1971.